{"id":205987,"date":"2021-04-25T09:30:11","date_gmt":"2021-04-25T08:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=205987"},"modified":"2021-04-24T11:35:53","modified_gmt":"2021-04-24T10:35:53","slug":"portugal-o-pior-que-pode-acontecer-a-um-pais-e-nao-ter-um-sistema-de-justica-que-funcione-d-jose-ornelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-o-pior-que-pode-acontecer-a-um-pais-e-nao-ter-um-sistema-de-justica-que-funcione-d-jose-ornelas\/","title":{"rendered":"Portugal: \u00abO pior que pode acontecer a um pa\u00eds \u00e9 n\u00e3o ter um sistema de justi\u00e7a que funcione\u00bb &#8211; D. Jos\u00e9 Ornelas"},"content":{"rendered":"<p><em>Pelos 47 anos do 25 de abril, a Renascen\u00e7a e a Ecclesia conversam com o presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP). D. Jos\u00e9 Ornelas est\u00e1 preocupado com o aumento das desigualdades sociais e com a lentid\u00e3o da Justi\u00e7a, que s\u00f3 agrava os populismos<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_205991\" aria-describedby=\"caption-attachment-205991\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-205991 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-5-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-205991\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A crise econ\u00f3mica causada pela pandemia tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o constante das suas mais recentes interven\u00e7\u00f5es, j\u00e1 admitiu que h\u00e1 par\u00f3quias com graves dificuldades financeiras. Isso resulta apenas da suspens\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e da falta de pedit\u00f3rios, ou vai para al\u00e9m disso?<\/em><\/p>\n<p>Tudo isso se insere dentro do ambiente que estamos a viver, e que n\u00e3o \u00e9 nada simp\u00e1tico.\u00a0\u00c9 uma crise que atinge toda a gente, e n\u00f3s n\u00e3o ficamos enxutos no meio deste aguaceiro. Tamb\u00e9m as comunidades crist\u00e3s sofrem da mesma conting\u00eancia\u00a0e, segundo aquele que \u00e9 o seu modo de viver, procuram encontrar solu\u00e7\u00f5es dentro de uma solidariedade que come\u00e7a nas comunidades, mas tamb\u00e9m vai para al\u00e9m delas.<\/p>\n<p>Eu digo sempre que Deus n\u00e3o nos prometeu uma vida f\u00e1cil, o que prometeu \u00e9 que ia estar connosco tamb\u00e9m nas maiores dificuldades que encontramos. Nesta situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 grave, \u00e9 muito natural que muitas comunidades que j\u00e1 viviam praticamente sobrevivendo, agora encontrem maiores dificuldades. N\u00e3o s\u00f3 na regi\u00e3o de Set\u00fabal, mas pelo pa\u00eds inteiro, mas numa regi\u00e3o que depende muito do turismo e da restaura\u00e7\u00e3o, que ocupa dezenas de milhar de pessoas, sobretudo nesta margem norte da diocese, e tamb\u00e9m na parte sul, desde Set\u00fabal at\u00e9 ao Cabo Espichel, d\u00e1 trabalho a muita gente\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitas desses dificuldades v\u00e3o bater \u00e0s portas das par\u00f3quias, e algumas n\u00e3o conseguem dar resposta. As dioceses t\u00eam capacidade de ajudar as par\u00f3quias, ou a quest\u00e3o ser\u00e1 mais transversal?<\/em><\/p>\n<p>De facto, nem todas as par\u00f3quias t\u00eam capacidade para responder a todas as situa\u00e7\u00f5es que aparecem, e que se multiplicaram. Mas, antes de mais, localmente t\u00eam contado com a colabora\u00e7\u00e3o da sociedade civil, muito. Por exemplo, para um fator elementar que \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o. As grandes superf\u00edcies comerciais, os supermercados, t\u00eam sido generosos nesse sentido. Isto \u00e9 uma coisa capilar&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa foi uma li\u00e7\u00e3o deste tempo, o trabalho em rede? A necessidade de, no terreno, estarem todos juntos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, mas tamb\u00e9m ao n\u00edvel das autarquias e da Seguran\u00e7a Social. Atrav\u00e9s dos centros sociais e outros organismos da Diocese, como as confer\u00eancias vicentinas, todas as semanas s\u00e3o milhares e milhares de fam\u00edlias que s\u00e3o assistidas nesta rede. Agora, por exemplo, que v\u00e3o chegando as dificuldades de pagar rendas, \u00e1gua, etc , j\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o mais complicada, mas tamb\u00e9m h\u00e1 mecanismos da Seguran\u00e7a Social que permitem dar essa ajuda. Portanto, a liga\u00e7\u00e3o entre estas institui\u00e7\u00f5es, o tal\u00a0trabalhar em rede, \u00e9 fundamental. Espero que seja uma boa aprendizagem deste tempo. Ali\u00e1s, na diocese sempre tivemos essa liga\u00e7\u00e3o com as entidades estatais e sociais, sempre tivemos um grande contacto e uma sinergia muito interessante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, a crise tamb\u00e9m afeta as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es. Na recente Assembleia Plen\u00e1ria da CEP, os bispos manifestaram preocupa\u00e7\u00e3o pela\u00a0sustentabilidade das IPSS,\u00a0defendendo que, pelo servi\u00e7o que prestam, deviam ser apoiadas tamb\u00e9m pelo minist\u00e9rio da sa\u00fade, n\u00e3o s\u00f3 pela Seguran\u00e7a Social. A\u00a0Igreja tenciona intervir\u00a0nesse sentido, com contactos com governo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s fazemos ver as dificuldades, porque \u00e9 o pa\u00eds todo que deve encontrar caminhos novos. N\u00e3o podemos pensar, por exemplo, nos lares de idosos, simplesmente como um lugar onde se v\u00e3o passar os \u00faltimos anos da vida, porque hoje, com o aumento da longevidade &#8211; e isso \u00e9 um bem &#8211; tamb\u00e9m aumentam as situa\u00e7\u00f5es de dem\u00eancia, de doen\u00e7as que precisam cada vez mais de cuidados, e a rede de cuidados continuados e paliativos \u00e9 muito escassa no pa\u00eds. Estes lares tantas vezes t\u00eam de fazer contas com isso\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>T\u00eam de ter pessoal especializado.<\/em><\/p>\n<p>E de ter outro tipo de cuidados, porque estas pessoas exigem um acompanhamento constante. Estas institui\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 sobrevivem \u00e0 tona de \u00e1gua, apenas, n\u00e3o conseguem encontrar solu\u00e7\u00f5es para todas estas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Temos de ver isto dentro de um contexto comum, de todos, porque algumas destas institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o-se especializado, cada vez, para responder \u00e0s necessidades segmentadas das pessoas a quem assistem. Mas, temos tamb\u00e9m de ver que ao n\u00edvel do Estado os contributos que d\u00e1 j\u00e1 n\u00e3o cobrem as despesas destas institui\u00e7\u00f5es. Porque na maior parte dos casos &#8211; e esse \u00e9 outro fator &#8211; os setores da popula\u00e7\u00e3o que assistimos s\u00e3o os setores de rendimentos mais baixos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_205988\" aria-describedby=\"caption-attachment-205988\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-205988 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-8.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-205988\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Ficou surpreendido com os recentes dados que indicam que um quinto dos portugueses vive em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, e que desses, mais de metade at\u00e9 tem emprego?<\/em><\/p>\n<p>Aprendi a ver, porque basta fazer contas: uma pessoa que recebe o ordenado m\u00ednimo, pagar renda &#8211; e as rendas subiram, mas os ordenados n\u00e3o subiram na mesma propor\u00e7\u00e3o -, n\u00e3o chega.<\/p>\n<p>Conto-lhe um facto que me marcou, e que se multiplica, s\u00e3o muitos casos. Numa ocasi\u00e3o estava a almo\u00e7ar numa destas institui\u00e7\u00f5es &#8211; que na altura da crise tinha o restaurante solid\u00e1rio, que era um programa governamental -, e dizia-me o administrador da institui\u00e7\u00e3o: &#8220;olhe, algumas das pessoas que est\u00e3o a comer ao nosso lado s\u00e3o familiares de empregados nossos, e isso significa que estamos a pagar um ordenado n\u00e3o d\u00e1 lhes d\u00e1 para porem na mesa tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es por dia. Este \u00e9 o meu drama, porque n\u00e3o posso aumentar (mensalidades), porque estas pessoas que vivem aqui n\u00e3o t\u00eam possibilidade de pagar mais, e aqui fazemos as contas sempre para chegar ao fim do m\u00eas e ao fim do ano com isto sol\u00favel, com o m\u00ednimo de estabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 um problema nacional, mas ligado a isto est\u00e3o outros fen\u00f3menos.\u00a0N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as pessoas com menos rendimentos que t\u00eam dificuldade em sobreviver, s\u00e3o tamb\u00e9m os nossos estudantes, que acabam os cursos, depois do Estado ter investido centenas e milhares de euros na sua forma\u00e7\u00e3o, e depois, porque aqui n\u00e3o t\u00eam capacidade de sobreviver com o curso que fizeram, v\u00e3o para fora.\u00a0Isto \u00e9 um dessangramento tremendo da nossa capacidade de sermos, do ponto de vista econ\u00f3mico e social, uma sociedade equilibrada. Porque se mandamos para fora os nossos c\u00e9rebros, quem formamos, eles n\u00e3o v\u00e3o para os pa\u00edses mais pobres, o que serviria para equilibrar o sistema a n\u00edvel mundial, v\u00e3o \u00e9 para os pa\u00edses mais ricos.<\/p>\n<p>Uma sociedade equilibrada e sustent\u00e1vel n\u00e3o pode ter diferen\u00e7as deste g\u00e9nero, e quando pensamos nas grandes fortunas que se fizeram durante a pandemia, com o aumento at\u00e9 dos rendimentos de quem mais ganha, \u00e9 um contrassenso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As desigualdades agravaram-se?<\/em><\/p>\n<p>Agravaram-se, e o resultado \u00e9 este.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do Papa Francisco. Vai ser tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja em Portugal no p\u00f3s-pandemia, n\u00e3o s\u00f3 a resposta social, mas de transforma\u00e7\u00e3o, de pensar um novo sistema?<\/em><\/p>\n<p>A Confer\u00eancia Episcopal fez dois documentos, e no primeiro, sobre os aspetos sociais da pandemia e do p\u00f3s-pandemia, um dos pontos que l\u00e1 vem \u00e9 precisamente esse.<\/p>\n<p>A pandemia veio mostrar-nos que este mundo a duas velocidades n\u00e3o funciona.\u00a0E se n\u00e3o funciona num pa\u00eds como o nosso, onde ainda h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o social &#8211; com o que tem de necessidade de melhorias, mas de qualquer forma temos assegurado o m\u00ednimo, e durante este tempo tamb\u00e9m se fizeram algumas leis muito interessantes e ajustadas a esta situa\u00e7\u00e3o -, imagine-se o resto. N\u00e3o pode ser assim.<\/p>\n<p>Veja agora o problema das vacinas. Felizmente temos um quadro ordenado, a n\u00edvel nacional e no contexto europeu, que nos leva a minimizar toda esta quest\u00e3o e a dar-lhe crit\u00e9rios de justi\u00e7a e objetivos para chegar l\u00e1. N\u00e3o \u00e9 perfeito&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem havido bastantes pol\u00e9micas.<\/em><\/p>\n<p>Sim, mas n\u00e3o atingem o substancial das coisas, globalmente\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O processo de vacina\u00e7\u00e3o tem corrido bem, do seu ponto de vista?<\/em><\/p>\n<p>Uma campanha destas, com os meios que implica, isto n\u00e3o pode correr tudo sobre carris intoc\u00e1veis. V\u00e3o acontecer coisas, abusos, erros de interpreta\u00e7\u00e3o e de c\u00e1lculo, tudo isto pode acontecer, mas de um modo geral penso que temos o sistema a funcionar.\u00a0A n\u00edvel europeu tamb\u00e9m. \u00c9 evidente que os ego\u00edsmos est\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0 vista. Por outro lado, se formos comparar a n\u00edvel internacional, h\u00e1 tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o de solidariedade \u2013 e espero que possa exprimir-se n\u00e3o simplesmente para poder responder \u00e0s nossas necessidades, mas tamb\u00e9m aos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 foi vacinado?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Mas, espera ser?<\/em><\/p>\n<p>Ouvi agora, quando vinha para aqui de carro, que chegou a minha vez. E, naturalmente, vou utiliz\u00e1-la o mais rapidamente poss\u00edvel. Eu n\u00e3o tenho de contrair o v\u00edrus, j\u00e1 estive confinado tr\u00eas vezes, se acontecer, aconteceu, isso n\u00e3o me tira a liberdade do que tenho a fazer. Mas que me imp\u00f5e cuidados, imp\u00f5e, porque contacto com tantas pessoas que n\u00e3o posso estar a servir de meio de transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<figure id=\"attachment_205990\" aria-describedby=\"caption-attachment-205990\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-205990 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-6-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-205990\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste dia 25 de abril assinalam-se os 47 anos da revolu\u00e7\u00e3o. Como olha para o estado atual da democracia em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Democracias perfeitas n\u00e3o existem\u2026 Quem ainda viveu no tempo da antiga senhora sabe o que isso significa e\u00a0o que me d\u00f3i \u00e9 ver, mesmo gente jovem, com saudades de um tempo em que n\u00e3o viveu.<\/p>\n<p>Por exemplo, o direito de votar:\u00a0eu n\u00e3o entendo que haja pessoas que n\u00e3o votem. N\u00e3o entendo. Eu, no m\u00ednimo, vou l\u00e1, nem que seja para votar em branco, mas continua a ser sempre com emo\u00e7\u00e3o que vou votar. \u00c9 algo de que tanta gente, milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas nesse mundo, est\u00e3o \u00e0 espera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Faz falta mem\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, daquilo pelo qual se lutou.\u00a0Faz-nos falta uma certa \u201cfome de\u201d, para podermos entender o pre\u00e7o e a preciosidade do que n\u00f3s temos.<\/p>\n<p>Lembro-me que, no 25 de Abril, estava com um italiano que tinha vivido tamb\u00e9m o fascismo na It\u00e1lia, que me disse: \u201cOrnelas, este \u00e9 um dia bonito, \u00e9 o dia da Liberdade\u201d. J\u00e1 era pela tarde, parecia que tudo estava consolidado. Mas, tamb\u00e9m disse: \u201cO problema vai ser agora viver em liberdade\u201d. E ele tinha a no\u00e7\u00e3o do que foi o sistema pol\u00edtico italiano, que vai de um lado a outro\u2026<\/p>\n<p>Toda esta busca de um caminho de diversidade, de aceitar a diversidade\u2026\u00a0O problema da democracia \u00e9 esse: aceitar a diversidade e n\u00e3o simplesmente com o paternalismo que alguns querem\u00a0\u2013 se o chefe pensa por ti, por que \u00e9 tu h\u00e1s de pensar? Sem o dizer, \u00e9 isto que estamos a fazer todos.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o posso admitir que o Bill Gates venha mandar na minha cabe\u00e7a, j\u00e1 me chateia muito que me programem o computador e o coloquem a fazer op\u00e7\u00f5es sobre as quais n\u00e3o disse nada. J\u00e1 reclamei, por exemplo, porque todas as segundas-feiras me mandam os meus percursos, como se me estivessem a fazer um servi\u00e7o\u2026 S\u00e3o os meus pol\u00edcias, os meus poss\u00edveis delatores e, ainda por cima, apresentam-se como meus benfeitores. E eu j\u00e1 perguntei: mas quem vos pediu? O problema \u00e9 que n\u00e3o tenho alternativa, preciso destes meios. Mas algu\u00e9m est\u00e1 a servir-se destes meios para me controlar. Todas as vezes que abro o computador, eu vou ter aos sites que eles julgam que me interessam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para estes 47 anos da revolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, j\u00e1 falamos na quest\u00e3o econ\u00f3mica e o pa\u00eds podia estar melhor, pelo menos na expectativa das pessoas. Que outras \u00e1reas \u00e9 que o preocupam? A justi\u00e7a, de que tanto se tem falado ultimamente, na sequ\u00eancia do processo da \u2018Opera\u00e7\u00e3o Marqu\u00eas\u2019, podia tamb\u00e9m estar mais consolidada?<\/em><\/p>\n<p>Podia e deveria. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 casos medi\u00e1ticos, mas h\u00e1 duas coisas que \u00e9 importante saber: uma \u00e9 que com este populismo, que vem das redes sociais, uma das coisas s\u00e9rias \u00e9 precisamente conceito de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o entro no m\u00e9rito jur\u00eddico da quest\u00e3o,\u00a0claro que o caso medi\u00e1tico destas semanas deixa-nos perplexos,\u00a0e n\u00e3o \u00e9 simplesmente sobre o bem e o mal. \u00c9 que dois ju\u00edzes, at\u00e9 se pode aceitar, no mesmo processo d\u00e3o pareceres totalmente diferentes. Quer dizer que h\u00e1 um fator de pondera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que me deixa muito pouco tranquilo. Isso \u00e9 assim t\u00e3o pouco cred\u00edvel?<\/p>\n<p>Claro que depois, tecnicamente, os t\u00e9cnicos t\u00eam dito que, se calhar, o nosso sistema tem de ser revisto na forma de instaurar estes megas processos, etc., etc. N\u00e3o entro no m\u00e9rito disso, n\u00e3o \u00e9 o meu campo.<\/p>\n<p>Agora, que de facto temos\u00a0esta justi\u00e7a a demorar tanto tempo, n\u00e3o pode ser. Porque, depois, o que acontece que se vai fazer justi\u00e7a na rua. E isto tamb\u00e9m de cada jornalista achar que tem, que \u00e9 o meu perigo tamb\u00e9m aqui, de me p\u00f4r a dar opini\u00f5es sobre isto\u2026 Tem de haver respeito pelo trabalho que \u00e9 feito, pelos magistrados, que deve ser respeitado, mas tamb\u00e9m, minimamente, um respeito pelo segredo de justi\u00e7a. Sen\u00e3o a pessoa antes de ir a tribunal j\u00e1 est\u00e1 condenada ou absolvida, e isto n\u00e3o \u00e9 bom para democracia, nem para a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Temos de ter um sistema que me d\u00ea garantias de que n\u00e3o caio quando entro, n\u00e3o caio num vidro onde n\u00e3o tenho onde me apoiar. Tenho de ter a justi\u00e7a\u2026 a B\u00edblia diz, quando se abalam os fundamentos onde \u00e9 que o justo pode esperar. E os fundamentos s\u00e3o os da justi\u00e7a.\u00a0O pior que pode acontecer a um pa\u00eds \u00e9 n\u00e3o ter um sistema de justi\u00e7a que funcione, porque n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma quest\u00e3o que se levantou no \u00faltimo ano, com os v\u00e1rios confinamentos, e a suspens\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, por parte das v\u00e1rias confiss\u00f5es, isto afetou de alguma forma a rela\u00e7\u00e3o Igreja\/Estado? Tem havido respeito pelo direito \u00e0 liberdade de culto e tem havido coopera\u00e7\u00e3o entre as duas partes?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nos digam qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o, antes de mais. Para qualquer institui\u00e7\u00e3o tem de ser assim, eu n\u00e3o tomo decis\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es que afetam muitas pessoas, simplesmente do meu ponto de vista.<\/p>\n<p>Claro que me custou muito celebrar a P\u00e1scoa o ano passado com a S\u00e9 vazia mas, ao mesmo tempo, \u00e9 algo de sofrido, mas assumido, e at\u00e9 com um sentido de que estamos a contribuir para que seja poss\u00edvel ultrapassar isto.<\/p>\n<p>Na vida \u00e9 tantas vezes assim, se vou para uma opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 porque gosto de opera\u00e7\u00f5es, \u00e9 porque \u00e9 preciso. Para ultrapassar a crise \u00e9 preciso passar por a\u00ed.<\/p>\n<p>O caso aqui \u00e9 que enfrentamos uma situa\u00e7\u00e3o perigosa para as pessoas, e, portanto, o respeito pela vida \u00e9 o fundamental. Para isso, precisamos das autoridades, porque isto n\u00e3o est\u00e1 na minha m\u00e3o. Eu n\u00e3o decreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_205989\" aria-describedby=\"caption-attachment-205989\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-205989 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D-Jose-Ornelas-7.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-205989\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Mas, esse relacionamento Igreja\/Estado, do seu ponto de vista, correu bem?<\/em><\/p>\n<p>Tem corrido, com respeito. Percebemos, desde o in\u00edcio, que celebrar nestas situa\u00e7\u00f5es, todos juntos, n\u00e3o pode ser. Depois, fomos tendo orienta\u00e7\u00f5es, em di\u00e1logo com os respons\u00e1veis e t\u00e9cnicos, para saber como \u00e9 que se pode celebrar em seguran\u00e7a, e temos conseguido.<\/p>\n<p>Agora,\u00a0houve momentos, sobretudo quando vieram as novas estirpes e est\u00e1vamos a chegar ao colapso do sistema de sa\u00fade, n\u00e3o se pode brincar. At\u00e9 pelo respeito pelas pessoas que s\u00e3o atingidas, que s\u00e3o vitimas, e por aqueles que os tratam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se a situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica o justificar de novo a Igreja suspender\u00e1 as celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias outra vez?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se pode celebrar de um modo, vamos procurar outros modos. N\u00e3o s\u00e3o alternativas, mas s\u00e3o aqueles que s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E houve grande criatividade, por parte da Igreja.<\/em><\/p>\n<p>Grande criatividade. N\u00e3o vamos suscitar mais uma pandemia para ter criatividade, mas se surgir mais uma pandemia, somos obrigados a ter criatividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelos 47 anos do 25 de abril, a Renascen\u00e7a e a Ecclesia conversam com o presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP). D. Jos\u00e9 Ornelas est\u00e1 preocupado com o aumento das desigualdades sociais e com a lentid\u00e3o da Justi\u00e7a, que s\u00f3 agrava os populismos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":205993,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[147],"class_list":["post-205987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-conferencia-episcopal-portuguesa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205987\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205993"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}