{"id":20579,"date":"2006-10-10T13:04:58","date_gmt":"2006-10-10T13:04:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/10\/questao-de-vida-ou-de-morte\/"},"modified":"2006-10-10T13:04:58","modified_gmt":"2006-10-10T13:04:58","slug":"questao-de-vida-ou-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/questao-de-vida-ou-de-morte\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o de vida ou de morte"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o se pode pedir aos que dizem n\u00e3o ao aborto uma linguagem doce e d\u00fabia para n\u00e3o ferir a opini\u00e3o dos que vigorosamente o defendem at\u00e9 ao absurdo.  <!--more--> O que mais enfureceu os ocidentais na reac\u00e7\u00e3o do mundo mu\u00e7ulmano \u00e0 publica\u00e7\u00e3o das caricaturas de Maom\u00e9 foi a amea\u00e7a de cercear a liberdade dos artistas e pensadores. Ou, melhor ainda, o risco que corre quem escreve o que pensa sobre qualquer mat\u00e9ria. A liberdade de express\u00e3o sentiu-se ofendida por aqueles que se ofenderam com a express\u00e3o da liberdade. Estamos num aparente jogo de palavras. Mais que isso, de interesses, que se refugiam nas palavras para imporem os seus pontos de vista. Assim a \u00e9tica vai ganhando colora\u00e7\u00f5es circunstanciais como o bailarino vai rodando e ritmando o corpo consoante a m\u00fasica o exige.  O debate sobre o referendo ao aborto, em Portugal, est\u00e1 a tomar alguns contornos bizarros. Existem \u00e1reas sociais e pol\u00edticas que n\u00e3o t\u00eam o mais pequeno rebu\u00e7o em propa-gandear o seu ponto de vista e o seu terreno claro de luta, com um inequ\u00edvoco sim ao aborto. Dessas tribunas emerge a sugest\u00e3o de que a Igreja mudou de opini\u00e3o e n\u00e3o faz qualquer campanha contra o aborto. E intercala nessa orat\u00f3ria o pressuposto de que a Igreja se n\u00e3o deve pronunciar sobre a mat\u00e9ria, por n\u00e3o ser religiosa. O pol\u00edtico na tribuna partid\u00e1ria, parlamentar ou ministerial, pode confessar-se publicamente sobre o tema \u2013 com isso fazendo opini\u00e3o \u2013 quando a sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 sim. Na Igreja, o presidente duma celebra\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u201cproibido\u201d de dizer o que pensa e o que pensa a Igreja porque isso \u00e9 fazer campanha. (H\u00e1 j\u00e1 escritos com essa teoria). Tanto dum lado como do outro h\u00e1 regras de dec\u00eancia e linguagem que devem pautar os discursos, na apresenta\u00e7\u00e3o honesta de argumentos e raz\u00f5es pr\u00f3 ou contra. Mas n\u00e3o se pode pedir aos que dizem n\u00e3o ao aborto uma linguagem doce e d\u00fabia para n\u00e3o ferir a opini\u00e3o dos que vigorosamente o defendem at\u00e9 ao absurdo. A vida concede direitos e argumentos inquebrant\u00e1veis. E ningu\u00e9m que apoie o aborto at\u00e9 \u00e0s nove semanas e\u2026 seis(?) dias, pense que est\u00e1 a apoiar a vida. Chame-se o que se chamar estamos perante uma quest\u00e3o de vida ou morte. Nunca a Igreja em dois mil anos hesitou sobre esta mat\u00e9ria. Reconhecendo, embora, que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 religiosa mas humana. Tal como a pobreza, a viol\u00eancia, a guerra, o racismo n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es religiosas. Mas t\u00eam a ver com o Dec\u00e1logo.  A liberdade n\u00e3o pode ser coarctada em nome duma imagin\u00e1ria mudan\u00e7a de \u00f3ptica da Igreja em mat\u00e9ria t\u00e3o vital.  Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se pode pedir aos que dizem n\u00e3o ao aborto uma linguagem doce e d\u00fabia para n\u00e3o ferir a opini\u00e3o dos que vigorosamente o defendem at\u00e9 ao absurdo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[93],"class_list":["post-20579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-aborto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}