{"id":205575,"date":"2021-04-20T11:37:11","date_gmt":"2021-04-20T10:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=205575"},"modified":"2021-04-20T11:37:23","modified_gmt":"2021-04-20T10:37:23","slug":"os-prazeres-de-nossa-senhora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-prazeres-de-nossa-senhora\/","title":{"rendered":"Os Prazeres de Nossa Senhora"},"content":{"rendered":"<p><em>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/image0-1.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-205576 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/image0-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/image0-1.jpeg 720w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/image0-1-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/image0-1-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/a>1 \u2013 A Igreja experimenta agora este Grande Domingo, como refere Santo Atan\u00e1sio, que designa o tempo largo de j\u00fabilo pascal que se estende at\u00e9 \u00e0 solenidade de Pentecostes. Na Arquidiocese de Braga a extens\u00e3o do tempo pascal adquire especial significado. A tradi\u00e7\u00e3o do Compasso, bastante enraizada no seu territ\u00f3rio, n\u00e3o se limita ao domingo festivo, mas estende-se frequentemente \u00e0 Segunda-Feira de P\u00e1scoa e ao Domingo seguinte conhecido como Pascoela. Segundo o rito bracarense \u00e9 precisamente na segunda-feira de Pascoela que se assinala a Festa de Nossa Senhora da Alegria, ou das Alegrias de Nossa Senhora, tamb\u00e9m referenciada como de Nossa Senhora dos Prazeres. Com o objetivo de assinalar o gozo de Maria ap\u00f3s percecionar a ressurrei\u00e7\u00e3o do seu filho em contraponto com a dor sentida aos p\u00e9s da cruz, esta celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica ter\u00e1 sido introduzida por iniciativa do Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires em 1566. Quando foi introduzida na Igreja de Braga esta celebra\u00e7\u00e3o j\u00e1 era assinalada em Lisboa e \u00c9vora, dioceses onde ainda hoje mant\u00e9m uma singular popularidade.<\/p>\n<p>2 &#8211; Apesar de n\u00e3o ser uma festa exclusiva do costume bracarense, esta ocorr\u00eancia confirma o pendor mariano que \u00e9 atribu\u00eddo ao rito bracarense. Conv\u00e9m recordar que na celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o s\u00e3o significativas as alus\u00f5es marianas. Durante a recita\u00e7\u00e3o do prec\u00f3nio pascal \u00e9 efetuada um elogio \u00e0 abelha, que produz a cera, seguindo-se uma alus\u00e3o \u00e0 pureza de Maria. Outra das refer\u00eancias marianas na celebra\u00e7\u00e3o pascal acontece aquando da realiza\u00e7\u00e3o da Prociss\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Segundo o rito bracarense, a mesma deve efetuar-se acompanhada pelo c\u00e2ntico \u201cRegina Coeli\u201d (Rainha do C\u00e9u), que celebra a alegria de Maria ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>3 &#8211; Apesar dos Evangelhos n\u00e3o confirmarem a apari\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo a Maria ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 um facto que esta presum\u00edvel apari\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo a sua m\u00e3e j\u00e1 era usual na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 oriental, de onde ali\u00e1s prov\u00e9m a inclina\u00e7\u00e3o mariana do cristianismo. No s\u00e9culo VI, j\u00e1 S\u00e3o Romano, o melodista (?-c. 560), comenta no seu &#8220;Hino 25&#8221; um putativo di\u00e1logo de Cristo com Maria aos p\u00e9s da cruz no qual refere: \u00abDescansa, M\u00e3e, ser\u00e1s tu a primeira a ver-Me sair do t\u00famulo\u00bb. Tamb\u00e9m Santo In\u00e1cio de Loiola, no seu livro dos Exerc\u00edcios Espirituais, na primeira contempla\u00e7\u00e3o na semana em que prop\u00f5e a medita\u00e7\u00e3o de Cristo ressuscitado \u00e9 precisamente a Maria, concedendo-lhe um protagonismo que as pr\u00f3prias narrativas evang\u00e9licas n\u00e3o lhe concedem: \u00abApareceu \u00e0 Virgem Maria; o quem ainda que se n\u00e3o diga na Escritura, se tem como dito, ao dizer que apareceu a tantos outros\u00bb.<\/p>\n<p>4- Tamb\u00e9m o Papa Jo\u00e3o Paulo II o sublinha, afirmando que \u00e9 \u201cleg\u00edtimo pensar que, de modo semelhante a M\u00e3e tenha sido a primeira pessoa a quem Jesus ressuscitado apareceu\u201d. Ali\u00e1s, a aus\u00eancia de Maria do grupo das mulheres que ao alvorecer se dirige ao sepulcro (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>. 16, 1; Mt. 28, 1), n\u00e3o poderia talvez constituir um ind\u00edcio do facto de Ela j\u00e1 se ter encontrado com Jesus?\u201d Esta dedu\u00e7\u00e3o encontraria confirma\u00e7\u00e3o no dado que as primeiras testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o, por vontade de Jesus, foram as mulheres, que tinham permanecido fi\u00e9is ao p\u00e9 da Cruz, e, portanto, mais firmes na f\u00e9.\u00a0(&#8230;)\u00a0Sendo imagem e modelo da Igreja, que espera o Ressuscitado e que no grupo dos disc\u00edpulos O encontra durante as apari\u00e7\u00f5es pascais, parece razo\u00e1vel pensar que Maria tenha tido um contacto pessoal com o Filho ressuscitado, para gozar tamb\u00e9m ela da plenitude da alegria pascal<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Como refere Von Balthasar, Maria \u00e9 &#8220;porta do c\u00e9u&#8221;, afirmando-se muito mais relevante do que Pedro o &#8220;porteiro celeste&#8221; ou qualquer outro disc\u00edpulo de Jesus. \u00c9 ela que nos permite entrar na presen\u00e7a do seu Filho<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Por isso mesmo, torna-se clarividente para os m\u00edsticos a apari\u00e7\u00e3o de Cristo ressuscitado a sua m\u00e3e. Se apareceu para tantos outros, como n\u00e3o se revelar para Maria?<\/p>\n<p>5 \u2013 O aparecimento desta celebra\u00e7\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o bracarense poder\u00e1 estar vinculado \u00e0 chegada dos Jesu\u00edtas \u00e0 cidade de Braga em 1560, ou seja, seis anos antes da sua introdu\u00e7\u00e3o. A \u2018inclina\u00e7\u00e3o\u2019 jesu\u00edtica na atribui\u00e7\u00e3o de um lugar privilegiado a Maria nas din\u00e2micas devocionais confirma a intui\u00e7\u00e3o de que a introdu\u00e7\u00e3o desta festa na Igreja bracarense possa ter ocorrido por sua influ\u00eancia. Al\u00e9m desta especial evoca\u00e7\u00e3o de Maria junto do ressuscitado, a Companhia de Jesus foi pioneira na introdu\u00e7\u00e3o do culto \u00e0 dormi\u00e7\u00e3o de Maria, mais conhecida por Nossa Senhora da Boa Morte. O facto do \u00fanico vest\u00edgio da evoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora dos Prazeres na cidade de Braga se encontrar no templo do Col\u00e9gio de S\u00e3o Paulo, entregue \u00e0 Companhia de Jesus entre 1560 e 1759, \u00e9 um argumento portentoso na fundamenta\u00e7\u00e3o desta celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica.<\/p>\n<p>6 &#8211; Apesar da celebra\u00e7\u00e3o dos Prazeres de Maria se ter enraizado no cultual bracarense, \u00e9 rara a exist\u00eancia de exemplares desta iconografia, ou mesmo de Cristo ressuscitado. Uma das mais peculiares representa\u00e7\u00f5es desta evoca\u00e7\u00e3o de Maria na Arquidiocese de Braga \u00e9 a Nossa Senhora da Alegria, que encontramos em Aboim da N\u00f3brega, que apresenta a m\u00e3e de Jesus com vestes e express\u00e3o rejubilante a tocar uma viola ou cavaquinho. Na cidade de Braga decorre ainda uma outra celebra\u00e7\u00e3o de enorme significado neste \u00e2mbito. Na Bas\u00edlica dos Congregados, onde em 1761 se fundou a Irmandade de Nossa Senhora das Dores que propagou esta devo\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds, realiza-se no final da Vig\u00edlia Pascal uma pr\u00e1tica que evoca a alegria de Maria ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o. A imagem de Nossa Senhora das Dores a\u00ed venerada \u00e9 coroada solenemente ap\u00f3s lhe serem retiradas cada uma das sete espadas. A cerim\u00f3nia finda com a coroa\u00e7\u00e3o da imagem, retirando-se o resplendor e colocando-se uma coroa real. Os sinos repicam e vivencia-se a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o. A imagem permanece sem as suas \u201cdores\u201d durante todo o per\u00edodo pascal.<\/p>\n<p>7 \u2013 A imagem de Maria despindo-se das suas dores e experimentando a alegria do Cristo ressuscitado durante o tempo pascal deveria ser um convite vigoroso a uma viv\u00eancia mais intensa deste especial tempo proposto aos crist\u00e3os e ainda experimentado na Arquidiocese de Braga e em algumas outras comunidades em Portugal. A devo\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora da Alegria \u00e9 um contraponto muito oportuno \u00e0 evoca\u00e7\u00e3o das Dores de Maria, que certamente justificaria uma popularidade mais assinal\u00e1vel nas pr\u00e1ticas devocionais e na pr\u00f3pria liturgia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rui Ferreira<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> JO\u00c3O PAULO II, <em>\u201cMaria e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d<\/em> in Audi\u00eancia de 21 de Maio de 1997. (dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\">www.vatican.va<\/a>)<\/p>\n<p>0000<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/le-citazioni.it\/frasi\/141513-hans-urs-von-balthasar-su-maria-ella-e-porta-del-cielo-e-assai-piu-d\/\">https:\/\/le-citazioni.it\/frasi\/141513-hans-urs-von-balthasar-su-maria-ella-e-porta-del-cielo-e-assai-piu-d\/<\/a> (visto em 18\/04\/2021)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":186439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-205575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205575"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205575\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/186439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}