{"id":205409,"date":"2021-04-19T12:02:30","date_gmt":"2021-04-19T11:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=205409"},"modified":"2021-04-19T12:02:30","modified_gmt":"2021-04-19T11:02:30","slug":"a-regra-de-ouro-e-as-relacoes-humanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-regra-de-ouro-e-as-relacoes-humanas\/","title":{"rendered":"A regra de ouro e as rela\u00e7\u00f5es humanas"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0<\/em><em>Formado em Filosofia e Teologia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_152027\" aria-describedby=\"caption-attachment-152027\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-152027 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-152027\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Somos seres relacionais. Estamos todos ligados por la\u00e7os de maior ou menor proximidade. Como devemos agir na rela\u00e7\u00e3o com os outros para podermos viver juntos e felizes?<\/p>\n<p>A chamada \u201cregra de ouro\u201d indica-nos o caminho: tratar os outros como queremos ser tratados. Seguindo este princ\u00edpio, cultivamos rela\u00e7\u00f5es humanas mais saud\u00e1veis e contribu\u00edmos para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Princ\u00edpio \u00e9tico<\/strong><\/h4>\n<p>A regra de ouro \u00e9 um princ\u00edpio \u00e9tico fundamental com origens na sabedoria de antigas tradi\u00e7\u00f5es culturais, religiosas e filos\u00f3ficas da humanidade. Exprime-se em duas formula\u00e7\u00f5es simples, uma negativa e outra positiva.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo chin\u00eas Conf\u00facio (551-479 a. C.) deixou-nos uma formula\u00e7\u00e3o negativa muito conhecida: \u00abN\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti\u00bb (<em>Os Analectos<\/em> 15, 23). A formula\u00e7\u00e3o positiva, mais exigente, vem dos ensinamentos de Jesus de Nazar\u00e9: \u00abTudo o que quereis que os outros vos fa\u00e7am, fazei-o tamb\u00e9m a eles\u00bb (Mt 7, 12).<\/p>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as na sua formula\u00e7\u00e3o, a regra de ouro \u00e9 comum \u00e0s grandes religi\u00f5es: juda\u00edsmo, cristianismo, i<em>slamismo,<\/em> hindu\u00edsmo e budismo, entre outras. Para al\u00e9m disso, encontra-se em diversas culturas e filosofias, desde a Antiguidade, sendo compartilhada por crentes e n\u00e3o crentes de todo o mundo, ao longo da hist\u00f3ria. \u00c9 patrim\u00f3nio universal.<\/p>\n<p>No seu sentido \u00e9tico, esta regra desafia cada um de n\u00f3s a cuidar de si mesmo e dos outros, a amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo. Somos irm\u00e3os, membros da fam\u00edlia humana, iguais em dignidade e em direitos. Como seres conscientes e respons\u00e1veis, devemos querer para todos o bem que queremos para n\u00f3s pr\u00f3prios. Isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Implica a supera\u00e7\u00e3o do egocentrismo.<\/p>\n<p>A regra de ouro \u00e9 um princ\u00edpio que orienta a nossa conduta moral na vida em sociedade. Mas n\u00e3o funciona como uma f\u00f3rmula m\u00e1gica e infal\u00edvel para resolver todos os problemas da conviv\u00eancia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Aplica\u00e7\u00e3o da regra<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 um erro aplicar \u00e0 letra a regra de ouro. De facto, a sua aplica\u00e7\u00e3o literal, ing\u00e9nua ou interesseira, pode gerar comportamentos incorretos nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Porqu\u00ea? Simplesmente porque cada pessoa tem necessidades e gostos diferentes.<\/p>\n<p>Quem se preocupa apenas com os seus pontos de vista ou os seus sentimentos, deve refletir sobre o conselho bem-humorado do escritor irland\u00eas Bernard Shaw (1856-1950): \u00abN\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que gostarias que te fizessem a ti. O gosto deles pode n\u00e3o ser o mesmo.\u00bb<\/p>\n<p>Para aplicar a regra de forma s\u00e1bia, precisamos de empatia, capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros para compreendermos a sua situa\u00e7\u00e3o, o que eles pensam, sentem e querem. Com empatia, cada um de n\u00f3s deve perguntar a si mesmo: \u00abSe eu estivesse na mesma situa\u00e7\u00e3o, o que gostaria ou aceitaria que me fizessem?\u00bb Cumprir a regra de ouro \u00e9 tratar os outros humanamente como queremos ser tratados, em circunst\u00e2ncias semelhantes.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, se n\u00e3o queremos a viol\u00eancia, n\u00e3o vamos us\u00e1-la contra ningu\u00e9m; se queremos a verdade, vamos ser honestos e n\u00e3o mentir; se queremos o perd\u00e3o, vamos perdoar; se queremos a justi\u00e7a, vamos ser justos; se queremos a compaix\u00e3o, vamos ser compassivos; se queremos a solidariedade, vamos ser solid\u00e1rios. Em s\u00edntese, vamos tomar a iniciativa de fazer o bem e evitar o mal, com respeito incondicional pela dignidade de cada pessoa. Sem discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Educadores e l\u00edderes empenhados na forma\u00e7\u00e3o moral e c\u00edvica dos jovens devem transmitir-lhes a sabedoria milenar da regra de ouro. Bem aplicada, esta regra \u00e9 um caminho para humanizar as rela\u00e7\u00f5es, garantir o respeito m\u00fatuo, defender os direitos humanos e promover uma conviv\u00eancia mais pac\u00edfica entre as pessoas. \u00c9 um convite ao abra\u00e7o da fraternidade.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro<br \/>\n<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0Formado em Filosofia e Teologia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152027,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-205409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205409\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}