{"id":205128,"date":"2021-04-14T15:17:24","date_gmt":"2021-04-14T14:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=205128"},"modified":"2021-04-14T15:18:47","modified_gmt":"2021-04-14T14:18:47","slug":"o-resgate-da-soberana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-resgate-da-soberana\/","title":{"rendered":"O resgate da Soberana"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Carlos Aquino, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_203339\" aria-describedby=\"caption-attachment-203339\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-203339 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/loule-mae-soberana7.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-203339\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/CB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pelo segundo ano consecutivo um pequeno resto de povo como fermento, o povo crist\u00e3o de Loul\u00e9, que se afirma e cresce envolvido pela presen\u00e7a divina da M\u00e3e do Filho de Deus, invocada e amada como Senhora da Piedade, a M\u00e3e Soberana, permitiu que a mesma n\u00e3o ficasse im\u00f3vel na sua Ermida quinhentista a olhar do alto a Cidade e os seus filhos. Foi de novo resgatada do poder furibundo desse novo e odioso senhor cujo manto invis\u00edvel vai corroendo pela doen\u00e7a e pela morte os homens deste mundo. N\u00e3o desceu uma vez mais \u00e0 Cidade como Tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos mas foi levada para o seu Santu\u00e1rio. E a Cidade foi convidada a subir ao monte e a percorrer com firme piedade e devo\u00e7\u00e3o a cal\u00e7ada que conduz \u00e0 Casa da M\u00e3e cujas portas nunca foram fechadas mesmo nos tempos em que a crise profunda originada pela nefasta Pandemia enclausurou o povo em suas casas.<\/p>\n<p>O ano passado, embora n\u00e3o sejam reconhecidos por todos os devotos como os oficiantes que importam nas festas em sua honra, considerados os \u201cbem-arrumadinhos do ritualismo oficial\u201d, os que domesticam e organizam a festa, foi o clero que, na verdade, a resgatou do sil\u00eancio e da solid\u00e3o. Em nome de um povo que n\u00e3o \u00e9 pag\u00e3o mas muito dele pr\u00f3digo na busca de sentido e de caminhos para a vida foram eles os mediadores da presen\u00e7a junto da M\u00e3e em nome de todos os filhos da Cidade e peregrinos, que a Covid-19 n\u00e3o permitiu nem visita nem festa em sua honra. Nem a Senhora emudeceu a voz, distanciando o olhar e apartando o cora\u00e7\u00e3o, nem o povo deixou de a ela se poder ofertar e suplicar. Mas para muitos s\u00f3 tem sentido a explos\u00e3o e a exuber\u00e2ncia da alegria duma multid\u00e3o em festa que canta, aclama e dan\u00e7a em gestos de uma religiosidade espont\u00e2nea e popular. Como se a \u201creza\u201d fosse coisa indispens\u00e1vel no trato com a M\u00e3e. A Soberana \u00e9 do povo. Assim o dizem.<\/p>\n<p>Este ano muitos continuaram imergidos na sua tristeza e inconformismo, outros na revolta e maledic\u00eancia: \u201ca Santa n\u00e3o vem, de novo, \u00e0 Cidade!\u201d; \u201cQue tristeza n\u00e3o haver as solenes festividades em honra da M\u00e3e Soberana\u201d; \u201cA Cidade fica mais pobre e triste!\u201d. At\u00e9 o tempo em muitos dias acolheu os lamentos deste povo que lhe pede piedade e agora n\u00e3o j\u00e1 como nos princ\u00edpios do seu culto as \u00e1guas indispens\u00e1veis da chuva para os campos: \u201cA chuva s\u00e3o l\u00e1grimas e tristeza de Nossa Senhora\u201d. Dir\u00e3o outros: \u201cmilagre natural da vida e que faz tanta falta. Para o ano fa\u00e7a-se a festa com pompa e circunst\u00e2ncia\u201d. Entre uns e outros porque a Santa n\u00e3o desce e faz falta a festa e os vivas que re\u00fane a Cidade e os milhares de forasteiros peregrinos parece adiada de novo a alegria e a vida.<\/p>\n<p>At\u00e9 os reconhecidos oficiantes principais, os \u201cHomens do Andor\u201d e os \u201cTochas\u201d est\u00e3o mergulhados nesta inconformidade e perplexidade, particularmente os que j\u00e1 exerceram esse sublime sacerd\u00f3cio, pegar no andor em nome de todos os filhos da Cidade, uma honra invej\u00e1vel, fun\u00e7\u00e3o de um orgulho inexprim\u00edvel de modo particular para a mocidade: \u201cum ano mais e n\u00e3o se desce \u00e0 Cidade, que tristeza!\u201d \u00c9 como uma alta miss\u00e3o a realizar, que n\u00e3o se exerce depois de longo e \u00e1rduo tempo de prepara\u00e7\u00e3o e expetativa: \u201ceste ano n\u00e3o se d\u00e1 a volta \u00e0 Cidade\u201d; \u201cN\u00e3o vai ao ar a M\u00e3e Soberana!\u201d. N\u00e3o se escutam as aclama\u00e7\u00f5es que rasgam de emo\u00e7\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o: \u201cViva a M\u00e3e Soberana! Viva os homens do andor!\u201d.<\/p>\n<p>Mas na verdade n\u00e3o se pode calar o amor \u00e0 M\u00e3e Soberana, a Sant\u00edssima Virgem da Piedade, M\u00e3e de Jesus Salvador. Resgatamo-la cada ano que passa com a f\u00e9 e a devo\u00e7\u00e3o e ela resgata-nos com o poder do seu manto que nos envolve de C\u00e9u e de amor misericordioso.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode apartar do olhar e do cora\u00e7\u00e3o a sua Imagem de v\u00e9speras, a candura do rosto duma jovem que sustem ao seu colo como um trono o seu bendito filho morto e com sua m\u00e3o direita nos mostra o seu rosto qual gr\u00e3o de trigo a ser lan\u00e7ado \u00e0 terra para que germine em fruto novo. N\u00e3o se pode n\u00e3o ficar emocionado com o seu olhar que nos penetra profundamente a alma, um olhar ferido mas n\u00e3o acusat\u00f3rio, o olhar expressivo e penetrante duma jovem M\u00e3e que cuida e vela por todos os filhos que a ela fora entregue pelo Seu Filho na Cruz. Parece segredar-nos com ternura: \u201cN\u00e3o tenhas medo. Recome\u00e7a. Sobe alto. Olha o C\u00e9u\u201d. Ela \u00e9 na verdade para todos os Louletanos e povo que a ela acorre a M\u00e3e. A Senhora duma nova Primavera. Para os crist\u00e3os a M\u00e3e da P\u00e1scoa nova. Nela o C\u00e9u parece descer misteriosamente \u00e0 terra e fazer reflorescer a vida de um povo, todo ele oficiante das festas em sua honra, que se recusa \u00e0 tristeza e \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Assim, em cada ano \u00e9 resgatada pela f\u00e9, pela cren\u00e7a, pelo amor, pelo cora\u00e7\u00e3o de quem se sente filho e protegido. Assim o sente e o vive na alegria e na express\u00e3o da f\u00e9 o povo de Loul\u00e9. Uma M\u00e3e nos protege, guarda e conduz. Uma M\u00e3e aponta-nos o caminho e faz-se caminho connosco, peregrinos da Esperan\u00e7a e da Luz!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Carlos Aquino, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":172155,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-205128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/172155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}