{"id":205103,"date":"2021-04-14T11:20:07","date_gmt":"2021-04-14T10:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=205103"},"modified":"2021-04-14T11:22:48","modified_gmt":"2021-04-14T10:22:48","slug":"a-cruz-escondida-140","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-140\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Religiosa portuguesa descreve \u201cfilme de terror\u201d em Cabo Delgado<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_205009\" aria-describedby=\"caption-attachment-205009\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fais-mocambique.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-205009 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fais-mocambique-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fais-mocambique-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fais-mocambique-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fais-mocambique-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/fais-mocambique.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-205009\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/figcaption><\/figure>\n<h4>\u201cMataram pessoas \u00e0 nossa frente\u2026\u201d<\/h4>\n<p>S\u00e3o relatos de uma viol\u00eancia extrema. Pessoas que fugiram dos ataques em Cabo Delgado, a prov\u00edncia situada a norte de Mo\u00e7ambique, descrevem as atrocidades que est\u00e3o a ser cometidas pelos terroristas. Algumas destas fam\u00edlias procuraram ref\u00fagio em Lichinga, a 400 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. \u00c9 a\u00ed que vamos encontrar a Irm\u00e3 M\u00f3nica da Rocha. Ela pede ajuda \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS para os sobreviventes desta \u201cguerra cruel\u201d\u2026<\/p>\n<p>Dia 24 de Mar\u00e7o vai ficar como um marco no horror em Cabo Delgado. Nessa quarta-feira, a vila de Palma, no extremo norte de Mo\u00e7ambique, foi palco de um ataque por parte de terroristas que reclamam estar filiados no Daesh, o Estado Isl\u00e2mico. A cidade, com cerca de 50 mil habitantes, esvaziou-se face \u00e0 brutalidade dos jihadistas. Nos dias seguintes, sucederam-se os relatos do terror, de pessoas em fuga, escondidas no mato, com fome e medo. O Padre Kwiriwi Fonseca, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o da Diocese de Pemba, descrevia \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS o \u201ctotal desespero\u201d das popula\u00e7\u00f5es, com fam\u00edlias destro\u00e7adas, desconhecendo o paradeiro uns dos outros, com crian\u00e7as perdidas, um caos absoluto. O Padre Kwiriwi falava em \u201cmuita gente \u00e0 deriva\u201d. Desde que come\u00e7aram os ataques, em Outubro de 2017, calcula-se que ter\u00e3o morrido mais de duas mil pessoas e haver\u00e1 cerca de 700 mil deslocados. N\u00fameros que ter\u00e3o agora de ser actualizados com o ataque \u00e0 vila de Palma. Para a Irm\u00e3 M\u00f3nica da Rocha, respons\u00e1vel pela Casa do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, em Lichinga, na prov\u00edncia de Niassa, a pouco mais de 400 quil\u00f3metros de Cabo Delgado, esta \u00e9 uma realidade que faz parte j\u00e1 do seu dia-a-dia. Apesar da dist\u00e2ncia, nesta regi\u00e3o vamos encontrar um campo de deslocadas. \u00c9 o campo de Malica. Por l\u00e1, abrigadas em tendas, est\u00e3o cerca de quatro dezenas de fam\u00edlias. Os relatos que esta religiosa portuguesa natural de Arouca escutou s\u00e3o o retrato, com toda a frieza, do que est\u00e1 a acontecer. S\u00e3o descri\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia extrema. Numa mensagem enviada para Portugal, para a Funda\u00e7\u00e3o AIS, a irm\u00e3 cita o testemunho de alguns dos sobreviventes dos ataques. \u201cEles entravam em casa de repente e mataram algumas pessoas \u00e0 nossa frente e depois mandaram-nos embora para contarmos o que tinham feito\u2026\u201d. Num outro relato, contaram-lhe que os terroristas \u201cpegaram fogo \u00e0s pessoas que n\u00e3o fossem mu\u00e7ulmanas e recusassem ser insurgentes\u2026 e quem tentava fugir era morto a tiro\u2026\u201d<\/p>\n<h4><strong>Revolta e impot\u00eancia<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p>A irm\u00e3 faz o que pode para o acolhimento destas pessoas que passaram por uma experi\u00eancia absolutamente desumana. A Irm\u00e3 M\u00f3nica pertence \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Reparadoras de Nossa Senhora de F\u00e1tima, cuja miss\u00e3o inclui neste momento apenas duas irm\u00e3s e quatro jovens aspirantes. Ela fala desta \u201cguerra cruel\u201d em Cabo Delgado como sendo \u201cum filme de terror\u201d e mostra a sua indigna\u00e7\u00e3o pela incapacidade de as autoridades defenderem as popula\u00e7\u00f5es. \u201cSinto revolta e impot\u00eancia perante esta realidade. Revolta porque considero que j\u00e1 h\u00e1 muito se poderia ter acabado com esta guerra t\u00e3o cruel e sem sentido.\u201d Todos os deslocados que v\u00e3o parar \u00e0 prov\u00edncia de Niassa precisam de ajuda para tudo. S\u00e3o pessoas sem nada, desorientadas, que est\u00e3o longe das terras onde sempre habitaram, que transportam consigo uma mem\u00f3ria feita de horror e morte. E a irm\u00e3 pede ajuda. Pede a nossa ajuda. As necessidades s\u00e3o muitas. \u201cDesde roupa, cal\u00e7ado e lenha, que \u00e9 um bem essencial para cozinhar, at\u00e9 \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que \u00e9 composta por farinha, arroz, massa, feij\u00e3o, verduras, \u00f3leo, sal, a\u00e7\u00facar\u2026\u201d A irm\u00e3 pede ajuda para estas fam\u00edlias que ficaram sem nada, v\u00edtimas da viol\u00eancia terrorista. A todos os que \u201cpoderem ajudar\u201d, diz a Irm\u00e3 M\u00f3nica Moreira da Rocha, que o fa\u00e7am \u201catrav\u00e9s da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS) ou da minha Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Reparadoras de Nossa Senhora de F\u00e1tima\u201d. \u201cEm nome deste povo, a minha gratid\u00e3o\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Religiosa portuguesa descreve \u201cfilme de terror\u201d em Cabo Delgado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-205103","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205103\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}