{"id":204924,"date":"2021-04-11T09:36:23","date_gmt":"2021-04-11T08:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204924"},"modified":"2021-04-11T09:36:23","modified_gmt":"2021-04-11T08:36:23","slug":"as-pessoas-tem-de-ser-cuidadas-e-nao-e-so-com-um-prato-de-sopa-pedro-raul-cardoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-pessoas-tem-de-ser-cuidadas-e-nao-e-so-com-um-prato-de-sopa-pedro-raul-cardoso\/","title":{"rendered":"\u00abAs pessoas t\u00eam de ser cuidadas e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com um prato de sopa\u00bb \u2013 Pedro Ra\u00fal Cardoso"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretor de um dos centros sociais mais ativos em Lisboa, Pedro Ra\u00fal Cardoso fala das consequ\u00eancias dram\u00e1ticas que a aus\u00eancia prolongada de conv\u00edvio e socializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ter em muitos idosos<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_204929\" aria-describedby=\"caption-attachment-204929\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-204929 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9133-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-204929\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O Centro Social e Paroquial de Arroios tem sido pioneiro em v\u00e1rios projetos diferenciadores no apoio aos idosos. Como \u00e9 foi voltar a abrir o Centro de Dia? Era um momento esperado?<\/em><\/p>\n<p>Estamos ainda a estudar como fazer. Neste momento temos respostas acopladas, no mesmo espa\u00e7o coabita uma outra resposta que \u00e9 o Centro de Noite, e descanso do cuidador, que desde mar\u00e7o do ano passado tem sido uma resposta altamente requisitada. Como damos um sem n\u00famero de respostas a pessoas muito envelhecidas &#8211; estamos a falar de uma m\u00e9dia de idades de 90 anos -, que mantinham a rotina de ir para o Centro de Dia, mas \u00e0 noite iam para as suas casas, incluindo aos fins de semana e tudo mais, a verdade \u00e9 que estando suspenso o Centro de Dia, essas pessoas nunca poderiam ficar sozinhas em casa, e portanto a resposta do Centro de Noite ficou lotada. Nesse sentido, ainda estamos a estudar a hip\u00f3tese de como \u00e9 que vamos abrir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, na pr\u00e1tica ainda n\u00e3o abriram?<\/em><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o abrimos na totalidade, estamos a estudar a forma, porque n\u00e3o podemos cruzar as pessoas, e apoiamos muita gente com dem\u00eancia, o que \u00e9 um enorme desafio. Como \u00e9 que as pessoas n\u00e3o se cruzam umas com as outras? Como \u00e9 que usam a m\u00e1scara? Estamos a estudar essas hip\u00f3teses, at\u00e9 porque a Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade (DGS) tamb\u00e9m emitiu umas normas para os Centros de Dia acoplados, portanto, estamos neste momento a tentar responder de forma a que, pelo menos nesta primeira fase de reabertura possamos faz\u00ea-lo dentro de uma semana a 15 dias. Como tamb\u00e9m temos m\u00e9dico, temos um corpo cl\u00ednico, decidimos em equipa que provavelmente n\u00e3o seria muito prudente reabrir j\u00e1 dia 5. E esperamos tamb\u00e9m para ver o que \u00e9 os n\u00fameros nos v\u00e3o dizer depois da P\u00e1scoa&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica vai evoluir?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, at\u00e9 porque poderemos estar aqui a dar bombons \u00e0s pessoas\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que depois t\u00eam de tirar&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Estarmos a desconfinar e depois voltamos a confinar, do ponto de vista at\u00e9 psicol\u00f3gico, e do dia a dia das pessoas, altera muito. Tamb\u00e9m tenho conhecimento de que os centros de dia n\u00e3o est\u00e3o a reabrir todos na mesma fase. H\u00e1 uns que nem v\u00e3o reabrir, h\u00e1 outros que, como n\u00f3s, est\u00e3o a estudar a hip\u00f3tese de reabrir em equipas espelho, uma semana vai um grupo, outra semana vai outro grupo, precisamente para que n\u00e3o haja um amontoado muito grande de pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com o Centro de Dia fechado as pessoas continuaram a ser acompanhadas?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Ali\u00e1s, dobr\u00e1mos. Todas as pessoas do Centro de Dia, sobretudo as mais dependentes, que faziam ali todas as suas atividades da vida di\u00e1ria &#8211; recordo que o nosso centro tem um hor\u00e1rio alargado, portanto, havia pessoas que at\u00e9 jantavam no pr\u00f3prio Centro de Dia, tomavam banho, faziam a vida toda, s\u00f3 iam dormir a casa e voltavam. Tudo isso foi refor\u00e7ado com as equipas do apoio domicili\u00e1rio.<\/p>\n<p>As pessoas foram e est\u00e3o a ser acompanhadas, consoante o n\u00edvel de depend\u00eancia mais acompanhamento temos. Refor\u00e7\u00e1mos a nossa linha solid\u00e1ria, para as pessoas n\u00e3o se sentirem sozinhas e terem o acompanhamento do Centro Social \u00e0 dist\u00e2ncia de uma chamada, e acudimos, obviamente v\u00e1rias vezes, mesmo durante a noite, por riscos de solid\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Estamos a falar de quantos utentes, no geral, em todas as val\u00eancias que t\u00eam?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento temos 85 pessoas em apoio domicili\u00e1rio, 78 pessoas em Centro de Dia, mais um grupo de 28 pessoas naquilo que n\u00f3s chamamos as &#8216;Rep\u00fablicas S\u00e9nior&#8217;, que s\u00e3o domic\u00edlios partilhados entre eles.<\/p>\n<p><em>Esses projetos pararam? Ou tiveram mais procura?<\/em><\/p>\n<p>Tivemos mais procura. Ali\u00e1s, abrimos uma nova Rep\u00fablica, a &#8216;Rep\u00fablica do Amor&#8217;, que \u00e9 uma rep\u00fablica assistida, onde efetivamente essas pessoas que n\u00e3o t\u00eam capacidade para estarem em casa sozinhas e isoladas, est\u00e3o dentro desta Rep\u00fablica e t\u00eam apoio. \u00c9 a \u00fanica Rep\u00fablica que tem apoio presencial 24 horas por dia, tem um turno de colaboradores que se v\u00e3o revezando entre si para que as pessoas n\u00e3o fiquem desacompanhadas. Essa foi uma resposta que emergiu no tempo da pandemia.<\/p>\n<p><em>J\u00e1 percebemos que os desafios foram e s\u00e3o muitos. Nestes meses o que \u00e9 que foi mais dif\u00edcil de gerir?<\/em><\/p>\n<p>O mais dif\u00edcil de gerir\u2026 Primeiro foram as emo\u00e7\u00f5es. Porque entrarmos dentro de um equipamento que tem muita vida, e de repente olhamos para os corredores vazios, a gest\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e9, de facto, complicada&#8230; Depois gerirmos as rela\u00e7\u00f5es, porque os afetos n\u00e3o se cuidam \u00e0 dist\u00e2ncia, e \u00e0s vezes basta um toque, basta um olhar para sanarmos a solid\u00e3o. E esse foi o principal desafio.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ganho que eu acho que tem de ser objetivado, que \u00e9 a forma como todos os colaboradores corresponderam, com muito sacrif\u00edcio pessoal e com muita abnega\u00e7\u00e3o, com um sentido enorme daquilo que \u00e9 o cuidar do outro.\u00a0Se, por um lado, no in\u00edcio da pandemia fic\u00e1mos com metade de uma equipa &#8211; porque tiveram mesmo de ficar em casa para cuidar dos filhos, porque as escolas tamb\u00e9m fecharam, e tudo o mais \u2013 em todos aqueles que ficaram, de facto,\u00a0houve um sentido enorme de servi\u00e7o comunit\u00e1rio, e isso \u00e9 de saudar, sobretudo num setor social e solid\u00e1rio muito pouco reconhecido, e at\u00e9 com tabelas remunerat\u00f3rias muito pouco apelativas.<\/p>\n<p>Outro dos ganhos foi, de facto, podermos recorrer ao Instituto de Forma\u00e7\u00e3o Profissional (IFP), com resposta at\u00e9 muito r\u00e1pida, para podermos ter equipas de retaguarda que nos pudessem ajudar a apoiar as pessoas, para que ningu\u00e9m ficasse para tr\u00e1s. Porque, dado este absentismo das pessoas, justificado, ter\u00edamos de garantir as equipas espelho, trabalharmos uns numa semana, outros noutra, e recorremos ao IFP e tivemos, de facto, uma resposta muito positiva, r\u00e1pida, e que deu muitos bons frutos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Dizia h\u00e1 pouco que os afetos n\u00e3o se cultivam \u00e0 dist\u00e2ncia. Que impacto real \u00e9 que se pode avaliar que tenha tido nos idosos a aus\u00eancia prolongada de conv\u00edvio, de contacto f\u00edsico e de socializa\u00e7\u00e3o? Agudizou o isolamento?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Temos aqui v\u00e1rios desafios ao n\u00edvel do psicol\u00f3gico, desde logo pelas rela\u00e7\u00f5es mantidas que se deixaram de ter, os h\u00e1bitos, as rotinas. E quando falamos dos h\u00e1bitos e das rotinas, se nos custou a n\u00f3s, que somos mais novos, e \u00e0s fam\u00edlias, podemos imaginar o que \u00e9 para uma pessoa com dem\u00eancia deixar de ter uma rotina&#8230;<\/p>\n<p><em>Elas s\u00e3o estruturantes, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.\u00a0O que estamos neste momento a sentir &#8211; passo a express\u00e3o &#8211; \u00e9 que estamos a apanhar os cacos disto. Est\u00e3o a chegar pessoas ao nosso Centro de Noite que em mar\u00e7o (2020) tinham uma rotina, eram perfeitamente aut\u00f3nomas do ponto de vista funcional, e neste momento a sua funcionalidade \u00e9 muito reduzida, est\u00e3o votadas a uma cadeira de rodas.\u00a0Tenho uma situa\u00e7\u00e3o de uma pessoa que deixou de comer, de ter h\u00e1bitos de comida, e vai definhando diariamente, o que \u00e9 um risco enorme.\u00a0Tivemos um senhor, tamb\u00e9m com dem\u00eancia e que faleceu h\u00e1 pouco tempo, que a 13 de mar\u00e7o (2020) a sua funcionalidade e autonomia f\u00edsica era \u00f3tima, e com este tempo de confinamento acabou por acamar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma esp\u00e9cie de pandemia escondida, essa perda de autonomia nos mais velhos que perderam as rotinas?<\/em><\/p>\n<p>Sim. E depois, do ponto de vista psicol\u00f3gico, houve pessoas que se desorganizaram imenso, quer na lida da casa, quer na forma como tomam a medica\u00e7\u00e3o. Embora tiv\u00e9ssemos redobrado e refor\u00e7ado o servi\u00e7o. Tivemos equipas a ser contactadas \u00e0 uma, duas, quatro ou seis da manh\u00e3, e qualquer um de n\u00f3s estava dispon\u00edvel, mas a verdade \u00e9 que houve enorme desorganiza\u00e7\u00e3o, quer do ponto de vista psicol\u00f3gico, quer do ponto de vista da mobilidade, da funcionalidade, dos h\u00e1bitos, das rotinas. E tamb\u00e9m para aqueles que vivem com os seus pr\u00f3prios familiares.\u00a0Neste momento temos fam\u00edlias em perfeita exaust\u00e3o porque est\u00e3o h\u00e1 um ano fechadas com pessoas com dem\u00eancia, est\u00e3o em teletrabalho, umas t\u00eam de cuidar dos filhos e dos pais, outras s\u00f3 dos pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1 que se exagerou nas restri\u00e7\u00f5es impostas nos lares e centros de dia? Seria poss\u00edvel fazer diferente, tendo em conta estas consequ\u00eancias a que agora assistimos na popula\u00e7\u00e3o mais idosa?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o arrisco uma resposta cient\u00edfica, at\u00e9 porque isso ainda n\u00e3o est\u00e1 estudado, quando estudarmos isso provavelmente vamos ter uma resposta. Do ponto de vista emp\u00edrico, eu at\u00e9 percebo, porque n\u00f3s somos atolados de muita informa\u00e7\u00e3o &#8211; no in\u00edcio, ent\u00e3o, ningu\u00e9m sabia o que era isto, sab\u00edamos s\u00f3 o mau da pandemia, e o medo de que as pessoas idosas apanhando a doen\u00e7a morriam. Eu acho que pec\u00e1mos um pouco por excesso devido ao medo e ao zelo, e este sentido, \u00e0s vezes exagerado, de prote\u00e7\u00e3o dos mais velhos.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o conseguimos avaliar o que \u00e9 ficar confinado num quarto 24 horas. Em algumas situa\u00e7\u00f5es nos lares isso aconteceu. S\u00f3 consigo imaginar porque tive um surto de Covid atrav\u00e9s de uma pessoa e tivemos de confinar as pessoas aos quartos&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma quest\u00e3o que quer\u00edamos saber, se efetivamente tiveram a doen\u00e7a na institui\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_204927\" aria-describedby=\"caption-attachment-204927\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204927\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9167.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-204927\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tivemos esta experi\u00eancia, lid\u00e1mos com ela sem p\u00e2nico, porque o p\u00e2nico muitas vezes retira o discernimento. As pessoas ficaram confinadas naquela semana, por ordem da sa\u00fade p\u00fablica, e quando dissemos \u00e0s pessoas que j\u00e1 podiam ir para a sala e pod\u00edamos conviver, notou-se efetivamente aquilo que foi o sentido de liberdade. Ficarmos fechados num quarto \u00e9 uma coisa que \u00e9 perfeitamente inimagin\u00e1vel\u2026<\/p>\n<p>Como \u00e9 que depois n\u00f3s, do ponto de vista da pr\u00e1tica, lidamos com isso quando entramos dentro dos quartos, completamente mascarados, e as pessoas quase que n\u00e3o nos reconhecem\u2026 Levamos os fatos completos, nas zonas de confinamento, porque h\u00e1 suspeita de Covid, e isso \u00e9 completamente a descaracteriza\u00e7\u00e3o do profissional. Nos pr\u00f3prios quartos, devidamente vestidos com m\u00e1scaras, toucas, viseiras, completamente tapados, com as pessoas a perguntar \u201cquem \u00e9s?\u201d. Do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o, emocional, at\u00e9 humano \u2013 porque al\u00e9m de profissionais, somos humanos, lidamos uns com os outros e acabamos por ter muita afinidade -, sentir esta rutura, muitas vezes, \u00e9 muito doloroso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O centro tem m\u00e9dico, como disse h\u00e1 pouco. Tamb\u00e9m tem psic\u00f3logo<\/em>?<\/p>\n<p>Tem m\u00e9dico, enfermeiro, uma psic\u00f3loga e somos quatro assistente sociais, mais uma terapeuta ocupacional, um animador. Todos n\u00f3s envidamos uma s\u00e9rie de esfor\u00e7os. Ali\u00e1s, o que se notou, tamb\u00e9m aqui nesta pandemia, \u00e9 que este trabalho salutar entre o social e a sa\u00fade trouxe enormes ganhos. Lidamos e temos lidado com esta quest\u00e3o da Covid e n\u00e3o s\u00f3 \u2013 porque h\u00e1 outras patologias \u2013 de forma at\u00e9 muito natural, muito r\u00e1pida, porque temos quem nos d\u00ea este suporte da \u00e1rea da sa\u00fade, trabalhando lado a lado connosco, porque as pessoas n\u00e3o s\u00f3 sociais nem s\u00f3 sa\u00fade. Temos de trabalhar esta dimens\u00e3o num conjunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1\u00a0 um ano dizia que estava na hora de rever o modelo de acolhimento aos idosos, que os lares e Centros de Dia tamb\u00e9m prestam cuidados de sa\u00fade, por isso n\u00e3o deviam estar s\u00f3 na al\u00e7ada da Seguran\u00e7a Social, mas deviam ser tamb\u00e9m tutelados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Houve alguma evolu\u00e7\u00e3o nesse sentido<\/em>?<\/p>\n<p>Creio que n\u00e3o houve evolu\u00e7\u00e3o nenhuma, at\u00e9 porque o setor social e solid\u00e1rio tem um protocolo, tem as normas, a coopera\u00e7\u00e3o que definem muito bem qual \u00e9 o \u00e2mbito das suas respostas. O que continuo a defender, a pensar, \u00e9 que &#8211; dada esta altera\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e aquilo que \u00e9 a exig\u00eancia, hoje, do ponto de vista da interven\u00e7\u00e3o com as pessoas mais velhas, em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade \u2013 estas respostas tenham de ser multidisciplinares. Que n\u00e3o sejam s\u00f3 geridas pela sa\u00fade ou s\u00f3 geridas do ponto de vista social. Quando falamos de pessoas, n\u00e3o podemos falar de uma interven\u00e7\u00e3o apenas sectorizada. A pessoa \u00e9 um todo.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos achar que s\u00f3 estamos a trabalhar a \u00e1rea social quando, no fundo, o setor social e solid\u00e1rio trata muito, tamb\u00e9m, a quest\u00e3o da sa\u00fade das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pandemia veio evidenciar muitas fragilidades nos equipamentos sociais de acolhimento\u00a0 aos idosos. Essa \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es que ficam?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o diria li\u00e7\u00f5es, eu diria que, do ponto de vista emp\u00edrico, nos provou aquilo que dizemos j\u00e1 h\u00e1 muito tempo. A pandemia veio destapar as fragilidades deste setor.<\/p>\n<p>O que penso \u00e9 que podemos ir mais longe: pensarmos no caminho que foi feito at\u00e9 aqui e de que forma \u00e9 que queremos cuidar dos nossos mais velhos em Portugal, que modelo queremos, nesse cuidar. N\u00e3o estamos aqui a falar, como in\u00edcio da pandemia se falava, em quem s\u00e3o os profissionais que tinham de gerir estas respostas \u2013 quase que houve alguns setores profissionais a colocar-se em bicos de p\u00e9s. At\u00e9 porque isso \u00e9 o menos importante, o estatuto de quem gere estas respostas s\u00e3o as pr\u00f3prias pessoas. Os profissionais s\u00e3o apenas garantes dos direitos, na presta\u00e7\u00e3o dos cuidados \u00e0s pessoas, sociais e de sa\u00fade. A mim pouco me importa que seja o profissional A, B ou C.<\/p>\n<p>O que me interessa \u00e9 que trabalhemos, efetivamente, em conjunto, e queiramos um modelo multidisciplinar, no cuidar das pessoas mais velhas, que seja coincidente com o que \u00e9 o ato de cuidar. Quer do ponto de vista social, quer do ponto de vista da sa\u00fade, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tratando das necessidades b\u00e1sicas da vida, necessidades de sobreviv\u00eancia. Creio que, neste momento, uma das necessidades b\u00e1sicas \u00e9 o acesso \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, o acesso \u00e0 comunidade, a uma rede que possa identificar a pessoa como perten\u00e7a de um espa\u00e7o, muito mais do que garantir-lhe uma sopa ou a higiene\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda h\u00e1 pouco fal\u00e1vamos do impacto da falta de rotinas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Justamente. A falta de rotinas e n\u00e3o s\u00f3: esta rela\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria comunidade, a comunidade envolvente, \u00e9 muito importante. Ainda h\u00e1 pouco uma senhora, perfeitamente autonomia, me dizia: perdi-me na rua, eu j\u00e1 n\u00e3o sei andar na rua.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o com a comunidade \u00e9 muito importante. H\u00e1 aqui um desafio enorme, \u00e9 preciso vermos o caminho que fizemos, o que \u00e9 que \u00e9 a pandemia veio dizer que n\u00f3s \u2013 que j\u00e1 andamos nesta \u00e1rea h\u00e1 v\u00e1rios anos \u2013 j\u00e1 vamos dizendo, sobre esta enorme fragilidade, e que modelo vamos instituir. Podemos aprender com as coisas m\u00e1s e torn\u00e1-las boas. O ato mais ignorante ser\u00e1 permanecer no mal, sabendo que \u00e9 mau. Penso que este \u00e9 um desafio enorme, saber qual \u00e9 o modelo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em termos de financiamento, o apoio que recebem do Estado \u00e9 suficiente? H\u00e1 necessidade de ser revisto<\/em>?<\/p>\n<p>Durante a pandemia, creio que o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a Social foi garantindo que as IPSS n\u00e3o entrassem em colapso e pudessem at\u00e9, sobretudo as que domiciliaram os Centros de Dia, ser comparticipadas como se tivessem apoio domicili\u00e1rio, para n\u00e3o haver quebra de recursos humanos, desemprego. Houve essa sensibilidade.<\/p>\n<p>Eu iria mais longe, na defini\u00e7\u00e3o do modelo, na forma como vamos cuidar. Podemos efetivamente rever o que queremos comparticipar: s\u00f3 para que as pessoas tenham acesso a uma higiene di\u00e1ria e uma refei\u00e7\u00e3o? Parece-me um modelo muito prec\u00e1rio do cuidar, se queremos que as pessoas sejam cuidadas em todas as suas dimens\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias IPSS foram o garante do Estado Social, preveniram muitos internamentos. Todas as que t\u00eam m\u00e9dico, como n\u00f3s, por exemplo, prevenimos muitos internamentos e muitas idas ao Hospital. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es a que podemos acorrer, imediatamente, mas a grande maioria n\u00e3o tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso tem custos\u2026<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_204928\" aria-describedby=\"caption-attachment-204928\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204928\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/6I5A9149.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-204928\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p>Exatamente. Tem custos. Eu penso que \u00e9 importante rever o modelo de financiamento, at\u00e9 para que este setor seja profissionalizado, no sentido de ser apelativo para os profissionais. N\u00f3s temos uma tabelas salariais, enfim, muito parcas. Temos ajudantes de a\u00e7\u00e3o direta \u2013 que andam de casa em casa e fazem um trabalho que, muitas vezes ningu\u00e9m quer \u2013 a receber pouco mais do que o ordenado m\u00ednimo. H\u00e1 aqui um estatuto de carreira, um estatuto profissional que as pr\u00f3prias ajudantes de a\u00e7\u00e3o direta tamb\u00e9m deveriam ter, ser reconhecidas, com um estatuto profissionalizado. Defendi isto h\u00e1 algum tempo e continuo a defender, porque n\u00e3o \u00e9 qualquer pessoa que serve para cuidar de pessoas idosas. Dever\u00edamos zelar para que estas pessoas tivessem uma carteira profissional, com uma forma\u00e7\u00e3o sempre muito presente, de forma a podermos cuidar. O ato de higienizar uma pessoa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso: se tiver uma \u00falcera de press\u00e3o, como \u00e9 que se faz? Se tiver uma n\u00f3doa negra? Isto \u00e9 indicador do qu\u00ea?<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um sem n\u00famero de tarefas, associadas a uma atividade em que \u00e9 necess\u00e1rio ter um conhecimento pr\u00e9vio. As pessoas t\u00eam de ser cuidadas e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com um prato de sopa ou s\u00f3 mudando uma fralda, h\u00e1 muito mais do que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os idosos s\u00e3o uma refer\u00eancia constante das interven\u00e7\u00f5es do Papa, que tem alertado para a solid\u00e3o a que muitos s\u00e3o votados. O Vaticano defende no documento da Academia Pontif\u00edcia para a Vida, \u00abA velhice: o nosso futuro. A situa\u00e7\u00e3o dos idosos ap\u00f3s a pandemia\u00bb, a necessidade de se devolver os mais velhos a um ambiente dom\u00e9stico e familiar, ap\u00f3s a pandemia. \u00c9 preciso mudar o paradigma<\/em>?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caminho: darmos \u00e0s pessoas a oportunidade de escolher se querem ser cuidadas em casa ou se querem ser cuidadas em meio institucional. Depois h\u00e1 um trabalho a fazer, em sociedade, na forma como olhamos para o envelhecimento. H\u00e1 algum idadismo, \u00e9 verdade, mas as pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es, na sua habita\u00e7\u00e3o, para cuidar dos mais velhos \u2013 e muitas vezes, aquilo a que chamamos \u2018gera\u00e7\u00e3o sandu\u00edche\u2019, cuidar dos filhos e dos mais velhos.<\/p>\n<p>Hoje, os familiares, at\u00e9 por quest\u00e3o de satura\u00e7\u00e3o, a primeira resposta que querem encontrar \u00e9, efetivamente, a institucionaliza\u00e7\u00e3o. Por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Cuidar tr\u00eas ou quatro, num espa\u00e7o, \u00e9 diferente de cuidarmos de cinquenta e sessenta, num outro espa\u00e7o. \u00c9 preciso tornar as coisas mais personalizadas, mais \u00edntimas. Volto a dizer o que disse no in\u00edcio: \u00e0 medida que envelhecemos, vamos tamb\u00e9m priorizando aquilo que s\u00e3o os afetos e as rela\u00e7\u00f5es, porque tamb\u00e9m vamos tendo muitas perdas ao longo da vida. Essas perdas, muitas vezes, s\u00e3o suplantadas pelos afetos que vamos tendo com os outros, sobretudo com quem nos ajuda a sermos cuidados. Essa rela\u00e7\u00e3o em meio mais intimista, \u00e9 por a\u00ed o caminho, \u00e9 por a\u00ed que devemos ir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor de um dos centros sociais mais ativos em Lisboa, Pedro Ra\u00fal Cardoso fala das consequ\u00eancias dram\u00e1ticas que a aus\u00eancia prolongada de conv\u00edvio e socializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ter em muitos idosos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204928,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-204924","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204924\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}