{"id":204908,"date":"2021-04-11T07:00:22","date_gmt":"2021-04-11T06:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204908"},"modified":"2021-04-13T09:29:34","modified_gmt":"2021-04-13T08:29:34","slug":"a-dimensao-do-cuidar-do-proximo-e-uma-dimensao-brutal-silvia-monteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-dimensao-do-cuidar-do-proximo-e-uma-dimensao-brutal-silvia-monteiro\/","title":{"rendered":"\u00abCuidar do pr\u00f3ximo \u00e9 brutal\u00bb &#8211; S\u00edlvia Monteiro"},"content":{"rendered":"<p><i>M\u00e9dica cardiologista, trabalha nos cuidados intensivos card\u00edacos e, no pico da pandemia, foi voluntariamente para uma unidade Covid. O \u00abpulsar\u00bb das comunidades crentes merece tamb\u00e9m o seu \u00abdiagn\u00f3stico\u00bb, adiantando \u00abprescri\u00e7\u00f5es\u00bb na \u00e1rea da empatia, lideran\u00e7as, comunica\u00e7\u00e3o e diversidade<\/i><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204909 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-5.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 Como foi o \u00faltimo ano, tanto no tratamento de doentes nos cuidados intensivos card\u00edacos, como nos cuidados intensivos Covid?<\/em><\/p>\n<p>S\u00edlvia Monteiro \u2013 Este \u00faltimo ano foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, enquanto m\u00e9dica. Quer na minha experi\u00eancia, e posso falar na de milhares de profissionais de sa\u00fade do nosso pa\u00eds, esta pandemia foi de facto o reconhecer da nossa miss\u00e3o, enquanto profissionais de sa\u00fade. Penso que logo nos primeiros dias de pandemia, quando chegavam as not\u00edcias da China, assumimos que esta era a principal miss\u00e3o, a miss\u00e3o das nossas vidas, e entreg\u00e1mo-nos de corpo e alma no combate, numa entrega ao bem comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Muitas vezes diz-se que foi um tempo em que se experimentou a fragilidade. Da parte do corpo cl\u00ednico, experimentou-se a capacidade de cuidar?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Sim, isso \u00e9 muito verdade. Todos n\u00f3s somos humanos, temos fam\u00edlias, sentimos o medo, a incerteza do que seria aquele v\u00edrus que desconhec\u00edamos totalmente. Mas esse medo nunca nos paralisou, nunca nos impediu de dar o nosso melhor.<\/p>\n<p>Fazendo uma reflex\u00e3o do que t\u00eam sido estes meses, acho que conseguimos ultrapassar isso pelo sentido de miss\u00e3o, por um lado, e pela for\u00e7a que \u00e9 o amor e o bem comum. Foi isso que nos fez ultrapassar o medo, a incerteza, o cansa\u00e7o e, de facto, lan\u00e7armos m\u00e3os \u00e0 obra, durante este tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Independentemente da condi\u00e7\u00e3o crente&#8230;<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Esse \u00e9 um aspeto essencial: profissionais de sa\u00fade, crentes e n\u00e3o crentes, todos se dedicaram num ato de grande solidariedade. Enquanto profissionais, houve uma transcend\u00eancia do que \u00e9 o dever, do que somos obrigados. Unimos esfor\u00e7os, fomos como volunt\u00e1rios trabalhar em unidades Covid, completamente fora da nossa zona de conforto&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como foi o seu caso.<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Sim, como foi o meu caso, que trabalho em unidade de cuidados intensivos card\u00edacos e fui trabalhar para uma unidade de cuidados intensivos dedicada a doentes Covid, onde tive de aprender e tamb\u00e9m partilhar experi\u00eancias com outros colegas anestesistas e intensivistas que estavam l\u00e1. Num grande esp\u00edrito de humildade, partilh\u00e1mos uns com os outros, crescemos, fizemos este caminho, num ato sempre de solidariedade para o bem comum e para tentarmos ultrapassar esta crise, que \u00e9 de todos e que s\u00f3 todos unidos conseguimos ultrapassar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Unidades Covid s\u00e3o \u201csolo sagrado\u201d<\/strong><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204905 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>AE &#8211; E eram esses sentimentos que a preenchiam, quando estava horas seguidas, quatro, cinco, no tratamento de doentes, isolada?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Quando se \u00e9 uma m\u00e9dica cat\u00f3lica, tudo se torna mais f\u00e1cil. Acho que tive ali a minha vida muito facilitada, nesse aspeto. Todo este sofrimento tinha a dimens\u00e3o e a certeza da presen\u00e7a de Cristo, nesta nossa realidade.<\/p>\n<p>Quando me fala na unidade Covid, era muito interessante que, deste o primeiro dia em que eu me vesti com o EPI (Equipamento de Prote\u00e7\u00e3o Individual, ndr) completo e entrei naquela unidade, ao transpor a porta, sentia uma coisa muito forte: senti o respeito, o peso de quem est\u00e1 a entrar dentro de uma catedral. Ali dentro, sentia que eu pisava solo sagrado. Acredite que eu senti mais a presen\u00e7a de Deus ali, muitas vezes, do que em algumas igrejas. Isto \u00e9 verdade! Quem n\u00e3o esteve l\u00e1 dentro \u00e9 dif\u00edcil perceber isto. Mas em cada doente que n\u00f3s v\u00edamos, ali na cama, completamente abandonados, despojados, sem roupa inconscientes, enquanto crente, eu olhava e via \u2013 pass\u00e1mos agora a Semana Santa \u2013 um Cristo desfigurado em todos aqueles cateteres, sondas, c\u00e2nulas. Pude tocar as chagas de Cristo.<\/p>\n<p>Enquanto profissionais, n\u00f3s deixamo-nos ferir pelos espinhos da coroa de Cristo. N\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos a falar dos n\u00fameros da televis\u00e3o. Est\u00e1vamos a ver doentes, pessoas com a sua hist\u00f3ria, um rosto, fam\u00edlia! Nesta unidade havia muitos doentes jovens, que tinham filhos, da idade dos meus filhos. Havia casos da casais internados e os filhos estavam entregues a terceiros. N\u00f3s n\u00e3o tratamos n\u00fameros, tratamos doentes concretos, com vida, e isso feriu-nos. Enquanto profissionais torn\u00e1mo-nos pessoas melhores e acredito que h\u00e1 de sair muita coisa positiva disto que pass\u00e1mos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; No II Domingo da P\u00e1scoa assinala-se o Domingo da Miseric\u00f3rdia. Uma dimens\u00e3o que preenchia tamb\u00e9m os seus dias?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Sem d\u00favida. A dimens\u00e3o do cuidar do pr\u00f3ximo \u00e9 uma dimens\u00e3o brutal! Desde o cuidado mais simples, do tocar, dar \u00e2nimo, gestos simples de higiene, at\u00e9 ao cuidar mais diferenciado, \u00e0 responsabilidade que n\u00f3s t\u00ednhamos, que \u00e9 uma responsabilidade brutal, em termos humanos&#8230; Pensar que t\u00ednhamos a vida daqueles pessoas, dos nossos irm\u00e3os, nas nossas m\u00e3os \u00e9 um sentimento brutal, que nos responsabiliza muito. Tamb\u00e9m com a certeza de que n\u00e3o estamos s\u00f3s. Quando se tem a certeza de que Jesus Cristo est\u00e1 ali presente, sentimos a sua proximidade, tudo isso nos d\u00e1 for\u00e7a, confian\u00e7a e esperan\u00e7a para continuar e a necessidade de eu pr\u00f3pria ser um testemunho para aquelas pessoas em concreto.<\/p>\n<p>Na unidade Covid a maior parte das pessoas estavam inconscientes, mas na unidade de cuidados intensivos card\u00edacos, onde trabalho, nem todos os doentes est\u00e3o sedados e ventilados. O acompanhamento, a ternura que damos aos doentes seguramente funciona como um b\u00e1lsamo para o tratamento e \u00e9 t\u00e3o essencial&#8230; E foi essencial numa fase em que os doentes estavam privados das visitas dos familiares. N\u00f3s, profissionais, fomos tudo! Fomos isso tudo! Muitas vezes n\u00f3s fomos o \u00faltimo conformo emocional para aquele doente. Fomos n\u00f3s que segur\u00e1mos a m\u00e3o at\u00e9 ao \u00faltimo instante, porque n\u00e3o estava l\u00e1 nenhum familiar para o fazer.<\/p>\n<p>Sou m\u00e9dica, mas presto a minha homenagem aos enfermeiros! S\u00e3o os cuidadores por excel\u00eancia, nas coisas simples. Pudemos ver nesta fase Covid o cuidado, a dignidade, os cuidados de higiene&#8230; Aqueles doentes nas unidades sempre impec\u00e1veis, imaculados. Eram sagrados!<\/p>\n<p>E essa \u00e9 a palavra que me fica retida nesta pandemia: a dignidade que demos \u00e0 vida humana. N\u00f3s n\u00e3o salv\u00e1mos todos os doentes, mas acompanh\u00e1mos at\u00e9 ao fim com a m\u00e1xima dignidade. Que n\u00e3o fiquem d\u00favidas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cuidar vai muito para al\u00e9m das \u201cart\u00e9rias entupidas e dos cora\u00e7\u00f5es cansados\u201d<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Quando \u00e9 necess\u00e1rio dar prioridade, ver que doente tratar, que doente ser admitido numa unidade Covid onde todos os tratamentos cl\u00ednicos eram poss\u00edveis para salvar vidas e outros tinham de ficar de fora, que sentimento tem o m\u00e9dico?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Esse \u00e9 um sentimento com o qual um m\u00e9dico intensivista tem de estar preparado para lidar. H\u00e1 crit\u00e9rios para um doente ser admitido numa unidade de alta diferencia\u00e7\u00e3o. Tem de haver, de facto, uma alta probabilidade do doente poder recuperar. Caso n\u00e3o tenha benef\u00edcio para o doente ou se tem uma baixa probabilidade, \u00e9 encarni\u00e7amento terap\u00eautico. Nesta fase em que os recursos eram escassos, esta triagem tinha de ser mais apertada. Para tratamentos mais diferenciados, como era o caso do ECMO (Extra Corporeal Membrane Oxygenation &#8211; Oxigena\u00e7\u00e3o por Membrana Extracorporal, ndr), na unidade onde estava a trabalhar, que s\u00e3o aparelhos que substituem o cora\u00e7\u00e3o e o pulm\u00e3o, houve momentos em que os crit\u00e9rios foram mais restritos. N\u00e3o havia vagas e era preciso selecionar os doentes que tinham mais hip\u00f3teses de beneficiar dessas estrat\u00e9gias. Momentos duros, sim, mas houve sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de a todos, mesmo \u00e0queles que n\u00e3o era poss\u00edvel salvar, dar dignidade. E foi uma coisa que eu aprendi com esta pandemia: sou cardiologista, trabalho em cuidados intensivos card\u00edacos, muitas paragens card\u00edacas e a necessidade de salvar vidas e tinha sempre este slogan na minha cabe\u00e7a \u201cbora l\u00e1 salvar vidas&#8230;\u201d Ficou-me esta no\u00e7\u00e3o de que, t\u00e3o importante como salvar vidas, \u00e9 importante acompanhar vidas at\u00e9 ao fim e dar dignidade \u00e0 vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Essa preocupa\u00e7\u00e3o por salvar vidas est\u00e1 presente em todos os m\u00e9dicos, diria, e aconteceu numa altura em que o Parlamento decidiu avan\u00e7ar com a lei da eutan\u00e1sia. Um paradoxo que a sociedade portuguesa viveu?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; \u00c9 um paradoxo sobretudo porque n\u00e3o \u00e9 exatamente isso que n\u00f3s sentimos, nos hospitais. Posso dizer \u2013 e trabalho em cuidados intensivos card\u00edacos, com doentes muito doentes \u2013 que quando os doentes s\u00e3o bem cuidados, bem acompanhados, n\u00e3o \u00e9 frequente pedirem para acabar com a vida. Eu nunca tive essa experi\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio: vivo muito mais a experi\u00eancia do encarni\u00e7amento terap\u00eautico, quando n\u00f3s estamos a prolongar tratamentos que n\u00e3o deviam ser prolongados.<\/p>\n<p>Foi uma infelicidade tratar um tema com esta import\u00e2ncia numa altura destas, sobretudo quando sabemos que h\u00e1 um longo caminho a percorrer na constru\u00e7\u00e3o de cuidados paliativos no nosso pa\u00eds. Acho que \u00e9 uma discuss\u00e3o que poderia vir a ter lugar no fim de termos essas capacidades. Neste momento, foi um aproveitamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Referiu-se ao acompanhamento at\u00e9 aos instantes finais da vida. Como vive esse momento final, como m\u00e9dica e crente?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; O momento final \u00e9 sempre um momento impactante. Independentemente da idade, mesmo que seja uma morte esperada, \u00e9 sempre um momento de grande respeito. \u00a0Tranquiliza muito quando sabemos que fizemos tudo o que era poss\u00edvel, mas \u00e9 sempre um momento impactante. Pessoalmente, gosto de ter alguns segundos com o meu doente, rezo e entrego-o a Deus.<\/p>\n<p>Partilho uma das experi\u00eancias que tenho, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, e que me pacifica muito: na unidade, n\u00f3s temos muitas paragens card\u00edacas, o que \u00e9 sempre um momento de alguma ansiedade e agita\u00e7\u00e3o; com o doente tecnicamente morto, ou o conseguimos recuperar ou ele vai morrer. \u00c9 sempre uma grande tens\u00e3o e ansiedade para a equipa, mesmo equipas experientes. Habituei-me, desde h\u00e1 alguns anos, enquanto me estou a preparar e a cal\u00e7ar as luvas, entregar a situa\u00e7\u00e3o a Deus. Entrego a equipa e o doente na certeza de que n\u00e3o estou sozinha e que, em \u00faltima an\u00e1lise, eu sou apenas um instrumento nas m\u00e3os de Deus. N\u00e3o significa isso que eu n\u00e3o tenha de fazer tudo, ser competente e estudar muito! Claro que sim! Mas saber que Deus est\u00e1 ali, a acompanhar-me, d\u00e1-me aquela serenidade que me liberta a cabe\u00e7a para me focar naquilo que \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Uma das coisas que fazemos sempre, em equipa, \u00e9 reavaliar tudo o que fizemos, perceber se seguimos corretamente os protocolos e porque \u00e9 que o doente n\u00e3o recuperou. Estes exerc\u00edcios s\u00e3o bons para que n\u00e3o se cometam erros.<\/p>\n<p>Nestas equipas de reanima\u00e7\u00e3o o cardiologista \u00e9 o l\u00edder, \u00e9 o que est\u00e1 comandar as opera\u00e7\u00f5es. E, quando estamos a ver que j\u00e1 passou muito tempo e o doente n\u00e3o vai recuperar, antes de decretar a hora de morte, dirijo-me \u00e0 equipa para dizer: penso que termin\u00e1mos, est\u00e3o todos confort\u00e1veis, vamos parar no pr\u00f3ximo ciclo&#8230;? Numa equipa multidisciplinar em que estamos todos a dar o nosso melhor \u00e9 muito importante que todos sintam que realmente o tempo acabou. E quando as coisas s\u00e3o feitas desta forma, habitualmente aceitamos que o Senhor da vida \u00e9 Outro. E \u00e9 mais f\u00e1cil esta pacifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Processos que implicam sempre um cuidado que integre as v\u00e1rias dimens\u00f5es da pessoa, um cuidado integral&#8230; <\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; O doente \u00e9 uma pessoa, \u00e9 um todo.<\/p>\n<p>Ontem, uma doente disse-me uma coisa muito interessante: estava internada por enfarte, desconfort\u00e1vel e eu perguntei-lhe se tinha dores, tentei perceber se estava a descompensar do ponto de vista card\u00edaco. Ela disse-me: doutora o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o me d\u00f3i! Estou com uma dor de alma terr\u00edvel. E, de facto, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais frequente: doentes que nos chegam com dor de alma, doentes que v\u00eam com um segundo enfarte porque deixaram de tomar a medica\u00e7\u00e3o, simplesmente porque n\u00e3o tinham dinheiro para comprar ou porque tiveram um pico de stress ou perderam o emprego.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto profissionais de sa\u00fade, temos de estar atentos a toda esta dimens\u00e3o integral da nossa sociedade, que vai muito para al\u00e9m das art\u00e9rias entupidas e dos cora\u00e7\u00f5es cansados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cuidar o \u201cpulsar\u201d da Igreja Cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204904 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>AE &#8211; Uma experi\u00eancia que partilha enquanto m\u00e9dica, mas com a preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m noutro pulsar, como j\u00e1 partilhou numa iniciativa da Ag\u00eancia Ecclesia, recentemente. Porqu\u00ea a preocupa\u00e7\u00e3o por esse outro pulsar, o da Igreja Cat\u00f3lica, e com a necessidade que existe de uma adapta\u00e7\u00e3o aos tempos de hoje?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SM &#8211;\u00a0 Muitas vezes questionam-me sobre isso: com a vida ocupada que tenho, porque \u00e9 que me preocupo com essas coisas?<\/p>\n<p>A minha cabe\u00e7a est\u00e1 bem arrumada quanto a isso. Sou mulher, sou m\u00e3e, sou casada e h\u00e1 tr\u00eas dimens\u00f5es da minha vida que acho fundamentais: fam\u00edlia, profiss\u00e3o e espiritualidade. E t\u00eam de estar as tr\u00eas equilibradas. Acredito que a espiritualidade, que depois leva ao servi\u00e7o \u00e0 Igreja e ao pr\u00f3ximo, \u00e9 determinante para que as outras duas estejam equilibradas. Diria que o meu equil\u00edbrio emocional, o meu bem estar, vem muito da espiritualidade que encontro na Igreja. Da\u00ed esta preocupa\u00e7\u00e3o que tenho de levar mais longe a mensagem de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Quando se tem a proximidade com Jesus Cristo, quando se percebe que confiar e entregar-lhe a vida nos tira muito peso de cima, isto leva-me a querer que outras pessoas experienciem exatamente isto, o que \u00e9 viver uma vida de proximidade com Jesus Cristo. Estou muito atenta a estes problemas da Igreja!<\/p>\n<p>A pandemia \u00e9 um desafio para a Igreja como para todas as institui\u00e7\u00f5es. Parece-me que pode ser um bom desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; \u00c9 uma oportunidade?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; \u00c9 uma oportunidade que espero que seja agarrada pela Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E ainda vamos a tempo?<\/em><\/p>\n<p>Espero que sim.<\/p>\n<p>Acho que estamos numa fase de grande questionamento. Toda a gente, mesmo as pessoas que n\u00e3o s\u00e3o crentes, est\u00e3o numa fase de incerteza, de medo. H\u00e1 uma nova abertura para questionar o sentido da vida, o transcendente, a espiritualidade, que pode n\u00e3o passar pelo religioso. A Igreja tem esta mensagem fant\u00e1stica: anunciar Jesus Cristo, que se fez homem e morreu por n\u00f3s para nos salvar. E tem de aproveitar esta grande oportunidade que lhe \u00e9 dada para se fazer ouvir e para trazer esta esperan\u00e7a, iluminar a humanidade nesta fase t\u00e3o negra que estamos a viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mais do que chefes, s\u00e3o precisos l\u00edderes<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211;\u00a0 Como analisa a reconfigura\u00e7\u00e3o da Igreja, no contexto da pandemia, as celebra\u00e7\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia&#8230; Teremos um hiato no tempo?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Vou dizer o que me preocupa. As igrejas j\u00e1 n\u00e3o estavam muito cheias e a pandemia veio desvelar os in\u00fameros problemas que a Igreja e a sociedade tinham. O que me preocupa \u00e9 se a Igreja n\u00e3o tem a capacidade de aproveitar esta oportunidade para se renovar. Isso sim, preocupa-me.<\/p>\n<p>Precisamos mais do que nunca de lideran\u00e7as na Igreja. N\u00e3o queremos chefes da Igreja. Precisamos de l\u00edderes inspiradores, que promovam uma Igreja verdadeiramente sinodal. Precisamos de lideran\u00e7as humildes, sinodais, que cativem leigos de valor a unir-se \u00e0 Igreja, para trazer valor para dentro da Igreja. E todos, em conjunto, perspetivarmos uma igreja inserida na sociedade que estamos a viver atualmente, com todas as potencialidades que isso tem.<\/p>\n<p>Temos a gra\u00e7a de ter um grande l\u00edder que nos diz quase tudo. O problema \u00e9 fazer a transloca\u00e7\u00e3o daquilo que o Papa diz para as nossas realidades locais. O caminho est\u00e1 a ser lento! Talvez mais lento do que aquilo que eu gostava&#8230; Era importante que os l\u00edderes assumam a lideran\u00e7a sinodal, do servi\u00e7o, do colocar o bem comum \u00e0 frente dos interesses at\u00e9 da sua pequena institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 absolutamente fundamental dar voz \u00e0 diversidade, dentro da unidade que \u00e9 a Igreja. Nos nossos ritmos, em Igreja, as pessoas que s\u00e3o convidadas habitualmente para dar voz s\u00e3o todas muito iguais, com opini\u00f5es muito semelhan\u00e7as. E isto hoje em dia nas empresas n\u00e3o acontece! H\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de convidar pessoas com idades, g\u00e9nero e ideologia pol\u00edtica e interesses muito diversificados, para levar \u00e0 discuss\u00e3o, porque \u00e9 na discuss\u00e3o que conseguimos avan\u00e7ar para novas propostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Mais do que repartir chefias ou quadros interm\u00e9dios, a sinodalidade reclama essa diversidade e discuss\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Acho que \u00e9 preciso ouvir novas vozes dentro da Igreja, diversas. Sempre com o objetivo comum da unidade, mas a Igreja tem muitas realidades, muitas diversidades. E \u00e9 fundamental trazer valor.<\/p>\n<p>Uma das coisas que \u00e9 preciso trabalhar em Igreja \u00e9 a empatia, ser capaz de se colocar no lugar do outro, sentir as dores do outro. E, n\u00f3s leigos, nas mais variadas profiss\u00f5es, fazemos isto melhor do que a maior parte do clero, por causa da sua forma\u00e7\u00e3o e estarem mais recatados. Trazer a vida concreta, atrav\u00e9s dos leigos.<\/p>\n<p>A sociedade evoluiu tanto ao longo do tempo! \u00c9 imposs\u00edvel que uma pessoa consiga abarcar todas as \u00e1reas da sociedade. Atrair leigos com valor, com conhecimento, numa partilha multidisciplinar, muito t\u00edpica da medicina mas que se pode aplicar em Igreja, pode ser um valor muito grande.<\/p>\n<p>A Igreja deveria aproveitar esta oportunidade para ser mediadora, para ser pr\u00f3-ativa na forma\u00e7\u00e3o de grupos de trabalho para pensar. Estamos todos muito focados na situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, que \u00e9 importante porque temos de dar de comer a quem tem fome e tratar os doentes. Mas \u00e9 altura tamb\u00e9m de parar e refletir, tentar encontrar as ra\u00edzes dos problemas e intervir de uma forma mais profunda. E isso s\u00f3 se faz com pensamento, que tem de vir de v\u00e1rias \u00e1reas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O poder transformador da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204891 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Silvia-Monteiro-PG.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>AE &#8211; Gostava ainda de pedir o seu coment\u00e1rio sobre o poder transformador que tem a comunica\u00e7\u00e3o e o cuidado que \u00e9 preciso colocar neste setor. Trata-se de um desafio para as lideran\u00e7as cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Eu acredito que uma boa estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o tem um poder absolutamente transformador em qualquer organiza\u00e7\u00e3o e \u00e9 cr\u00edtico para a Igreja. A grande miss\u00e3o da Igreja \u00e9 a Evangeliza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 mais do que comunicar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; H\u00e1 dois mil anos que anda a comunicar&#8230;<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211; Exatamente! Nem sempre da melhor forma&#8230;<\/p>\n<p>Temos de ser muito pragm\u00e1ticos: a nossa mensagem \u00e9 fort\u00edssima. Portanto, se estamos a perder terreno, seguramente que somos n\u00f3s que estamos a falhar. E \u00e9 fundamental investir em comunica\u00e7\u00e3o. Na pandemia houve um grande investimento na comunica\u00e7\u00e3o na Igreja, muito focada na transmiss\u00e3o de eventos. Agora \u00e9 preciso dar um outro passo: definir estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o, como qualquer empresa. Saber exatamente em que momento queremos comunicar, o qu\u00ea, com planos de comunica\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o desde o in\u00edcio de toda a conce\u00e7\u00e3o de planos pastorais, de tudo o que se passa em Igreja, sabermos muito bem a quem queremos comunicar, o qu\u00ea, em que timing. Esse \u00e9 o salto que a Igreja precisa de dar.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra quest\u00e3o importante: precisamos de uma linguagem que seja atual, adequada \u00e0 nossa sociedade. Tamb\u00e9m com uma imagem renovada, que \u00e9 essencial. Quanto tentamos ter um primeiro impacto forte, a imagem \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Muita gente, hoje em dia, mais do que ir dentro de uma igreja expor-se, provavelmente \u00e9 em casa que anda a pesquisar novos caminhos e ter uma imagem impactante pode ser uma porta aberta para depois se fazer uma caminhada de profundidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos de ter medo de fazer estrat\u00e9gias de marketing e imagem renovada. Tudo isso \u00e9 muito importante e acho que temos de estar atentos a todos os horizontes, n\u00e3o s\u00f3 aos crentes.<\/p>\n<p>Estamos sempre a falar para n\u00e3o crentes e para os buscadores de Deus que andam \u00e0 procura. Mas n\u00f3s, Igreja, a come\u00e7ar por mim, precisamos todos de uma nova convers\u00e3o. A convers\u00e3o tem de come\u00e7ar primeiro dentro de n\u00f3s, para depois sairmos de n\u00f3s pr\u00f3prios e sermos uma Igreja verdadeiramente em sa\u00edda.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o pessoal e da pr\u00f3pria Igreja e depois a imagem renovada, a linguagem adequada, para chegarmos a outros popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como sonha a Igreja do amanh\u00e3?<\/em><\/p>\n<p>SM &#8211;\u00a0 Sonho com uma Igreja que d\u00ea lugar a todos, em que todos tenham voz, que se abra a todas as realidades, \u00e0s periferias. Choca-me porque estamos sempre a falar para os mesmos: os grupos s\u00e3o os mesmos, os jovens s\u00e3o os mesmos. E, se pensarmos bem, estamos sempre na linha dos mais privilegiados. \u00c9 a hora de sairmos para as periferias, pensarmos os planos a partir das periferias e definitivamente acho que esta pandemia apela muito a esta necessidade de cuidar de cada pessoa, da sua dignidade, da sua integridade, e do bem comum, em harmonia com a cria\u00e7\u00e3o. Acho que a Igreja tem de ser o exemplo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dica cardiologista, trabalha nos cuidados intensivos card\u00edacos e, no pico da pandemia, foi voluntariamente para uma unidade Covid. 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