{"id":20462,"date":"2006-10-03T11:16:48","date_gmt":"2006-10-03T11:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/03\/johnson-controls-da-competitividade-a-etica\/"},"modified":"2006-10-03T11:16:48","modified_gmt":"2006-10-03T11:16:48","slug":"johnson-controls-da-competitividade-a-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/johnson-controls-da-competitividade-a-etica\/","title":{"rendered":"<i>Johnson Controls, da competitividade \u00e0 \u00e9tica<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Portalegre-Castelo Branco <!--more--> Para 225 pessoas de Portalegre a senten\u00e7a parece estar j\u00e1 lavrada: deixar\u00e3o de ter emprego at\u00e9 ao final do pr\u00f3ximo ano. Cerca de tr\u00eas vezes este n\u00famero ir\u00e3o ter igual sorte em Nelas. E tudo isto acontece porque a multinacional norte-americana Johnson Controls, espalhada por 125 pa\u00edses do Mundo, empregando 136.000 funcion\u00e1rios, repartidos por 1.000 unidades industriais e com um lucro, no \u00faltimo exerc\u00edcio, de 687 milh\u00f5es de euros, resolveu, simplesmente, acabar com as unidades industriais de Portalegre e de Nelas.  \tInquieta-nos que um gigante empresarial como este, \u00e0 semelhan\u00e7a de tantos outros, deite no desemprego tantos funcion\u00e1rios, de quem dependem muitas fam\u00edlias. \tVerificamos que esta grande multinacional, com uma factura\u00e7\u00e3o de mil milh\u00f5es de euros no ano passado, termina a labora\u00e7\u00e3o de unidades industriais lucrativas cuja presen\u00e7a contribu\u00eda para o desenvolvimento social das regi\u00f5es deprimidas onde se situavam.  \tFicamos a pensar as raz\u00f5es que levam um grande grupo empresarial mundial que n\u00e3o limita as suas actividades ao sector autom\u00f3vel mas que as estende, igualmente, \u00e0 aeron\u00e1utica, ao com\u00e9rcio, \u00e0 alta tecnologia, ao ramo hospitalar, \u00e0s ci\u00eancias da vida&#8230;, produzindo m\u00faltiplos produtos que v\u00e3o desde os ares condicionados at\u00e9 \u00e0s baterias de l\u00edtio, n\u00e3o sentir interesse em substituir a produ\u00e7\u00e3o que aqui existia por outras, dentro das que o grupo j\u00e1 cont\u00e9m, que lhe dessem maior vantagem competitiva, mas que aproveitasse as pessoas, as instala\u00e7\u00f5es e, at\u00e9, alguns equipamentos!   \tEstas s\u00e3o algumas das perguntas, d\u00favidas e perplexidades que se colocam a algu\u00e9m que est\u00e1 de fora do mundo que gere as empresas mas que pensa que estas n\u00e3o s\u00e3o entidades que visam, exclusivamente, o lucro. Assim, parece pensar o GRACE (Grupo de Reflex\u00e3o e Apoio \u00e0 Cidadania Empresarial). Este Grupo portugu\u00eas, formado em Fevereiro de 2000, \u00e9 constitu\u00eddo por um conjunto de empresas, maioritariamente multinacionais, que tem como denominador comum o interesse em aprofundar o papel do sector empresarial no desenvolvimento social. Trata-se da chamada Responsabilidade Social das Empresas. Num dos documentos de um dos subscritores deste Grupo se diz que esta responsabilidade e a sua inser\u00e7\u00e3o nos objectivos estrat\u00e9gicos das empresas deve ser assumida \u201cpela aceita\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e volunt\u00e1ria de princ\u00edpios de conduta socialmente irrepreens\u00edveis, ponderando aspectos \u00e9ticos, sociais e ambientais nas suas tomadas de decis\u00e3o, tanto ao n\u00edvel operacional como estrat\u00e9gico\u201d. \tEstas ideias, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o de agora. J\u00e1 h\u00e1 muito que a Igreja Cat\u00f3lica, atrav\u00e9s de m\u00faltiplos documentos, tem chamado a aten\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es entre o trabalho, a propriedade e o capital. Assim, na Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contempor\u00e2neo, no n\u00famero 64, diz-se que \u201c&#8230;deve favorecer-se o progresso t\u00e9cnico, o esp\u00edrito de iniciativa, o desejo de criar e ampliar novas empresas, a adapta\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos, o desejo persistente de quantos participam na produ\u00e7\u00e3o; numa palavra, tudo quanto pode contribuir para este desenvolvimento. Todavia, o fim fundamental desta produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a multiplica\u00e7\u00e3o dos produtos, nem o lucro ou o poder, mas o servi\u00e7o do homem&#8230;\u00c9 por isso que a actividade econ\u00f3mica, segundo os seus m\u00e9todos e as suas leis pr\u00f3prias, deve exercer-se dentro dos limites da ordem moral, a fim de corresponder aos des\u00edgnios de Deus acerca do homem\u201d.   \t Esta preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja pelo trabalho \u00e9 central na sua doutrina, relativamente aos problemas sociais. Na enc\u00edclica Laborem Exercens, no n\u00ba 3, Jo\u00e3o Paulo II diz mesmo que \u201c&#8230;o trabalho humano \u00e9 a chave, provavelmente a chave essencial de toda a quest\u00e3o social\u201d. E, mais adiante, ao referir-se \u00e0 contraposi\u00e7\u00e3o do trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao capital diz que ela tem impl\u00edcita \u201ca possibilidade de multiplicar abundantemente as riquezas materiais, isto \u00e9, os meios, perdendo de vista o fim, quer dizer, o homem, a quem tais meios devem servir (&#8230;). Este erro, de fisionomia hist\u00f3rica definida, ligada ao per\u00edodo do capitalismo e do liberalismo primitivos, pode repetir-se noutras circunst\u00e2ncias de tempo e de lugar, se no modo de raciocinar se partir das mesmas premissas tanto te\u00f3ricas como pr\u00e1ticas.\u201d \t\u00c9 imprescind\u00edvel haver uma cultura de co-responsabilidade a todos os n\u00edveis, envolvendo patr\u00f5es, empregados, sindicatos, Estado e sociedade em geral. No entanto, no nosso pa\u00eds, a Johnson Controls, tal como outras multinacionais, t\u00eam repetido esse antagonismo entre o trabalho e o capital em que este, para crescer cada vez mais e poder acumular mais lucros, trata o homem como algo de descart\u00e1vel.  \tSer\u00e1 que estas grandes empresas, ao estabelecerem-se num determinada regi\u00e3o, dever\u00e3o atender apenas \u00e0s quest\u00f5es legais e esquecerem-se dos problemas \u00e9ticos, relativamente aos trabalhadores que v\u00e3o empregar? \t Ora, para que isso n\u00e3o continue a acontecer tornam-se necess\u00e1rias, no dizer de Jo\u00e3o Paulo II, \u201cmudan\u00e7as adequadas que tenham em conta uma linha de firme convic\u00e7\u00e3o do primado da pessoa sobre as coisas e do trabalho do homem sobre o capital\u201d. S\u00f3 essas \u201cmudan\u00e7as adequadas\u201d poder\u00e3o contribuir para um mundo mais pac\u00edfico, com menos pobreza e com mais justi\u00e7a.  Portalegre, 2 de Outubro de 2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[179,206,237],"class_list":["post-20462","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-familia","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20462\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}