{"id":20458,"date":"2006-10-03T10:40:39","date_gmt":"2006-10-03T10:40:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/03\/panorama-da-musica-liturgica-em-portugal-e-globalmente-positivo\/"},"modified":"2006-10-03T10:40:39","modified_gmt":"2006-10-03T10:40:39","slug":"panorama-da-musica-liturgica-em-portugal-e-globalmente-positivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/panorama-da-musica-liturgica-em-portugal-e-globalmente-positivo\/","title":{"rendered":"Panorama da M\u00fasica Lit\u00fargica em Portugal  \u00e9 globalmente positivo"},"content":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Cartageno em entrevista ao Jornal da Madeira  <!--more--> O Padre Ant\u00f3nio Cartageno \u00e9 um dos actuais compositores sacros. As publica\u00e7\u00f5es da especialidade incluem muitas das suas composi\u00e7\u00f5es que, pela sua simplicidade e composi\u00e7\u00e3o modal gregoriana, convidam \u00e0 medita\u00e7\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o espiritual, preenchendo as caracter\u00edsticas de m\u00fasica sacra e lit\u00fargica. Por esse facto, utilizamos tamb\u00e9m muitas das suas partituras.   <i>Jornal da Madeira: (JM) Esteve recentemente na Madeira. Que recorda\u00e7\u00f5es levou destes dias de f\u00e9rias? Ant\u00f3nio Cartageno (AC): &#8211;<\/i>  Trouxe da Madeira \u00f3ptimas recorda\u00e7\u00f5es. A primeira foi o excelente acolhimento das pessoas: do Ir. Monteiro e de todos os Irm\u00e3os da Casa de Sa\u00fade de S. Jo\u00e3o de Deus, onde fiquei, do grupo de jovens do Trapiche e outras pessoas com quem contactei, nomeadamente colegas, que foram inexced\u00edveis em simpatia e carinho para comigo; depois, o deslumbramento da paisagem: \u00e9 um regalo para os nossos olhos estar envolvido em tanta beleza! Finalmente, o desenvolvimento das infra-estruturas, nomeadamente a amplia\u00e7\u00e3o do aeroporto e toda a rede vi\u00e1ria da Ilha. Not\u00e1vel!   <i>JM: Como vislumbrou o n\u00edvel de canto lit\u00fargico na Madeira?  AC: &#8211;<\/i>  Honestamente, o pouco que observei n\u00e3o chega para tirar conclus\u00f5es a esse respeito. Ainda assim, gostei do que ouvi nas par\u00f3quias de N\u00aa S\u00aa da Gra\u00e7a, de Santo Amaro, da Nazar\u00e9 e na Igreja da Casa de Sa\u00fade de S. Jo\u00e3o de Deus, onde o grupo de jovens do Trapiche cantou alguns c\u00e2nticos a 4 vozes\u2026   <i>JM \u2013 Como classifica a composi\u00e7\u00e3o chamada sacra e lit\u00fargica em Portugal? Responde ao conceito genu\u00edno de m\u00fasica sacra definido pelo Conc\u00edlio Vaticano II?  AC: &#8211;<\/i>  A m\u00fasica lit\u00fargica \u00e9 a m\u00fasica apta para usar na liturgia, a que tem as caracter\u00edsticas exigidas pela Igreja: a santidade (o sentido da ora\u00e7\u00e3o, da dignidade, da beleza\u2026), a bondade das formas (que seja verdadeira arte), a ades\u00e3o aos textos (que ajude a enaltecer o texto), que seja factor de comunh\u00e3o, que comova e exalte&#8230; M\u00fasica que, em \u00faltima an\u00e1lise, cumpra a finalidade que os documentos da Igreja lhe atribuem: \u201ca gl\u00f3ria de Deus e a santifica\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is\u201d.  Creio que em Portugal se est\u00e1 tentando ir por este caminho que a Igreja prop\u00f5e. Daquilo que conhe\u00e7o do repert\u00f3rio publicado e da pr\u00e1xis das nossas comunidades (via r\u00e1dio, televis\u00e3o e observa\u00e7\u00e3o directa), creio poder dizer que o panorama da m\u00fasica lit\u00fargica praticada em Portugal \u00e9 globalmente positivo. Apesar de reconhecer que em muitos grupos e comunidades celebrantes h\u00e1 ced\u00eancias \u00e0 ligeireza e \u00e0 superficialidade, constato que a oferta de repert\u00f3rio lit\u00fargico-musical entre n\u00f3s \u00e9 j\u00e1 muito abundante e de razo\u00e1vel qualidade, nada ficando a dever ao que se faz noutros pa\u00edses da Europa. Sobre isto n\u00e3o tenho d\u00favidas. \u00c9 certo que uma coisa \u00e9 haver repert\u00f3rio e outra \u00e9 p\u00f4-lo em pr\u00e1tica. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel uma certa melhoria \u2013 lenta mas progressiva \u2013 nos \u00faltimos 15-20 anos, se compararmos com a pobreza musical das duas primeiras d\u00e9cadas do p\u00f3s-conc\u00edlio\u2026   <i>JM &#8211; Porque ainda n\u00e3o est\u00e3o musicados todos os cantos de Entrada e Comunh\u00e3o que nos apresenta o Missal Romano, para os tr\u00eas anos lit\u00fargicos, e sobretudo porque n\u00e3o existe uma publica\u00e7\u00e3o ordenada destes cantos ao alcance do p\u00fablico?  AC: &#8211;<\/i>  Reconhe\u00e7amos que houve j\u00e1 um not\u00e1vel esfor\u00e7o nesse sentido. Existem j\u00e1 h\u00e1 alguns anos 2 livros editados pelo Secretariado Nacional de Liturgia \u2013 C\u00e2nticos de Entrada e Comunh\u00e3o I (1999) e II (2000) \u2013 que cobrem praticamente todo o ano lit\u00fargico. Sem ser uma compila\u00e7\u00e3o perfeita, penso que \u00e9 um bom contributo para a generalidade das nossas assembleias lit\u00fargicas.   <i>JM: &#8211; Recentes publica\u00e7\u00f5es apresentam muitas par\u00e1frases feitas por autores humanos, nem sempre com a qualidade requerida. Porque n\u00e3o se prefere musicar a mesma Palavra de Deus? Ser\u00e1 mesmo leg\u00edtimo substituir os referidos C\u00e2nticos por par\u00e1frases, \u00e0s vezes de menos gosto art\u00edstico e po\u00e9tico?  AC: &#8211;<\/i>  Foi por op\u00e7\u00e3o consciente que inclu\u00edmos na colect\u00e2nea muitos c\u00e2nticos cujos textos foram pedidos pelo Secretariado Nacional de Liturgia a alguns poetas e sobretudo a Fernando Melro. Ele parafraseou muitos salmos, dando-lhe um car\u00e1cter estr\u00f3fico. Fugiu-se assim ao estilo salm\u00f3dico, (baseado nos recitativos), que estava a dominar quase por completo o nosso repert\u00f3rio, e tentou criar-se algo porventura mais conforme \u00e0 nossa tradi\u00e7\u00e3o popular (a quadra, etc.) De facto, se \u00e9 verdade que cada c\u00e2ntico tem o seu car\u00e1cter pr\u00f3prio, n\u00e3o faz grande sentido que se cante \u00e0 entrada algo que poderia ser, na sua estrutura, um salmo responsorial. Concordo que nem todos esse c\u00e2nticos estr\u00f3ficos s\u00e3o perfeitos &#8211; num ou outro caso o resultado final n\u00e3o \u00e9 o melhor &#8211; mas, em minha opini\u00e3o, a tentativa \u00e9 louv\u00e1vel e h\u00e1 alguns muito bem conseguidos.   <i>JM &#8211; Que influ\u00eancia tem tido o canto gregoriano &#8211; canto oficial e preferido da Igreja \u2013 nas composi\u00e7\u00f5es modernas lit\u00fargicas?  AC: &#8211;<\/i>  \u00c9 ineg\u00e1vel que as influ\u00eancias do canto gregoriano est\u00e3o presentes numa grande parte de nosso repert\u00f3rio p\u00f3s-conciliar. Se analisarmos os c\u00e2nticos do P. Manuel Lu\u00eds (que foi, na minha opini\u00e3o, o grande pioneiro da renova\u00e7\u00e3o do canto lit\u00fargico em Portugal), e mesmo os de quase todos os que, depois dele, escreveram m\u00fasica para a Liturgia, entre os quais me incluo, verificamos que muitas das suas melodias s\u00e3o modais (baseadas nos \u201cmodos\u201d gregorianos) e n\u00e3o tonais. Sente-se que muitas das novas composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o permeadas pelo mesmo esp\u00edrito que suscitou e modelou o canto gregoriano, o que, sem d\u00favida, favorece a espiritualidade e o clima de ora\u00e7\u00e3o. A este prop\u00f3sito cito as s\u00e1bias palavras do Papa S. Pio X, que Jo\u00e3o Paulo II tamb\u00e9m faz suas no Quir\u00f3grafo sobre a m\u00fasica sacra: \u201cUma composi\u00e7\u00e3o para a Igreja \u00e9 tanto mais sacra e lit\u00fargica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspira\u00e7\u00e3o e no sabor, da melodia gregoriana\u2026\u201d   <i>JM: &#8211; Al\u00e9m dos Grupos Corais que executam a os textos lit\u00fargicos acompanhados a \u00d3rg\u00e3o, &#8211; instrumento preferencial na Liturgia, &#8211; existem em quase todas as comunidades crist\u00e3s Grupos de Jovens que preferem cantar \u00abos seus cantos\u00bb acompanhados de outros instrumentos, como a guitarra ou a viola, etc, cantos que muitas vezes nada t\u00eam a ver com a mesma Liturgia. Porque n\u00e3o se comp\u00f5em m\u00fasicas para Jovens que correspondam \u00e0s exig\u00eancias e caracter\u00edsticas da m\u00fasica sacra, e sobretudo a lit\u00fargica?  AC: &#8211;<\/i> A m\u00fasica, se for boa e bem executada, envolver\u00e1 sempre os jovens. \u00c9 pena que se lhes ensine quase exclusivamente um certo tipo de c\u00e2nticos muitas vezes superficiais e desadequados, como se eles n\u00e3o tivessem gosto e sensibilidade para repert\u00f3rios mais exigentes. Certos animadores contribuem para que os jovens criem modelos musicais quase exclusivos, donde, depois, \u00e9 dif\u00edcil sair, o que \u00e9 muito negativo. E a Igreja tem tanta m\u00fasica bela para lhes dar! Com paci\u00eancia e bom senso, aceitando muito do que de interessante h\u00e1 no repert\u00f3rio juvenil, mas fazendo tamb\u00e9m outras propostas que transmitam uma mensagem de beleza, que provoquem a adora\u00e7\u00e3o e a glorifica\u00e7\u00e3o de Deus e ajudem a aproximar-se d\u00b4Ele e a experimentar a Sua presen\u00e7a, \u00e9 preciso ajudar os jovens a ir mais al\u00e9m, ensin\u00e1-los a apreciar, a alargar os seus horizontes est\u00e9ticos.  O que digo n\u00e3o exclui, antes sup\u00f5e a necessidade de prestarmos a melhor aten\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica de gosto juvenil \u2013 eu pr\u00f3prio o tenho tentado \u2013 mas sem ceder \u00e0 superficialidade, abrindo-os sempre \u00e0 qualidade e ao bom gosto. Enfim, neste como noutros campos da vida eclesial, a palavra de ordem \u00e9: educar, formar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Cartageno em entrevista ao Jornal da Madeira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[144,187,199,203,211,237,246,265],"class_list":["post-20458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-ferias","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}