{"id":204326,"date":"2021-04-04T11:00:24","date_gmt":"2021-04-04T10:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204326"},"modified":"2021-04-04T08:36:15","modified_gmt":"2021-04-04T07:36:15","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-no-domingo-da-ressurreicao-pascoa-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-no-domingo-da-ressurreicao-pascoa-2021\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal no Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; P\u00e1scoa 2021"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cSabeis o que aconteceu\u201d (At 10,36)<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Escut\u00e1vamos na Primeira Leitura o que sucedeu quando S. Pedro entrou na casa de Corn\u00e9lio, um centuri\u00e3o romano, e anunciou a Boa Nova da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus a quantos faziam parte daquela fam\u00edlia: o Ap\u00f3stolo n\u00e3o enuncia uma doutrina, mas recorda \u201co que aconteceu\u201d. Pedro n\u00e3o faz um discurso filos\u00f3fico ou doutrinal ou (muito menos) partilha um sentimento feliz ou uma opini\u00e3o discut\u00edvel. Pedro refere-se a acontecimentos \u2014 melhor: ao acontecimento que \u00e9 Jesus, em toda a sua vida, em toda a sua pessoa.<\/p>\n<p>Dizia ele: \u201cV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a come\u00e7ar pela Galileia, depois do batismo que Jo\u00e3o pregou\u201d. O acontecimento \u00e9 Jesus que, cheio do Esp\u00edrito Santo, faz o bem e cura. E a conclus\u00e3o apenas pode ser: \u201cporque Deus estava com Ele\u201d. Trata-se de acontecimentos que estiveram \u00e0 vista de todos. O pr\u00f3prio Pedro se oferece a si mesmo como garantia: \u201cN\u00f3s somos testemunhas\u201d.<\/p>\n<p>Em contraste com o bem que Jesus realizou \u00e0 vista de todos, est\u00e1 um outro conjunto de acontecimentos que mostram a rejei\u00e7\u00e3o de Deus pelos homens: \u201cmataram-no, suspendendo-O no madeiro\u201d. E, como resposta \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de Israel, est\u00e1 uma nova a\u00e7\u00e3o divina \u2014 Deus que nunca desiste: \u201cDeus ressuscitou-O ao terceiro dia\u201d. A este agir de Deus na hist\u00f3ria segue-se ainda a manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus ressuscitado, n\u00e3o a todo o povo mas a quantos tinham comido e bebido com Ele: aqueles que, desse modo, tinham autoridade para atestar a verdade da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, a estes acontecimentos referidos pelo Ap\u00f3stolo sucede-se um outro: aquele que est\u00e1 a ter lugar diante dos olhos de todos os presentes, mas que n\u00e3o \u00e9 desligado dos anteriores. Bem pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a sua consequ\u00eancia natural: \u201cJesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar\u201d.<\/p>\n<p>Aquilo que \u00e9 anunciado e transmitido consiste, pois, numa sucess\u00e3o de acontecimentos em que Deus atua, desvela a Sua presen\u00e7a e se manifesta, para que todos O possam acolher livremente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o acontecimento que hoje, aqui, estamos a viver nesta celebra\u00e7\u00e3o, se integra na sucess\u00e3o daqueles acontecimentos, ligando-nos \u00e0quele primeiro Domingo de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>A ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus \u2014 erup\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria humana; verdadeiro abra\u00e7o divino ao nosso universo, vindo da profundidade celestial da realidade divina \u2014 \u00e9, pois, um acontecimento. Quer dizer: manifesta-se na hist\u00f3ria. Em tempos e lugares concretos. N\u00e3o \u00e9 uma teoria. N\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o. Est\u00e1 ali, presente, \u00e0 espera de que o acolhamos e dele retiremos todo o significado para a nossa vida e para a vida do mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 um acontecimento que n\u00e3o se esvai com o correr do tempo, mas antes permanece: que, pela sua for\u00e7a, pelo seu fulgor, ilumina, transfigura e atua em todos os tempos. Tamb\u00e9m nos nossos. \u00c9 por isso que, tamb\u00e9m n\u00f3s, podemos professar com verdadeira f\u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p>Com efeito, o acontecimento do an\u00fancio do Evangelho que, de um modo ou de outro, todos recebemos \u2014 na fam\u00edlia, na catequese, na escola, no seio de um grupo de amigos ou da comunidade crist\u00e3 \u2014 o an\u00fancio do Evangelho liga-nos, em linha reta, \u00e0quele primeiro an\u00fancio de Pedro em que o Ap\u00f3stolo testemunhava a verdade da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo \u201co\u201d acontecimento. Quer dizer: n\u00e3o \u00e9 algo que seja t\u00e3o comum, corriqueiro, que deixe de merecer aten\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio: a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 o acontecimento por antonom\u00e1sia. \u00c9 aquele agir de Deus na hist\u00f3ria humana que transforma, converte, revoluciona e une, e que, por isso, constitui o marco que divide a hist\u00f3ria num antes e num depois.<\/p>\n<p>Antes da ressurrei\u00e7\u00e3o, a morte reinava, julgando dominar os homens pelo medo; n\u00e3o nos era permitido vislumbrar outro horizonte de vida, a n\u00e3o ser o aqui e agora \u2014 ou, no m\u00e1ximo, o horizonte de uma vida de poucas dezenas de anos. O pr\u00f3prio Deus se encontrava distante: v\u00edamos as suas obras, escut\u00e1vamos a sua voz, mas n\u00e3o conhec\u00edamos o seu rosto e (muito menos) t\u00ednhamos acesso \u00e0 sua intimidade.<\/p>\n<p>Agora que Jesus venceu a morte, agora que um entre n\u00f3s destruiu o poder do inimigo que tinha prisioneiro o ser humano, que medo poder\u00e1 existir que n\u00e3o seja, tamb\u00e9m ele, destru\u00eddo pelo Esp\u00edrito do Ressuscitado? Agora que Jesus venceu a morte, como n\u00e3o dirigir o nosso olhar para o horizonte infinito e feliz da vida eterna? Agora que Jesus venceu a morte, como desviar o nosso cora\u00e7\u00e3o do Pai, que sempre nos acolhe, perdoa e faz a festa da vida?<\/p>\n<p>A ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 o acontecimento que vale a pena ser vivido em cada dia; o acontecimento que nos transforma interior e exteriormente \u2014 a n\u00f3s e \u00e0 hist\u00f3ria. \u00c9 o acontecimento que faz surgir, no meio do tempo, a constante novidade de Deus.<\/p>\n<p>Nada mais a Igreja tem para fazer e para mostrar a n\u00e3o ser o an\u00fancio pascal. Em cada dia \u2014 hoje ! \u2014 a Eucaristia faz-nos presentes \u00e0quela manh\u00e3 primeira do mundo novo, quando as mulheres e os disc\u00edpulos foram ao sepulcro e o encontraram vazio. E tamb\u00e9m n\u00f3s somos convidados (como o disc\u00edpulo amado) a ver, ouvir e a acreditar: Cristo ressuscitou verdadeiramente! De verdade, ressuscitou!<\/p>\n<p>Irm\u00e3os, deixemos que em n\u00f3s ressoe esta Boa Nova \u2014 \u00fanica capaz de transformar os cora\u00e7\u00f5es e de tornar novo o que em n\u00f3s e \u00e0 nossa volta ainda \u00e9 mundo do pecado e da morte. Deixemos que o Esp\u00edrito do Ressuscitado nos torne membros de Cristo, novo Ad\u00e3o, humanidade nova!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E<\/em><em>ntering Cornelius\u2019 <\/em><em>house, the Apostle St. Peter does not proclaim a doctrine,<\/em><em> but gives the news of a set of events: <\/em><em>how Jesus did good, how H<\/em><em>e was rejected, and how God raised Him up. <\/em><\/p>\n<p><em>God acts in history and, today as at that time, H<\/em><em>e invites us to welcome Him. <\/em><em>Let this Good News resound in us. This Good News is<\/em><em> the only one capable of transforming hearts,<\/em><em> and making new what in us (<\/em><em>and around us)<\/em><em> is still the<\/em><em> world of sin and death. <\/em><em>Let us allow the Spirit of the Risen One to make us members of Christ, new Adam, new humanity! Good Easter for all!<\/em><\/p>\n<p>Catedral do Funchal, 04 de abril de 2021<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSabeis o que aconteceu\u201d (At 10,36)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204327,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-204326","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204326\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}