{"id":204324,"date":"2021-04-04T12:00:45","date_gmt":"2021-04-04T11:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204324"},"modified":"2021-04-04T22:12:02","modified_gmt":"2021-04-04T21:12:02","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-pascoa-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-pascoa-2021\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Porto &#8211; P\u00e1scoa 2021"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0A Cruz e a luz<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_204322\" aria-describedby=\"caption-attachment-204322\" style=\"width: 1620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-204322 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614.jpg\" alt=\"\" width=\"1620\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614.jpg 1620w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/DSC-7614-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1620px) 100vw, 1620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-204322\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese do Porto\/Jo\u00e3o Lopes Cardoso<\/figcaption><\/figure>\n<p>Este relato da ressurrei\u00e7\u00e3o constr\u00f3i-se \u00e0 base de um trip\u00e9 humano muito curioso: Maria Madalena, Pedro e Jo\u00e3o. Porque os Evangelhos falam muito delas, conhecemos bem a fisionomia religiosa destas pessoas: Maria Madalena encarna a convic\u00e7\u00e3o fort\u00edssima da convertida a quem nada nem ningu\u00e9m \u00e9 capaz de deter; o disc\u00edpulo Jo\u00e3o exprime o amor intuitivo, sempre apto a interla\u00e7ar os sinais para chegar mais longe; Pedro, o Chefe do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico a quem se d\u00e1 primazia ao entrar no t\u00famulo, personifica a institui\u00e7\u00e3o ou a autoridade da Igreja que lida com o mist\u00e9rio e sente necessidade de confirmar a verdade e a garantir solenemente.<\/p>\n<p>Cada um representa uma espec\u00edfica faceta da mesma Igreja que, de facto, se edifica sobre o Senhor ressuscitado, \u00e0 base da f\u00e9 convicta, do amor operativo e do minist\u00e9rio sacerdotal e institucional. Estes \u00e2mbitos n\u00e3o se op\u00f5em: todos s\u00e3o imprescind\u00edveis e todos se interligam. Se algum faltar, n\u00e3o h\u00e1 verdadeira Igreja de Cristo. E todos eles participam de um dado inerente ao ser crist\u00e3o, ontem, hoje e sempre: o discipulado e a gradualidade do amadurecimento da f\u00e9 e do assimilar o mist\u00e9rio pascal.<\/p>\n<p>De facto, compreender a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. Nenhum evangelista esconde isso. Na passagem escutada, aparece mesmo um desabafo: \u201c<em>Na verdade, ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos<\/em>\u201d. Nos relatos das apari\u00e7\u00f5es do Ressuscitado aparece um esquema que se torna habitual: h\u00e1 um antes, sempre envolto em tristeza, e h\u00e1 um depois, pleno de alegria e entusiasmo. Pelo meio, algum personagem que experimenta isso mesmo e o transmite aos outros disc\u00edpulos. E \u00e9 da experi\u00eancia e do testemunho que nasce a convic\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p>D\u00e1 a impress\u00e3o que Jesus aparece a pessoas que se submergem no medo ou se encontram aferradas ao passado: as mulheres que ainda procuram um cad\u00e1ver para embalsamar; os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas que lamentam a sua aposta feita em quem os chefes de Jerusal\u00e9m mandaram matar; Tom\u00e9 que ainda n\u00e3o tinha sa\u00eddo do tempo do triunfo, dos milagres e das aclama\u00e7\u00f5es e se escandaliza com o Calv\u00e1rio; os Ap\u00f3stolos encerrados no cen\u00e1culo porque, no passado, era Jesus quem dirigia e j\u00e1 anteveem o futuro como o tempo das decis\u00f5es dif\u00edceis; etc. \u00c9 que a f\u00e9 acontece entre credulidades e d\u00favidas, sinais e vontade de avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Mas quando o Ressuscitado chega junto deles, estas pessoas transformam-se: ficam crentes, adoradores, decididos, valentes, zelosos, mission\u00e1rios. Compreendem, ent\u00e3o, que a \u00faltima palavra de Deus n\u00e3o \u00e9 a cruz, mas \u00e9 o sim de Jesus dito ao longo de toda a sua exist\u00eancia hist\u00f3rica na indefet\u00edvel uni\u00e3o com o Pai, de quem sabe ser o Filho unig\u00e9nito, e na inquebr\u00e1vel fidelidade a todos os irm\u00e3os, a quem serviu dedicada e apaixonadamente. Esta palavra definitiva da hist\u00f3ria \u00e9 que constitui o motivo da verdadeira alegria e contentamento; \u00e9 ela que motiva os nossos aleluias.<\/p>\n<p>Regressemos ao Evangelho de hoje. Para que Pedro e Jo\u00e3o \u00abvissem e acreditassem\u00bb, para que eles pudessem cantar os tais aleluias, foi preciso que uma mulher, Maria Madalena, se levantasse da cama mais cedo do que eles, corresse ao sepulcro, vencesse o medo e lhes fosse comunicar a absoluta novidade da ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 o feminino no seu melhor, que n\u00e3o olha a sacrif\u00edcios, \u00e9 forte, cumpre miss\u00f5es de excecional responsabilidade, possui um especial sentimento de f\u00e9 e sabe dedicar-se ao bem comum com uma determina\u00e7\u00e3o a toda a prova. Talvez por isso mesmo, j\u00e1 ontem, no Evangelho da Vig\u00edlia Pascal, se referiam as tr\u00eas mulheres que testemunharam a plenitude da ressurrei\u00e7\u00e3o antes dos homens. Ali\u00e1s, n\u00e3o admira: se excetuarmos S. Jo\u00e3o, foram elas as \u00fanicas que permaneceram firmes quando os homens debandaram.<\/p>\n<p>Devemos a estas mulheres a melhor introdu\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da P\u00e1scoa e o indicador concreto do que \u00e9 ser crist\u00e3o. Como, de maneira geral, lhes devemos o melhor da humanidade: o desvelo maternal pela vida nascente e a coragem na assist\u00eancia \u00e0 vida que definha; a consagra\u00e7\u00e3o aos setores estruturantes da sociedade que s\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade; a presen\u00e7a sol\u00edcita e insubstitu\u00edvel na vida da Igreja, particularmente nos setores mais escondidos e menos atraentes; a fermenta\u00e7\u00e3o do mundo com a escala de valores do reino, quais sejam a sobriedade, o esquecimento de si em favor dos outros, o perd\u00e3o, a pacifica\u00e7\u00e3o, a generosidade; enfim, aquela especial sensibilidade religiosa que, sem desprezar o concreto das pequenas coisas para as quais o homem parece n\u00e3o ter jeito, s\u00f3 atesta o t\u00e3o celebrado e celebrando \u00abg\u00e9nio feminino\u00bb. Esta \u00e9 a sua cruz. Mas \u00e9 tamb\u00e9m o seu t\u00edtulo de gl\u00f3ria!<\/p>\n<p>Os evangelistas sublinham que a ressurrei\u00e7\u00e3o aconteceu \u201cno primeiro dia da semana\u201d. O primeiro dia remete para as origens, para algo de novo. Na cria\u00e7\u00e3o do mundo, foi a luz. No nascimento de Cristo e da Igreja, foi o ventre da Virgem Maria. Na \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb da f\u00e9 pascal, mais do que qualquer palavra, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o amoroso, sol\u00edcito, inquieto daquelas mulheres que v\u00e3o ao encontro do morto e se deparam com a Vida. Porque sabem seguir e amar, ficam encarregadas do primeiro e mais solene an\u00fancio: de que o Cristo Senhor n\u00e3o se encontra por detr\u00e1s de uma pedra de t\u00famulo, de uma l\u00e1pide funer\u00e1ria, e que a \u00fanica forma de O \u00abencontrar\u00bb \u00e9 fazer-se seu disc\u00edpulo e assumir a sua causa.<\/p>\n<p>\u00c0s mulheres, a todas as mulheres a quem, porventura, o mundo deve mais que aos homens, os meus parab\u00e9ns e o meu muito obrigado. Que a M\u00e3e do Salvador interceda por v\u00f3s e vos cumule com a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o de felicidade. E um pedido: na pequena Igreja, que \u00e9 a fam\u00edlia, e na grande Igreja, a Cat\u00f3lica, elevem bem alto a luz de Cristo Ressuscitado e ajudem todos a caminhar \u00e0 sua claridade. Aleluia. Feliz P\u00e1scoa.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A Cruz e a luz<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":204495,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187],"class_list":["post-204324","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204324"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204324\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}