{"id":204320,"date":"2021-04-04T12:30:05","date_gmt":"2021-04-04T11:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204320"},"modified":"2021-04-04T08:18:23","modified_gmt":"2021-04-04T07:18:23","slug":"homilia-do-bispo-de-angra-na-eucaristia-do-domingo-da-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-angra-na-eucaristia-do-domingo-da-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Angra na Eucaristia do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/se_catedral_angra_ext_frent_side_esq_0_new_600-400.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-203279\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/se_catedral_angra_ext_frent_side_esq_0_new_600-400-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/se_catedral_angra_ext_frent_side_esq_0_new_600-400-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/se_catedral_angra_ext_frent_side_esq_0_new_600-400-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/se_catedral_angra_ext_frent_side_esq_0_new_600-400.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00abViu e acreditou\u00bb. \u00c9 com estas palavras que o Evangelho nos descreve o culminar do trajeto realizado por Maria Madalena, Pedro e Jo\u00e3o at\u00e9 chegarem ao reconhecimento de que Jesus de Nazar\u00e9 est\u00e1 vivo, ressuscitou.<\/p>\n<p>\u00c9 esta mesma afirma\u00e7\u00e3o que deve corresponder ao itiner\u00e1rio que n\u00f3s comunidade crist\u00e3 e batizados, disc\u00edpulos de Jesus Cristo, que ano ap\u00f3s ano somos chamados a percorrer os caminhos da f\u00e9 que com lucidez se deixa iluminar pela a\u00e7\u00e3o do Espirito Santo e, deste modo, observando os dados que a raz\u00e3o humana pode captar somos conduzidos ao reconhecimento da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9, nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A partir da Palavra que nos \u00e9 proclamada nesta celebra\u00e7\u00e3o, somos interpelados\u00a0 a uma viv\u00eancia crist\u00e3 a partir de tr\u00eas dimens\u00f5es da nossa condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos de Jesus Cristo. A primeira refere-se \u00e0 vida crist\u00e3 como experi\u00eancia de encontro com Jesus Ressuscitado; a segunda diz respeito \u00e0 vida comunit\u00e1ria como essencial para sentir a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo; e a terceira diz respeito \u00e0 miss\u00e3o de anunciar e testemunhar Aquele que se nos revelou Ressuscitado.<\/p>\n<p>Na verdade, na pessoa de Maria Madalena, de Pedro e de Jo\u00e3o, e no itiner\u00e1rio que os leva ao encontro de Jesus, reconhecemos tamb\u00e9m n\u00f3s, batizados, temos necessidade e somos interpelados a deslocarmo-nos de n\u00f3s mesmos, das nossas comodidades, dos nossos pensamentos e desinstalando-nos percorrermos os caminhos que nos levam at\u00e9 Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida que para muitos o ponto de partida \u00e9 o facto de Jesus ter morrido tal como nos \u00e9 descrito nos Evangelhos, mas n\u00e3o s\u00f3 o anuncio \u00e9 da ressurrei\u00e7\u00e3o, como no intimo de cada um de n\u00f3s se sente o ardente desejo que Aquele que nos ama tanto n\u00e3o deixe de estar presente. Por isso, pela a\u00e7\u00e3o do Espirito Santo, a partir dos sinais com que os nossos olhos se deparam somos levados \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o daquele que agora est\u00e1 vivo.<\/p>\n<p>Isto aconteceu com as primeiras testemunhas, isto mesmo deve acontecer hoje connosco.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia que nos \u00e9 colocada tem a ver com a caminhada que se exige no interior de cada um para se encontrar com Aquele que nos foi anunciado vivo e ressuscitado.<\/p>\n<p>Igualmente nos deparamos com a exig\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o activa numa comunidade crist\u00e3. N\u00e3o s\u00f3 o Evangelho que escut\u00e1mos nos refere que entre as primeiras testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma partilha da descoberta que cada um faz mas tamb\u00e9m verificamos que a experi\u00eancia de Jesus Ressuscitado s\u00f3 se d\u00e1 quando algu\u00e9m est\u00e1 integrado consciente e ativamente numa comunidade de partilha de f\u00e9, de esperan\u00e7a e de amor.<\/p>\n<p>Na verdade, como refere S. Jo\u00e3o Paulo II, \u00abagora \u00e9 para Cristo ressuscitado que a Igreja olha\u00bb (NMI, 28). Ali\u00e1s, \u00abpassados dois mil anos destes acontecimentos, a Igreja revive-os como se tivessem sucedido hoje. No rosto de Cristo, ela \u2014 a Esposa \u2014 contempla o seu tesouro, a sua alegria\u00bb (NMI, 28).<\/p>\n<p>Este facto deve desafiar-nos a uma integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria cada vez mais forte e l\u00facida. Sem comunidade, a f\u00e9 crist\u00e3 desvirtua-se em ideologia ou em mera opini\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>Comunidade que celebra a Jesus Cristo entregue, morto e ressuscitado, atrav\u00e9s da Eucaristia, memorial perene da p\u00e1scoa do Senhor.<\/p>\n<p>Nos tempos em que vivemos, a consci\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o ativa e consciente na Eucaristia e atrav\u00e9s dela na comunidade crist\u00e3 \u00e9 algo de fundamental para a descoberta de Jesus Cristo vivo e operante na vida de cada um e de cada comunidade.<\/p>\n<p>Da\u00ed o convite de S. Paulo que escut\u00e1mos na segunda leitura \u00abuma vez que ressuscitaste com Cristo, aspirai \u00e0 coisas do alto\u00bb. De facto, no batismo fomos sepultados com Cristo e ressurgimos pessoa nova. O homem velho desapareceu e somos revestidos do homem novo.<\/p>\n<p>Deste modo e a partir desta singular experi\u00eancia de vida crist\u00e3, os nossos comportamentos, os nossos valores, os nossos crit\u00e9rios, as nossas op\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o podem ser pautadas pelas sedu\u00e7\u00f5es do mundo. A comunh\u00e3o de vida com Cristo tem um efeito no nosso modo de ser e de atuar no mundo em que vivemos.<\/p>\n<p>\u00abJesus \u00e9 o \u201chomem novo\u201d (cf. Ef 4,24; Col 3,10), que convida a humanidade redimida a participar da sua vida divina\u00bb (NMI, 23).<\/p>\n<p>O \u00faltimo desafio diz respeito ao an\u00fancio e ao testemunho acerca daquele que encontr\u00e1mos vivo e ressuscitado. Ali\u00e1s este comportamento baseado no testemunho e no an\u00fancio \u00e9 essencial para a experi\u00eancia da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Este desafio est\u00e1 presente no texto do Evangelho proclamado, no qual nos deparamos com o an\u00fancio e o testemunho de cada um que se encontrou com a pessoa de Jesus Ressuscitado; mas igualmente se nos oferece na primeira leitura dos Atos dos Ap\u00f3stolos que na pessoa de Pedro nos refere que \u00abn\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez\u00bb e ainda \u00abJesus mandou-nos pregar ao povo e atestar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus juiz dos vivos e dos mortos\u00bb; do mesmo modo, Paulo nos convida a manifestarmos a vida de Cristo.<\/p>\n<p>Alicer\u00e7ada no mist\u00e9rio pascal de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, \u00abconfortada por esta experi\u00eancia revigoradora, a Igreja retoma agora o seu caminho para anunciar Cristo ao mundo\u00bb(NMI, 28).<\/p>\n<p>Como nos refere o Papa Francisco \u00abum an\u00fancio renovado proporciona aos crentes, mesmo t\u00edbios ou n\u00e3o praticantes, uma nova alegria na f\u00e9 e uma fecundidade evangelizadora\u00bb (EG, 11). Ali\u00e1s, \u00abo seu centro e a sua ess\u00eancia s\u00e3o sempre o mesmo: o Deus que manifestou o seu amor imenso em Cristo morto e ressuscitado. Ele torna os seus fi\u00e9is sempre novos\u00bb (EG, 11).<\/p>\n<p>Se a experi\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 fundamental para a vitalidade da vida pastoral da comunidade crist\u00e3 e para a alegria de cada batizado, \u00e9 essencial para a nossa diocese, em todas as suas comunidades, servi\u00e7os e movimentos, carismas e agentes pastorais, quando somos convidados a uma renovada a\u00e7\u00e3o evangelizadora atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o de todos na miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Considerando que \u00aba alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos disc\u00edpulos, \u00e9 uma alegria mission\u00e1ria\u00bb (EG,21 ), reconhecemos que \u00aba intimidade da Igreja com Jesus \u00e9 uma intimidade itinerante, e a comunh\u00e3o \u201creveste essencialmente a forma de comunh\u00e3o mission\u00e1ria\u201d\u00bb (EG,23 ), ent\u00e3o, \u00abfiel ao modelo do Mestre, \u00e9 vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasi\u00f5es, sem demora, sem repugn\u00e2ncias e sem medo\u00bb (EG,23 ).<\/p>\n<p>\u00c9 com esta certeza e com esta alegria, que apresento a todos os diocesanos, na Regi\u00e3o dos A\u00e7ores e na di\u00e1spora, sobretudo aos grandes her\u00f3is desta epidemia, governantes, profissionais da sa\u00fade, protec\u00e7\u00e3o civil, for\u00e7as de seguran\u00e7a, doentes e fam\u00edlias, sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos, leigos e os diversos servi\u00e7os diocesanos, os meus votos de Santa P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>Imploro de Nossa Senhora, M\u00e3e e Rainha dos A\u00e7ores, que se alegrou com a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Seu filho que aben\u00e7oes todos os que sofrem a tribula\u00e7\u00e3o no corpo ou no espirito e nos fa\u00e7a caminhar pelas sendas da evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo de hoje.<\/p>\n<p>Amen.<\/p>\n<p>S\u00e9 de Angra, 4 abril 2021<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Lavrador<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo de Angra e Ilhas dos A\u00e7ores<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":203279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169],"class_list":["post-204320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204320\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}