{"id":204204,"date":"2021-04-03T10:15:27","date_gmt":"2021-04-03T09:15:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204204"},"modified":"2021-04-03T10:15:27","modified_gmt":"2021-04-03T09:15:27","slug":"a-cruz-que-nos-atrai-e-impele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-que-nos-atrai-e-impele\/","title":{"rendered":"A Cruz que nos atrai e impele"},"content":{"rendered":"<p><em>Homilia da Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_204205\" aria-describedby=\"caption-attachment-204205\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Lisboa_Paixao-2021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204205\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Lisboa_Paixao-2021-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Lisboa_Paixao-2021-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Lisboa_Paixao-2021-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Lisboa_Paixao-2021-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Lisboa_Paixao-2021.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-204205\" class=\"wp-caption-text\">Foto Patriarcado de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nos dias que vivemos e no tempo que sofremos \u2013 e muitos bem duramente, por si e pelos seus \u2013 cabe perguntar porque estamos aqui e assim reunidos, presencial ou mediaticamente. Nesta Sexta-Feira Santa da Paix\u00e3o do Senhor, guardando os trechos proclamados, para de seguida adorarmos a Cruz em que Jesus morreu, naquela \u201chora nona\u201d em que continuamos. \u2013 Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Sabemos como o acontecimento se imp\u00f4s, apesar de tudo. Apesar de ter sido t\u00e3o cruel e de pouca gente dar por ele, na tarde em que foi. Fora da cidade, um entre mais condenados, com alguns soldados e um pequeno grupo de fi\u00e9is. Mais uma das muitas crucifix\u00f5es romanas, ainda que especialmente atormentada. Tinha tudo para ser rapidamente esquecida, aquela cruz, por ser apenas mais uma e por ser sinal de maldi\u00e7\u00e3o para qualquer judeu que fosse: \u201cMaldito aquele que morre no madeiro!\u201d<\/p>\n<p>E, no entanto, imp\u00f4s-se. N\u00e3o passaram muitos anos at\u00e9 Paulo exclamar que toda a sua gl\u00f3ria estava ali, definindo-se a si mesmo com a cruz: \u00abQuanto a mim, de nada me quero gloriar, a n\u00e3o ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo est\u00e1 crucificado para mim e eu para o mundo\u00bb (Gl 6, 14).<\/p>\n<p>N\u00e3o nos pare\u00e7a isto pouco, ou uma refer\u00eancia ocasional. Na verdade, um dos primeiros milagres do cristianismo hist\u00f3rico foi precisamente a aceita\u00e7\u00e3o da cruz \u2013 e mais pelos primeiros crist\u00e3os do que pelo pr\u00f3prio Cristo. Como ouvimos h\u00e1 pouco, \u00abEle dirigiu preces e s\u00faplicas, com grandes clamores e l\u00e1grimas, \u00c0quele que o podia livrar da morte, e foi atendido na sua piedade\u00bb. Atendido, porque venceu a morte; mas n\u00e3o dispensado de a sofrer assim, para nos acompanhar e salvar na cruz da vida, de cada um e de todos.<\/p>\n<p>Estamos no cerne do realismo crist\u00e3o, mas n\u00e3o chegar\u00edamos aqui s\u00f3 por n\u00f3s, mais atreitos que somos a fugir do que a permanecer, quando a vida d\u00f3i.<\/p>\n<p>Jesus dissera antes: \u00abNingu\u00e9m pode vir a mim, se o Pai que me enviou o n\u00e3o atrair\u00bb (Jo 6, 43). \u00c9 este o princ\u00edpio da resposta, quando procuramos o porqu\u00ea de aqui estarmos hoje. \u00c9 Deus Pai que nos chama \u00e0 cruz do seu Filho, porque dela brota a vida, a jorrar do lado aberto. Porque nela Jesus tamb\u00e9m \u201cexpira\u201d, para que o seu Esp\u00edrito nos inclua na vida que com o Pai compartilha e em n\u00f3s se projeta.<\/p>\n<p>Pouco antes, no pret\u00f3rio de Pilatos, Jesus respondera como ouvimos: \u00abO meu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u00bb. Na verdade, nunca fora nem quisera ser. Mas tal n\u00e3o significa que n\u00e3o seja doutro modo e mais profundo. Como disse a seguir: \u00abPara isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que Jesus reina desde ent\u00e3o, atraindo e segurando os que se reveem na verdade que Ele \u00e9 e escutam a sua voz que os reclama. \u00c9 esta a raz\u00e3o de estarmos aqui. Raz\u00e3o \u00fanica, bastante e decisiva.<\/p>\n<p>H\u00e1 verdade quando a mente se adequa ao objeto. O que nos explica aqui, centrados na Paix\u00e3o de Cristo, \u00e9 essa espantosa coincid\u00eancia do que nela vemos com o que somos realmente, como humanidade sofrida e esperan\u00e7osa. Como canta um hino, \u201cabra\u00e7amos a cruz da vida \u00e0 luz pura do Seu rosto\u201d.<\/p>\n<p>Desfigurado estava e muito o \u201cmais belo dos filhos dos homens\u201d, aplicando-se-lhe o que ouvimos ao Profeta: \u00abDesprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto\u00bb. Por\u00e9m, manifestava-se na objetividade absoluta da dor que sofria e da miseric\u00f3rdia que derramava sobre os circunstantes.<\/p>\n<p>Eram poucos, mas suficientes para nos representarem a todos: A M\u00e3e e algumas mulheres, o disc\u00edpulo e at\u00e9 os pr\u00f3prios algozes, que \u201cn\u00e3o sabiam o que faziam\u201d. Aquela objetividade total, onde se figurou o drama humano, de qualquer espa\u00e7o ou tempo, atrai-nos a mente e o cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o nos deixa sair de ao p\u00e9 da cruz, que assim mesmo nos salva.<\/p>\n<p>\u00c9 deste modo que Cristo reina em n\u00f3s, pela verdade com que nos atrai e abrange. E assim nos podemos interpretar, a n\u00f3s e ao pr\u00f3prio mundo, no quinh\u00e3o que a todos toca de dor e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 um reinado em exerc\u00edcio, sempre que escutamos a sua voz e lhe correspondemos de verdade. E onde esta voz ressoa, tamb\u00e9m o disse e explicou: Foi na cruz, onde disse que tinha sede. E continua, onde nos pede de comer e de beber, onde nos solicita acolhimento ou agasalho, onde nos clama do hospital ou da pris\u00e3o. Demos a cada um destes clamores o sentido que deva ter, mas n\u00e3o lhes reduzamos a import\u00e2ncia essencial e determinante (cf. Mt 25, 37-40). S\u00e3o as fronteiras inclusivas do Reino de Cristo e s\u00f3 dentro delas nos podemos manter como realmente seus.<\/p>\n<p>No fim da grande ora\u00e7\u00e3o que se segue, pedirei a Deus que \u201coi\u00e7a as s\u00faplicas dos que O invocam nas tribula\u00e7\u00f5es, para que todos tenham a alegria de encontrar nas dificuldades o aux\u00edlio da sua miseric\u00f3rdia\u201d.<\/p>\n<p>Sabemos bem que Deus ouve. Mas a sua resposta liga-se \u00e0 que n\u00f3s pr\u00f3prios dermos ao que nos pede em Cristo, presente em quem sofre. Quando adorarmos a cruz, oi\u00e7amos a sua voz a ressoar em tanto clamor deste mundo e com a firme disposi\u00e7\u00e3o de lhe correspondermos agora. Atendendo assim, seremos com Cristo a resposta de Deus.<\/p>\n<p>Como ouvimos: \u00abQuando Jesus tomou o vinagre, exclamou: \u00abTudo est\u00e1 consumado. E, inclinando a cabe\u00e7a, expirou\u00bb. Deu-nos o Esp\u00edrito que aqui nos traz e daqui nos impele, da cruz para o mundo e do mundo para Deus.<\/p>\n<p>S\u00e9 de Lisboa, 2 de abril de 2021<\/p>\n<p>D. Manuel, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia da Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do cardeal-patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":204205,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343],"class_list":["post-204204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}