{"id":204198,"date":"2021-04-02T21:50:56","date_gmt":"2021-04-02T20:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204198"},"modified":"2021-04-03T00:53:44","modified_gmt":"2021-04-02T23:53:44","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-celebracao-da-paixao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-celebracao-da-paixao-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p class=\"Corpo\" align=\"center\">\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_204199\" aria-describedby=\"caption-attachment-204199\" style=\"width: 302px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-204199\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13-302x260.jpg\" alt=\"\" width=\"302\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13-302x260.jpg 302w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13-1024x882.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13-768x662.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13-980x844.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13-480x413.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/D.NUNO-PAIXAO-DO-SENHOR13.jpg 1068w\" sizes=\"(max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-204199\" class=\"wp-caption-text\">Foto Jornal da Madeira<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c<i>Saiu para o chamado lugar do Calv\u00e1rio, que em hebraico se diz G\u00f3lgota<\/i>\u201d<\/p>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">1. \u201cLugar do Calv\u00e1rio\u201d, ou \u201clugar do cr\u00e2nio\u201d\u00a0 \u2014 em hebraico \u201cG\u00f3lgota\u201d: os quatro evangelistas s\u00e3o concordes sobre o local onde foi erguida a cruz do Senhor. \u00c9, certamente, uma refer\u00eancia geogr\u00e1fica precisa e conhecida naquele tempo, ainda que, ao longo dos s\u00e9culos, tenha sido objecto de muitos debates.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">No entanto, hoje, nesta celebra\u00e7\u00e3o de Sexta-feira Santa, o que nos importa n\u00e3o s\u00e3o tanto as discuss\u00f5es sobre onde se situava o lugar em que o Senhor foi crucificado. O que nos importa \u00e9 antes o seu significado salutar: importa-nos perceber como, na nossa vida crist\u00e3, nos devemos confrontar com a cruz salvadora, e como podemos deixar que aquele acontecimento hist\u00f3rico e as narra\u00e7\u00f5es que no-lo fazem conhecido sejam portadores de sentido e de vida para a nossa exist\u00eancia e para a exist\u00eancia do mundo. O que nos importa \u00e9 deixar que Deus fa\u00e7a P\u00e1scoa connosco e passe pela nossa vida.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">2. O modo como Jesus viveu a sua condena\u00e7\u00e3o permaneceu na mem\u00f3ria de muitos: s\u00f3 esse modo \u00fanico de caminhar para a cruz e de viver este castigo m\u00e1ximo, pode justificar que lhe tenham sido aplicados os textos do Profeta Isa\u00edas, escritos muitos s\u00e9culos antes, anunciadores do Servo de Deus que se oferece pela salva\u00e7\u00e3o do mundo. Acab\u00e1mos de escutar um deles como I\u00aa leitura: era uma verdadeira descri\u00e7\u00e3o do Crucificado.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">O seu rosto, dizia-nos Isa\u00edas, estava desfigurado, de tal modo que \u201ctinha perdido toda a apar\u00eancia de um ser humano\u201d. Desfigurado pela flagela\u00e7\u00e3o; desfigurado pela coroa\u00e7\u00e3o de espinhos e pelos maus tratos sofridos; mas\u00a0 (sobretudo) desfigurado pela desumanidade do pecado que nele se encerrava. Porque nele toda a desumanidade encontrava corpo e express\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Nele n\u00e3o existia beleza que pudesse atrair. Porque a beleza atrai. Mas ali, naquele crucificado, nem sequer a comisera\u00e7\u00e3o: era \u201cdesprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele diante de quem se desvia o rosto\u201d. Ali, naquele Crucificado, se encontrava o feio em absoluto.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Desfigurado e desacreditado. Tudo o que era ainda uma r\u00e9stia de f\u00e9; tudo o que era ainda um pouco de confian\u00e7a em Deus salvador, se tinha perdido: Jesus, que falara do Pai como ningu\u00e9m, ali estava, abandonado por Deus, condenado \u00e0 cruz, sem ningu\u00e9m que O defendesse. Nele se concentrava toda a falta de f\u00e9: ali se encontrava a certeza dos ateus que afirmam a n\u00e3o exist\u00eancia de Deus; ali estavam as d\u00favidas dos agn\u00f3sticos; ali se reuniam as nossas hesita\u00e7\u00f5es de crentes.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\u201cUm homem castigado, ferido por Deus e humilhado\u201d: todo o mal, todo o pecado, toda a mis\u00e9ria do mundo pesavam sobre os ombros daquele crucificado, abandonado por todos: porque \u201co Senhor \u2014 diz ainda o Profeta \u2014 fez cair sobre Ele as faltas de todos n\u00f3s\u201d: \u201cmaltratado, humilhou-se voluntariamente e n\u00e3o abriu a boca. Era como cordeiro levado ao matadouro. [\u2026] Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">3. Tudo isto \u2014 este peso insuport\u00e1vel da concentra\u00e7\u00e3o do pecado e do mal, confluindo de todos os tempos, vivido at\u00e9 ao limite por Aquele que \u201cofereceu a sua vida como v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o\u201d \u2014 aconteceu ali, no G\u00f3lgota, <span lang=\"IT\">no <\/span><span dir=\"RTL\" lang=\"AR-SA\">\u201c<\/span><span lang=\"IT\">Calv<\/span>\u00e1rio\u201d, no \u201clugar da caveira\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Desde muito cedo que os crist\u00e3os se interrogaram sobre o que poderia significar essa cruz erguida no \u201clugar da caveira\u201d. Alguns diziam que, simplesmente, se tratava de um pequeno morro fora da cidade, onde habitualmente tinham lugar as execu\u00e7\u00f5es, ficando os corpos (as caveiras) ali abandonados; outros, diziam que esse pequeno monte tinha um aspecto de caveira. Mas encontramos tamb\u00e9m, desde muito cedo, a tradi\u00e7\u00e3o de que ali, no lugar onde foi elevada a cruz de Jesus, se encontrava o sepulcro de Ad\u00e3o. Ali encontrava-se o t\u00famulo do homem \u2014 do primeiro homem e do homem de todos os tempos. Era, por antonom\u00e1sia, o \u201clugar do morto\u201d. E ainda hoje, debaixo do lugar onde esteve erguida a cruz do Senhor, podemos visitar a \u201ccapela de Ad\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Da terra, da morte, brota um madeiro. Se, em Ad\u00e3o, a morte tinha chegado pela \u00e1rvore do Para\u00edso, agora uma outra \u00e1rvore sustenta o novo Ad\u00e3o. Se, no in\u00edcio, com Ad\u00e3o, encontramos a desobedi\u00eancia e a revolta frente a Deus, agora encontramos a obedi\u00eancia e a entrega. Se, no in\u00edcio, encontramos o homem que se quer colocar no lugar de Deus, agora contemplamos a Deus que se humilha a si mesmo at\u00e9 \u00e0 morte de cruz. A raiz da \u00e1rvore da cruz s\u00e3o o pecado e a morte, o homem velho. Mas, das ra\u00edzes da morte e do pecado,\u00a0 a cruz ergue-se at\u00e9 ao c\u00e9u como caminho que, por meio de Jesus, nos conduz, definitivamente ao Pai e \u00e0 vida eterna. Nova humanidade, nascida do lado do novo Ad\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Por isso, ali, na cruz do G\u00f3lgota, os crist\u00e3os encontraram desde sempre o rosto de Deus. Um rosto que, por entre o feio do pecado, resplandece de beleza. Desapareceu, \u00e9 certo, o bonito dos padr\u00f5es da moda, mas aparece toda a beleza do amor \u2014 do amor com que Deus vem ao nosso encontro (ao encontro de cada um de n\u00f3s), nos atrai e nos mostra que nele \u2014 e apenas nele ! \u2014 podemos entregar confiadamente toda a nossa exist\u00eancia, tudo o somos e temos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">N\u00e3o sem raz\u00e3o, Jerusal\u00e9m se considera o \u201cumbigo da humanidade\u201d, o lugar onde se concentra o drama humano, e onde a morte se transformou em vida por meio da Cruz salvadora de Jesus. Sobre a tirania da morte, ergue-se o trof\u00e9u da vida.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Como diz S. Atan\u00e1sio de Alexandria: \u201cUma vez que Ad\u00e3o escutou: \u2018Tu \u00e9s terra e \u00e0 terra voltar\u00e1s\u2019 (e, por causa disto, \u00e0 terra regressou), assim Cristo ali encontrar\u00e1 de novo Ad\u00e3o, a fim de dissolver a condena\u00e7\u00e3o. Por isso, em vez de \u2018tu \u00e9s terra e \u00e0 terra voltar\u00e1s\u2019, Cristo pode dizer: \u2018Levanta-te, vem aqui e segue-me, porque j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1s colocado na terra, mas erguer-te-\u00e1s at\u00e9 ao C\u00e9u\u201d (<i>De Passione et cruce Domini<\/i>, PG 28:208).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Deixemo-nos olhar pelo homem da Cruz; encontremos nele a beleza do amor de Deus; deixemos que Ele nos erga do pecado e da morte (do homem velho), e nos conduza \u00e0 vida divina, cumprindo a sua promessa: \u201cj\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1s colocado na terra, mas erguer-te-\u00e1s at\u00e9 ao C\u00e9u\u201d!<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":5,"featured_media":204199,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-204198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}