{"id":204136,"date":"2021-04-03T09:59:14","date_gmt":"2021-04-03T08:59:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204136"},"modified":"2021-04-02T20:52:09","modified_gmt":"2021-04-02T19:52:09","slug":"temos-de-fazer-tudo-para-que-as-pessoas-tenham-o-pao-de-cada-dia-isso-para-mim-e-pascoa-e-sair-do-sepulcro-vazio-d-antonio-luciano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/temos-de-fazer-tudo-para-que-as-pessoas-tenham-o-pao-de-cada-dia-isso-para-mim-e-pascoa-e-sair-do-sepulcro-vazio-d-antonio-luciano\/","title":{"rendered":"\u00abTemos de fazer tudo para que as pessoas tenham o p\u00e3o de cada dia. Isso para mim \u00e9 P\u00e1scoa, \u00e9 sair do sepulcro vazio\u00bb &#8211; D. Ant\u00f3nio Luciano"},"content":{"rendered":"<p><em>O bispo de Viseu afirma que celebrar a P\u00e1scoa com as igrejas abertas \u201c\u00e9 uma gra\u00e7a\u201d, algo que n\u00e3o aconteceu em 2020 por causa do coronav\u00edrus. D. Ant\u00f3nio Luciano real\u00e7ou que a pandemia tamb\u00e9m vai trazer oportunidades e desafios, para a Igreja Cat\u00f3lica e a sociedade, apelando \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o de todos<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_107923\" aria-describedby=\"caption-attachment-107923\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-107923 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/antonio_luciano_foto_francisco_barbeira6-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-107923\" class=\"wp-caption-text\">Foto Jornal A Guarda\/Francisco Barbeira, D. Ant\u00f3nio Luciano<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Matos<\/em><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) &#8211; Que P\u00e1scoa, que viv\u00eancia ser\u00e1 poss\u00edvel tamb\u00e9m neste contexto que vivemos de uma pandemia que nos alterou os modos de vida. Como \u00e9 que vamos celebrar a f\u00e9 com todas estas condicionantes, \u00e9 um desafio a superar?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Ant\u00f3nio Luciano (AL) \u2013 <\/em>Uma pergunta que \u00e9 pertinente. N\u00f3s estivemos em confinamento, Thom\u00e1s H\u00e1lik [te\u00f3logo, fil\u00f3sofo e soci\u00f3logo checo] disse que as igrejas estavam vazias, e n\u00f3s, por privil\u00e9gio, vamos ter a P\u00e1scoa com as igrejas com gente. N\u00e3o com aquelas multid\u00f5es de que gostar\u00edamos, mas com gente. As igrejas estavam vazias; agora, t\u00eam povo de Deus e essa \u00e9 uma gra\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 um desafio e tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade, no sentido em que h\u00e1 uma confian\u00e7a tamb\u00e9m dada \u00e0 Igreja, tamb\u00e9m pelo modo como se tem comportado durante a pandemia, mas continuamos a insistir que temos que ter muitos cuidados: O afastamento social e a higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, tamb\u00e9m tudo o que \u00e9 importante como o uso da m\u00e1scara e outros meios que podemos procurar para nos defendermos, para nos protegermos.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um primeiro ponto, celebrar a P\u00e1scoa ainda em confinamento e em tempo muito grave desta pandemia a n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>Estamos a ser fermento daquilo que queremos ser como Igreja, no meio do mundo e privilegiamos que aqueles que possam v\u00e3o \u00e0 Eucaristia, participem nas celebra\u00e7\u00f5es, sempre respeitando as orienta\u00e7\u00f5es; os outros que n\u00e3o possam, fa\u00e7am-no atrav\u00e9s da televis\u00e3o, da r\u00e1dio, atrav\u00e9s do Facebook. O importante \u00e9 vivermos o mist\u00e9rio pascal, e viv\u00ea-lo na centralidade de Cristo.<\/p>\n<p>Escrevi uma carta aos sacerdotes, aos di\u00e1conos e consagrados, e, simultaneamente, escrevi uma tamb\u00e9m a todas as pessoas de boa vontade, crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os, porque todos beneficiamos do valor teol\u00f3gico e do valor humano, do valor fraterno, social e eclesial que \u00e9 a P\u00e1scoa. Para mim tudo nasce da P\u00e1scoa e tudo caminha para a P\u00e1scoa. S\u00f3 tem sentido estarmos a viver a Quaresma porque houve uma P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>Pudemos saborear a Quaresma de um modo diferente e, a n\u00edvel da Diocese de Viseu, tivemos muitas din\u00e2micas, mesmo em tempo de confinamento. Todos os domingos fui celebrar \u00e0 S\u00e9, participei em v\u00e1rios encontros online, tivemos o nosso retiro online, forma\u00e7\u00f5es, a caminhada para a Jornada Mundial da Juventude e encontros com outros movimentos, tem sido uma oportunidade. Um trabalho de estudo da B\u00edblia, chamados \u2018Roteiros B\u00edblicos\u2019, que temos feito \u00e0s quintas-feiras, tem sido uma oportunidade bel\u00edssima. Tamb\u00e9m tenho procurado, todas as semanas, escrever no jornal diocesano que fez 100 anos, o \u2018Jornal da Beira\u2019, sobre estas tem\u00e1ticas que ao longo da Quaresma se tornaram mais evidentes, centradas no mist\u00e9rio da vida, do sofrimento, da dor, da paix\u00e3o e da morte de Jesus Cristo mas contemplando a esperan\u00e7a da Ressurei\u00e7\u00e3o. Num contexto de pandemia \u00e9 muito dif\u00edcil, vemos muitas necessidades, o aumento dos doentes, gra\u00e7as a Deus agora diminu\u00edram mas tivemos o m\u00eas de janeiro e de fevereiro que foi um tempo de dor, um tempo de sofrimento, um tempo que a gente perguntava \u201ccomo \u00e9 que isto vai terminar?\u201d.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus, os portugueses &#8211; quero agradecer, tamb\u00e9m aos diocesanos de Viseu &#8211; souberam comportar-se, mas, agora, temos uma responsabilidade acrescida: quanto mais liberdade nos d\u00e3o, mais responsabilidade n\u00f3s temos.<\/p>\n<p>Gostaria que a P\u00e1scoa que vamos viver fosse uma oportunidade para contemplarmos mais Jesus Cristo. Como diz S\u00e3o Paulo, preg\u00e1mos o Cristo cruxificado mas n\u00e3o o Cristo que ficou ali morto, mas o Cristo que foi o gr\u00e3o de trigo, que foi lan\u00e7ado \u00e0 terra, germinou, nasceu e, agora, d\u00e1-nos a vida nova que \u00e9 a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos aquilo que gostar\u00edamos de ter, muitos sacerdotes gostariam de ter, e eu tamb\u00e9m, o Domingo de Ramos uma oportunidade de todos se encontrarem e conviverem, a Semana Santa, o Tr\u00edduo Pascal. N\u00e3o tivemos o lava-p\u00e9s, mas o importante \u00e9 o nosso cora\u00e7\u00e3o estar dispon\u00edvel para o servi\u00e7o. Como o Papa Francisco nos diz, para a fraternidade, a proximidade, a solidariedade, para a amabilidade. O lavar os p\u00e9s significa que em cada dia devemos servir, \u00e0 maneira de Cristo. Como Jesus disse, o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido mas para servir, e dar a vida por todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Quando o Papa, nos fala do \u00a0Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, gosto muito de uma express\u00e3o, quando diz que quando nos vamos confessar e dizer os nossos pecados, Deus j\u00e1 os conhece. Ele j\u00e1 se antecipou ao perd\u00e3o que vamos receber. \u00c9 uma coisa muito bonita, a Quaresma \u00e9 para isso, por isso \u00e9 tempo de convers\u00e3o, de jejum, de penit\u00eancia, tempo de ren\u00fancias e tempo de partilha.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes n\u00e3o precisamos de fazer grandes planos. No tempo em que vivemos, algu\u00e9m perdeu o trabalho, quando algu\u00e9m perdeu a sa\u00fade. Estou a ver, neste momento, uma fam\u00edlia de oito pessoas, todos foram infetados, um ainda est\u00e1 internado no hospital. Que Quaresma foi a desta gente? Foi mesmo identificada com Jesus Cristo, num sofrimento e numa dor muito grande. Este \u00e9 um exemplo entre muitos que aconteceram em Portugal, e no mundo inteiro, e a Igreja tem de ser de proximidade, de servi\u00e7o, de cuidado, de aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos ignorar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 D. Ant\u00f3nio Luciano tem forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade e agora que falava na Quaresma rigorosa que muitos viveram, recordo-me dos profissionais de sa\u00fade que ter\u00e3o iniciado uma Quaresma muito antes da Quarta-feira de Cinzas.<\/em><\/p>\n<p><em>AL \u2013<\/em> \u00c9 verdade, espero que agora cheguem \u00e0 P\u00e1scoa e fiquem mais liberto. Eles n\u00e3o precisaram de procurar um jejum e uma penit\u00eancia, foi-lhes dada pelo pr\u00f3prio dever.<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante que, quando Nossa Senhora se revela aos pastorinhos, em F\u00e1tima, diz-lhes que a penit\u00eancia maior que temos de cumprir \u00e9 o cumprimento do dever. E, \u00e0s vezes, n\u00f3s queremos muitas penit\u00eancias, andamos \u00e0 procura delas e esquecemos o cumprimento do dever.<\/p>\n<p>Toda a caminhada para a P\u00e1scoa, toda a viv\u00eancia quaresmal, com tudo aquilo que cont\u00e9m, especialmente com a contempla\u00e7\u00e3o de Jesus no caminho da Via Sacra, que \u00e9 realmente uma ora\u00e7\u00e3o t\u00e3o querida do povo de Deus, e tinha tantas manifesta\u00e7\u00f5es populares e bel\u00edssimas e cheias de conte\u00fado e riqueza, n\u00e3o podem acontecer como aconteciam.<\/p>\n<p>Hoje, o mundo digital tem-nos aproximado e facilitado imenso, nunca estive em tantas reuni\u00f5es, em tantas Vias-Sacras, em tantos encontros quaresmais de forma\u00e7\u00e3o como este ano. Mas \u00e9 proximidade, \u00e9 preciso depois darmos o salto dessa proximidade que fizemos com o digital para a proximidade f\u00edsica, essa h\u00e1 de acontecer, quando estivermos mais libertos, e podermos dar seguran\u00e7a aos outros e tamb\u00e9m termos seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Aqui vem a vacina que \u00e9 muito importante. H\u00e1 dias um sacerdote, de 80 e tal anos, dizia: \u201cSenhor Bispo j\u00e1 fui vacinado ,mas o meu irm\u00e3o e a minha irm\u00e3 n\u00e3o quiseram.\u201d Eu disse: \u201cQue pena, diga que vou rezar por eles para serem vacinados\u201d.<\/p>\n<p>A vacina \u00e9 muito importante, muito valiosa, muito s\u00e9ria. Algum dia pensamos, nestes 21 s\u00e9culos de civiliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-Cristo, deste acontecimento do sofrimento e da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, que para vivermos com um pouco de tranquilidade e \u00e0 vontade todos precis\u00e1ssemos de uma vacina?<\/p>\n<p>Este para mim \u00e9 o maior sinal dos tempos, que, sendo um sinal negativo, se bem aproveitado, pode ser positivo. A pandemia tamb\u00e9m nos vai trazer oportunidades, desafios. Um sacerdote, quando come\u00e7ou o ano passado a pandemia, dizia: \u201c\u00d3 Senhor Bispo, as pessoas ainda v\u00e3o ficar \u00e9 piores.\u201d Eu dizia que n\u00e3o, mas ao longo deste per\u00edodo vou-me dando conta que algumas n\u00e3o melhoraram muito. Espero que deem a volta grande e melhorem mesmo. Depois disto, nada vai ser igual, tudo tem que ser novo na pastoral, na nossa vida, na rela\u00e7\u00e3o com os outros, no respeito. Temos \u00e9 que encontrar formas, sem des\u00e2nimos, e \u00e9 isso que acontece \u00e0s vezes nos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Nesse modo diferente descobrimos o valor e a profundidade das coisas e da rela\u00e7\u00e3o que nos merecem com Deus e com os outros, e a P\u00e1scoa \u00e9 isto. A P\u00e1scoa \u00e9 que promoveu esta viv\u00eancia quaresmal, por isso \u00e9 a passagem. Estamos a passar por uma pandemia que, no fundo, \u00e9 um grande \u00eaxodo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A experi\u00eancia do vulner\u00e1vel, do fr\u00e1gil, pode ser uma pedagogia da qual possamos tirar alguma li\u00e7\u00e3o para o futuro, no sentido de nos aproximarmos mais uns dos outros?<\/em><\/p>\n<p><em>AL \u2013<\/em> Espero que n\u00e3o seja s\u00f3 uma fal\u00e1cia pronunciarmos esses termos. Hoje h\u00e1 termos que est\u00e3o muito na noda, temos \u00e9 que os tornar nossos. A caridade que quero fazer come\u00e7a por mim, pelo meu cora\u00e7\u00e3o, come\u00e7a pela minha fam\u00edlia, come\u00e7a pela minha casa, e, depois, vai pela rua e logo atinge todos.<\/p>\n<p>Esta pandemia foi uma coisa tremenda, o \u2018oikos\u2019 entrou em descontrole e a ecologia, como diz o Papa Francisco na \u2018Fratelli Tutti\u2019, precisa de ser cuidada, este mundo precisa de ser ajudado. Como n\u00e3o tivemos a coragem de preventivamente cuidar deste mundo, surgiu esta pandemia como surgiram tantas ao longo da hist\u00f3ria. Hoje, fruto do desenvolvimento, das novas tecnologias, da p\u00f3s-modernidade, uma pandemia quando \u00e9 declarada est\u00e1 no mundo global, na aldeia global. E esse foi o grande problema.<\/p>\n<p>Tenho ouvido e falado com muita gente e n\u00e3o estamos preparados para isso. Isto apanhou-nos a todos de surpresa, e os primeiros tempos foi para aprender. H\u00e1 uma coisa que foi muito importante a n\u00edvel da ci\u00eancia, Jean Bernard j\u00e1 dizia que a medicina evoluiu mais nos 50 anos \u00faltimos do s\u00e9culo XX do que em todos os outros.<\/p>\n<p>Agora, tenho essa frase memorizada e tenho-a aplicado. Num ano quantas vacinas surgiram e est\u00e3o a surgir. J\u00e1 davam not\u00edcias que uma pode ser por gotas e outra por uma simples c\u00e1psula, isso \u00e9 uma maravilha. Foi realmente um sinal dos tempos negativo mas que p\u00f4s tanta gente a trabalhar em comunh\u00e3o, em unidade, n\u00e3o importava se \u00e9 desta ou daquela cor. O importante \u00e9 o bem comum e p\u00f4s-se a trabalhar na solidariedade que deu origem a esse elemento cient\u00edfico que temos muito que agradecer \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, ao grupo da nossa Comunidade Europeia que tamb\u00e9m lidera a sa\u00fade, o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, a preocupa\u00e7\u00e3o dos governantes, depois a n\u00edvel local, falei muitas vezes com respons\u00e1veis locais da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Os nossos profissionais de sa\u00fade, quer sejam m\u00e9dicos, enfermeiros, auxiliares, a mim preocupa-me. A not\u00edcia daquele portugu\u00eas que \u00e9 o \u00fanico no mundo que esteve um ano internado se n\u00e3o houvesse esse elemento da ci\u00eancia m\u00e9dica, da t\u00e9cnica, e da enfermagem, e n\u00e3o existissem essas respostas, este homem tinha perecido, tinha sido mais um n\u00famero. Este \u00e9 uma amostra de tantos casos an\u00f3nimos que v\u00e3o tentando reagir e recuperar a sa\u00fade. H\u00e1 aqui uma palavra de muito apre\u00e7o aqueles que cuidam de n\u00f3s a partir da sa\u00fade \u2013 m\u00e9dicos, enfermeiros, outros profissionais -, aos cientistas.<\/p>\n<p>C\u00e1 est\u00e1 o sinal positivo que contrabalan\u00e7a com o sinal negativo: temos de aproveitar e, a partir daqui, ajudar as pessoas, sensibiliz\u00e1-las, n\u00e3o termos medo de ser vacinados. H\u00e1 pequeninas complica\u00e7\u00f5es mas aquilo que \u00e9 positivo como valor \u00e9 maior do que algum risco que possa acontecer.<\/p>\n<p>Houve destrutura\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias, de grupos, grandes cidades muitas ruas que s\u00e3o sepulcros. Agora come\u00e7a a abertura do desconfinamento a tentar arranjar as montras, e n\u00f3s precisamos disso. O nosso pa\u00eds vivia muito do turismo, precisamos dessas val\u00eancias a funcionar. Para todos na rede termos p\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos precisamos uns dos outros, ningu\u00e9m pode ser uma ilha, ningu\u00e9m vive sozinho. A tal comunh\u00e3o, a comunidade que \u00e9 preciso construir e esse \u00e9 um grande desafio, uma grande li\u00e7\u00e3o a tirar da pandemia.<\/p>\n<p>E os padres tamb\u00e9m temos de tirar, at\u00e9 na rela\u00e7\u00e3o que tivemos com o povo, tanta gente que pereceu, tivemos este problema de entrar o v\u00edrus e infetar tanta gente nas institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja e n\u00e3o s\u00f3, que foi uma dor muito grande, um sofrimento muito grande.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive nenhum sacerdote que pereceu por Covid, apenas uma religiosa com alguma idade que fui fazer o funeral, mas esses s\u00e3o pequeninos aspetos, os outros s\u00e3o muito mais do que esses. Temos de nos aproximar muito do povo de Deus, se os queremos cativados, se os queremos ajudar. Quer sejam mais jovens, menos jovens. Nos jovens temos uma responsabilidade muito grande, nas crian\u00e7as tamb\u00e9m, na fam\u00edlia, nos idosos e nos doentes. Os tais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Que aprendamos uma li\u00e7\u00e3o grande sobre a pandemia e n\u00e3o tenhamos medo de ler e de investigar para saber mais para podermos evitar que outras aconte\u00e7am. Nunca tomei a vacina contra a gripe, se a partir de agora todos temos de levar uma vacina quer queiramos, quer n\u00e3o, fa\u00e7amo-lo, porque \u00e9 por um bem maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nestes tempos, e basta percorrer as ruas de Viseu, de resto como qualquer outra cidade do nosso pa\u00eds ou vilas, e as coisas est\u00e3o fechadas, os neg\u00f3cios n\u00e3o andam, as pessoas est\u00e3o aflitas, h\u00e1 sinais de sepulcro por demais numerosos. Como \u00e9 que vamos perceber os sinais de ressurrei\u00e7\u00e3o que vamos celebrar no domingo de P\u00e1scoa, onde \u00e9 que vamos descobrir estes elementos que nos falam de uma vida nova e de um recome\u00e7o? A vacina poder\u00e1 ser um deles mas na perspetiva dos crist\u00e3os h\u00e1 outras realidades?<\/em><\/p>\n<p><em>AL \u2013 <\/em>A amizade, as pessoas serem amigas umas das outras, as fam\u00edlias serem pr\u00f3ximas e ajudarem-se, e tem acontecido, esse para mim \u00e9 um ponto crucial. Depois tamb\u00e9m a ajuda na rela\u00e7\u00e3o de trabalho: hoje temos muita gente que ficou no desemprego e que pode vir a ficar no futuro, ent\u00e3o temos de fazer tudo para que as pessoas tenham o p\u00e3o de cada dia. Isso para mim \u00e9 P\u00e1scoa, \u00e9 sair do sepulcro vazio.<\/p>\n<p>Vejo pessoas que foram muito inovadoras ao longo deste per\u00edodo da pandemia, pessoas com forma\u00e7\u00e3o superior que foram capazes de arranjar outras formas de responder \u00e0s suas necessidades, tamb\u00e9m vejo muita gente que, se calhar, por fruto do trabalho e da educa\u00e7\u00e3o, e de t\u00e3o ocupados que estavam, dedicaram-se \u00e0quilo. Vamos olhar, por exemplo, para o mundo da cultura, para o mundo das artes, para o pr\u00f3prio mundo da comunica\u00e7\u00e3o social, tanta gente que hoje est\u00e1 no desemprego, os audiovisuais, que est\u00e3o a trabalhar, a produzir, mas quando \u00e9 isso pode ser trocado como oferta aos outros.<\/p>\n<p>Costumo dizer que o dinheiro n\u00e3o nos faz falta, mas precisamos do dinheiro para comprar o p\u00e3o e para o trocar por aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio. Quando fazemos esta experi\u00eancia de algo que vai de uma situa\u00e7\u00e3o, que pode ser essa de sepulcro, pode ser de morte, de algo que parece que n\u00e3o \u00e9 nada mas que precisamos de chegar ao outro lado, isso faz-se com muita resili\u00eancia. Faz-se tamb\u00e9m com muita confian\u00e7a, com muita esperan\u00e7a, com muita f\u00e9 e aqui est\u00e3o os valores crist\u00e3os. A P\u00e1scoa \u00e9 isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E foi vendo esses valores crist\u00e3os nas iniciativas solid\u00e1rias que iam sendo postas em pr\u00e1tica? Viu as comunidades crist\u00e3s tamb\u00e9m envolvidas neste abra\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o, de esperan\u00e7a para o outro?<\/em><\/p>\n<p><em>AL \u2013 <\/em>Vi mas gostava de ver mais. Quando ouve uma jovem dizer: \u201cAntes at\u00e9 tinha um restaurante, de um momento para o outro fechou, agora estou dispon\u00edvel, posso fazer um tacho de arroz e partilh\u00e1-lo com quem precisa\u201d. A partir da\u00ed surge um programa solid\u00e1rio, isso \u00e9 muito bonito, noutros momentos, em que tudo corria bem, isso n\u00e3o acontecia. Isso \u00e9 P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a passagem de uma experi\u00eancia que n\u00e3o era aquela que quer\u00edamos viver para outra melhor e \u00e9 por isso que Cristo ao ressuscitar oferece a vida nova.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas car\u00eancias, a C\u00e1ritas tem tido muitas necessidades, h\u00e1 dioceses que o sentem, se calhar, mais do que n\u00f3s, mas n\u00f3s tamb\u00e9m. Tamb\u00e9m aumentou o n\u00famero de ajuda a pessoas, a casais, para medicamentos, para reformas, tem sido realmente muito complicado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 As fam\u00edlias, a experi\u00eancia de Igreja dom\u00e9stica, foi uma Quaresma muito vivida no suporte digital, mas tamb\u00e9m tem sido, j\u00e1 desde o ano passado, um est\u00edmulo para uma Igreja dom\u00e9stica que entretanto tamb\u00e9m cresceu nessa dimens\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>AL \u2013<\/em> \u00c9 a base da Igreja. Vamos ao livro dos Atos (dos Ap\u00f3stolos) as primeiras comunidades nasceram assim, a fam\u00edlia. Elas depois agarraram-se a valores da Boa Nova de Jesus, a Palavra do Evangelho que, se calhar, n\u00f3s hoje temos que redescobrir para a viver \u2013 \u201cTinham um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o, uma s\u00f3 alma, punham tudo em comum, partilhavam\u201d. Temos realmente exemplos grandes nesta mat\u00e9ria no tempo da pandemia.<\/p>\n<p>Mas temos que ir mais longe, e \u00e9 o tal salto qualitativo da f\u00e9. \u00c0s vezes, nesse caminho de proposta de sinal positivo, e particularmente dentro do Cristianismo, com as Igreja vazias, mas agora a retornarem, alguns com medo, outros n\u00e3o voltar\u00e3o, temos um trabalho muito s\u00e9rio a fazer na pr\u00f3pria evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o da Igreja tem que ser primeiro muito \u00e0 maneira de Jesus Cristo, aprender com ele a amar, servir, ser muito transparente, muito fraterna. Hoje n\u00e3o podemos estar com apar\u00eancias. E, depois, tamb\u00e9m toda esta vulnerabilidade, que hoje temos necessidade. T\u00eam as dioceses, t\u00eam as fam\u00edlias, e a Igreja dom\u00e9stica pode ser um bom sinal para ajudar a regenerar todo este tecido e coloc\u00e1-lo em rede. \u00c9 uma experi\u00eancia estar na fam\u00edlia que se partilha, o trabalho, o p\u00e3o, as necessidades, mas tamb\u00e9m a f\u00e9, a ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Incentivei muito que se vivesse este tempo de ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, e para este Domingo de Ramos pedi: colocai uma cruz \u00e0 porta de vossa casa, ou \u00e0 janela, s\u00edmbolo da f\u00e9 que temos &#8211; e no Domingo de P\u00e1scoa, essa cruz enfeitada.<\/p>\n<p>Aderimos a um projeto, que nos vem da Consolata, a dinamiza\u00e7\u00e3o e proposta de colocar em cada fachada de uma casa um p\u00f3ster de Cristo Ressuscitado. Temos milhares de respostas a partir das par\u00f3quias para darmos esse sinal. Claro que, atrav\u00e9s desse sinal, v\u00eam outo, n\u00e3o podemos \u00e9 ficar de bra\u00e7os cruzados. Este tempo foi de criatividade, de inova\u00e7\u00e3o, de ora\u00e7\u00e3o, de dedica\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o sa\u00ed como gostaria, o bispo \u00e9 para estar junto do povo, e \u00e9 para ir ao encontro dos mais necessitados mas tive muito trabalho e dou gra\u00e7as a Deus por isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 um problema que hoje me preocupa muito nos jovens e muitos adultos, que \u00e9 o problema do stress, do cansa\u00e7o, das patologias a n\u00edvel psicol\u00f3gico. Eu gra\u00e7as a Deus n\u00e3o senti porque tive a vida muito ocupada, senti-me muito ocupado, com orienta\u00e7\u00f5es, ou outras respostas, ou tentar telefonar aos senhores padres, \u00e0s comunidades de Vida Consagrada, a outras pessoas leigas e amigas que estavam doentes, viviam sozinhas, e foi um trabalho maravilhoso que podemos e devemos fazer.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos fugir do rebanho, estamos \u00e9 de outro modo junto do rebanho, talvez mais vigilantes do que nunca. \u00c9 como quando o soldado est\u00e1 na guarita parece que n\u00e3o o v\u00ea de fora mas ele est\u00e1 de dentro e vigia a ver se o inimigo vem. E os inimigos acontecem em todas as fases da hist\u00f3ria da vida e da Igreja.<\/p>\n<p>E, neste momento, tamb\u00e9m precisamos de olhar muito para a Igreja com muito amor, muita confian\u00e7a, muita experi\u00eancia e n\u00e3o derrotismo. Tamb\u00e9m vemos isso muito nos populismos, em determinadas vozes que se levantam, temos que saber estar com Jesus Cristo e hoje Jesus Cristo est\u00e1 no meio de n\u00f3s atrav\u00e9s de Pedro, o Papa Francisco. Isto \u00e9 muito importante, e depois atrav\u00e9s dele e daqueles que em col\u00e9gio lhes foram confiadas Igrejas particulares, o caso dos bispos e depois os presbit\u00e9rios.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa que me preocupa muito, trabalhei sempre muito na pastoral das voca\u00e7\u00f5es e tive a alegria de ver muitos que avan\u00e7aram e foram ordenados, hoje bons sacerdotes. Vim para a diocese e ainda n\u00e3o ordenei ningu\u00e9m da diocese, ordenei um Vicentino di\u00e1cono, e um bispo, o Senhor D. Armando, mas n\u00e3o ordenei nenhum padre e n\u00e3o sei quando vou ordenar. Espero que seja breve, daqui por dois anos, tr\u00eas anos, esta \u00e9 para mim a maior preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos que preparar muito as fam\u00edlias de hoje, diferentes, at\u00e9 a partir deste ano \u2018Amoris Laetitia\u2019 temos que olhar muito para isso. N\u00e3o ir condenar, n\u00e3o pegar nisto ou naquilo, mas reajustar, questionar, integrar, ajudar, promover e, \u00e0s vezes, isso faz-se por uma palavra, um gesto. Isso tamb\u00e9m vem na liturgia, quando temos liberdade de a fazer.<\/p>\n<p>A Quaresma para mim \u00e9 um tempo de procura contante da luz. A luz j\u00e1 nos ilumina, est\u00e1 connosco e \u00e9 nossa, mas ainda n\u00e3o, mas h\u00e1 de ser e a P\u00e1scoa \u00e9 a grande certeza que, se formos fi\u00e9is, essa luz n\u00e3o nos ser\u00e1 tirada. Quem caminha na luz, caminha no Senhor e caminha no ressuscitado. O grande c\u00e2ntico da P\u00e1scoa \u00e9 o aleluia que brota da luz, do lume novo que se benzeu e se acendeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A luz \u00e9 a grande simbologia do tempo pascal e anuncia um tempo novo que surge tamb\u00e9m com o domingo de Pascoa. Tamb\u00e9m nos anunciam um tempo novo p\u00f3s-pandemia e que muita coisa ser\u00e1 diferente. H\u00e1 que criar e trabalhar, e passar \u00e9 por ai a sua preocupa\u00e7\u00e3o, de incutir nos sacerdotes da diocese uma disponibilidade para uma pastoral tamb\u00e9m inovadora e diferente?<\/em><\/p>\n<p><em>AL \u2013<\/em> Digo-lhes isso muitas vezes, a pastoral tem que ser diferente e penso que esta \u00e9 uma dificuldade da Igreja, criar a unidade na comunh\u00e3o e na coes\u00e3o. Somos todos muito diferentes, \u00e9 verdade. Tenho cinco dedos mas unidos formam uma flor que se pode abrir e ir ao encontro de muita gente.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, esquecemo-nos disto, o individualismo \u00e9 uma coisa do passado, hoje n\u00e3o posso existir sem o Henrique que me est\u00e1 a entrevistar. Mas \u00e9 nesse existir que tamb\u00e9m aprendo a ver e a saber quais s\u00e3o as diferen\u00e7as, a minha autoridade, e poder\u00edamos dar o salto para o mundo da \u00e9tica.<\/p>\n<p>Hoje, com tantas complexidades, n\u00e3o que o valor \u00e9tico n\u00e3o exista, mas, \u00e0s vezes, queremos outros pseudovalores e n\u00e3o queremos aquele que nos d\u00e1 a grande capacidade de podermos, com a nossa raz\u00e3o, com a nossa intelig\u00eancia, com o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa vontade, discernir aquilo que s\u00e3o as melhores pr\u00e1ticas para podermos realizar a transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>A sociedade depois desta pandemia tem que fazer isso e a Igreja tamb\u00e9m e \u00e9 preciso apelar aos padres, se calhar um novo estilo de vida, mais comunit\u00e1rio, mais comunh\u00e3o na pastoral, participarem mais nas nossas coisas.<\/p>\n<p>Quando vim para a diocese encontrei com um grupo de sacerdotes, nas reuni\u00f5es habituais num arciprestado, e a determinado momento dizia: \u201cFico muito contente por estar no meio de v\u00f3s, mas olho para v\u00f3s com alguma preocupa\u00e7\u00e3o. Vejo-vos muito ricos. N\u00e3o quero meter-vos a m\u00e3o no bolso, n\u00e3o quero saber o dinheiro que tendes, tamb\u00e9m \u00e9 preciso. Mas tendes t\u00e3o boas par\u00f3quias, t\u00e3o boas casas paroquiais, bons centros sociais, boas IPSS, quantas voca\u00e7\u00f5es tendes nas vossas par\u00f3quias? Um dia quando deixardes a par\u00f3quia a quem ides deixar esses vens?\u201d<\/p>\n<p>A Igreja de futuro tamb\u00e9m ser\u00e1 uma Igreja laical e temos de formar muitos leigos, mas tamb\u00e9m precisam dos pastores para os orientarem, para os ajudarem. \u00c9 essa preocupa\u00e7\u00e3o que tenho h\u00e1 muitos anos. Em determinado momento pensava que n\u00f3s Igreja, aqueles que \u00e9ramos mais respons\u00e1veis, pastores, que ser\u00edamos capazes de dar a volta \u00e0 Igreja para se apresentar no mundo como deve ser, sal, luz e fermento. Foi o contr\u00e1rio. E agora temos que fazer esse caminho.<\/p>\n<p>Tanto na Igreja, como na fam\u00edlia, como na vossa profiss\u00e3o, temos que perspetivar a vida, e l\u00e1 est\u00e1 o tal sonho, tamb\u00e9m \u00e9 pastoral, sacerd\u00f3cio, a fam\u00edlia, a sociedade, os pol\u00edticos. A gente vive do sonho mas a determinado momento tem que se tornar realidade. Se vivo s\u00f3 do sonho \u00e9 utopia, se vivo do sonho que tamb\u00e9m \u00e9 alimentado por essa utopia mas um dia \u00e9 tornado realidade sinto a alegria do ser e do ter. O ser \u00e9 porque me tenho de identificar com ele, faz parte de mim n\u00e3o o posso negar, o ter \u00e9 a gra\u00e7a que o Senhor me d\u00e1, tamb\u00e9m da partilha dos bens, fruto do meu trabalho, mas depois posso com alegria e generosidade partilhar.<\/p>\n<p>\u00c9 esta experi\u00eancia nova que vejo que tem que acontecer no mundo de hoje e no mundo da Igreja. Preocupa-me ainda a classe m\u00e9dia quase desapareceu, a maior parte s\u00e3o pobres, se dizem que ganham menos do ordenado m\u00ednimo s\u00e3o pobres, a maior parte s\u00e3o pobres. Os outros que t\u00eam muito, \u00e0s vezes, esquecem-se de partilhar, n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o queiram e at\u00e9 n\u00e3o saibam, esquecem-se. Por isso \u00e9 que tamb\u00e9m na Quaresma h\u00e1 dois pedit\u00f3rios que acho muito importantes, o da C\u00e1ritas e a ren\u00fancia quaresmal.<\/p>\n<p>A nossa ren\u00fancia quaresmal, este ano, uma parte \u00e9 para a Diocese de Pemba (Mo\u00e7ambique), que foi fundada pelo senhor D. Jos\u00e9 Garcia, aprendi muito com ele. Onde houver viol\u00eancia, onde houver guerra, destrui\u00e7\u00e3o da pessoa humana, e que n\u00e3o haja uma resposta para ter p\u00e3o, para sentir bem na sua terra, no seu ambiente, temos uma situa\u00e7\u00e3o muito fraturante da rela\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo que gostar\u00edamos que existisse no nosso mundo e tamb\u00e9m na Igreja. A\u00ed est\u00e1 a resposta da caridade.<\/p>\n<p>Na nossa ren\u00fancia quaresmal, uma parte ser\u00e1 tamb\u00e9m para as necessidades emergentes da nossa diocese, podem ser a C\u00e1ritas, que temos ajudado, mas todos os outros setores da pastoral. Preocupo-me com a pastoral do conjunto, somos um todo e quando h\u00e1 uma parte do nosso corpo que est\u00e1 um pouco mais fr\u00e1gil, mesmo que a gente n\u00e3o queira, as outras partes do corpo ressentem-se.<\/p>\n<p>Hoje tamb\u00e9m se torna dif\u00edcil em pedir aos sacerdotes que temos que nos unir para que a pastoral seja de conjunto e de resposta aos problemas da pessoa humana no s\u00e9culo XXI, no momento em que estamos, rumo \u00e0 Jornada Mundial da Juventude, mas tamb\u00e9m \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da Igreja em Portugal e da sociedade em Portugal.<\/p>\n<p>Para mim o importante \u00e9 a pessoa humana. Se ela acredita, eu posso ir mais \u00e0 frente no di\u00e1logo, mas se n\u00e3o acredita tamb\u00e9m. Hoje temos de fazer um trabalho muito grande a n\u00edvel do catecumenado, precisamente com muita gente que cresce e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 batizada, tem de fazer uma caminhada de forma\u00e7\u00e3o para depois dizer \u201ceu sou crist\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"lmGv3oMzxk\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viseu-aleluia-do-domingo-de-pascoa-vai-ser-anunciado-pelo-ar-no-territorio-da-diocese\/\">Viseu: Aleluia do Domingo de P\u00e1scoa anunciado pelo ar no territ\u00f3rio da diocese (c\/v\u00eddeo)<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Viseu: Aleluia do Domingo de P\u00e1scoa anunciado pelo ar no territ\u00f3rio da diocese (c\/v\u00eddeo)&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viseu-aleluia-do-domingo-de-pascoa-vai-ser-anunciado-pelo-ar-no-territorio-da-diocese\/embed\/#?secret=wtcELM7xTh#?secret=lmGv3oMzxk\" data-secret=\"lmGv3oMzxk\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo de Viseu afirma que celebrar a P\u00e1scoa com as igrejas abertas \u201c\u00e9 uma gra\u00e7a\u201d, algo que n\u00e3o aconteceu em 2020 por causa do coronav\u00edrus. D. Ant\u00f3nio Luciano real\u00e7ou que a pandemia tamb\u00e9m vai trazer oportunidades e desafios, para a Igreja Cat\u00f3lica e a sociedade, apelando \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o de todos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[184],"class_list":["post-204136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-de-viseu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204136\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}