{"id":204059,"date":"2021-04-02T18:25:54","date_gmt":"2021-04-02T17:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=204059"},"modified":"2021-04-02T18:45:03","modified_gmt":"2021-04-02T17:45:03","slug":"homilia-do-bispo-das-forcas-armadas-e-forcas-de-seguranca-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-das-forcas-armadas-e-forcas-de-seguranca-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"A Paix\u00e3o de Cristo \u00e9 hoje a paix\u00e3o do mundo"},"content":{"rendered":"<p><em>Homilia do bispo das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor<\/em><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Irm\u00e3os<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de um ano que permanecemos juntos a Cristo Crucificado a participar da Sua paix\u00e3o e comungando do sofrimento da Sua Cruz.<br \/>\nA humanidade est\u00e1 a viver uma dram\u00e1tica via-sacra provocada pela pandemia, constitu\u00edda por muitas esta\u00e7\u00f5es cujos nomes s\u00e3o novos, mas que continua t\u00e3o dolorosa como a que fora percorrida pelo nosso Redentor. Hoje, as esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o designadas por: \u201cconfinamento\u201d, \u201ctrabalhava\u201d (porque, entretanto, deixou de trabalhar, foi para o desemprego), \u201cvivia aqui\u201d (e agora vive na rua), \u201cpobreza\u201d, \u201cfome\u201d, \u201csolid\u00e3o\u201d, \u201cabandonado\u201d, \u201cmorte\u201d<\/p>\n<p>Nunca, como atualmente, vivemos uma sintonia t\u00e3o profunda entre a Paix\u00e3o do mundo e a Paix\u00e3o de Cristo. Nunca, como hoje, sentimos o qu\u00e3o intensa \u00e9 a solidariedade da humanidade que sofre e o Cristo Crucificado. Dessa comunh\u00e3o brota uma luz que nos mostra um novo rosto da cruz e da paix\u00e3o do mundo e da humanidade.<\/p>\n<p>Os caminhos da via-sacra, hoje, s\u00e3o as estradas do sofrimento e do cansa\u00e7o, onde tantos dramas se revelam, nos corredores dos hospitais, nos trilhos dos cemit\u00e9rios, pelas avenidas ladeadas de \u201csem-abrigo\u201d, aos port\u00f5es encerrados de postos de trabalho\u2026<br \/>\nO Calv\u00e1rio, onde \u00e9 implantada a Cruz, s\u00e3o os leitos do sofrimento, enfermarias superlotadas, idosos isolados nas suas casas ou em lares; s\u00e3o as humilha\u00e7\u00f5es de quem perdeu o emprego, as d\u00favidas de quem j\u00e1 n\u00e3o tem certezas.<br \/>\nE a Morte, revive-se em dramas de despojamentos v\u00e1rios, nas aus\u00eancias das pessoas amadas, nas incertezas do hoje e do amanh\u00e3, no colapso da justi\u00e7a e da paz \u2026<\/p>\n<p>Que nos revela a Cruz de Cristo sobre o mundo e a humanidade:<\/p>\n<ol>\n<li>Que a Cruz \u00e9 o lugar por excel\u00eancia da comunh\u00e3o de Cristo connosco. Nunca foi t\u00e3o como n\u00f3s, como no Calv\u00e1rio: sofredor e mortal.<\/li>\n<li>A Cruz revela-nos que a vida \u00e9 um caminho de despojamento, e n\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o. E Cristo, pouco-a-pouco, foi-se desprendendo de tudo, at\u00e9 ao despojamento total com a entrega do seu esp\u00edrito &#8211; \u00abE inclinando a cabe\u00e7a entregou o esp\u00edrito\u00bb (Jo 20, 30). A d\u00e1diva, o \u201cdesnudamento\u201d \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para ser ressarcido pela gl\u00f3ria do Esp\u00edrito do Pai e com a vida divina. Ressuscitou o que morreu; recebera o que dera; <em>re<\/em>obteve o que ofereceu; recebeu o Esp\u00edrito do Pai, porque dera o seu esp\u00edrito; recebeu a vida divina porque entregara a sua pr\u00f3pria vida.<\/li>\n<li>Jesus declara, mostrando-se a quem procurava, \u00abSou eu\u00bb e Pedro esconde-se com o \u00abN\u00e3o sou\u00bb: Cristo <em>\u00e9<\/em> e \u00e9 por Ele que as coisas s\u00e3o, como \u00e9 dito \u00abPor Ele \u00e9 que tudo come\u00e7ou a existir; e sem Ele nada veio \u00e0 exist\u00eancia\u00bb (Jo 1, 3). A for\u00e7a do Ser faz-se fonte de ser; ou seja, o mist\u00e9rio da Paix\u00e3o de Jesus \u00e9 salv\u00edfico porque a Sua consist\u00eancia e fidelidade em levar at\u00e9 ao fim a obra redentora, atrav\u00e9s do sacrif\u00edcio da cruz, restitui-nos a vida plena e verdadeira. Pelo autor da vida foi-nos concedida uma vida que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 acidental ou mera efemeridade destinada a ser devorada pelo tempo, mas uma vida eterna na for\u00e7a do amor eterno de Deus.<\/li>\n<li>Jesus fala, responde, n\u00e3o para se defender, mas para nos salvar. Lugar onde as suas palavras n\u00e3o evocam as obras, o que fez mas todas relativas \u00e0 sua pessoa e identidade. Enfoque que por ser Ele a viver e a passar pelo que passa \u00e9 decisivo para a salva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/li>\n<li>Mas a trag\u00e9dia reside na transforma\u00e7\u00e3o de um drama numa com\u00e9dia. Um Rei a ser ridicularizado. Um julgamento injusto porque n\u00e3o teve em conta as obras, a\u00e7\u00f5es. Distor\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a cruz, para al\u00e9m da for\u00e7a solid\u00e1ria que revela, e da capacidade luminosa de Cristo Crucificado em decifrar o mist\u00e9rio do sofrimento humano, tamb\u00e9m se ergue com uma incomensur\u00e1vel for\u00e7a de vida e esperan\u00e7a. Cristo vence a morte com a d\u00e1diva da sua vida pela nossa salva\u00e7\u00e3o. Libertou, a pr\u00f3pria morte das amarras aterrorizadoras que a prendiam, a causa do pecado, libertando, desse modo, a humanidade do poder das trevas. Hoje, morrer \u00e9 doar-se ao Pai e colocar-se nas suas sant\u00edssimas m\u00e3os.<\/p>\n<p>D. Rui Val\u00e9rio<br \/>\nBispo das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do bispo das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":203390,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[271],"class_list":["post-204059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-ordinariato-castrense"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204059\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203390"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}