{"id":203730,"date":"2021-04-01T14:45:15","date_gmt":"2021-04-01T13:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=203730"},"modified":"2021-04-01T14:45:15","modified_gmt":"2021-04-01T13:45:15","slug":"homilia-de-d-jose-cordeiro-na-missa-crismal-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-cordeiro-na-missa-crismal-2021\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Cordeiro na Missa Crismal 2021"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00abPadre com cora\u00e7\u00e3o de pai\u00bb no Ano de S\u00e3o Jos\u00e9<\/p>\n<p>Admir\u00e1vel Jos\u00e9: pai, esposo e servo<\/p>\n<p>N\u00e3o temos nenhuma indica\u00e7\u00e3o que nos permita saber se S\u00e3o Jos\u00e9 estava presente na sinagoga de Nazar\u00e9 quando Jesus leu as escrituras e construiu a homilia do Hodie eterno. Podemos crer, no entanto, que S\u00e3o Jos\u00e9 era um homem praticante no pleno sentido da palavra.<\/p>\n<p>O Grande Jos\u00e9 amou a Virgem Santa Maria e a Jesus do modo mais pleno e por eles deve ter sofrido no quotidiano. Na verdade, \u00abquem nunca sofreu pergunte a si pr\u00f3prio se alguma vez amou\u00bb (J. Maritain).<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m nasce pai, torna-se pai, antes de tudo, sendo filho. Os sete tra\u00e7os acerca da paternidade pelo amor do cora\u00e7\u00e3o do admir\u00e1vel Jos\u00e9, que o Papa Francisco apresenta na carta Patris Corde, s\u00e3o deveras inspiradores: Pai amado; Pai de ternura; Pai na obedi\u00eancia; Pai no acolhimento; Pai com coragem criativa; Pai trabalhador e Pai na sombra.<\/p>\n<p>Com alegria grata do cora\u00e7\u00e3o celebramos este ano de gra\u00e7a. De facto, h\u00e1 150 anos, S\u00e3o Jos\u00e9 foi proclamado padroeiro universal da Igreja e h\u00e1 mais de 50 anos foi celebrado como padroeiro do II Conc\u00edlio do Vaticano. S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 guardi\u00e3o do nosso semin\u00e1rio, casa pastoral aberta a todos e de muitas casas de forma\u00e7\u00e3o, pessoas e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sonhar \u00e0 grande<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3rio que o essencial mostrado nos evangelhos trouxe algum adormecimento em rela\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9. Todavia \u00e9 not\u00e1vel que o que n\u00e3o conhecemos em palavras, conhecemos em sonhos e em obras. O anjo a Jos\u00e9 s\u00f3 aparece em sonho, \u00abmas num sonho que \u00e9 realidade e revela realidade. Mais uma vez \u00e9-nos apresentado um tra\u00e7o essencial da figura de S\u00e3o Jos\u00e9: a sua perce\u00e7\u00e3o do divino e a sua capacidade de discernimento\u00bb (Bento XVI). N\u00e3o tenhamos, pois, medo de ir a S\u00e3o Jos\u00e9 e ser como ele, recebendo Deus no cora\u00e7\u00e3o e na intelig\u00eancia e de O comunicar na alegria da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade.<\/p>\n<p>O nome Jos\u00e9 significa Deus acrescenta, provindo do verbo ias\u00e0f \u2013 acrescentar e multiplicar. Na verdade, \u00abA felicidade de Jos\u00e9 n\u00e3o se situa na l\u00f3gica do sacrif\u00edcio de si mesmo, mas na l\u00f3gica do dom de si mesmo\u00bb (Patris Corde, 7). O Admir\u00e1vel S\u00e3o Jos\u00e9 acrescente e multiplique \u00e0 Igreja as voca\u00e7\u00f5es para serem enviados a acrescentar o Evangelho da Esperan\u00e7a no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Nesta Missa, ao consagrarmos o azeite j\u00e1 misturado com o perfume para o Santo Crisma, assim rezamos: \u00abderramai com abund\u00e2ncia os dons do Esp\u00edrito Santo sobre os nossos irm\u00e3os, assinalados com esta un\u00e7\u00e3o; marcai com o esplendor da santidade os lugares e objetos ungidos com os santos \u00f3leos e acima de tudo fazei crescer a vossa Igreja pelo mist\u00e9rio deste azeite, at\u00e9 que ela atinja aquela plenitude em que V\u00f3s, no esplendor da luz eterna, sereis tudo para todos\u00bb.<\/p>\n<p>O perfume da un\u00e7\u00e3o \u201ccristifica-nos\u201d e torna-nos reconhecidos e gratos \u00e0s pessoas, que, como S\u00e3o Jos\u00e9, est\u00e3o exteriormente escondidos, mas s\u00e3o interiormente presentes. Elas harmonizam um servi\u00e7o inestim\u00e1vel na narrativa da humanidade e fazem, respons\u00e1vel e solidariamente, com que a vida aconte\u00e7a em cada dia nos muitos lugares e bens essenciais.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 protetor e, ao mesmo tempo, modelo operativo. Como S\u00e3o Jos\u00e9 somos chamados a ser artes\u00e3os de Esperan\u00e7a. Nas diferentes \u00e9pocas culturais, a devo\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o eclesial salientou algumas virtudes de S\u00e3o Jos\u00e9: a f\u00e9; a obedi\u00eancia dedicada e silenciosa \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es da vontade de Deus; a piedade sincera; a fortaleza nas prova\u00e7\u00f5es; o amor a Maria; a paternidade de Jesus; o trabalho escondido e a simplicidade de vida aut\u00eantica.<\/p>\n<p>Alegres servidores da Esperan\u00e7a<\/p>\n<p>A alegria \u00e9 muita s\u00e9ria! Com raz\u00e3o escreveu Romano Guardini: \u00abO desejo do homem \u00e9 alcan\u00e7ar a alegria do cora\u00e7\u00e3o. (\u2026) A verdadeira alegria \u00e9 irm\u00e3 da seriedade; onde est\u00e1 uma, encontra-se tamb\u00e9m a outra\u00bb. Sob a inspira\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9, sempre que dissermos: \u201cSenhor eu quero o que Tu quiseres\u201d, nasce a alegria do cora\u00e7\u00e3o que \u00e9 um caminho de liberdade e de paz. A alegria do cora\u00e7\u00e3o leva-nos igualmente ao cuidado integral na rela\u00e7\u00e3o com Deus, com os outros, connosco, com o mundo, com a hist\u00f3ria, com a casa comum e o bem comum.<\/p>\n<p>D. Tonino Bello, um dia escreveu uma carta a S\u00e3o Jos\u00e9, que intitulou \u2013 a car\u00edcia de Deus \u2013 e disse-lhe entre tantas outras coisas, esta sublime verifica\u00e7\u00e3o: \u00abEste \u00e9 talvez o sacril\u00e9gio mais grave da nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Acreditamos que para fazer uma mesa seja suficiente a madeira. \u00d3 Deus, conseguimos at\u00e9 admitir que para fazer a madeira seja necess\u00e1ria a \u00e1rvore e que para fazer a arvore seja necess\u00e1ria a semente e, por fim, que para fazer a semente seja necess\u00e1ria a flor. Mas n\u00e3o temos ainda a coragem de concluir que para fazer a mesa seja necess\u00e1ria uma flor, e deixamo-lo s\u00f3 dizer aos poetas\u00bb.<\/p>\n<p>O grande e admir\u00e1vel Jos\u00e9 \u00e9 o guardi\u00e3o dos mist\u00e9rios de Cristo que celebramos na Liturgia, especialmente no Tr\u00edduo Pascal. Que ele nos ensine a partilhar o p\u00e3o, a \u00e1gua, o vinho, como sinais da simplicidade, da generosidade e beleza da festa da fraternidade e da amizade. Jos\u00e9 de Nazar\u00e9 \u00e9 o \u00abservo fiel, humilde e silencioso\u00bb, homem justo, paciente e prudente, \u00abpatriarca do sil\u00eancio e do trabalho\u00bb. De facto, a Liturgia, ao celebrar os mist\u00e9rios da vida do Salvador, sobretudo os do nascimento e da inf\u00e2ncia, comemora frequentemente a figura e o papel de S\u00e3o Jos\u00e9 como silencioso peregrino da f\u00e9. O Bem n\u00e3o faz barulho e o barulho quase nunca faz bem.<\/p>\n<p>A indulg\u00eancia \u00e9 um dos meios atrav\u00e9s dos quais a Igreja apoia o nosso processo de convers\u00e3o profunda. Como dizia o grande te\u00f3logo Karl Rahner: \u00aba indulg\u00eancia n\u00e3o substitui a atividade intensa do amor (&#8230;); ela \u00e9 mais a ajuda da Igreja para favorecer a obra sempre dif\u00edcil do amor\u00bb.<\/p>\n<p>Com efeito, s\u00f3 o amor converte, por isso, o cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 paciente, manso e humilde, como o de Jesus (cf. Mt 11, 29). N\u00f3s, seus disc\u00edpulos mission\u00e1rios temos aqui o marcador identit\u00e1rio para um entusiasmo renovado e criativo e n\u00e3o autorreferencial. O amor de S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 sempre gratuito. O amor e a amizade aut\u00eanticos n\u00e3o se cobram nem se negociam. Tenhamos, pois, cautela para n\u00e3o cultivar a amargura do cora\u00e7\u00e3o, porque um cora\u00e7\u00e3o amargo cai quase sempre na inveja e no preju\u00edzo cr\u00edtico sobre o pr\u00f3ximo. A amargura n\u00e3o nos transforma em filhos e amigos de Deus em Jesus Cristo, mas s\u00f3 em submissos ou profissionais do sagrado na l\u00f3gica do m\u00e9rito sem acolher o Dom da Gra\u00e7a.<\/p>\n<p>No rito da Ordena\u00e7\u00e3o dos Presb\u00edteros na tradi\u00e7\u00e3o Bizantina, durante a ora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de ordena\u00e7\u00e3o pronunciada pelo Bispo, o novo presb\u00edtero mant\u00e9m-se com o ouvido e a cabe\u00e7a em cima do altar num dos quatro cantos do altar. Este gesto significa o dom da gra\u00e7a para escutar Cristo e a Igreja e ser, ao mesmo tempo, beijado por Cristo e pela Igreja.<\/p>\n<p>Nesta atitude, tamb\u00e9m n\u00f3s sublinhamos como escut\u00e1mos na segunda leitura: \u00ab\u00c0quele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de n\u00f3s um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai, a Ele a gl\u00f3ria e o poder pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Amen\u00bb (Ap 1, 5-6).<\/p>\n<p>+ Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":203732,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173],"class_list":["post-203730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203730\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203732"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}