{"id":203490,"date":"2021-03-31T09:03:51","date_gmt":"2021-03-31T08:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=203490"},"modified":"2021-03-31T09:04:31","modified_gmt":"2021-03-31T08:04:31","slug":"catequese-do-papa-francisco-sobre-o-triduo-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-papa-francisco-sobre-o-triduo-pascal\/","title":{"rendered":"Catequese do Papa Francisco sobre o Tr\u00edduo Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-203468 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683-Copia-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>J\u00e1 imersos na atmosfera espiritual da Semana Santa, estamos na vig\u00edlia do Tr\u00edduo pascal. De amanh\u00e3 at\u00e9 domingo viveremos os dias centrais do Ano lit\u00fargico, celebrando o mist\u00e9rio da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. E este mist\u00e9rio vivemo-lo cada vez que celebramos a Eucaristia. Quando vamos \u00e0 Missa, n\u00e3o vamos s\u00f3 rezar, vamos renovar, viver de novo este Mist\u00e9rio Pascal. \u00c9 importante n\u00e3o esquecer isto: \u00e9 como se f\u00f4ssemos ao Calv\u00e1rio, \u00e9 o mesmo, para renovar, para viver de novo o Mist\u00e9rio Pascal.<\/p>\n<p>Na noite de Quinta-feira Santa, ao entrarmos no Tr\u00edduo pascal, reviveremos na \u2018Missa in Coena Domini\u2019, isto \u00e9, a Missa em que se comemora a \u00daltima Ceia, o que acontece nesse momento. \u00c9 a noite em que Cristo entregou aos seus disc\u00edpulos o testamento do seu amor na Eucaristia, n\u00e3o como uma lembran\u00e7a, mas como um memorial, como a sua presen\u00e7a perene. Cada vez que se celebra a Eucaristia, como disse no in\u00edcio, refaz-se, renova-se este mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste Sacramento, Jesus substituiu a v\u00edtima sacrificial, o cordeiro pascal, por si mesmo: o seu Corpo e o seu Sangue d\u00e3o-nos a salva\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do pecado e da morte. A salva\u00e7\u00e3o de qualquer escravid\u00e3o. \u00c9 a noite em que Ele nos pede para nos amarmos uns aos outros, tornando-nos servos uns dos outros, como fez ao lavar os p\u00e9s dos disc\u00edpulos. \u00c9 um gesto que antecipa a cruenta obla\u00e7\u00e3o na cruz, que foi obla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o para todos n\u00f3s, porque com o servi\u00e7o do seu sacrif\u00edcio redimiu-nos a todos. O Mestre e Senhor morrer\u00e1 no dia seguinte para tornar limpos n\u00e3o os p\u00e9s, mas os cora\u00e7\u00f5es e a inteira vida dos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>A Sexta-feira Santa \u00e9 um dia de penit\u00eancia, jejum e ora\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s dos textos da Sagrada Escritura e das ora\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, estaremos como que reunidos no Calv\u00e1rio para celebrar a Paix\u00e3o e a Morte Redentora de Jesus Cristo. Na intensidade do rito da a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica ser-nos-\u00e1 apresentado o Crucifixo para adorar. Ao adorarmos a Cruz, reviveremos o caminho do Cordeiro inocente, imolado para a nossa salva\u00e7\u00e3o. Teremos na mente e no cora\u00e7\u00e3o o sofrimento dos doentes, dos pobres, dos descartados deste mundo; recordaremos os \u201ccordeiros imolados\u201d, v\u00edtimas inocentes de guerras, ditaduras, viol\u00eancia di\u00e1ria, abortos&#8230; Levaremos diante da imagem do Deus crucificado, em ora\u00e7\u00e3o, os muitos, demasiados crucificados de hoje, que s\u00f3 dele podem receber o conforto e o significado do seu sofrimento. E hoje h\u00e1 tantos\u2026 N\u00e3o nos esque\u00e7amos dos crucificados de hoje, que s\u00e3o a imagem de Jesus Crucificado. Neles, est\u00e1 Jesus.<\/p>\n<p>Desde que Jesus tomou sobre si as chagas da humanidade e da pr\u00f3pria morte, o amor de Deus irrigou estes nossos desertos, iluminou estas nossas trevas. Porque o mundo est\u00e1 em trevas\u2026 Vamos recordar todas as guerras que se est\u00e3o a fazer neste momento; todas as crian\u00e7as que morrem de fome, que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o; popula\u00e7\u00f5es inteiras destru\u00eddas pelas guerras, o terrorismo; tantas, tantas pessoas que, por se sentirem um pouco melhor, t\u00eam necessidade da droga; a ind\u00fastria da droga, que mata. \u00c9 uma calamidade, um deserto. H\u00e1 pequenas ilhas do Povo de Deus \u2013 seja crist\u00e3o, seja de qualquer outra f\u00e9 \u2013 que conservam no cora\u00e7\u00e3o a vontade de ser melhor, mas digamos a verdade: neste Calv\u00e1rio de morte, \u00e9 Jesus que sofre, nos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Durante o seu minist\u00e9rio, o Filho de Deus difundiu vida a m\u00e3os-cheias, curando, perdoando, ressuscitando&#8230; Agora, na hora do Sacrif\u00edcio Supremo na Cruz, leva a cumprimento a obra que lhe foi confiada pelo Pai: entra no abismo do sofrimento \u2013 entra mesmo no sofrimento, nas calamidades deste mundo &#8211; \u00a0para o redimir e transformar. E tamb\u00e9m para libertar cada um de n\u00f3s do poder das trevas, da soberba, da resist\u00eancia a ser amado, a ser amados por Deus. Isto, s\u00f3 o amor de Deus o pode fazer. Pelas suas chagas fomos curados (cf. 1 Pd 2, 24), as chagas. Pela sua morte fomos regenerados, todos n\u00f3s. Gra\u00e7as a Ele, abandonado na cruz, nunca mais ningu\u00e9m est\u00e1 sozinho na escurid\u00e3o da morte. Nunca. Ele est\u00e1 sempre vizinho, apenas \u00e9 preciso abrir o cora\u00e7\u00e3o e deixar-se olhar por Ele.<\/p>\n<p>O S\u00e1bado Santo \u00e9 o dia do sil\u00eancio, vivido no pranto e na perplexidade pelos primeiros disc\u00edpulos, perturbados com a morte ignominiosa de Jesus. Enquanto o Verbo est\u00e1 em sil\u00eancio, enquanto a Vida est\u00e1 no t\u00famulo, aqueles que tinham esperan\u00e7a dele s\u00e3o postos duramente \u00e0 prova, sentem-se \u00f3rf\u00e3os, talvez at\u00e9 \u00f3rf\u00e3os de Deus.<\/p>\n<p>Este s\u00e1bado \u00e9 tamb\u00e9m o dia de Maria: tamb\u00e9m ela o vive em l\u00e1grimas, mas o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio de f\u00e9, cheio de esperan\u00e7a, cheio de amor. A M\u00e3e seguiu o Filho pelo caminho doloroso e permaneceu ao p\u00e9 da cruz, com a sua alma trespassada. Mas quando tudo parecia ter acabado, ela vigia, vigia na expectativa, preservando a esperan\u00e7a na promessa de Deus que ressuscita os mortos. Assim, na hora mais obscura do mundo, ela tornou-se M\u00e3e dos crentes, M\u00e3e da Igreja e sinal de esperan\u00e7a. O seu testemunho e a sua intercess\u00e3o sustentam-nos quando o peso da cruz se torna excessivo para cada um de n\u00f3s. Na escurid\u00e3o do S\u00e1bado santo, irromper\u00e3o a alegria e a luz com os ritos da Vig\u00edlia pascal e o canto jubiloso do Aleluia. Ser\u00e1 um encontro de f\u00e9 com o Cristo ressuscitado, e a alegria pascal continuar\u00e1 ao longo dos cinquenta dias que se seguir\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 vinda do Esp\u00edrito Santo. Aquele que foi crucificado ressuscitou! Todas as quest\u00f5es e incertezas, hesita\u00e7\u00f5es e receios foram dissipados por esta revela\u00e7\u00e3o. O Ressuscitado d\u00e1-nos a certeza de que o bem triunfa sempre sobre o mal, que a vida vence sempre a morte e que o nosso fim n\u00e3o \u00e9 descer cada vez mais, de tristeza em tristeza, mas subir \u00e0s alturas. O Ressuscitado \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de que Jesus tem raz\u00e3o em tudo: em prometer-nos vida para al\u00e9m da morte e perd\u00e3o para al\u00e9m dos pecados.<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos duvidavam, n\u00e3o acreditavam. A primeira a acreditar, a ver, foi Maria Madalena, foi a ap\u00f3stola da ressurrei\u00e7\u00e3o, foi contar que Jesus a tinha visto, a tinha chamado pelo seu nome. Depois, todos os disc\u00edpulos viram-no. Mas quero sublinhar isto: os guardas, os soldados que estavam no sepulcro, para n\u00e3o deixar que os disc\u00edpulos viessem levar o corpo, viram-no. Viram-no vivo e ressuscitado. Os inimigos viram-no. E depois, fingiram que n\u00e3o o tinham visto. Porqu\u00ea? Porque foram pagos. Este \u00e9 o mist\u00e9rio, o verdeiro mist\u00e9rio do que Jesus disse uma vez: h\u00e1 dois senhores no mundo, dois. N\u00e3o mais: dois. Deus e o dinheiro. Quem serve o dinheiro est\u00e1 contra Deus. E aqui o dinheiro fez mudar a realidade. Eles tinham visto a maravilha da Ressurrei\u00e7\u00e3o, mas foram pagos para se calarem. Pensemos nas tantas vezes em que homens e mulheres, crist\u00e3os, foram pagos para n\u00e3o reconhecer, na pr\u00e1tica, a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, e n\u00e3o fazem o que Jesus nos pediu para fazer, como crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, tamb\u00e9m este ano viveremos as celebra\u00e7\u00f5es da P\u00e1scoa no contexto da pandemia. Em tantas situa\u00e7\u00f5es de sofrimento, especialmente quando quem as padece s\u00e3o indiv\u00edduos, fam\u00edlias e popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 provados pela pobreza, calamidades ou conflitos, a Cruz de Cristo \u00e9 como um farol que aponta o porto aos navios ainda a flutuar num mar tempestuoso. A Cruz de Cristo \u00e9 o sinal de esperan\u00e7a que n\u00e3o desilude; e diz-nos que nem uma l\u00e1grima, nem sequer um gemido se perdem no des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o de Deus. Pe\u00e7amos ao Senhor que nos d\u00ea a gra\u00e7a de servir, de reconhecer este Senhor, e n\u00e3o nos deixarmos pagar para O esquecermos.<\/p>\n<p>Cidade do Vaticano, 31 de mar\u00e7o de 2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":203468,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[274],"class_list":["post-203490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}