{"id":203231,"date":"2021-03-28T10:43:22","date_gmt":"2021-03-28T09:43:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=203231"},"modified":"2021-03-28T10:43:22","modified_gmt":"2021-03-28T09:43:22","slug":"homilia-do-papa-francisco-no-domingo-de-ramos-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-papa-francisco-no-domingo-de-ramos-3\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco no Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_203226\" aria-describedby=\"caption-attachment-203226\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-203226 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/DOC.20210328.31041474.09102693-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-203226\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa\/EPA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Todos os anos, esta liturgia cria em n\u00f3s uma atitude de espanto, de surpresa: passamos da alegria de acolher Jesus, que entra em Jerusal\u00e9m, \u00e0 tristeza de O ver condenado \u00e0 morte e crucificado. \u00c9 uma atitude interior que nos acompanhar\u00e1 ao longo da Semana Santa. Abramo-nos, pois, a esta surpresa.<\/p>\n<p>Jesus come\u00e7a logo por nos surpreender. O seu povo acolhe-O solenemente, mas Ele entra em Jerusal\u00e9m num jumentinho. Pela P\u00e1scoa, o seu povo espera o poderoso libertador, mas Jesus vem cumprir a P\u00e1scoa com o seu sacrif\u00edcio. O seu povo espera celebrar a vit\u00f3ria sobre os romanos com a espada, mas Jesus vem celebrar a vit\u00f3ria de Deus com a cruz. Que aconteceu com aquele povo que, em poucos dias, passou dos \u00abhossanas\u00bb a Jesus ao grito \u00abcrucifica-O\u00bb? O que aconteceu? Aquelas pessoas seguiam mais uma imagem de Messias do que <em>o<\/em> Messias. Seguiam a imagem, n\u00e3o o Messias. <em>Admiravam<\/em> Jesus, mas n\u00e3o estavam prontas para se deixar <em>surpreender<\/em> por Ele. A surpresa \u00e9 diferente da admira\u00e7\u00e3o. A admira\u00e7\u00e3o pode ser mundana, porque procura os pr\u00f3prios gostos e anseios; a surpresa, pelo contr\u00e1rio, permanece aberta ao outro, \u00e0 sua novidade. Tamb\u00e9m hoje h\u00e1 muitos que admiram Jesus: falou bem, amou e perdoou, o seu exemplo mudou a hist\u00f3ria&#8230; Admiram-no, mas a vida deles n\u00e3o muda. Porque n\u00e3o basta admirar Jesus; \u00e9 preciso segui-Lo no seu caminho, deixar-se interpelar por Ele: passar da admira\u00e7\u00e3o \u00e0 surpresa.<\/p>\n<p>E qual \u00e9 o aspeto do Senhor e da sua P\u00e1scoa que mais nos surpreende? O facto de Ele chegar \u00e0 gl\u00f3ria pelo caminho da humilha\u00e7\u00e3o. Triunfa acolhendo a dor e a morte, que n\u00f3s, s\u00facubos \u00e0 admira\u00e7\u00e3o e ao sucesso, evitar\u00edamos. Ao contr\u00e1rio, Jesus \u00abdespojou-Se \u2013 disse S\u00e3o Paulo \u2013, humilhou-Se\u00bb (<em>Flp<\/em> 2, 7.8). Isto surpreende: ver o Omnipotente reduzido a nada; v\u00ea-Lo, a Ele Palavra que sabe tudo, ensinar-nos em sil\u00eancio na c\u00e1tedra da cruz; ver o Rei dos reis que, por trono, tem um pat\u00edbulo; ver o Deus do universo despojado de tudo; v\u00ea-Lo coroado de espinhos em vez de gl\u00f3ria; v\u00ea-Lo, a Ele bondade em pessoa, ser insultado e vexado. Porqu\u00ea toda esta humilha\u00e7\u00e3o? Por que permitistes, Senhor, que Vos fizessem tudo aquilo? Esta pergunta espanta-nos.<\/p>\n<p>F\u00ea-lo por n\u00f3s, para tocar at\u00e9 ao fundo a nossa realidade humana, para atravessar toda a nossa exist\u00eancia, todo o nosso mal; para Se aproximar de n\u00f3s e n\u00e3o nos deixar sozinhos no sofrimento e na morte; para nos recuperar, para nos salvar. Jesus sobe \u00e0 cruz para descer ao nosso sofrimento. Experimenta os nossos piores estados de \u00e2nimo: o falhan\u00e7o, a rejei\u00e7\u00e3o geral, a trai\u00e7\u00e3o do amigo e at\u00e9 o abandono de Deus. Experimenta na sua carne as nossas contradi\u00e7\u00f5es mais dilacerantes e, assim, as redime e transforma. O seu amor aproxima-se das nossas fragilidades, chega at\u00e9 onde mais nos envergonhamos. Agora sabemos que n\u00e3o estamos sozinhos! Deus est\u00e1 connosco em cada ferida, em cada susto: nenhum mal, nenhum pecado tem a \u00faltima palavra. Deus vence, mas a palma da vit\u00f3ria passa pelo madeiro da cruz. Por isso, os ramos e a cruz est\u00e3o juntos.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos a gra\u00e7a do assombro. A vida crist\u00e3, sem surpresa, torna-se cinzenta. Como se pode testemunhar a alegria de ter encontrado Jesus, se n\u00e3o nos deixamos surpreender cada dia pelo seu amor espantoso, que nos perdoa e faz recome\u00e7ar? Se a f\u00e9 perde o assombro, torna-se surda: j\u00e1 n\u00e3o sente a maravilha da gra\u00e7a, deixa de sentir o gosto do P\u00e3o da vida e da Palavra, fica sem perceber a beleza dos irm\u00e3os e o dom da cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem outro caminho a n\u00e3o ser refugiar-se nos legalismos, clericalismos, tudo aquilo que Jesus condena no cap\u00edtulo 23 do Evangelho de S\u00e3o Mateus.<\/p>\n<p>Nesta Semana Santa, ergamos o olhar para a cruz a fim de recebermos a gra\u00e7a do assombro. S\u00e3o Francisco de Assis, ao contemplar o Crucificado, espantava-se com os seus frades por n\u00e3o chorarem. E n\u00f3s, conseguimos ainda deixar-nos comover pelo amor de Deus? Por que \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o sabemos surpreender-nos \u00e0 vista dele? Porqu\u00ea? Talvez porque a nossa f\u00e9 foi corro\u00edda pelo h\u00e1bito; talvez porque ficamos fechados nas lam\u00farias e deixamo-nos paralisar pelos dissabores; talvez porque perdemos a confian\u00e7a em tudo, chegando ao ponto de nos consideramos mal feitos. Mas, por tr\u00e1s destes \u00abtalvez\u00bb, tantos \u00abtalvez\u00bb encontra-se o facto de n\u00e3o estarmos abertos ao dom do Esp\u00edrito, que \u00e9 Aquele que nos d\u00e1 a gra\u00e7a do assombro.<\/p>\n<p>Recomecemos do espanto; olhemos o Crucificado e digamos-Lhe: \u00abSenhor, quanto me amais! Como sou precioso a vossos olhos!\u00bb Deixemo-nos surpreender por Jesus para voltar a viver, porque a grandeza da vida n\u00e3o est\u00e1 no ter nem no afirmar-se, mas na descoberta de que somos amados. Esta \u00e9 a grandeza da vida. Descobrir que somos amados. E a grandeza da vida est\u00e1 precisamente na beleza do amor.<\/p>\n<p>No Crucificado, vemos Deus humilhado, o Omnipotente reduzido a um descartado. E, com a gra\u00e7a do assombro, compreendemos que, acolhendo quem \u00e9 descartado, aproximando-nos de quem \u00e9 humilhado pela vida, amamos Jesus, porque Ele est\u00e1 nos \u00faltimos, nos rejeitados, nos que a nossa cultura farisaica condena.<\/p>\n<p>O Evangelho de hoje, imediatamente depois da morte de Jesus, mostra-nos o \u00edcone mais belo da surpresa. \u00c9 a cena do centuri\u00e3o, que, \u00abao v\u00ea-Lo expirar daquela maneira, disse: \u201cVerdadeiramente este homem era Filho de Deus!\u201d\u00bb (<em>Mc<\/em> 15, 39). E de que maneira vira Jesus morrer? Viu-O morrer amando. Sofria, estava exausto, mas continuava a amar. Eis aqui a surpresa diante de Deus, que sabe encher de amor o pr\u00f3prio morrer. Neste amor gratuito e inaudito, o centuri\u00e3o, um pag\u00e3o, encontra Deus. <em>Verdadeiramente era Filho de Deus<\/em>! A sua frase chancela a Paix\u00e3o. Muitos antes dele, no Evangelho, admirando Jesus pelos seus milagres e prod\u00edgios, reconheceram-No como Filho de Deus, mas o pr\u00f3prio Cristo mandava-os calar, porque havia o risco de se deterem na admira\u00e7\u00e3o mundana, na ideia dum Deus que Se devia adorar e temer, enquanto poderoso e terr\u00edvel. Agora j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 tal risco; ao p\u00e9 da cruz, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel errar: Deus revelou-Se e reina s\u00f3 com a for\u00e7a desarmada e desarmante do amor.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s: hoje, Deus ainda surpreende a nossa mente e o nosso cora\u00e7\u00e3o. Deixemos que nos impregne este assombro, olhemos para o Crucificado e digamos tamb\u00e9m n\u00f3s: \u00abTu \u00e9s verdadeiramente Filho de Deus. Tu \u00e9s o meu Deus\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":203226,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-203231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203231"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203231\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}