{"id":202861,"date":"2021-03-24T11:04:50","date_gmt":"2021-03-24T11:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=202861"},"modified":"2021-03-24T11:04:50","modified_gmt":"2021-03-24T11:04:50","slug":"saber-aprender-a-acolher-a-hora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-acolher-a-hora\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A acolher a hora"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u00abChegou a hora.\u00bb<\/em> \u2014 diz Jesus a Andr\u00e9 e Filipe (Jo 12, 20-33). Chegou o momento de viver uma verdade dif\u00edcil para Jesus. O caminho do calv\u00e1rio aproxima-se. Talvez Jesus n\u00e3o soubesse bem os detalhes, mas n\u00e3o era preciso saber. Por\u00e9m, a hora de que Ele fala clarifica-se depois de fazer a analogia com o gr\u00e3o de trigo que, lan\u00e7ado \u00e0 terra, se n\u00e3o morrer, fica s\u00f3, mas se morrer, dar\u00e1 muito fruto. \u00c9 um sinal misterioso do sentido daquela \u201chora\u201d, a hora de partir para junto do Pai. Uma hora semelhante \u00e0 que viveram nas \u00faltimas semanas o meu tio Luis e a minha prima Palmira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_202862\" aria-describedby=\"caption-attachment-202862\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-202862\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-1080x608.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-980x551.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tristan-colangelo-ibpzzTR3VxY-unsplash-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-202862\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Tristan Colangelo em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>O exemplo do gr\u00e3o de trigo \u00e9 o de que a morte n\u00e3o acontece no fim do caminho, mas no momento de transi\u00e7\u00e3o para um outro tipo de caminhar. \u00c0 morte corresponde uma transforma\u00e7\u00e3o, como o gr\u00e3o de trigo que deixa de ser gr\u00e3o para se tornar planta e produzir fruto. A morte \u00e9 uma fase transformativa da nossa vida e essa \u00e9 uma faceta importante da Boa Nova. N\u00e3o desaparecemos quando partimos deste mundo e o que somos transforma-se com a morte. A morte como fim \u00e9 somente uma impress\u00e3o que pode n\u00e3o corresponder \u00e0 realidade. Tudo depende da sensibilidade de cada pessoa para a dimens\u00e3o espiritual da vida humana.<\/p>\n<p>A vida plena n\u00e3o esconde ou recusa os sacrif\u00edcios que temos de fazer para crescer. E o crescimento n\u00e3o est\u00e1 isento de dores que resultam da transforma\u00e7\u00e3o que o nosso corpo, mente e esp\u00edrito experimentam. Antes, reconhece essas dores como parte do caminho. Aquele \u00abchegou a hora\u00bb de Jesus e o que nos revela sobre o amor \u00e0 vida que passa pela sua entrega, ensina-nos algo sobre o modo de acolher o fim (como finalidade) da nossa vida. \u00c9 mais um ensinamento para o momento presente, do que um ensinamento para o futuro. \u00c9 um ensinamento a acolher a hist\u00f3ria que acontece em cada momento presente, mesmo o seu momento mais transformativo, como \u00e9 a morte de uma pessoa.<\/p>\n<p>Deus convida-nos a transformar a nossa vida em cada momento presente, e a acolher o sabor de cada hora, doce ou amarga, como modo de treinar o <em>acolhimento de cada hora.<\/em> Por vezes sinto que muitas pessoas, eu inclusiv\u00e9, acolhe o lado bom da vida, mas tem muita dificuldade em acolher o lado doloroso da vida. Ningu\u00e9m possui o tempo ou a hist\u00f3ria. \u2014 <em>\u00abPor que raz\u00e3o me acontece isto?\u00bb<\/em> \u2014 \u00e9 a pergunta que tantas vezes fazemos quando o sucedido n\u00e3o \u00e9 do nosso agrado. Pois, quando \u00e9 agrad\u00e1vel o que nos sucede, raramente oi\u00e7o as pessoas a fazer a mesma pergunta. Simplesmente, acolhem.<\/p>\n<p>Sabemos que n\u00e3o foi f\u00e1cil para Jesus acolher a perspectiva de sofrimento que se avizinhava. S\u00f3 uma pessoa que n\u00e3o est\u00e1 bem ciente de si, ou tem problemas psicol\u00f3gicos, \u00e9 capaz de gostar de sofrer. Podemos n\u00e3o gostar, ou querer sofrer, mas, interiormente, podemos desenvolver a capacidade de acolher todo e qualquer sofrimento. Sofrer n\u00e3o \u00e9 bom, mas recusar o sofrimento \u00e9 pior. Quando algu\u00e9m parte deste mundo, e transforma-se, deixa de sofrer, mas nem isso \u00e9 raz\u00e3o para desejar morrer. N\u00e3o sei se foi algo semelhante que esteve na g\u00e9nese da intui\u00e7\u00e3o humana daqueles que pertencem ao Tribunal Constitucional e que recusaram a lei da eutan\u00e1sia.<\/p>\n<p>O processo de aprendizagem subjacente \u00e0 hora que chega \u00e9 o do acolhimento dos eventos previstos e imprevistos da nossa vida. A criatividade e os rasgos de g\u00e9nio das pessoas n\u00e3o s\u00e3o previs\u00edveis, mas, precisamente, deslumbram e deixam-nos perplexos por serem imprevis\u00edveis, vindo seja de quem for. Parece f\u00e1cil acolher a imprevisibilidade proveniente da criatividade, mas dif\u00edcil de acolher a imprevisibilidade proveniente do sofrimento.<\/p>\n<p>Muitos artistas realizam verdadeiras obras-primas nos per\u00edodos de maior sofrimento. N\u00e3o porque seja preciso sofrer para se criar algo de novo, mas porque criar pode ter um efeito terap\u00eautico sobre aquele que sofre, ajudando-o a lidar com as emo\u00e7\u00f5es e as situa\u00e7\u00f5es. O artista que aprendeu a lidar com o sofrimento, reconhece-o como um impulsionador de criatividade para exteriorizar a dor que interiormente vive. <em>Acolhe o sofrimento<\/em> e usa-o para o ultrapassar.<\/p>\n<p>Os tempos que vivemos s\u00e3o dif\u00edceis. Fala-se de depress\u00e3o por via do confinamento, e se esse \u00e9 o momento presente, parece ser ofensivo prop\u00f4r que aprendamos a acolher a hora e o que essa nos reserva. Poder-se-ia interpretar como um efeito placebo que nos afasta da dura realidade que se vive, e que a morte \u00e9 mesmo o fim. Nada a fazer. N\u00e3o admira que seja dif\u00edcil acolher a hora da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao pensar, cada vez mais, nas palavra de Jesus \u2014 <em>\u00abchegou a hora\u00bb<\/em> \u2014 questiono de que hora estar\u00e1 Ele, realmente, a falar. Ser\u00e1 a hora da morte? Ser\u00e1 a hora da ressurrei\u00e7\u00e3o? Mas voltando ao gr\u00e3o de trigo penso, novamente, na hora de transforma\u00e7\u00e3o. Logo, ser\u00e1 essa a hora? Talvez sim. Talvez n\u00e3o. E recordo, de novo, o meu tio e a minha prima.<\/p>\n<p>A hora que chega \u00e9 a hora de <em>acolher<\/em>. Pois, quem aprender a acolher aquilo que vive em cada hora, aprende a acolher aquilo que \u00e9 convidado a viver em <em>qualquer hora<\/em>. Deus n\u00e3o <em>levou<\/em> o meu tio, ou a minha prima, mas <em>acolheu-os<\/em> no seu rega\u00e7o de amor. Quem aprender a acolher a hora, aprende a viver as transforma\u00e7\u00f5es da vida como oportunidades criativas de sentido e significado que ajudam a lidar com os momentos mais obscuros da exist\u00eancia. Ningu\u00e9m parte deste mundo, mas transforma-se. S\u00f3 acolhendo com profundidade a realidade escondida no mist\u00e9rio que essa hora representa, \u00e9 poss\u00edvel crescer e amadurecer para a vida plena a que Deus nos chama desde que baralhou a nossa compreens\u00e3o do mundo com a ressurrei\u00e7\u00e3o. Ainda bem que continua a baralhar nos dias que correm. Caso contr\u00e1rio, como nos licores, depois da amargueza inicial ser\u00edamos incapazes de sentir o doce final que nos apanha de surpresa e deslumbra.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-202861","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=202861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202861\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=202861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=202861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=202861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}