{"id":20264,"date":"2006-09-21T11:00:30","date_gmt":"2006-09-21T11:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/21\/ao-servico-da-igreja\/"},"modified":"2006-09-21T11:00:30","modified_gmt":"2006-09-21T11:00:30","slug":"ao-servico-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ao-servico-da-igreja\/","title":{"rendered":"Ao servi\u00e7o da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>No dia em que faz anos e \u00e9 anunciado o seu sucessor, como Bispo de Aveiro, a Ag\u00eancia ECCLESIA recorda uma entrevista com D. Ant\u00f3nio Marcelino quando este completou 75 anos <!--more--> \u201cQuem negar que h\u00e1 problemas graves que exigem solu\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas e s\u00e9rias, anda fora da vida. Mas, para quem defende solu\u00e7\u00f5es de morte para problemas da vida, ao contr\u00e1rio do que se pretende fazer ver, as pessoas passaram a ser coisas\u201d \u2013 referiu, num artigo recente, o bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Marcelino, (21\/IX\/1930). Natural de Lousa, Castelo Branco, o pastor das terras da ria recebeu a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral a 9 de Junho de 1955. 75 Anos de vida, 50 Anos de padre e 30 Anos de bispo. Um percurso doado ao rebanho porque quando \u201cos horizontes s\u00e3o de morte, a vista \u00e9 sempre curta e incapaz de ir al\u00e9m do imediato, de ir ao fundo dos problemas\u201d \u2013 sublinhou.  <b>N\u00e3o fala por met\u00e1foras<\/b> Depois de alguns anos como bispo auxiliar de Lisboa, D. Ant\u00f3nio Marcelino passa a coadjutor do Bispo de Aveiro sem direito a sucess\u00e3o &#8211; 19 de Dezembro (in\u00edcio a 1 de Fevereiro de 1981) e com direito de sucess\u00e3o a 8 de Setembro de 1983. Toma as r\u00e9deas da diocese quando D. Manuel de Almeida Trindade pede a resigna\u00e7\u00e3o, a 20 de Janeiro de 1988. Soltou as velas e \u201cdeixei que o meu barco se fizesse \u00e0 ria e ao mar\u201d \u2013 sintetizou o aniversariante ao jornal \u00abCorreio do Vouga\u00bb quando celebrou as bodas de Prata episcopais. O seu antecessor, D. Manuel de Almeida Trindade, real\u00e7ou na altura: \u201cjulgo que melhor heran\u00e7a \u00e0 diocese n\u00e3o podia eu ter deixado. Aveiro bem merece pelo desenvolvimento que tem tido um bispo com a intelig\u00eancia e a capacidade de trabalho de D. Ant\u00f3nio Marcelino\u201d. Por sua vez, o di\u00e1cono Daniel Rodrigues escreveu no jornal citado, a 20 de Setembro de 2000, que o bispo de Aveiro \u00e9 \u201ccomunic\u00e1vel, acess\u00edvel frontal e irrequieto. N\u00e3o tem ambiguidades e n\u00e3o fala por met\u00e1foras. Vai ao \u00e2mago das quest\u00f5es sem subterf\u00fagios, embora muitas vezes sofra as consequ\u00eancias da sua frontalidade\u201d. D. Ant\u00f3nio Marcelino \u201cn\u00e3o p\u00e1ra um momento\u201d e \u201cn\u00e3o deixa que ningu\u00e9m pare\u201d. O pr\u00f3prio pastor diocesano refere muitas vezes que na Igreja \u201cn\u00e3o h\u00e1, n\u00e3o deve haver, desemprego\u201d. H\u00e1 um grande universo de solicita\u00e7\u00f5es \u00e0 espera do cultivo da \u00abvinha\u00bb e da \u00abseara\u00bb. Com os 75 anos a baterem-lhe \u00e0 porta, o bispo de Aveiro ainda estaria apto para correr as Olimp\u00edadas! N\u00e3o p\u00e1ra um momento e percorre milhares de quil\u00f3metros por m\u00eas. Um dinamismo que lhe est\u00e1 no sangue porque gosta de estar perto do rebanho. Este homem beir\u00e3o parece que tem o dom da ubiquidade\u2026 \u00c9 um homem do seu tempo e do nosso tempo, capaz de compreender a for\u00e7a da Comunica\u00e7\u00e3o Social. Desde a primeira hora em que se deu a Aveiro \u201c\u00e9 presen\u00e7a ass\u00eddua nos jornais e r\u00e1dios, sobretudo, tendo sempre uma opini\u00e3o sobre o que aflige os crentes e n\u00e3o crentes\u201d. Uma reflex\u00e3o abalizada de pessoa \u201catenta e preocupada, sem ang\u00fastias, d\u00e1 gosto ouvi-lo e l\u00ea-lo quando interpelado pelos jornalistas\u201d \u2013 mencionou o di\u00e1cono Fernando Martins no jornal diocesano.  <b>Estamos fartos de diletantes neste pa\u00eds<\/b> Um homem preocupado com a sociedade e com os problemas desta. Tem empenhado muitas energias na quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. Ainda recentemente falou em \u201ccrise da educa\u00e7\u00e3o\u201d e em \u201cconcerta\u00e7\u00e3o para impor valores descart\u00e1veis\u201d. Muitos n\u00e3o est\u00e3o em sintonia com o discurso dos valores mas estes s\u00e3o aquilo que \u201cestrutura a vida das pessoas e da sociedade. H\u00e1 valores que s\u00e3o intoc\u00e1veis, independentemente da sua interpreta\u00e7\u00e3o. Se s\u00e3o culturais ou n\u00e3o, se v\u00eam da lei natural, isso \u00e9 secund\u00e1rio. Muitos s\u00e3o intr\u00ednsecos \u00e0 nossa pr\u00f3pria natureza. Temos de saber o que ajuda a nossa cultura e sociedade a viver, comunicar, ser feliz\u201d \u2013 adiantou o bispo de Aveiro \u00e0quele \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social. E acrescenta: \u201cMuitos dos opinadores e dos considerados pensadores n\u00e3o t\u00eam qualquer esp\u00e9cie de compromisso na sociedade sobre a qual est\u00e3o a discutir. S\u00e3o diletantes de escrit\u00f3rio ou de gabinete. E isso \u00e9 preciso diz\u00ea-lo. N\u00f3s estamos fartos de diletantes neste pa\u00eds\u201d.  No episcopado portugu\u00eas, D. Ant\u00f3nio Marcelino \u00e9 considerado um dos bispos mais inovadores. Perante esta qualifica\u00e7\u00e3o, o prelado de Aveiro refere que \u201cn\u00e3o h\u00e1 uma bitola para dizer que se \u00e9 mais inovador ou menos. Temos que nos p\u00f4r sempre ao n\u00edvel das dioceses, das capacidades e servi\u00e7os. Posso dar mais nas vistas em rela\u00e7\u00e3o a algum tipo de coisas e a alguns riscos que sempre corri. Porque \u00e9 que fui o primeiro bispo a fazer um s\u00ednodo diocesano? Andava tudo com muito medo. Eu falava da ideia e diziam-me: \u00abFaz tu primeiro\u00bb. Vivi sempre esta preocupa\u00e7\u00e3o: que a Igreja fosse um servi\u00e7o para o mundo e que aprendesse de facto a dialogar com o mundo\u201d.  <b>Em Roma sonhava com Portugal<\/b> Ap\u00f3s a ordena\u00e7\u00e3o foi para Roma, o que considerou ter sido \u201cuma gra\u00e7a muito grande\u201d. Descobriu a dimens\u00e3o da catolicidade rezando \u201co mesmo credo com gente de outras ra\u00e7as, no contacto com o Papa, na Universidade Internacional\u201d \u2013 afirmou \u00e0 ag\u00eancia Ecclesia quando celebrou 50 anos de sacerd\u00f3cio. Quando veio de Roma (em 1958) sentia-se \u201cque estava tudo a abanar\u201d. Pio XII morre em Setembro, \u00e9 eleito em Outubro Jo\u00e3o XXIII. \u201cVivi esta transi\u00e7\u00e3o toda. Em Roma, t\u00ednhamos um grupo de padres que se reunia a sonhar com Portugal\u201d. Depois daquela experi\u00eancia foi para o Semin\u00e1rio com uma \u201cmentalidade aberta. Escrevi sobre preparar pessoas para o catecumenato e alguns colegas ficaram muito ofendidos, porque pensaram que eu estava a p\u00f4r problemas que ainda n\u00e3o se sentiam. O meu bispo apoiou-me sempre muito\u201d. Em 1961 j\u00e1 \u201cped\u00edamos uma reforma agr\u00e1ria no Alentejo. \u00c9 claro que levei muita pancada dos mon\u00e1rquicos e dos latifundi\u00e1rios. Vivi essas lutas todas. A seguir ao Conc\u00edlio, viajei pelo pa\u00eds todo, a falar da \u00abLumen Gentium\u00bb\u201d \u2013 confessou. Com o conc\u00edlio, abriu-se um novo horizonte. \u201cNa altura senti que o fruto estava maduro: era altura de o comer ou dele apodrecer\u201d. Viveu esses anos de forma apaixonada e empenhou-se fortemente na sua divulga\u00e7\u00e3o. Chefiou uma equipa que passou pelas dioceses portuguesas \u201coferecendo cursos novos sobre temas conciliares\u201d \u2013 disse.    Ao olhar para a Igreja portuguesa (soma das dioceses), D. Ant\u00f3nio Marcelino real\u00e7a que esta \u201cn\u00e3o tem um plano em grandes linhas para poder enfrentar os problemas. E n\u00e3o tem porqu\u00ea? N\u00e3o v\u00ea os problemas? Claro que os v\u00ea. Simplesmente, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente diferente numa diocese do norte ou no sul, no interior ou litoral. Com percep\u00e7\u00f5es t\u00e3o diversas, \u00e9 muito complicado ter planos que enfrentem as situa\u00e7\u00f5es\u201d.  <b>Os investimentos em Aveiro<\/b> Chegou a Aveiro no dia 1 de Fevereiro de 1981 mas das vezes que por l\u00e1 passou, quando era padre, ou antes, pensava: \u00abuma terra onde gostava de viver\u00bb. Sempre gostei de mar, vindo eu l\u00e1 do interior\u201d. O sonho concretizou-se\u2026 mas o ditado diz que \u00aba diocese faz o bispo e o bispo faz a diocese\u00bb. Uma converg\u00eancia de for\u00e7as que teve um enriquecimento m\u00fatuo. \u201cSe n\u00e3o tivesse tanto espa\u00e7o como a minha capacidade de alguma maneira pedia, ficava um pouco mutilado. Teria sido de outra maneira, se tivesse ido para a diocese para a qual estive indicado\u2026\u201d. Nunca recebeu qualquer nomea\u00e7\u00e3o para bispo da Guarda mas \u201chouve quem desse isso como garantido\u201d \u2013 sublinhou o prelado ao jornal \u00abCorreio do Vouga\u00bb. Por\u00e9m, em Aveiro encontrou um campo de \u201cgrandes possibilidades de investimento\u201d. Na mensagem de Natal de 1997, o prelado d\u00e1 a receita para este investimento: \u201cse consumirmos menos e partilharmos mais, faremos deste modo a den\u00fancia mais consequente da sociedade de consumo\u201d. O mundo das pessoas empobrece e torna-se menos habit\u00e1vel \u201c\u00e0 medida que esquece, estraga, dispensa e profana o Natal\u201d.  Como o Natal do bispo de Aveiro se comemora neste m\u00eas de Setembro, D. Ant\u00f3nio Marcelino real\u00e7a que \u201ca minha vida persiste e continua, aderindo aos novos desafios que o Senhor me vai propondo\u201d. Este homem nunca est\u00e1 conformado nem instalado. \u201cQuando n\u00e3o posso fazer tudo aquilo que julgo ser necess\u00e1rio, fico um pouco inconformado com as limita\u00e7\u00f5es\u201d. Apesar da idade, o pastor de Aveiro revela: \u201co projecto a que me quero dedicar at\u00e9 ao fim \u00e9 despertar para o di\u00e1logo Igreja-Mundo\u201d. A Igreja \u201cainda fica muito pelo templo mas este \u00e9 um lugar de passagem, de fortalecimento \u2013 ningu\u00e9m vive dentro das Igrejas\u201d \u2013 finalizou o aniversariante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia em que faz anos e \u00e9 anunciado o seu sucessor, como Bispo de Aveiro, a Ag\u00eancia ECCLESIA recorda uma entrevista com D. 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