{"id":201549,"date":"2021-03-08T15:19:13","date_gmt":"2021-03-08T15:19:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=201549"},"modified":"2021-03-08T15:19:13","modified_gmt":"2021-03-08T15:19:13","slug":"deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deserto\/","title":{"rendered":"Deserto"},"content":{"rendered":"<p><em>Sandra C\u00f4rtes-Moreira, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-201550 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Sandra-Cortes-Moreira-Algarve.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Lia a passagem de S. Marcos sobre a Paix\u00e3o (Mc, 14:26-53). Contemplava Jesus no Jardim do Gets\u00e9mani. Olhava para Ele, prostrado no ch\u00e3o, rezando ao Pai. Ali, ao seu lado, como se fosse um dos disc\u00edpulos que o acompanhava, vi no rosto do Senhor uma dor profunda, mas sobretudo, o medo t\u00e3o humano que n\u00f3s conseguimos sentir e identificar imediatamente, sempre que ele nos assalta. Por uns segundos, muito, muito breves, Ele olhou para mim e esse olhar trazia a confirma\u00e7\u00e3o de que ser-se humano n\u00e3o \u00e9 ser-se fr\u00e1gil, mas o contr\u00e1rio: \u00e9 encontrar nos nossos sentimentos e caracter\u00edsticas \u2013 mesmo no medo -, a for\u00e7a que tamb\u00e9m Ele teve para se superar e vencer. Para tudo vencer. Como venceu o Dem\u00f3nio, nos quarenta dias que passou no deserto.<\/p>\n<p>Esse tempo, que tantos gostam de comparar \u00e0 Quaresma, n\u00e3o \u00e9 um tempo de sofrimento, mas um tempo de esperan\u00e7a, um tempo de solid\u00e3o e reflex\u00e3o, mas onde a determina\u00e7\u00e3o, a capacidade de olhar para si mesmo s\u00e3o mais exigentes e necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Volto a pensar em mim. Este ano foi um ano de deserto, um ano em que revi as minhas prioridades, as minhas op\u00e7\u00f5es, o caminho que queria seguir. Olhei para tr\u00e1s e perspetivei o futuro. Senti que ganhava novas for\u00e7as a cada momento, porque o deserto n\u00e3o \u00e9 vazio. Nele estamos n\u00f3s e tudo o que trazemos na nossa bagagem: os afetos, as ideias, os valores, as pessoas. E tudo age para que, dando passos seguros, o caminho nos permita ver a estrada que est\u00e1 ali, no final da linha da areia. Sobretudo as pessoas, que v\u00e3o fazendo o percurso ao nosso lado.<\/p>\n<p>O deserto n\u00e3o \u00e9 silencioso. Ao contr\u00e1rio. Nele ouvimos todas as vozes que preenchem a biblioteca das nossas mem\u00f3rias e, com elas, refazemos peda\u00e7os da nossa hist\u00f3ria. Essas vozes, que nos envolvem como uma brisa suave, ajudam-nos nesse percurso, a redefinir o nosso pr\u00f3prio timbre vocal e as nuances que o mesmo pode ter. E, sobretudo, ouvimos a voz do Senhor: &#8211; \u00abConfia! Tudo \u00e9 poss\u00edvel \u00e0quele que cr\u00ea (Mc 9:23)! Eu venci o mundo (Jo 16:33)!\u00bb<\/p>\n<p>O deserto n\u00e3o \u00e9 est\u00e9ril. Nele tudo est\u00e1 escondido ao olhar dos que procuram o \u00f3bvio, mas ele tem o potencial de florir. Quer seja numa pequena flor perdida, que nos surpreende pela cor e nos recentra naquilo que \u00e9 essencial; quer quando encontramos longos tapetes coloridos e percebemos a majestade da cria\u00e7\u00e3o, a beleza do que nos rodeia e a manifesta\u00e7\u00e3o dos maravilhosos poderes criativos de Deus. E o cora\u00e7\u00e3o enche-se da capacidade de louvar. Tudo isto faz parte do deserto.<\/p>\n<p>O deserto \u00e9 o caminho, n\u00e3o o final, mas \u00e9 met\u00e1fora do tempo em que o Pai nos carrega amorosamente (Dt 1:31), levando-nos, para que nos aperfei\u00e7oemos, cuidando e expressando de forma subtil, mas sempre clara, o quanto nos ama.<\/p>\n<p>Foi por este deserto que descrevo, que Jesus tamb\u00e9m passou. E se no Gets\u00e9mani vislumbrei o sofrimento naquele olhar que eternamente me acompanha, aqui vejo a capacidade que teve de colocar nos l\u00e1bios um sorriso discreto, fintando as dificuldades e as tenta\u00e7\u00f5es e, realizando uma interioriza\u00e7\u00e3o profunda e absolutamente sincera, geradora de uma for\u00e7a, uma seguran\u00e7a e uma firmeza capazes de O levar a iniciar um percurso intenso de convers\u00e3o dos outros, de missiona\u00e7\u00e3o, de dissemina\u00e7\u00e3o da Palavra. N\u00e3o deixou que o sofrimento habitasse nele. O homem Deus, que foi Jesus, conhecia-se e sabia onde estavam as armadilhas quotidianas do pecado. E venceu-as, por um Amor maior.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 Quaresma. E n\u00e3o \u00e9 sofrimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sandra C\u00f4rtes-Moreira<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 Licenciada em Comunica\u00e7\u00e3o Social, pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa, Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Educacional, pelas Faculdades de Letras e de Ci\u00eancias Humanas e Sociais das Universidades de Lisboa e Algarve e Mestre em Educa\u00e7\u00e3o Multicultual pela Universidad de Huelva. \u00c9 doutoranda no Doutoramento Interuniversit\u00e1rio em Comunica\u00e7\u00e3o, trabalhando a linha de investiga\u00e7\u00e3o em educomunica\u00e7\u00e3o\/literacia tur\u00edstica. \u00c9 t\u00e9cnica de comunica\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara Municipal de Faro e Assessora do Gabinete de Informa\u00e7\u00e3o da Diocese do Algarve, com quem colabora integrando tamb\u00e9m a equipe da Pastoral do Turismo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandra C\u00f4rtes-Moreira, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":201550,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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