{"id":201401,"date":"2021-03-07T14:31:37","date_gmt":"2021-03-07T14:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=201401"},"modified":"2021-03-07T13:08:31","modified_gmt":"2021-03-07T13:08:31","slug":"iraque-e-preciso-parar-esta-sangria-da-comunidade-crista-diz-catarina-martins-de-bettencourt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/iraque-e-preciso-parar-esta-sangria-da-comunidade-crista-diz-catarina-martins-de-bettencourt\/","title":{"rendered":"Iraque: \u00ab\u00c9 preciso parar esta sangria\u00bb da comunidade crist\u00e3, diz Catarina Martins de Bettencourt"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretora do secretariado portugu\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS), comenta visita hist\u00f3rica do Papa<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-134049 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/catarina_martins_fais-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A AIS foi uma das vozes mais ativas na den\u00fancia da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os e, no caso do Iraque, alertou para o risco de desaparecimento da presen\u00e7a crist\u00e3 por causa da persegui\u00e7\u00e3o dos radicais isl\u00e2micos, depois de 2014. Nesta visita do Papa, hoje em particular j\u00e1 houve momentos muito marcantes, o que \u00e9 que destaca? O que \u00e9 que a impressionou mais at\u00e9 agora?<\/em><\/p>\n<p>Esta viagem tem sido impressionante, as expetativas est\u00e3o a ser ultrapassadas no meu ponto de vista. A visita a Mossul era impens\u00e1vel! O Papa poder estar presente numa cidade que esteve ocupada durante tr\u00eas anos pelo autoproclamado Estado Isl\u00e2mico, com a destrui\u00e7\u00e3o de tantos s\u00edmbolos religiosos das v\u00e1rias religi\u00f5es, ter hoje a presen\u00e7a de um Papa \u00e9 de um simbolismo extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estive a ver imagens do Papa em Qaraqosh, na Igreja da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, e \u00e9 extraordin\u00e1rio sentir e ver no rosto destes crist\u00e3os esta emo\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande de terem o Papa junto deles. \u00c9, de facto, um sinal de esperan\u00e7a extraordin\u00e1rio que est\u00e1 a ser dado neste momento \u00e0 comunidade crist\u00e3 no Iraque, que tem sofrido tanto nos \u00faltimos anos, como sabemos. Ver como \u00e9 poss\u00edvel, apesar de todas as dificuldades e de tudo o que tem acontecido, como continua uma comunidade viva e que aguardou tantos anos por este momento, para mim foi at\u00e9 emocionante ver as imagens do Papa a rezar o Angelus na igreja, com a comunidade crist\u00e3. \u00c9 de facto muito, muito recompensador para aquelas pessoas que sofreram tanto nestes anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em 2015, 2016, seria inimagin\u00e1vel ver o Papa na igreja da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, onde ele esteve esta manh\u00e3, que chegou a ser transformada num campo de tiro pelo Estado Isl\u00e2mico. Esta ideia de recome\u00e7ar e reconstruir, que o Papa tem sublinhado nesta viagem, \u00e9 importante para os crist\u00e3os no Iraque e desta regi\u00e3o? Que h\u00e1 esperan\u00e7a e que \u00e9 poss\u00edvel recome\u00e7ar?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Os crist\u00e3os nos Iraque t\u00eam-nos dado nos \u00faltimos anos um testemunho de resili\u00eancia, de esperan\u00e7a, de uma f\u00e9 muito viva, a que n\u00e3o podemos ficar indiferentes. Apesar da diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da presen\u00e7a crist\u00e3 no Iraque, continua a haver crist\u00e3os que querem permanecer, porque as suas fam\u00edlias sempre viveram ali, s\u00e3o ali as suas terras, o seu lugar. E esta ida do Papa, esta mensagem de que \u00e9 poss\u00edvel reconstruir, de que \u00e9 poss\u00edvel este respeito m\u00fatuo, o di\u00e1logo, a s\u00e3 conviv\u00eancia, \u00e9 o sinal de esperan\u00e7a de que esta comunidade necessitava h\u00e1 tantos anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2010, quando falava com o atual patriarca caldeu ele dizia-me que queria muito que o Papa visitasse o Iraque. Esta visita j\u00e1 era aguardada h\u00e1 muitos anos, e hoje, 2021, depois de todo o sofrimento causado pela passagem do autoproclamado Estado isl\u00e2mico, que levou a viol\u00eancia a pontos que nunca vimos contra comunidades religiosas, esta ideia que hoje o Papa passa, de que \u00e9 poss\u00edvel reconstruir e recome\u00e7ar \u00e9 de facto extraordin\u00e1ria, \u00e9 uma mensagem de paz muito importante para esta comunidade.<\/p>\n<p>Efetivamente temos assistido ao longo dos anos \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da comunidade crist\u00e3, e podemos estar a assistir ao fim da presen\u00e7a de uma comunidade num pa\u00eds que foi o ber\u00e7o das civiliza\u00e7\u00f5es, onde tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E onde os crist\u00e3os est\u00e3o desde o s\u00e9culo I&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, n\u00e3o come\u00e7ou agora, est\u00e3o l\u00e1 h\u00e1 muito tempo, e assistirmos a esta queda dram\u00e1tica dos n\u00fameros&#8230; em 2003 viviam no Iraque 1 milh\u00e3o e meio de crist\u00e3os, e hoje ser\u00e3o cerca de 250 mil. \u00c9, de facto, uma diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica, pode ser o fim desta presen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a visita do Papa pode ajudar a consolidar essa presen\u00e7a dos que j\u00e1 regressaram entretanto e est\u00e3o a estabelecer-se de novo?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, esta mensagem de esperan\u00e7a do Papa, de que esta comunidade n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, que \u00e9 lembrada, suportada e apoiada por todos n\u00f3s, \u00e9 extremamente importante porque \u00e9 preciso parar esta sangria que tem havido da comunidade crist\u00e3, mas para isso \u00e9 preciso que estejam estabelecidas uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es, como o respeito pela liberdade religiosa, voltar a ter as casas e os neg\u00f3cios, recuperar tudo aquilo que perderam nestes anos, \u00e9 preciso que haja seguran\u00e7a e estabilidade no pa\u00eds para isso acontecer. Portanto, esta ida do Papa \u00e9 fundamental para esta comunidade ter essa esperan\u00e7a num futuro que poder\u00e1 ser mais risonho do que se imaginava h\u00e1 uns anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O primeiro-ministro iraquiano anunciou que o dia 6 de mar\u00e7o vai passar a ser o Dia Nacional da Toler\u00e2ncia e Coexist\u00eancia no Iraque, numa homenagem ao encontro que o Papa manteve com o aiatola Al-Sistani. \u00c9 um sinal de esperan\u00e7a tamb\u00e9m, e uma consequ\u00eancia j\u00e1 direta desta visita do Papa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, esta iniciativa do governo de declarar este dia e o encontro do Papa com o l\u00edder xiita s\u00e3o muito importantes. A mensagem que saiu do pr\u00f3prio encontro \u00e9 muito importante, no sentido de mostrar que h\u00e1 lugar para a comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos podemos esquecer de que a comunidade crist\u00e3 tem sido muito importante no Iraque, \u00e9 uma comunidade com estudos, com forma\u00e7\u00e3o, era muito importante no setor da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da justi\u00e7a, \u00e9 uma comunidade que traz uma mais valia muito grande ao pa\u00eds, por isso um l\u00edder com Al-Sistani vir dizer que \u00e9 preciso haver este respeito m\u00fatuo e o di\u00e1logo entre as religi\u00f5es e com a comunidade crist\u00e3 \u00e9, de facto, um sinal muito positivo, e saiu j\u00e1 este gesto concreto do governo, de instituir este Dia Nacional.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante haver este trabalho de reconcilia\u00e7\u00e3o no Iraque, porque as feridas s\u00e3o muito grandes. Estes dois l\u00edderes juntarem-se e passarem esta mensagem \u00e9 fundamental para que haja pacifica\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias comunidades no Iraque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos visto sinais de esperan\u00e7a nesta viagem, mas quando se acompanha os testemunhos e as declara\u00e7\u00f5es de quem tem falado diante do Papa, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel perceber que ainda h\u00e1 muitas preocupa\u00e7\u00f5es, e uma delas tem a ver com a recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a. N\u00e3o basta reconstruir as casas, as igrejas e recuperar os neg\u00f3cios &#8211; e j\u00e1 falaremos do que tem sido feito pela AIS -, mas a reconstru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a, que as pessoas que emigraram ou que est\u00e3o refugiadas noutras locais possam confiar o suficiente para ousar o regresso, isso vai levar mais tempo?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. \u00c9 preciso que os v\u00e1rios l\u00edderes das v\u00e1rias religi\u00f5es se juntem, deem estes sinais positivos e trabalhem em conjunto com cada comunidade, porque estamos a falar de comunidades que foram espoliadas de tudo. No caso de Mossul, onde o Papa esteve hoje, foram vizinhos, amigos de longa data, que retiraram tudo \u00e0s comunidades crist\u00e3s e a yazidis. Tudo isto deixa marcas que imaginamos muito profundas, e sarar estas feridas, restabelecer a confian\u00e7a no vizinho, no amigo, que foi muitas vezes quem os traiu h\u00e1 sete anos, \u00e9 preciso fazer um trabalho muito grande, e sem d\u00favida que os l\u00edderes religiosos ter\u00e3o um papel fundamental no restabelecimento desta confian\u00e7a, que \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria neste momento para a comunidade crist\u00e3 recome\u00e7ar uma nova etapa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_201398\" aria-describedby=\"caption-attachment-201398\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-201398\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ACN-20210305-110717-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-201398\" class=\"wp-caption-text\">Foto: AIS<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Falou dos yazidis. No voo de Roma at\u00e9 Bagdad uma jornalista espanhola entregou ao Papa documenta\u00e7\u00e3o que lhe foi passada pela Funda\u00e7\u00e3o AIS, e o Papa manifestou-se muito impressionado com a lista de pre\u00e7os das escravas crist\u00e3s e yazidis que o Estado Isl\u00e2mico vendia. Estamos a falar de feridas muito profundas e muito recentes&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, pre\u00e7os que as fam\u00edlias e as v\u00e1rias comunidades tiveram que pagar-. Alguns infelizmente n\u00e3o conseguiram recuperar essas jovens raptadas e usadas como escravas para serem vendidas, para conseguirem fundos para os seus fins, tudo isto deixa feridas que n\u00e3o conseguimos imaginar&#8230;Este estabelecer de pre\u00e7os de vidas humanas, a que j\u00e1 n\u00e3o assist\u00edamos h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, \u00e9 um retrocesso civilizacional, ver pessoas que s\u00e3o vendidas\u2026 N\u00e3o podemos atribuir um valor monet\u00e1rios a estas vidas, a estas jovens que sofreram na pele \u2013 e acredito que ser\u00e1 muito dif\u00edcil de ultrapassar \u2013 um calv\u00e1rio. Vai ser dif\u00edcil conseguir voltar a ter confian\u00e7a nesta comunidade que lhes tirou tudo o que tinham na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A invas\u00e3o dos radicais isl\u00e2micos aconteceu em agosto de 2014 e a Catarina visitou a regi\u00e3o pouco depois, em 2015, passando por Erbil, no Curdist\u00e3o iraquiano. A AIS tem estado a apoiar os crist\u00e3os, desde essa altura, assegurando a sua sobreviv\u00eancia. Que projetos \u00e9 que est\u00e3o no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Desde o dia 6 de agosto de 2014, a AIS foi ao terreno, um pequeno grupo deslocou-se ao Curdist\u00e3o, e est\u00e1 a ajudar esta comunidade desde o primeiro momento. Estas pessoas sa\u00edram das suas casas sem nada, apenas com a roupa que tinham no corpo, porque a perce\u00e7\u00e3o que tinham na altura \u00e9 que seria uma quest\u00e3o de dois, tr\u00eas dias, antes de tudo regressar ao normal e que o Estado Isl\u00e2mico seria expulso daquela regi\u00e3o. Na realidade, demorou tr\u00eas anos at\u00e9 \u00e0 sua expuls\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando estive no Iraque, a ajuda prestada pela AIS era, sem d\u00favida, para o b\u00e1sico, o essencial do dia a dia, desde a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, o aluguer de casas, constru\u00e7\u00e3o de contentores, de campos de refugiados, para estas comunidades.<\/p>\n<p>O autoproclamado Estado Isl\u00e2mico foi expulso em 2017 e desde ent\u00e3o, at\u00e9 agora, temos estado nesta tentativa de ajudar as comunidades a regressarem \u00e0s suas aldeias, \u00e0s suas vilas ancestrais, com a reconstru\u00e7\u00e3o de casas, de infraestruturas necess\u00e1rias para que a comunidade esteja. Esse \u00e9 o grande apoio da AIS, neste momento, mas continuamos tamb\u00e9m com a quest\u00e3o alimentar, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos podemos esquecer de que a comunidade crist\u00e3 \u00e9 tamb\u00e9m marginalizada, discriminada, no acesso ao mercado de trabalho. O cart\u00e3o de cidad\u00e3o no Iraque tem inscrita a religi\u00e3o e numa entrevista de emprego, os crist\u00e3os s\u00e3o discriminados.<\/p>\n<p>\u00c9 uma comunidade que perdeu tudo, n\u00e3o tem trabalho, n\u00e3o h\u00e1 capacidade para reconstruir, n\u00e3o h\u00e1 capacidade para sobreviver. Neste momento, \u00e9 preciso ajud\u00e1-los a recuperar os seus neg\u00f3cios, a sua esperan\u00e7a, que os jovens continuam a estudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No contexto da viagem do Papa, a AIS lan\u00e7ou uma campanha de apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, ali\u00e1s\u2026<\/em><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, de facto, \u00e9 uma prioridade apoiar as novas gera\u00e7\u00f5es, os jovens a ficar. \u00c9 este sinal de esperan\u00e7a que \u00e9 preciso dar \u00e0 comunidade. Se conseguirmos dar essa oportunidade de estudo aos filhos, eles v\u00e3o sentir-se mais tranquilos, como pais, e est\u00e3o a oferecer uma ferramenta para o futuro.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento deste apoio, com bolsas de estudo, para 150 jovens, num total de 1,5 milh\u00f5es de euros, quer permitir que os estudantes possam ir para a Universidade Cat\u00f3lica de Erbil, um projeto que nasceu com o arcebispo local, D. Bashar Warda. S\u00e3o sinais de que a comunidade precisa, ferramentas para que estes jovens possam, amanh\u00e3, trabalhar, estar inseridos no mercado laboral, e permanecer com as suas fam\u00edlias no Iraque. \u00c9 aqui que pode residir a esperan\u00e7a desta comunidade e n\u00f3s, AIS, temos estado ao lado da Igreja e tentar ajud\u00e1-la a sobreviver, a conseguir manter-se e dar um testemunho de f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual o valor da ajuda que foi oferecida?<\/em><\/p>\n<p>Desde 2014 at\u00e9 agora, foram 48 milh\u00f5es de euros, praticamente 49. \u00c9 uma ajuda muito significativa, mas, infelizmente, \u00e9 preciso que muito mais institui\u00e7\u00f5es ajudem, porque as necessidades s\u00e3o muitas. A comunidade crist\u00e3 n\u00e3o tem capacidade, por si s\u00f3, de reconstruir tudo o que foi destru\u00eddo. S\u00e3o precisas muitas obras, infraestruturas \u2013 que v\u00e3o desde o saneamento b\u00e1sico at\u00e9 \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o de escolas, hospitais \u2013 e isso s\u00f3 se faz com a ajuda de institui\u00e7\u00f5es internacionais, o Governo tamb\u00e9m ainda n\u00e3o consegue. S\u00e3o valores astron\u00f3micos e \u00e9 preciso a ajuda de todos, para dar esperan\u00e7a a estas comunidades que est\u00e3o privadas de tudo h\u00e1 tantos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os portugueses t\u00eam sido sens\u00edveis a esta necessidade?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A Igreja da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, onde hoje este o Papa, foi reconstru\u00edda tamb\u00e9m com a ajuda dos benfeitores da AIS, que em Portugal t\u00eam sido de uma generosidade extrema para com esta comunidade. Sentiram muito estas necessidades, o sofrimento desta Igreja.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos dinamizado correntes de ora\u00e7\u00e3o, campanhas de solidariedade, e tem sido uma resposta extraordin\u00e1ria. Um bocadinho do que o Papa est\u00e1 a dizer, de tudo o que vamos vendo, \u00e9 tamb\u00e9m gra\u00e7as ao esfor\u00e7o dos benfeitores portugueses da AIS que t\u00eam sido extraordin\u00e1rios neste apoio incondicional a esta comunidade t\u00e3o sofrida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este s\u00e1bado, em Ur, falou-se num sonho: o potencial que esta terra tem como destino de peregrina\u00e7\u00e3o religiosa. Estamos a falar de muitos locais b\u00edblicos, por exemplo. A estabiliza\u00e7\u00e3o do Iraque pode fazer com que, no futuro, isto seja uma realidade?<\/em><\/p>\n<p>Esperemos que sim. N\u00f3s temos de pensar o Iraque e toda a regi\u00e3o como uma zona onde est\u00e3o as nossas ra\u00edzes, enquanto comunidade crist\u00e3. Haver paz, poder ter a possibilidade de visitar os locais onde tudo come\u00e7ou, \u00e9 uma oportunidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>O Iraque \u00e9 um pa\u00eds extremamente rico que est\u00e1 a viver uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica grav\u00edssima, por diversos fatores, desde a corrup\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de parte do territ\u00f3rio pelo Estado Isl\u00e2mico. Espero, sinceramente, que este pa\u00eds possa finalmente viver em paz, porque \u00e9 um pa\u00eds riqu\u00edssimo, com um dos subsolos mais ricos do mundo, e h\u00e1 possibilidade de todas as comunidades viverem com bem-estar. \u00c9 preciso que haja entendimento entre as v\u00e1rias religi\u00f5es, que haja paz, e se fa\u00e7a este caminho para que possa ser, tamb\u00e9m, um lugar de peregrina\u00e7\u00e3o. Seria, para n\u00f3s, a possibilidade de visitar as nossas ra\u00edzes, o princ\u00edpio de tudo, algo extraordin\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretora do secretariado portugu\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS), comenta visita hist\u00f3rica do Papa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134049,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[401],"class_list":["post-201401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-iraque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201401\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}