{"id":20123,"date":"2006-09-12T17:24:23","date_gmt":"2006-09-12T17:24:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/12\/bendigamos-o-senhor-que-cura-as-nossas-feridas\/"},"modified":"2006-09-12T17:24:23","modified_gmt":"2006-09-12T17:24:23","slug":"bendigamos-o-senhor-que-cura-as-nossas-feridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bendigamos-o-senhor-que-cura-as-nossas-feridas\/","title":{"rendered":"<i>Bendigamos o Senhor que cura as nossas feridas<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do bispo de Santar\u00e9m <!--more--> 1. Recome\u00e7ar a partir de Cristo Na continua\u00e7\u00e3o do projecto pastoral que inici\u00e1mos no ano 2000, vamos, no pr\u00f3ximo ano, debru\u00e7ar-nos sobre os sacramentos da cura: a Reconcilia\u00e7\u00e3o e Un\u00e7\u00e3o dos doentes. O perd\u00e3o dos pecados e a cura dos doentes ocupam um lugar de relevo no minist\u00e9rio de Jesus e integram a miss\u00e3o por Ele confiada \u00e0 Igreja: proclamar o evangelho a toda a criatura, perdoar os pecados e impor as m\u00e3os aos doentes para que eles fiquem curados (Cf Mc 16, 15-18; Act 2, 38-39)). Atrav\u00e9s dos sacramentos da Reconcilia\u00e7\u00e3o e da Santa Un\u00e7\u00e3o, a ac\u00e7\u00e3o curativa de Jesus continua a realizar-se na Igreja em todos os tempos. Na verdade, os sacramentos s\u00e3o gestos realizados pela Igreja que prolongam os gestos sanantes de Jesus. O segredo da efic\u00e1cia da ac\u00e7\u00e3o da Igreja nos sete sacramentos \u00e9 a presen\u00e7a e a ac\u00e7\u00e3o do Senhor Ressuscitado atrav\u00e9s do Esp\u00edrito. Esta \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o que anima o percurso que vimos a seguir desde o ano 2000, apresentado na Carta Pastoral: &#8220;Jesus Cristo vivo na Igreja pela palavra e pelos sacramentos&#8221;. A presen\u00e7a de Jesus na Igreja \u00e9, portanto, o fundamento da nossa confian\u00e7a e a fonte dos nossos programas pastorais. \u00c9 Ele que nos fala quando lemos ou ouvimos proclamar, em atitude de escuta, a Sagrada Escritura; \u00e9 a Ele que falamos quando rezamos; \u00e9 Ele que vem ao nosso encontro, toca e transforma a nossa vida com a gra\u00e7a dos sacramentos; \u00e9 Ele que \u00e9 a vida e o segredo das nossas comunidades crist\u00e3s; \u00e9 tamb\u00e9m Jesus Cristo que apresentamos ao mundo, erguido na cruz, como sinal de salva\u00e7\u00e3o para todas as criaturas, como fonte de reconcilia\u00e7\u00e3o entre povos e civiliza\u00e7\u00f5es, como alicerce seguro da paz, da dignidade e da fraternidade entre os homens. Assim, como meta de fundo dos programas pastorais, est\u00e1 a procura da contempla\u00e7\u00e3o do rosto do Senhor, &#8220;o primado da vida interior e da santidade&#8221; (NMI 38). Queremos realmente conhecer melhor Jesus Cristo para O seguir mais conscientemente. Principiando pela leitura orante das Escrituras. Na verdade, ignorar as Escrituras \u00e9 ignorar Cristo, como afirmava S\u00e3o Jer\u00f3nimo. A ignor\u00e2ncia \u00e9 o grande impedimento \u00e0 f\u00e9 e ao testemunho. Nesse sentido, propusemos para o primeiro tri\u00e9nio do programa (2001\/2003) um contacto mais ass\u00edduo com a Escrituras, exercitando a tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga e sempre nova da &#8220;lectio divina&#8221;. Atrav\u00e9s desta pedagogia, o contacto com a Palavra de Deus n\u00e3o termina no texto sagrado mas conduz-nos ao encontro da pessoa viva de Jesus, Verbo eterno de Deus. Depois, seguindo o itiner\u00e1rio de Ema\u00fas, dedicamos um segundo tri\u00e9nio (2004\/2007) \u00e0 liturgia como a ac\u00e7\u00e3o da Igreja em que o Senhor Ressuscitado se torna presente e santifica a nossa vida. Public\u00e1mos para este tri\u00e9nio o gui\u00e3o &#8220;Das fontes da salva\u00e7\u00e3o saciai-vos na alegria&#8221;. A concluir este tri\u00e9nio, vamos dedicar o ano pastoral 2006\/2007 aos Sacramentos da cura, Reconcilia\u00e7\u00e3o e Un\u00e7\u00e3o dos doentes, sem perder o fio condutor: Jesus Cristo vivo na Igreja pela Palavra e pelos sacramentos. Estas prioridades s\u00e3o de sempre, v\u00eam do evangelho e h\u00e3o-de acompanhar constantemente a peregrina\u00e7\u00e3o da Igreja. N\u00e3o s\u00e3o etapas percorridas mas dimens\u00f5es a ter sempre presentes na nossa ac\u00e7\u00e3o pastoral. Nesse sentido, precisamos de continuar a praticar a &#8220;lectio divina&#8221;. Por outro lado, queremos tamb\u00e9m definir algumas orienta\u00e7\u00f5es em ordem \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o adequada dos candidatos aos sacramentos e \u00e0 sua celebra\u00e7\u00e3o digna e frutuosa. 2. Estruturar a participa\u00e7\u00e3o eclesial Ao longo do transacto ano pastoral 2005\/ 2006, na celebra\u00e7\u00e3o dos trinta anos da diocese, promovemos algumas iniciativas em ordem a desenvolver a comunh\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o na vida da Igreja. Estas datas s\u00e3o oportunidades para tomarmos consci\u00eancia e reassumirmos o projecto de Igreja que est\u00e1 na origem da cria\u00e7\u00e3o da diocese de modo a estruturar com mais solidez a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na miss\u00e3o da Igreja. A pr\u00e1tica da corresponsabilidade, que se traduz no chamamento e na prepara\u00e7\u00e3o de colaboradores para o servi\u00e7o do evangelho, torna-se hoje urgente no contexto pastoral das nossas par\u00f3quias e comunidades. O passo mais importante para o crescimento da participa\u00e7\u00e3o activa dos fi\u00e9is na vida da Igreja foi, neste ano pastoral, a ordena\u00e7\u00e3o dos primeiros Di\u00e1conos Permanentes a 7 de Maio de 2006, que vinha a ser preparada h\u00e1 quatro anos. Este grau do minist\u00e9rio ordenado que real\u00e7a, na miss\u00e3o da Igreja, o carisma do servi\u00e7o fraterno da caridade, ligado ao servi\u00e7o do evangelho e do altar, torna-se, para todo o povo de Deus da diocese, um est\u00edmulo para crescer numa maior participa\u00e7\u00e3o activa na vida da Igreja e no esp\u00edrito do trabalho em equipa. O Conselho Pastoral Diocesano foi outra iniciativa a assinalar os trinta anos da diocese. Este organismo constitui um incentivo ao crescimento na corresponsabilidade pois sup\u00f5e e reclama o funcionamento dos Conselhos Pastorais a n\u00edvel da vigararia e a n\u00edvel da par\u00f3quia. Precisamos de formar os fi\u00e9is e criar condi\u00e7\u00f5es para que estes Conselhos funcionem eficazmente em todas as par\u00f3quias e vigararias. Nesse sentido, recomenda-se o &#8220;Curso de Renova\u00e7\u00e3o Paroquial&#8221;, proposta j\u00e1 experimentada nalgumas regi\u00f5es da diocese e apoiada por elementos did\u00e1cticos, que incentiva e prepara para a participa\u00e7\u00e3o activa e esclarecida na pastoral paroquial. Outra preocupa\u00e7\u00e3o que esteve presente e que sempre deve acompanhar a ac\u00e7\u00e3o pastoral \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos colaboradores que exercem fun\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas: leitores, ac\u00f3litos, ministros extraordin\u00e1rios da Eucaristia, animadores das ADAP e cantores. A liturgia bem celebrada como ac\u00e7\u00e3o festiva de toda a comunidade convida os fi\u00e9is a tornarem-se pedras vivas da Igreja. Convoc\u00e1mos tamb\u00e9m uma reuni\u00e3o das Confrarias ou Irmandades da diocese, organismos que na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja muito contribu\u00edram para a vida comunit\u00e1ria e para a participa\u00e7\u00e3o laical. Esta iniciativa foi correspondida com muito interesse pelos membros destes organismos que compareceram, participaram e pediram para que estes encontros sejam continuados nos pr\u00f3ximos anos. Esperamos que esta iniciativa conduza \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o das Confrarias e Irmandades atrav\u00e9s da actualiza\u00e7\u00e3o dos seus estatutos, da integra\u00e7\u00e3o de novos membros e de uma participa\u00e7\u00e3o actualizada na vida das comunidades. Quisemos associar \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos trinta anos os membros das autarquias. Sempre se t\u00eam mostrado acolhedores e apreciadores do contributo das comunidades crist\u00e3s na ac\u00e7\u00e3o social, cultural e educativa da sociedade. Uma Igreja ao servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o da cidade dos homens deve adoptar uma atitude de colabora\u00e7\u00e3o e de parceria com aqueles que foram escolhidos pelo povo para servir a sociedade. Esta colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel em muitos campos da actividade da Igreja, como: patrim\u00f3nio, forma\u00e7\u00e3o de jovens, institui\u00e7\u00f5es de solidariedade, etc. A participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o da Igreja n\u00e3o pode esquecer a fam\u00edlia, hoje amea\u00e7ada por muitas for\u00e7as contr\u00e1rias e dispersa por muitas solicita\u00e7\u00f5es modernas. A fam\u00edlia \u00e9 a Igreja dom\u00e9stica, escola de virtudes humanas e crist\u00e3s, lugar o\u00adnde se faz a primeira transmiss\u00e3o da f\u00e9 e, atrav\u00e9s desta, se coloca o alicerce para a forma\u00e7\u00e3o dos filhos como pessoas livres, felizes e respons\u00e1veis. O sacramento do matrim\u00f3nio confere aos esposos e pais uma miss\u00e3o de import\u00e2ncia fundamental na vida eclesial e social e a gra\u00e7a para a p\u00f4r em pr\u00e1tica: a de formarem uma comunidade de vida e de amor que seja fonte de felicidade para os esposos e para os filhos. Recomendamos, nesse sentido, os elementos de apoio para a prepara\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio publicados pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar. Ach\u00e1mos oportuno lembrar as op\u00e7\u00f5es feitas e o caminho proposto, pois algumas par\u00f3quias t\u00eam dificuldade em acompanhar o ritmo das prioridades diocesanas. N\u00e3o podemos deixar que essas comunidades fiquem para tr\u00e1s. Precisamos de lhes prestar aten\u00e7\u00e3o e apoio para que todas cultivem a pedagogia da lectio divina, estruturem a corresponsabilidade, designadamente atrav\u00e9s do funcionamento dos Conselhos Econ\u00f3mico e Pastoral, preparem e celebrem adequadamente os sacramentos, formem colaboradores para a liturgia e para a caridade. \u00c8 toda a Igreja, em todas as c\u00e9lulas, que \u00e9 chamada \u00e0 renova\u00e7\u00e3o e \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. O programa pastoral que propomos nesta Carta Pastoral situa-se na continua\u00e7\u00e3o deste itiner\u00e1rio. 3. As feridas do homem de hoje. Nos sacramentos da cura Jesus Cristo vem ao nosso encontro nos momentos de prova e debilidade para nos libertar dos pecados e da culpa e para nos confortar na alma e no corpo. Nos anos anteriores aprofund\u00e1mos os sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (Baptismo, Confirma\u00e7\u00e3o e Eucaristia) e do servi\u00e7o (Ordem e Matrim\u00f3nio) em que Deus, nos momentos marcantes da vida, entra em contacto com a nossa exist\u00eancia, lhe d\u00e1 sentido e transcend\u00eancia e a enriquece com a Sua gra\u00e7a. As prova\u00e7\u00f5es espirituais e f\u00edsicas s\u00e3o tamb\u00e9m problemas que influenciam e afligem a vida humana e necessitam igualmente da ajuda divina. Nos evangelhos notamos como Jesus se aproximava e se dedicava aos pecadores e doentes para lhes restituir a dignidade, a santidade, a vida s\u00e3. Ainda hoje a Igreja, na continua\u00e7\u00e3o de Jesus cuida dos pecadores e dos doentes para os ajudar a vencer a debilidade espiritual e f\u00edsica. O sentido de pecado parece ter diminu\u00eddo na consci\u00eancia das pessoas mas as feridas causadas pelo pecado s\u00e3o bem vis\u00edveis: a ruptura e a infidelidade ao amor, os conflitos, as injusti\u00e7as, as trai\u00e7\u00f5es, a vaidade e ambi\u00e7\u00e3o desmedidas, as invejas, os \u00f3dios, as vingan\u00e7as, as viol\u00eancias, os crimes, as mentiras, a opress\u00e3o. Est\u00e3o apenas nos outros e na sociedade ou as suas ra\u00edzes est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o de cada um?! A vida abre em todos muitas feridas e acarreta muitos sofrimentos: Feridas do luto, da solid\u00e3o, do medo da doen\u00e7a, do desemprego, etc. As doen\u00e7as e mortes prematuras deixam feridas abertas nos familiares: nos pais, nas vi\u00favas ou nos \u00f3rf\u00e3os. Muitas doen\u00e7as graves e incur\u00e1veis v\u00eam desarranjar as vidas de fam\u00edlia: As pessoas n\u00e3o est\u00e3o preparadas para estes dramas. Constituem sempre um choque profundo. Encontramos, deste modo, muitas feridas f\u00edsicas, ps\u00edquicas e espirituais. A cura \u00e9 um anseio profundo das pessoas da nossa \u00e9poca. N\u00e3o apenas a cura das doen\u00e7as f\u00edsicas, que a medicina hoje mais desenvolvida oferece, mas tamb\u00e9m a cura psicol\u00f3gica e espiritual. Qual a resposta da Igreja que continua a miss\u00e3o de Jesus?  Nem sempre as pessoas aceitam que lhes falem dos sofrimentos e das feridas que a vida lhes traz. Procura-se at\u00e9 esconder e ignorar esta realidade triste para que n\u00e3o perturbe a vida habitual. Mas, ao ouvirmos os idosos, escutamos muitas hist\u00f3rias de doen\u00e7as, de sofrimento, de luto, de desengano, de cruz. Ningu\u00e9m foge ao sofrimento. Se passarmos pelos hospitais ou pela casa dos doentes deparamos com esta realidade. Encontramo-la na nossa fam\u00edlia. Encontramo-lo em n\u00f3s. O sentimento da fragilidade da vida, o cansa\u00e7o, o des\u00e2nimo, a perda de sentido atingem-nos a todos.  A Sagrada Escritura apresenta-nos como representante do sofrimento o patriarca Job. Para uns, este grande sofredor \u00e9 familiar; para outros \u00e9 chocante e deprimente. Mas a Sagrada Escritura n\u00e3o foge a enfrentar o problema. Job \u00e9 um retrato da humanidade sofredora: apresenta-nos uma parte de n\u00f3s mesmos. \u00c9 o grande paciente das nossas dores. Ele lamenta-se, queixa-se a Deus e a n\u00f3s: &#8220;Recebi em heran\u00e7a meses de desilus\u00e3o. Agito-me angustiado at\u00e9 ao crep\u00fasculo&#8221;.  Mas Job n\u00e3o se deixa vencer pelo des\u00e2nimo. Continua a procurar Deus, a implorar, a confiar. Deus vem em seu aux\u00edlio e Job redescobre o encanto da vida. Recordando o sofrimento de Job, a liturgia (no V Domingo Comum, B), convida-nos a rezar com o salmista: &#8220;Louvai o Senhor que conforta os cora\u00e7\u00f5es dilacerados&#8221; (Sl 146). Face a tantas feridas que sentimos em n\u00f3s e \u00e0 nossa volta, esta ora\u00e7\u00e3o do Salmo prop\u00f5e-nos uma atitude de confian\u00e7a e louvor a Deus que cura, purifica e d\u00e1 sentido ao nosso sofrimento: &#8220;Bendigamos o Senhor que cura as nossas feridas&#8221;. 4. An\u00fancio do evangelho e cura dos doentes. Os doentes s\u00e3o os primeiros a beneficiar do minist\u00e9rio de Jesus. Segundo o evangelista S\u00e3o Marcos, Jesus come\u00e7a o seu minist\u00e9rio pela sinagoga de Cafarna\u00fam e a\u00ed realiza a primeira cura, a de um homem que tinha um esp\u00edrito impuro. Sai da Sinagoga e vai para a casa de Pedro. Falam-lhe da sogra que est\u00e1 doente com febre e Jesus aproxima-se dela, pega-lhe pela m\u00e3o e f\u00e1-la levantar. No outro dia curou muitas pessoas. Vemos, assim, como Jesus se identifica com as nossas dores, se aproxima dos que sofrem e os liberta, tanto no espa\u00e7o religioso da Sinagoga como no espa\u00e7o quotidiano da habita\u00e7\u00e3o. A prega\u00e7\u00e3o do evangelho do Reino \u00e9 acompanhada de curas, entendidas como sinais que manifestam a liberta\u00e7\u00e3o do mal, das doen\u00e7as do esp\u00edrito e do corpo. O sofrimento e a doen\u00e7a abalam a vida normal, p\u00f5e \u00e0 prova a pessoa na sua totalidade, questionam a f\u00e9 e a vida. o\u00adnde est\u00e1 Deus? Porque permite esta prova? A doen\u00e7a e o sofrimento do corpo perturbam tamb\u00e9m o esp\u00edrito e a alma, provocam a sensa\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de Deus. A vida humana \u00e9 um bem global, \u00e9 um todo, integra esp\u00edrito e corpo. A plenitude da vida experimenta-se nesta unidade e harmonia espiritual, ps\u00edquica e corporal. Nesta linha, Jesus oferece a salva\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa exist\u00eancia na sua totalidade e unidade. Notamos esta globalidade da salva\u00e7\u00e3o na cura do paral\u00edtico de Cafarna\u00fam. Ele procurava a sa\u00fade corporal mas Jesus oferece tamb\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados. Perante o esc\u00e2ndalo dos fariseus, Jesus afirma:&#8221; Para que saibais que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, Eu te ordeno, disse ao paral\u00edtico, levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa&#8221; Mc 2, 10-11). Jesus considera que o pecado, porque afasta de Deus, verdadeira fonte da vida, constitui uma fragilidade pessoal. N\u00e3o significa que a doen\u00e7a de cada um seja castigo de um pecado pessoal, mas que o pecado gera o desequil\u00edbrio e o conflito. S\u00f3 Deus pode perdoar o pecado e restituir a harmonia, a beleza e a santidade \u00e0 exist\u00eancia humana de cada pessoa.  A resposta de Cristo ao pecado e \u00e0 doen\u00e7a, devemos entend\u00ea-la no contexto global do mist\u00e9rio pascal, na sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas num ou outro epis\u00f3dio isolado. N\u00e3o s\u00f3 sofreu connosco e por n\u00f3s. Ressuscitou e venceu a morte num n\u00edvel diferente dos nossos horizontes. A Igreja tem o seu centro na P\u00e1scoa em que celebra o triunfo de Cristo sobre o pecado e a morte. O j\u00fabilo da vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o prolonga-se por todos os tempos e estende-se \u00e0 vida de toda a humanidade. A vit\u00f3ria da vida \u00e9 mais forte do que a escurid\u00e3o da morte! Jesus Ressuscitado comunica aos seus disc\u00edpulos, como primeiro dom pascal, o Esp\u00edrito Santo como fonte de perd\u00e3o dos pecados e da paz (Jo 20,21-23). O Cordeiro de Deus que pela sua entrega na cruz tirou os pecados do mundo e reconciliou o mundo consigo, oferece, deste modo, a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o a todos os que acreditarem, se arrependerem e receberem o perd\u00e3o dos pecados.  Jesus, pela sua vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, apresentou o sofrimento como uma porta aberta para a vida nova e plena no seio de Deus. Deste modo, n\u00e3o s\u00f3 curou os doentes como sofreu e fez do sofrimento um caminho de reden\u00e7\u00e3o, dando-lhe sentido. A resposta de Deus nem sempre corresponde aos nossos pedidos de cura. As doen\u00e7as seguem frequentemente o seu desenvolvimento normal e os nossos pedidos de cura podem parecer sem resposta. A resposta de Deus pode seguir numa direc\u00e7\u00e3o diferente, concedendo fortaleza e abertura para o encontro com Ele. Neste sentido, o sofrimento torna-se um meio de purifica\u00e7\u00e3o e de reden\u00e7\u00e3o. Jesus Cristo ensina-nos, assim, que a vida \u00e9 peregrina\u00e7\u00e3o para a eternidade, \u00e9 dom e entrega at\u00e9 ao fim e que esta entrega se realiza totalmente na passagem dif\u00edcil da morte. A doen\u00e7a do Papa Jo\u00e3o Paulo II exemplificou, no nosso tempo, esta doa\u00e7\u00e3o total no amor, p\u00f4s em pr\u00e1tica o que ele havia escrito na Carta Apost\u00f3lica &#8220;Salvifici doloris&#8221; &#8220;O sofrimento est\u00e1 presente no mundo para desencadear o amor, para fazer nascer obras de amor para com o pr\u00f3ximo, para transformar toda a civiliza\u00e7\u00e3o humana na civiliza\u00e7\u00e3o do amor&#8221; (S D 30). A forma como encarou o sofrimento e o mostrou sem complexos fez com que muitos se tornassem mais atentos ao sofrimento humano, f\u00edsico e espiritual, dando ao sofrimento dignidade e valor, como afirmou o Papa Bento XVI no 1\u00ba anivers\u00e1rio da morte de Jo\u00e3o Paulo II. &#8220;\u00d3 Cristo, nosso \u00fanico mediador Tu \u00e9s-nos necess\u00e1rio para entrar em comunh\u00e3o com Deus Pai. Tu \u00e9s-nos necess\u00e1rio, \u00f3 \u00fanico verdadeiro Mestre das verdades escondidas da vida, para conhecer o nosso ser, o nosso destino e o caminho para o realizar. Tu \u00e9s-nos necess\u00e1rio, \u00f3 grande paciente das nossas dores, para conhecer o sentido do sofrimento e para dar a este um valor de expia\u00e7\u00e3o e de reden\u00e7\u00e3o. Tu \u00e9s-nos necess\u00e1rio, \u00f3 Cristo, \u00f3 Senhor, \u00f3 Deus connosco&#8221; (Paulo VI). 5. Igreja sinal e instrumento de cura. &#8220;Jesus percorria as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, proclamando o evangelho do reino e curando todas as enfermidades e doen\u00e7as. Contemplando a multid\u00e3o encheu-se de compaix\u00e3o por ela, pois estava cansada e abatida como ovelhas sem pastor. Disse ent\u00e3o aos seus disc\u00edpulos: &#8220;A messe \u00e9 grande mas os trabalhadores s\u00e3o poucos. Rogai portanto ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe&#8221;. Jesus chamou ent\u00e3o os doze disc\u00edpulos e deu-lhes poder de expulsar os esp\u00edritos malignos e de curar todas as enfermidades e doen\u00e7as&#8221; (Mt 9, 35-38). Este trecho do evangelho resume a ac\u00e7\u00e3o de Jesus e, em poucas palavras, confirma o que atr\u00e1s dissemos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o an\u00fancio do evangelho e a cura dos doentes, bem como sobre a globalidade da doen\u00e7a e da cura. Manifesta tamb\u00e9m como Jesus escolhe os doze, fundamento e animadores da Sua Igreja, para continuar a mesma miss\u00e3o e o mesmo estilo de proximidade e dedica\u00e7\u00e3o aos que sofrem na alma ou no corpo. De facto, os primeiros evangelizadores pregavam o evangelho e curavam os doentes. Os sinais das curas realizadas apoiavam e davam credibilidade \u00e0 prega\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos. Na realiza\u00e7\u00e3o desta miss\u00e3o compreendemos o lugar importante dos sacramentos da cura na miss\u00e3o da Igreja. A Reconcilia\u00e7\u00e3o e a Santa Un\u00e7\u00e3o s\u00e3o momentos em que a gra\u00e7a redentora de Jesus toca a vida das pessoas em ordem ao seu restabelecimento. Estes dois sacramentos, por\u00e9m, actualmente, parecem n\u00e3o revestir grande significado na vida de muitos fi\u00e9is nem conhecer grande renova\u00e7\u00e3o na forma como s\u00e3o preparados e celebrados. De facto, tanto a pr\u00e1tica da Confiss\u00e3o como a necessidade da Santa Un\u00e7\u00e3o parecem ter diminu\u00eddo. As grandes filas de espera para as confiss\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o se verificam hoje como no passado. Por outro lado, a preocupa\u00e7\u00e3o de chamar o sacerdote para celebrar a Santa Un\u00e7\u00e3o em momentos de doen\u00e7a grave n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vis\u00edvel. No entanto, a realidade que analis\u00e1mos quanto \u00e0s feridas que hoje causam sofrimento a tantas pessoas e a rela\u00e7\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o com a cura dos doentes levam-nos a concluir a necessidade de descobrir o lugar destes sacramentos na vida crist\u00e3 e dar-lhes, na ac\u00e7\u00e3o pastoral, o lugar que lhes pertence e que os fi\u00e9is necessitam. 5.1 Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. A diminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de penitentes leva-nos a colocar algumas quest\u00f5es que podem explicar esta quebra. Seriam verdadeiramente penitentes todos os que, d\u00e9cadas atr\u00e1s, se confessavam frequentemente e por h\u00e1bito? Ou cumpriam um rito sem compromisso algum na atitude de convers\u00e3o? Por outro lado, diluiu-se o sentido de pecado e de culpa perante Deus e a comunidade. Provavelmente porque diminuiu tamb\u00e9m a consci\u00eancia da exig\u00eancia do ideal crist\u00e3o da santidade e da responsabilidade da vida perante Deus. Sem refer\u00eancia clara ao ideal baptismal e eucar\u00edstico, o sentido de pecado esbate-se. No entanto, as pessoas experimentam sentimentos de culpa, talvez mais como frustra\u00e7\u00e3o ou incapacidade de alcan\u00e7ar expectativas criadas por uma idealiza\u00e7\u00e3o irrealista da vida do que em rela\u00e7\u00e3o a Deus.  Mas os disc\u00edpulos de Cristo precisam da gra\u00e7a deste sacramento. Precisam de se converter a Deus de viver para Ele em vez de viver para o seu ego\u00edsmo, de entregar a sua vida ao evangelho em vez de a guardar para si mesmos. Precisam do di\u00e1logo libertador com o ministro do sacramento e de experimentar o sinal vis\u00edvel e eficaz da miseric\u00f3rdia de Deus que nos acolhe e d\u00e1 a m\u00e3o para nos levantarmos e recome\u00e7armos de novo o caminho para a luz e para a beleza da santidade. Precisam de se reconciliar com os irm\u00e3os, com a comunidade, com a vida e consigo pr\u00f3prios. Em ordem a renovar este sacramento, na perspectiva do Conc\u00edlio Vaticano II, \u00e9 necess\u00e1rio, antes de mais, redescobrir o universo penitencial e situar nele o sacramento. N\u00e3o h\u00e1 vida crist\u00e3 sem penit\u00eancia, ou seja, sem convers\u00e3o a Deus e ren\u00fancia a si mesmo, sem esfor\u00e7o por superar as resist\u00eancias ao caminho para a vida nova da santidade. Nesse sentido, a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento deve ser situado num itiner\u00e1rio de convers\u00e3o com uma prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e algumas propostas de convers\u00e3o consequentes. Tamb\u00e9m a forma de celebrar o sacramento precisa de adoptar uma estrutura sacramental, com acolhimento, sauda\u00e7\u00e3o, ajuda discreta e oportuna no exame de consci\u00eancia, aconselhamento, absolvi\u00e7\u00e3o e despedida. Por outro lado, a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria precisa de continuar a valorizar-se e alagar-se a todas as comunidades. 5.2 Sacramento da Un\u00e7\u00e3o dos doentes. A Igreja e os fi\u00e9is sentiram sempre como um mandato do Senhor a visita e ora\u00e7\u00e3o pelos doentes em ordem a alcan\u00e7arem a fortaleza perante a prova do sofrimento. &#8220;A assist\u00eancia do Senhor pela for\u00e7a do Seu Esp\u00edrito, visa levar o doente \u00e0 cura da alma, mas tamb\u00e9m \u00e0 do corpo, se tal for a vontade de Deus&#8221; (CIC 1520). A pastoral dos doentes, de um modo geral, funciona nas comunidades crist\u00e3s com o empenho de muitos fi\u00e9is, Sacerdotes, Di\u00e1conos, Ministros da Eucaristia, bem como pessoas sens\u00edveis e dedicadas aos enfermos. A Un\u00e7\u00e3o dos doentes passou a ser entendida, ap\u00f3s o Conc\u00edlio, como o sacramento para confortar e recuperar os doentes e n\u00e3o apenas como prepara\u00e7\u00e3o para a morte como, anteriormente, a designa\u00e7\u00e3o de Extrema-Un\u00e7\u00e3o poderia dar a entender. \u00c9 um sacramento a receber pelos fi\u00e9is quando por doen\u00e7a ou velhice come\u00e7am a estar em risco de vida. Para os que est\u00e3o em perigo iminente, a igreja oferece o Vi\u00e1tico. No entanto, esta vis\u00e3o renovada n\u00e3o chegou ainda a todos os fi\u00e9is. Precisamos de aprofundar o conhecimento, a prepara\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica deste sacramento. O Ritual, nos ritos iniciais, recorda a cita\u00e7\u00e3o da Carta de S\u00e3o Tiago o\u00adnde s\u00e3o referidos os efeitos do sacramento: &#8220;salvar\u00e1 o doente; o Senhor o confortar\u00e1; se tiver pecados ser-lhe-\u00e3o perdoados&#8221;. Estas tr\u00eas express\u00f5es (salvar; confortar; perdoar), que nos lembram a vis\u00e3o integral da doen\u00e7a e da cura, aparecem depois confirmadas na ora\u00e7\u00e3o sacramental: &#8221; Curai pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a fraqueza deste doente, sarai as suas feridas, perdoai os seus pecados, tirai-lhe todas as dores da alma e do corpo, e restitu\u00ed-lhe, por piedade, a plena sa\u00fade interior e exterior&#8221;. Nem sempre, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, demos suficiente import\u00e2ncia \u00e0 dimens\u00e3o curativa deste sacramento. T\u00eam sido outros movimentos, muitos fora da comunh\u00e3o eclesial, que t\u00eam real\u00e7ado, por vezes com abuso, o dom da cura. A forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is para uma compreens\u00e3o e viv\u00eancia rectas da Un\u00e7\u00e3o dos doentes, dever\u00e1 real\u00e7ar a ac\u00e7\u00e3o global do sacramento, sem lhe atribuir um efeito m\u00e1gico, pois nem toda a cura espiritual \u00e9 cura f\u00edsica. O Sacramento da Un\u00e7\u00e3o \u00e9 um contacto sacramental com Jesus Cristo Bom Pastor que anuncia o evangelho e cura os doentes, infunde confian\u00e7a, paz e fortaleza para enfrentar a doen\u00e7a e estende sobre n\u00f3s a sua m\u00e3o protectora para nos associar ao mist\u00e9rio da sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (Cf CIC 1520-1523). Os sacerdotes, (bispos e presb\u00edteros), ministros dos sacramentos da cura, s\u00e3o convidados a revestir a mesma atitude de compaix\u00e3o de Jesus: &#8221; Contemplando a multid\u00e3o encheu-se de compaix\u00e3o por ela, pois estava cansada e abatida como ovelhas sem pastor&#8221;. Ter compaix\u00e3o \u00e9 tornar-se pr\u00f3ximo e partilhar o sofrimento das pessoas, \u00e9 acolher e dedicar-se aos sofredores. &#8220;O ministro \u00e9 chamado a reconhecer os sofrimentos do seu tempo no seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o e a tornar esse reconhecimento no ponto de partida para o seu minist\u00e9rio&#8221; (H Nouwen, em &#8220;O Curador Ferido&#8221;,Paulinas 2001, pg 10)) Toda a comunidade crist\u00e3, no conjunto de todos os fi\u00e9is, recebe a miss\u00e3o de testemunhar o minist\u00e9rio da cura. Todos os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o seus continuadores, chamados a colaborar na reconcilia\u00e7\u00e3o e na cura das pessoas pelo cuidado dos doentes, pela pastoral da sa\u00fade, pela compaix\u00e3o e pela ora\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s do amor e da ajuda fraternas, do acolhimento atento e da visita discreta aos que sofrem, os fi\u00e9is podem irradiar \u00e0 sua volta a esperan\u00e7a, a harmonia, a serenidade. Podem igualmente participar na celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria dos sacramentos. Desta forma, a comunidade evangeliza preparando para o sacramento e prolongando-o na vida. 5.3. Pastoral das ex\u00e9quias e das pessoas em luto  Um dos momentos de grande sofrimento, hoje, \u00e9 a dor do luto que a partida de pessoas queridas para a eternidade, sobretudo em circunst\u00e2ncias tr\u00e1gicas e em idade activa, deixa nos familiares e amigos. \u00c9 uma ferida que marca e permanece na vida dos que ficam. N\u00e3o podemos iludir este momento de sofrimento. Para muitas pessoas, designadamente jovens, \u00e9 uma altura de interroga\u00e7\u00e3o sobre o mist\u00e9rio da vida e da morte. A celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias \u00e9 o espa\u00e7o privilegiado em que a Igreja pode consolar com o conforto da f\u00e9 as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de luto, oferecer uma vis\u00e3o crist\u00e3 da morte e da vida e orar por aqueles que partiram, abrindo a exist\u00eancia terrena \u00e0 eternidade. Na verdade, a liturgia exequial celebrada com dignidade, solenidade e serenidade, participada activamente pela comunidade e na medida do poss\u00edvel pelos familiares, apazigua o sofrimento, conforta os presentes e ilumina a morte terrena com a esperan\u00e7a da eternidade. \u00c9 um momento que requer da parte dos ministros (bispos, presb\u00edteros, di\u00e1conos, bem como religiosos ou leigos investidos nesta miss\u00e3o) que, em nome da Igreja, presidem ou interv\u00eam na celebra\u00e7\u00e3o, uma grande sensibilidade, acolhimento e solidariedade. Atrav\u00e9s destes representantes, \u00e9 Deus que se torna pr\u00f3ximo dos cora\u00e7\u00f5es atribulados. Uma proximidade n\u00e3o apenas f\u00edsica mas tamb\u00e9m humana e espiritual traduzida em sentimentos e atitudes de compreens\u00e3o e compaix\u00e3o. Na liturgia exequial, al\u00e9m da dignidade dos ritos, da Palavra, dos c\u00e2nticos e do ambiente de interioridade, merece tamb\u00e9m uma prepara\u00e7\u00e3o cuidada, pela aten\u00e7\u00e3o com que \u00e9 seguida pelos presentes, a homilia. Alicer\u00e7ada nas leituras pode proporcionar aos presentes uma interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da f\u00e9 da vida do defunto e da vida humana em geral e transmitir a convic\u00e7\u00e3o de que a vida n\u00e3o acaba mas apenas se transforma. Nesta linha, podemos considerar exemplar a homilia do ent\u00e3o cardeal Ratzinger nas ex\u00e9quias do Papa Jo\u00e3o Paulo II. Interpretou, de facto, a vida deste grande Papa \u00e0 luz da Palavra de Deus e afirmou a f\u00e9 na vida para al\u00e9m da morte: &#8220;Segue-me&#8221;, esta palavra lapid\u00e1ria de Cristo pode ser considerada a chave para compreender a mensagem que vem da vida do nosso saudoso e amado Papa Jo\u00e3o Paulo II (\u2026). [Ele, que se mostrava] na janela do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico, agora est\u00e1 na janela da casa do Pai, v\u00ea-nos e aben\u00e7oa-nos.&#8221;. A celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias ser\u00e1 mais rica se n\u00e3o se reduzir ao momento pontual da encomenda\u00e7\u00e3o dos que partem mas integrar tamb\u00e9m uma prepara\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o. A vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o pelos defuntos, orientada por um representante da Igreja devidamente preparado, \u00e9 um caminho para enriquecer crist\u00e3mente a celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias. Nesta linha precisamos de preparar animadores para acompanhar as pessoas em luto, orientar as vig\u00edlias de ora\u00e7\u00e3o e, eventualmente, presidir \u00e0s ex\u00e9quias. Nossa Senhora que acompanhou Jesus no doloroso caminho do Calv\u00e1rio e permaneceu silenciosa junto \u00e0 cruz como presen\u00e7a reconfortante, nos ensine a ser uma Igreja atenta e solid\u00e1ria com todos os que sofrem, nos obtenha a gra\u00e7a da cura das nossas feridas e nos console nas nossas afli\u00e7\u00f5es.  Santar\u00e9m, Festa da Natividade de Nossa Senhora, 8 de Setembro de 2006. D. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do bispo de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[98,120,295,144,168,180,206,237,246,275,277,285,294,314],"class_list":["post-20123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-acolitos","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-santarem","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-pastoral-da-saude","tag-patrimonio","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}