{"id":201145,"date":"2021-03-05T17:09:28","date_gmt":"2021-03-05T17:09:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=201145"},"modified":"2021-03-05T17:09:28","modified_gmt":"2021-03-05T17:09:28","slug":"lusofonias-o-giro-das-sete-igrejas-de-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-o-giro-das-sete-igrejas-de-roma\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; O \u2018Giro\u2019 das Sete Igrejas de Roma"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-201149\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Lusofonias-SeteIgrejasRoma-5-3-2021-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2018Era uma vez, em 1553, um homem chamado Filipe de N\u00e9ry\u2026 assim poderia come\u00e7ar a hist\u00f3ria da Peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0s Sete Igrejas de Roma, que marca a Quaresma desta Cidade Eterna.<\/p>\n<p>Era domingo (o II da Quaresma) e fazia bom tempo. Ap\u00f3s a Missa, quatro Espiritanos, de mochila \u00e0s costas, desceram at\u00e9 \u00e0 pra\u00e7a de S. Pedro para iniciar o \u2018Giro\u2019: fui acompanhado pelo P. Zacharie N\u2019Dione (Senegal\u00eas), o Irm\u00e3o Marc Tyrant (franc\u00eas) e o P. Alain Mayama (Congol\u00eas). N\u00e3o precisamos de app\u2019s de telem\u00f3vel porque os cerca de 27 kms da peregrina\u00e7\u00e3o estavam bem registados na cabe\u00e7a do Irm\u00e3o Marc que, desde 2013, faz com regularidade este \u2018exerc\u00edcio quaresmal\u2019. Com um \u2018guia de luxo\u2019, ultrapassamos as muralhas da cidade e avan\u00e7amos para a segunda Igreja, a Bas\u00edlica de S. Paulo fora dos Muros, constru\u00edda sobre o lugar onde ter\u00e1 sido morto este mission\u00e1rio de elite. Num longo percurso, come\u00e7amos por passar junto \u00e0 pris\u00e3o onde, no primeiro ano de pontificado, o Papa Francisco lavou os p\u00e9s a uma reclusa em Quinta-Feira Santa. Depois, atravessando as ruas estreitas do Trastevere, paramos para uma curta ora\u00e7\u00e3o na Igreja de Santa Maria, aos cuidados pastorais da Comunidade de Santo Eg\u00eddio. Atravessamos o rio, chegamos a S. Paulo, na Via Ostiense. Ali paramos e rezamos, como o far\u00edamos em todas as Igrejas.<\/p>\n<p>O \u2018Giro\u2019 continuou atrav\u00e9s de um percurso antigo que se chama mesmo \u2018Via delle Sete Chiese\u2019, para que n\u00e3o restassem d\u00favidas. Um longo caminho, quase sempre em contexto rural, passando por tr\u00eas das Catacumbas mais famosas: Santa Domitilla, S. Sebasti\u00e3o e S. Calisto. Estes \u2018cemit\u00e9rios romanos\u2019 s\u00e3o s\u00edmbolo de resist\u00eancia e de coragem das primeiras comunidades crist\u00e3s e, por isso, locais de visita e peregrina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para quem vem a Roma. Ao lado das Catacumbas de S. Sebasti\u00e3o est\u00e1 a 3\u00aa Igreja do \u2018Giro\u2019, dedicada a este santo que foi martirizado a golpe de flechas.<\/p>\n<p>Percorrer a Via Appia Antiga \u00e9 miss\u00e3o arriscada, porque ela \u00e9 muito estreita e tem muitos carros a circular. Passamos junto \u00e0 pequena Igreja do \u2018Quo Vadis\u2019 onde, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, S. Pedro foi questionado sobre as raz\u00f5es da fuga de Roma e voltou atr\u00e1s, sendo martirizado com outros crist\u00e3os. Chegamos \u00e0 quarta Igreja, a de S. Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, catedral da Diocese de Roma<\/p>\n<p>O calor apertava, os m\u00fasculos do\u00edam e eram 14h e tal quando par\u00e1mos para agarrar uns bocados de pizza e avan\u00e7ar para a bas\u00edlica da Santa Cruz de Jerusal\u00e9m. Ali est\u00e3o, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, bocados da cruz onde Cristo morreu, bem como outras rel\u00edquias ligadas \u00e1 Paix\u00e3o. Paramos, rezamos e continuamos o caminho que nos obrigou a passar no grande cemit\u00e9rio de Roma \u2018Al Verano\u2019. Ali ao lado est\u00e1 a sexta bas\u00edlica, dedicada ao m\u00e1rtir S. Louren\u00e7o que morreu queimado, torturado pelo fogo.<\/p>\n<p>A \u00faltima etapa levou-nos at\u00e9 Santa Maria Maior, bas\u00edlica que tem o \u00edcone da Salvadora do povo Romano. Antes e depois de cada viagem pastoral, os Papas v\u00eam ali confiar-se \u00e0 M\u00e3e. N\u00f3s, como peregrinos, tamb\u00e9m o fizemos.<\/p>\n<p>Mas voltemos \u00e0 hist\u00f3ria. No long\u00ednquo s\u00e9culo XVI, s\u00f3 os ricos podiam peregrinar. S. Filipe de N\u00e9ry pensou num esquema que permitisse aos pobres fazer esta experi\u00eancia de f\u00e9 e de encontro com os outros crist\u00e3os. Naquele tempo, os pobres n\u00e3o tinham liberdade, n\u00e3o tinham dinheiro, trabalhavam noite e dia sem parar. Ora, S. Filipe, ao propor dois dias de peregrina\u00e7\u00e3o para os mais pobres, \u2018obrigava\u2019 os senhores e dar dois dias de f\u00e9rias aos seus trabalhadores, por raz\u00f5es de f\u00e9. Al\u00e9m de disso, Roma era uma cidade de maus ares, de t\u00e3o polu\u00edda que estava. Esta peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0s ra\u00edzes da F\u00e9 crist\u00e3, permitia aos mais pobres passear pelo campo, descansar, rezar e confraternizar. Os senhores sentiam-se ainda obrigados a dar alimentos para os picnics que se faziam durante esta \u2018peregrina\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u2019 que se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o muito querida dos romanos, abrangida pela indulg\u00eancia plen\u00e1ria. Os tempos mudaram, mas estes caminhos continuam cheios de peregrinos.<\/p>\n<p>Peregrinar \u00e9 rezar com os p\u00e9s. Estes quatro Espiritanos sentem-se peregrinos. O Irm\u00e3o Marc Tyrant, m\u00e9dico, faz este \u2018Giro\u2019 desde 2013, tendo-o come\u00e7ado com o P. Jos\u00e9 Manuel Saben\u00e7a, grande devoto deste caminho. O P. Alain Mayama, muitas vezes peregrinou a Linzolo, uma das primeiras Miss\u00f5es dos Espiritanos no Congo Brazaville, a 25 kms da capital. O P. Zacharie, percorreu v\u00e1rias vezes a p\u00e9 os 60 kms entre Dakar e Popemguine, bem como os 150 kms entre Conacri e Boffa, centro de Peregrina\u00e7\u00f5es desde 1877.<\/p>\n<p>Sete \u00e9 um n\u00famero de perfei\u00e7\u00e3o. Visitar, a p\u00e9, estas sete bas\u00edlicas em tempo de Quaresma deve traduzir a vontade dos peregrinos serem mais santos, inspirados por Maria, Pedro, Paulo, Jo\u00e3o Baptista, Jo\u00e3o Evangelista, Louren\u00e7o e Sebasti\u00e3o\u2026e todos os outros cujas vidas s\u00e3o lembradas \u00e0 passagem pelas catacumbas, esse enorme s\u00edmbolo de uma f\u00e9 \u00e0 prova de tudo.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-201145-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/lusofonias-giroseteIgrejas-5-3-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/lusofonias-giroseteIgrejas-5-3-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/lusofonias-giroseteIgrejas-5-3-2021.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em 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