{"id":20107,"date":"2006-09-12T12:02:51","date_gmt":"2006-09-12T12:02:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/12\/descobrir-a-beleza-e-a-alegria-da-vocacao-crista\/"},"modified":"2006-09-12T12:02:51","modified_gmt":"2006-09-12T12:02:51","slug":"descobrir-a-beleza-e-a-alegria-da-vocacao-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/descobrir-a-beleza-e-a-alegria-da-vocacao-crista\/","title":{"rendered":"<i>Descobrir a beleza e a alegria da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral de D. Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Leiria-F\u00e1tima <!--more--> Car\u00edssimos diocesanos, irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor:  Antes de mais quero renovar a sauda\u00e7\u00e3o fraterna e afectuosa que vos dirigi na minha tomada de posse, particularmente aos doentes, aos jovens e \u00e0s crian\u00e7as: \u201cO Deus da esperan\u00e7a vos encha de toda a alegria e paz na f\u00e9\u201d (Rom 15, 13). Agrade\u00e7o, mais uma vez, o caloroso acolhimento com que me recebestes e que continuo a experimentar nas visitas \u00e0s par\u00f3quias, como tamb\u00e9m as muitas cartas recebidas, testemunhos sinceros da vossa simpatia e amizade. A todos e a cada um, o meu muito obrigado! \tNa primeira sauda\u00e7\u00e3o que vos fiz chegar a quando da minha nomea\u00e7\u00e3o, apresentei-me a v\u00f3s com o lema do meu minist\u00e9rio \u201cservidor da vossa alegria\u201d. Esta colabora\u00e7\u00e3o na vossa alegria \u2013 que \u00e9 a alegria do Evangelho \u2013 leva-me a escrever-vos esta carta pastoral para vos ajudar a contemplar, com os olhos cheios de deslumbramento e o cora\u00e7\u00e3o cheio de gratid\u00e3o, a beleza e a alegria da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A raz\u00e3o da carta \u00e9 o in\u00edcio do ano pastoral 2006-2007 que \u00e9 dedicado \u00e0 Pastoral das Voca\u00e7\u00f5es na Igreja, com acento particular nas voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio, sob o lema b\u00edblico: \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s&#8230; fui Eu que vos escolhi\u201d (Jo 15, 16). \tO tema situa-se na continuidade do ano transacto dedicado ao acolhimento, a partir da frase de Jesus \u00e0 Samaritana: \u201cSe conhecesses o dom de Deus&#8230;\u201d (Jo 4, 10). Esta palavra de Jesus \u00e9 um convite a ir mais al\u00e9m de n\u00f3s mesmos, a encontrar o melhor de n\u00f3s pr\u00f3prios, acolhendo o dom de Deus que \u00e9 Jesus Cristo e a vida nova e bela que Ele nos oferece. Trata-se pois de cada um procurar compreender-se a si mesmo, \u00e0 sua vida e ao seu projecto de vida \u00e0 luz de Jesus Cristo: a que me chama o Senhor? Qual \u00e9 o dom da minha voca\u00e7\u00e3o dentro do grande projecto da salva\u00e7\u00e3o de Deus para os homens? Quando se perde isto do horizonte surge a crise de voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida matrimonial, ao sacerd\u00f3cio e \u00e0 vida religiosa que hoje sentimos de modo preocupante.   <b>1. Novo contexto vocacional hoje<\/b> \tA crise das voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio ou \u00e0 vida religiosa n\u00e3o pode ser compreendida de um modo isolado do contexto cultural da nossa \u00e9poca nem do contexto da viv\u00eancia da f\u00e9 nas nossas comunidades. \t\u00c9 antes de mais uma crise cultural. Hoje sente-se a falta de uma \u201ccultura vocacional\u201d que se reflecte em v\u00e1rios \u00e2mbitos: crise da voca\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f3nio, \u00e0 vida pol\u00edtica, \u00e0 vida sindical, \u00e0 vida associativa. Isto \u00e9 derivado da cultura reinante da incerteza e da confus\u00e3o causada pelo relativismo e pelo vazio de ideais, de valores, de refer\u00eancias e modelos fortes. Acresce ainda a cultura da distrac\u00e7\u00e3o, cada vez mais invasiva e evasiva, que perde de vista e at\u00e9 sufoca as interroga\u00e7\u00f5es s\u00e9rias acerca do sentido da vida. Mais, sofre-se hoje de uma orfandade educativa nas fam\u00edlias e nos centros de educa\u00e7\u00e3o. Quantos abortos vocacionais \u2013 que impedem o desabrochar da semente da voca\u00e7\u00e3o \u2013 por causa do vazio educativo! \tTodo este clima suscita e alimenta a cultura da indecis\u00e3o: os jovens t\u00eam receio e medo de tomar op\u00e7\u00f5es e assumir compromissos fortes, exigentes e duradoiros. Basta pensar na actual crise da op\u00e7\u00e3o matrimonial que, a meu ver, n\u00e3o \u00e9 menos grave do que a crise das voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio ou de consagra\u00e7\u00e3o. \u00c9 dram\u00e1tico tudo isto que leva um jovem a privar-se de uma das realidades mais belas da vida: formar uma fam\u00edlia com um v\u00ednculo de amor uno, fiel e para sempre.  \tEsta crise cultural repercute-se tamb\u00e9m na Igreja. Em tempos de cristandade, a voca\u00e7\u00e3o, tal como a f\u00e9, despertava e transmitia-se como que por osmose ou cont\u00e1gio do ambiente crist\u00e3o das fam\u00edlias e da figura e do estatuto social do padre. Hoje, num mundo em constante mudan\u00e7a e pluralista, a voca\u00e7\u00e3o, tal como a f\u00e9, requer uma interpela\u00e7\u00e3o clara por parte da comunidade crist\u00e3 e uma op\u00e7\u00e3o consciente e madura dos destinat\u00e1rios. \tAcontece, por\u00e9m, que nas nossas comunidades crist\u00e3s reina uma amn\u00e9sia vocacional. A maior parte dos nossos crist\u00e3os pensa que a quest\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es n\u00e3o lhes diz respeito; \u00e9 assunto do bispo e dos padres. \tA crise vocacional \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, crise de viv\u00eancia e interpreta\u00e7\u00e3o banal da f\u00e9, privada de toda a beleza, frescura, encanto, paix\u00e3o, alegria e entusiasmo por Jesus Cristo e pelo evangelho, privada do sentido de responsabilidade e de doa\u00e7\u00e3o a Deus e aos outros. \tEsta reflex\u00e3o serve para compreender o contexto da crise vocacional. Mas n\u00e3o ajuda a solucion\u00e1-la dizer que acontece o mesmo na vida pol\u00edtica e sindical, nem ficar nas lamenta\u00e7\u00f5es acerca do nosso mundo. A crise representa um desafio em ordem a assumir com novo ardor a pastoral vocacional e a encontrar novos caminhos. O que aqui est\u00e1 em jogo \u00e9, sobretudo, uma experi\u00eancia de f\u00e9 que leve a descobrir a novidade e a beleza do encontro com Jesus Cristo.   <b>2. A Beleza da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/b> 2.1. \u201cE Deus viu que tudo era muito belo\u201d (Gen 1,31): Toda a vida \u00e9 voca\u00e7\u00e3o \tQuando contemplamos a nossa vida \u00e0 luz da f\u00e9 no mist\u00e9rio da Cria\u00e7\u00e3o, tomamos consci\u00eancia de que \u201cn\u00e3o somos o produto do acaso irracional e sem sentido da evolu\u00e7\u00e3o. Cada um de n\u00f3s \u00e9 fruto dum pensamento de Deus. Cada um de n\u00f3s \u00e9 querido, cada um \u00e9 amado, cada um \u00e9 necess\u00e1rio.\u201d (Bento XVI) O amor criador de Deus \u00e9 o in\u00edcio de cada voca\u00e7\u00e3o. Ele cria-nos com dons, talentos e capacidades que somos chamados a desenvolver para a nossa realiza\u00e7\u00e3o pessoal e para o aperfei\u00e7oamento do mundo. Chama-nos a colaborar com Ele no projecto criador e salvador, para tornar o mundo bom e belo. \t A vida humana n\u00e3o \u00e9 pois um acaso nem um destino cego. \u00c9 uma obra-prima do amor criador de Deus e traz inscrito dentro, em si mesma, um chamamento ao amor. N\u00e3o \u00e9 uma aventura solit\u00e1ria, mas di\u00e1logo, dom de Deus que se torna tarefa e miss\u00e3o para n\u00f3s. N\u00e3o vivemos ao acaso nem por acaso. O homem n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no mundo: nem no princ\u00edpio, nem no meio, nem no fim da vida e da hist\u00f3ria. Deus \u00e9 o seu companheiro de caminho e este caminho abre \u00e0 vida verdadeira e plena, boa, bela e feliz. Cada dia \u00e9-nos dado para responder \u00e0 nossa voca\u00e7\u00e3o de criaturas de Deus, como um modo de conceber e projectar a nossa vida. Em cada pessoa h\u00e1 um dom original de Deus que espera ser descoberto, desenvolvido para dar frutos. A busca do sentido da vida \u00e9 um eco da \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d de Deus.  2.2. \u201cFala, Senhor; o teu servo escuta\u201d (1Sam 3,10): A voca\u00e7\u00e3o como di\u00e1logo Mas Deus chama o homem n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 vida e ao seu desenvolvimento; chama-o tamb\u00e9m, de novo e sempre, na sua hist\u00f3ria a colaborar com Ele numa hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de perdi\u00e7\u00e3o, de gra\u00e7a e n\u00e3o de desgra\u00e7a, formando um povo que acolhe o dom da salva\u00e7\u00e3o. O povo de Deus \u2013 outrora Israel, hoje a Igreja \u2013 \u00e9 um povo de chamados \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, a responder e corresponder \u00e0 Palavra do Senhor. A hist\u00f3ria de Deus com os homens \u00e9 uma hist\u00f3ria de voca\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s da sua Palavra, Deus chama e envia alguns (patriarcas, profetas\u2026) a realizar determinada miss\u00e3o. Uma amostra exemplar \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o, a quem Deus chamou para dar in\u00edcio \u00e0 hist\u00f3ria particular da salva\u00e7\u00e3o, formando um povo, e a confiar somente na Palavra, acolhida na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Quando Deus chama, espera uma resposta. Isto \u00e9 claro na voca\u00e7\u00e3o de Samuel (1Sam 3), que responde com a sua disponibilidade pronta: \u201cEis-me aqui. Fala, Senhor, que o teu servo escuta\u201d. Assim a hist\u00f3ria de cada homem, embora nos apare\u00e7a como uma pequena hist\u00f3ria, \u00e9 sempre parte integrante e inconfund\u00edvel duma grande hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, que vem de longe e leva longe e que tem o seu momento culminante em Jesus Cristo.  2.3. \u201cVinde e vede\u201d (Jo 1,39): A voca\u00e7\u00e3o como encontro com Cristo De facto, em Jesus, Filho de Deus feito homem, o Deus vivo, no excesso do seu amor, entra em pessoa na nossa hist\u00f3ria, vem ao nosso encontro, aproxima-se de n\u00f3s, torna-se nosso amigo, partilha connosco o mist\u00e9rio do seu amor, para que tenhamos vida em abund\u00e2ncia, vida verdadeira, nova e eterna. Jesus traz-nos a Boa-Nova de que somos amados por Deus como filhos; e d\u00e1-nos o Esp\u00edrito Santo no qual podemos acolher Deus como Pai e os outros como irm\u00e3os. O Filho \u00e9 enviado pelo Pai para chamar os homens a esta comunh\u00e3o divina e fraterna. O convite de Deus chega at\u00e9 aos homens nas palavras, nos gestos, nos sinais de salva\u00e7\u00e3o de Jesus. N\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula ou uma doutrina que nos salva, mas a Pessoa viva de Jesus. Por isso, n\u00e3o existe uma passagem do Evangelho, um di\u00e1logo ou encontro que n\u00e3o tenha um significado vocacional: um convite \u2013 chamamento de Jesus a segui-Lo, que p\u00f5e o homem diante da interroga\u00e7\u00e3o fundamental: que quero fazer da minha vida? Qual o meu caminho? \u00c9 verdadeiramente iluminante a narra\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o dos primeiros disc\u00edpulos de Jesus no Evangelho segundo S. Jo\u00e3o 1, 35-39. O amor divino \u00e9 o acontecimento de um encontro que muda a vida, a experi\u00eancia de uma hora inesquec\u00edvel que revive, de novo e sempre, no cora\u00e7\u00e3o de quem aceita entregar-se a este amor em Jesus. \tQuando Jo\u00e3o Baptista indica Jesus como o \u201cCordeiro de Deus que tira o pecado do mundo\u201d \u2013 isto \u00e9, como Salvador do mundo \u2013, os dois (Jo\u00e3o e Andr\u00e9) n\u00e3o hesitaram em segui-Lo, sem dizer nada. E Jesus faz-lhes uma \u00fanica pergunta: \u201cQue procurais?\u201d Pode parecer uma pergunta banal, mas ela vai ao fundo da pessoa, como quem diz: o que vos move? Que anseios est\u00e3o no interior do vosso cora\u00e7\u00e3o? De que andais \u00e0 procura na vida? Que vos interessa acima de tudo? E que esperais de Mim? \u00c9 pois uma pergunta cheia de sentido, um convite a olhar-se dentro, a advertir o que h\u00e1 de mais profundo em n\u00f3s. \tPor sua vez, eles respondem com outra pergunta: \u201conde moras?\u201d que exprime o desejo de ficar com Ele. Morando juntos, convivemos, compreendemo-nos, partilhamos algo em comum, sentimo-nos da fam\u00edlia. Eles compreenderam pois que seguir Jesus \u00e9 encontrar a verdadeira morada da pr\u00f3pria vida. A resposta do Mestre \u00e9 um convite a confiar e a fazer uma experi\u00eancia de vida com Ele: \u201cvinde e vede\u201d. E assim fizeram. \u00c9 t\u00e3o grande a impress\u00e3o daquele encontro que vai marcar para sempre a sua vida, que S. Jo\u00e3o recorda a hora precisa, t\u00edpico da mem\u00f3ria de um grande amor: \u201cera a hora d\u00e9cima\u201d que, para os hebreus, significava a hora das grandes decis\u00f5es da vida. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o encontro com Algu\u00e9m, n\u00e3o com alguma coisa; \u00e9 a recorda\u00e7\u00e3o de uma hora que muda a vida quando se aceita estar com Ele e viver d\u2019Ele, reconhecendo-O como \u201cmeu Senhor e meu Deus\u201d. \u201cO encontro com Jesus abre um novo horizonte e imprime um rumo decisivo \u00e0 vida\u201d (Bento XVI), d\u00e1 origem a uma exist\u00eancia nova na comunh\u00e3o com Cristo.  2.4. \u201c\u00c9 belo estarmos aqui\u201d (Mat 17,4): A voca\u00e7\u00e3o como vida bela em Cristo A vida em comunh\u00e3o com Cristo \u00e9 uma experi\u00eancia de beleza a saborear e a testemunhar, tal como nos \u00e9 dado contemplar no mist\u00e9rio da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, no monte Tabor. \u00c9 um epis\u00f3dio misterioso, um acontecimento de revela\u00e7\u00e3o em que o Filho de Deus vivo deixa transparecer a profundidade da Sua vida divina, do Seu Amor eterno, da Sua bondade que irradia em forma de luz t\u00e3o intensa que transfigura o Seu rosto \u2013 express\u00e3o da pessoa \u2013 e as Suas vestes, s\u00edmbolo de tudo o que \u00e9 quotidiano e se desgasta. Uma experi\u00eancia t\u00e3o maravilhosa que extasia os disc\u00edpulos e leva Pedro a exclamar: \u201cSenhor, como \u00e9 belo estarmos aqui\u201d: \u00e9 belo estar contigo, contemplar a beleza do Teu rosto, pertencer a Ti, dedicarmo-nos a Ti! \tE depois escutam a voz do Pai que ilumina este acontecimento: \u201cEste \u00e9 o meu Filho muito amado: escutai-O\u201d. \u00c9 o chamamento do Pai a seguir Jesus: recebei-O, acolhei-O, ponde n\u2019Ele toda a confian\u00e7a, fazei d\u2019Ele o centro da vida, deixai-vos transfigurar por Ele. \tA Igreja v\u00ea na Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus o pr\u00f3prio caminho de transforma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia humana. Para o crist\u00e3o, \u00e9 sinal e apelo da transforma\u00e7\u00e3o baptismal: um convite a dar nova figura, novo rosto, nova beleza \u00e0 vida com Cristo que nos \u00e9 comunicada no baptismo. O baptismo \u00e9 pois o in\u00edcio de todo o caminho crist\u00e3o de ser filhos de Deus como Jesus. Por isso dizemos que a primeira e fundamental voca\u00e7\u00e3o comum a todos os crist\u00e3os \u00e9 a baptismal. Nela somos chamados \u00e0 santidade que \u00e9 a express\u00e3o da beleza espiritual e moral da nossa vida com Cristo. Ser crist\u00e3o \u00e9 um modo belo de viver a vida!  2.5. \u201cFui eu que vos escolhi\u201d (Jo 15, 16): A voca\u00e7\u00e3o como elei\u00e7\u00e3o de amor H\u00e1 ainda uma palavra muito bela de Jesus, em que Ele desvela o segredo e o sentido mais profundo e \u00faltimo da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3: \u201cn\u00e3o fostes v\u00f3s que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a v\u00f3s e vos constitu\u00ed para que vades e deis fruto e o vosso fruto permane\u00e7a\u201d. Esta frase \u00e9 pronunciada num contexto em que Jesus como que entoa uma cantata ao Amor infinito do Pai dado a conhecer e partilhado pelos disc\u00edpulos. E assim coloca o chamamento dos disc\u00edpulos no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, isto \u00e9, no des\u00edgnio do Amor eterno de Deus, que nos precede e acompanha, ao qual eles respondem pela aceita\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Sem negar a op\u00e7\u00e3o pessoal dos disc\u00edpulos, sublinha o primado da iniciativa de Cristo, reconhecido como Senhor da nossa vida. Na origem da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 est\u00e1 a iniciativa da Sua gra\u00e7a, do Seu amor, da Sua miseric\u00f3rdia, da Sua atrac\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um Amor que est\u00e1 antes da nossa resposta. A voca\u00e7\u00e3o aparece ent\u00e3o como um dom, uma elei\u00e7\u00e3o de Amor. \tEsta elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para eles, mas para a miss\u00e3o: \u201cpara que deis fruto\u201d, atrav\u00e9s da irradia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e do amor para que os homens tenham a vida eterna. Atrav\u00e9s da comunidade dos disc\u00edpulos, o Filho de Deus continuar\u00e1 a revelar-Se e a comunicar-Se ao longo da hist\u00f3ria. A nossa voca\u00e7\u00e3o tem como horizonte o mundo inteiro. O chamamento do Senhor \u00e9 pessoal e apost\u00f3lico.   <b>3. Voca\u00e7\u00e3o e voca\u00e7\u00f5es na Igreja<\/b> \tTudo o que foi dito refere-se \u00e0 voca\u00e7\u00e3o comum a todos os crist\u00e3os. O nosso ser com Cristo pelo baptismo insere-nos na comunh\u00e3o de vida \u00edntima com Deus e na comunh\u00e3o de irm\u00e3os que \u00e9 a Igreja. No baptismo est\u00e1 pois a origem da voca\u00e7\u00e3o comum de todos os fi\u00e9is crist\u00e3os. Todos somos chamados a viver a nossa exist\u00eancia humana em comunh\u00e3o com Cristo: a crescer na rela\u00e7\u00e3o filial com Deus, no amor fraterno, na vida nova segundo o Esp\u00edrito de santidade, a participar na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, a anunciar e testemunhar o Evangelho no mundo. \u00c9 uma voca\u00e7\u00e3o em ordem a realizar uma vida boa, bela e feliz com Cristo e com os outros para o mundo.  3.1. Variedade de dons e chamamentos A voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, por\u00e9m, especifica-se numa multiforme variedade. Todos os baptizados s\u00e3o alcan\u00e7ados pela luz da Transfigura\u00e7\u00e3o, pela beleza da vida nova, todos igualmente chamados a seguir o mesmo Cristo; mas cada um, de um modo pr\u00f3prio, segundo os dons e os apelos de Deus nas diversas situa\u00e7\u00f5es. \t O Esp\u00edrito Santo alimenta a vida e a miss\u00e3o da Igreja com dons, carismas e minist\u00e9rios diversos e complementares, que se configuram numa grande variedade de voca\u00e7\u00f5es. Podemos sintetiz\u00e1-las em tr\u00eas tipos: a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 vida laical, ao minist\u00e9rio ordenado e \u00e0 vida consagrada. Estas \u201cpodem-se considerar paradigm\u00e1ticas, uma vez que todas as voca\u00e7\u00f5es particulares, sob um aspecto ou outro, se inspiram ou conduzem \u00e0quelas\u2026 Todos na Igreja somos consagrados no Baptismo e na Confirma\u00e7\u00e3o; mas o minist\u00e9rio ordenado e a vida consagrada sup\u00f5em, cada qual, uma voca\u00e7\u00e3o distinta e uma forma espec\u00edfica de consagra\u00e7\u00e3o, com vista a uma miss\u00e3o particular\u201d (VC 31). \tAssim, a voca\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is leigos \u00e9 caracterizada pelo seu compromisso crist\u00e3o no mundo: na vida matrimonial, na fam\u00edlia, no trabalho, na economia, na pol\u00edtica, na educa\u00e7\u00e3o\u2026; a dos ministros ordenados (bispos, padres e di\u00e1conos) distingue-se pelo minist\u00e9rio de representar Cristo, Pastor que guia o Seu povo; a dos consagrados consiste na entrega total, de alma, cora\u00e7\u00e3o e sentimentos, a Jesus Cristo, pelo caminho da pobreza, da virgindade e da obedi\u00eancia como testemunho prof\u00e9tico e servi\u00e7o ao Reino de Deus no mundo e \u00e0 esperan\u00e7a do mundo novo, em que quem reina \u00e9 Deus \u2013 Amor. \tAs diversas voca\u00e7\u00f5es s\u00e3o compar\u00e1veis a raios da \u00fanica luz da Beleza de Cristo que resplandece no rosto da Igreja e fazem dela um jardim embelezado com as mais diversas flores. \tCada voca\u00e7\u00e3o nasce num contexto preciso e concreto: a Igreja, m\u00e3e e ber\u00e7o de voca\u00e7\u00f5es. N\u00e3o existem voca\u00e7\u00f5es de primeira ou segunda categoria. Todas v\u00eam de Deus e t\u00eam um \u00fanico objectivo: anunciar o reino de Deus na hist\u00f3ria, tornar vis\u00edvel e testemunhar o mist\u00e9rio de Cristo Salvador. Numa palavra, na comunidade crist\u00e3 h\u00e1 muitas voca\u00e7\u00f5es, mas uma \u00fanica miss\u00e3o.  3.2. Necessidade urgente de sacerdotes e consagrados Todas as voca\u00e7\u00f5es colaboram na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, Corpo de Cristo, e na obra de salva\u00e7\u00e3o. Mas hoje sente-se uma necessidade urgente de ministros ordenados e de fi\u00e9is de vida consagrada. Os sacerdotes, na continuidade do minist\u00e9rio dos Ap\u00f3stolos, servem, em nome de Cristo Pastor, a f\u00e9, o amor e a esperan\u00e7a de todos os fi\u00e9is e das comunidades crist\u00e3s, atrav\u00e9s do an\u00fancio da Palavra de Deus, da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e dos outros sacramentos, e da orienta\u00e7\u00e3o da comunidade na comunh\u00e3o fraterna. \tOs fi\u00e9is de vida consagrada, movidos pelo Esp\u00edrito Santo, tendem \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da caridade seguindo radicalmente a Cristo mediante os chamados \u201cconselhos evang\u00e9licos\u201d, dando testemunho daquele Amor \u00fanico que \u00e9 Deus e do servi\u00e7o aos irm\u00e3os em variadas express\u00f5es. S\u00e3o uma riqueza inestim\u00e1vel para a vitalidade da Igreja! \tA aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria, na actual situa\u00e7\u00e3o da nossa diocese, vai sobretudo para o minist\u00e9rio ordenado. Ele \u00e9 a garantia permanente da presen\u00e7a sacramental de Cristo nos diversos tempos e lugares, sobretudo atrav\u00e9s da Eucaristia. \u00c9 pois fundamental e indispens\u00e1vel para a vida da Igreja, da sua edifica\u00e7\u00e3o e do seu crescimento! \tNeste contexto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que deve ser reservada hoje uma singular e espec\u00edfica aten\u00e7\u00e3o \u00e0s voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. Trata-se de \u201cum problema vital para o futuro da f\u00e9 crist\u00e3\u201d, como dizia Jo\u00e3o Paulo II. Sem voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio ser\u00e1 mais dif\u00edcil o servi\u00e7o ao Evangelho e n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel uma renovada evangeliza\u00e7\u00e3o da nossa Igreja e do nosso territ\u00f3rio.   <b>4. Novo ardor da pastoral vocacional: da alegria de ser chamado \u00e0 coragem de chamar<\/b>  O problema vocacional p\u00f5e-se, em primeiro lugar, a cada fiel crist\u00e3o: a exig\u00eancia de discernir a voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que Deus nos reserva na tarefa de anunciar o Evangelho, de colaborar na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja de Cristo e na transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Isto significa n\u00e3o s\u00f3 saber o que Deus quer de n\u00f3s, mas tamb\u00e9m o compromisso de fazer o que Ele nos pede. \u00c9 uma responsabilidade pessoal que recebe aquele que \u00e9 chamado: manter sempre viva, grata e alegre a consci\u00eancia da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e dar uma resposta livre, generosa e cheia de amor a Deus que chama: \u201cEis-me aqui; envia-me!\u201d (Is 6, 8). \tMas o problema vocacional diz tamb\u00e9m respeito a toda a vida e ac\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, chamada a suscitar, discernir, acompanhar e apoiar todas as voca\u00e7\u00f5es na sua variedade e complementaridade. As voca\u00e7\u00f5es na Igreja surgem dum apelo que vem de Deus, mas que se realiza normalmente atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o humana, com uma pedagogia e metodologia pr\u00f3prias. Por isso, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio estruturar uma vasta e capilar pastoral das voca\u00e7\u00f5es, que envolva as par\u00f3quias, os centros educativos, as fam\u00edlias, suscitando uma reflex\u00e3o mais atenta sobre os valores essenciais da vida, cuja s\u00edntese decisiva est\u00e1 na resposta que cada um \u00e9 convidado a dar ao chamamento de Deus, especialmente quando este pede total doa\u00e7\u00e3o de si mesmo e das pr\u00f3pria energias \u00e0 causa do Reino de Deus\u201d (NMI, 46). \tResulta pois que a pastoral vocacional n\u00e3o \u00e9 um aspecto isolado, sectorial. Est\u00e1 vinculada \u00e0 pastoral global da comunidade crist\u00e3 e, particularmente, \u00e0 pastoral juvenil e familiar. Trata-se duma pastoral transversal e refere-se a todas as voca\u00e7\u00f5es. \tNeste momento, quero indicar apenas alguns caminhos que me parecem elementares e de f\u00e1cil concretiza\u00e7\u00e3o.  4.1. A comunidade crist\u00e3, casa e escola vocacional Suscitar voca\u00e7\u00f5es \u00e9 uma responsabilidade de todo o povo de Deus e de cada comunidade crist\u00e3. Na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cDar-vos-ei Pastores\u201d, Jo\u00e3o Paulo II insiste especialmente neste ponto de que devemos come\u00e7ar a preparar nas par\u00f3quias um terreno f\u00e9rtil para que a ac\u00e7\u00e3o de Deus se desenvolva e o Seu apelo possa ser ouvido e seguido. Para que estes primeiros passos possam ter possibilidades de sucesso \u00e9 preciso estar convicto de que todos os membros da Igreja, sem excep\u00e7\u00e3o, t\u00eam a gra\u00e7a e a responsabilidade do cuidado pelas voca\u00e7\u00f5es\u201d (n\u00ba 41). \tToda a comunidade crist\u00e3 normal deve ser, pois, por natureza, \u201ccasa e escola vocacional\u201d que faz despertar e crescer, de modo normal, as voca\u00e7\u00f5es normais a partir da f\u00e9 vivida e testemunhada como apelo. A casa evoca o ambiente vivencial; a escola evoca a aprendizagem, a forma\u00e7\u00e3o. Assim, o clima de f\u00e9, ora\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o, alegria, maturidade espiritual, caridade e testemunho faz da comunidade o terreno prop\u00edcio n\u00e3o s\u00f3 ao desabrochar de voca\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m \u00e0 cria\u00e7\u00e3o duma cultura vocacional. \t Em ordem \u00e0 consciencializa\u00e7\u00e3o das comunidades e \u00e0 sua maior corresponsabilidade nesta tarefa, pe\u00e7o ao Secretariado Diocesano da Coordena\u00e7\u00e3o Pastoral a elabora\u00e7\u00e3o de algumas catequeses que poder\u00e3o ser feitas quer nas par\u00f3quias, quer a n\u00edvel de vigararia, durante a Quaresma. \tMas, como num jogo em equipa, h\u00e1 que ter animadores. Por isso, em cada par\u00f3quia ou vigararia ser\u00e1 desej\u00e1vel a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cGrupo de Animadores Vocacionais\u201d. \u00c9 um minist\u00e9rio novo que se vai configurando dentro da comunidade, ao qual se confia o mandato da anima\u00e7\u00e3o vocacional. \t \t 4.2.\t Acompanhamento vocacional em cada idade \u00c9 preciso animar e acompanhar vocacionalmente cada idade, desde o come\u00e7o da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 at\u00e9 aos anos da juventude madura, atrav\u00e9s de v\u00e1rios itiner\u00e1rios. Em primeiro lugar, os itiner\u00e1rios da f\u00e9. Os caminhos da pastoral vocacional s\u00e3o, antes de mais, os do crescimento da f\u00e9 e dos seus dinamismos. Como nos adverte Jo\u00e3o Paulo II \u201co convite de Jesus, \u201cvinde e vede\u201d (Jo 1, 39) permanece, ainda hoje, a regra de ouro da pastoral vocacional. Trata-se de apresentar o fasc\u00ednio da Pessoa do Senhor Jesus e a beleza do dom de si \u00e0 causa do Evangelho\u201d (VC 64). Neste aspecto h\u00e1 que investir energias precisas no itiner\u00e1rio da catequese oferecendo uma leitura vocacional da vida. Tamb\u00e9m a idade do crisma poderia ser, precisamente, a \u201cidade da voca\u00e7\u00e3o\u201d para a descoberta e o testemunho do dom recebido e das diversas voca\u00e7\u00f5es, proporcionando aos crismandos o encontro com homens e mulheres crentes que vivem com coragem e alegria a sua voca\u00e7\u00e3o. \tNeste percurso de anima\u00e7\u00e3o e acompanhamento inserem-se, eficazmente, os itiner\u00e1rios vocacionais espec\u00edficos para grupos de jovens, rapazes e raparigas, que querem fazer uma reflex\u00e3o s\u00e9ria e pessoal em ordem ao discernimento da sua op\u00e7\u00e3o e projecto de vida. Trata-se dum caminho programado para um ano, com um encontro mensal de um dia ou fim-de-semana de reflex\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e partilha. \tTemos ainda o \u201cpr\u00e9-semin\u00e1rio\u201d ou \u201csemin\u00e1rio em fam\u00edlia\u201d, como itiner\u00e1rio vocacional espec\u00edfico de acompanhamento, orienta\u00e7\u00e3o e discernimento para os que se prop\u00f5em entrar para o Semin\u00e1rio Maior em ordem ao sacerd\u00f3cio. \tMenciono ainda os retiros ou exerc\u00edcios espirituais que s\u00e3o momentos especiais de gra\u00e7a para que a f\u00e9 seja personalizada, interiorizada e vivida como apelo, chamamento de Deus. \tEm todos estes percursos \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia a chamada direc\u00e7\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o espiritual. \u00c9 uma forma privilegiada de acompanhamento personalizado e de discernimento vocacional. De facto, cada pessoa e cada voca\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fanica, tem uma hist\u00f3ria singular e problemas e interroga\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, que ela precisa de conferir com algu\u00e9m adulto na f\u00e9, para um discernimento s\u00e9rio e maduro. \tComo podemos ver \u2013 e \u00e9 j\u00e1 um dado adquirido \u2013 uma escolha vocacional n\u00e3o amadurece, em regra, atrav\u00e9s de experi\u00eancias epis\u00f3dicas de f\u00e9, mas atrav\u00e9s de um mais ou menos longo e paciente caminho espiritual.  4.3. Testemunho vocacional contagiante Hoje, o povo crist\u00e3o \u00e9 mais sens\u00edvel \u00e0s testemunhas do que aos mestres. O que atrai os jovens n\u00e3o \u00e9 o estatuto ou papel social de uma determinada voca\u00e7\u00e3o. Eles s\u00e3o cativados pelo fasc\u00ednio do testemunho. Seguem e escolhem o que \u00e9 significativo para a sua exist\u00eancia pessoal. T\u00eam um sexto sentido para reconhecer as pessoas que s\u00e3o ponto de refer\u00eancia para uma vida de f\u00e9 e doa\u00e7\u00e3o, que d\u00e3o testemunho da beleza de uma vida que se realiza, de modo alegre e feliz, segundo o projecto de Deus. \tUma comunidade de testemunhas \u00e9 o ambiente necess\u00e1rio para a fecundidade vocacional. Todo o adulto na f\u00e9 sentir\u00e1 a alegria de ser chamado e, por sua vez, a coragem de chamar com o testemunho de vida, a palavra e a interpela\u00e7\u00e3o directa. \tAs fam\u00edlias crist\u00e3s s\u00e3o chamadas a testemunhar o amor na abertura \u00e0s necessidades da Igreja e do mundo, a promover um clima de f\u00e9 e a oferecer o ambiente pr\u00f3prio para uma saud\u00e1vel educa\u00e7\u00e3o humana, afectiva e crist\u00e3, em que os jovens aprendam a usar a liberdade e a projectar a vida segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus. \tDe modo particular, os padres e os religiosos s\u00e3o chamados a deixar transparecer, na sua vida pessoal e comunit\u00e1ria e na sua miss\u00e3o, a beleza e a alegria do sacerd\u00f3cio e da vida consagrada. Nenhum jovem poder\u00e1, de facto, sentir um chamamento, se os seus olhos n\u00e3o puderem ver ao vivo na pessoa, na vida e no minist\u00e9rio dos padres a alegria contagiante de uma algu\u00e9m que \u00e9 feliz. Neste sentido \u00e9 de aproveitar a celebra\u00e7\u00e3o de ordena\u00e7\u00f5es, profiss\u00f5es de religiosos e respectivos anivers\u00e1rios jubilares como ocasi\u00f5es preciosas de evangeliza\u00e7\u00e3o e proposta vocacional, envolvendo os jovens na prepara\u00e7\u00e3o e na celebra\u00e7\u00e3o.  4.4. Grande Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es Sabemos pela f\u00e9 que toda a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 dom de Deus como ali\u00e1s toda a vida e vitalidade da Igreja. Por isso devemos implorar tamb\u00e9m este dom. \u00c9 um compromisso que se deve estender a todo o povo de Deus e ser assumido por cada comunidade. Por este caminho passa o processo misterioso de toda a voca\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. A voca\u00e7\u00e3o nasce da invoca\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da ora\u00e7\u00e3o. \tA ora\u00e7\u00e3o, se inserida num caminho de f\u00e9, abre os cora\u00e7\u00f5es a Deus, p\u00f5e-nos \u00e0 escuta e torna-os dispon\u00edveis a qualquer solicita\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a. Feita a n\u00edvel comunit\u00e1rio, cria o ambiente prop\u00edcio para qualquer semente que o Senhor a\u00ed queira semear. Assim, a cultura da ora\u00e7\u00e3o gera tamb\u00e9m uma cultura vocacional. \tFa\u00e7o pois um sentido apelo a toda a Diocese e a todas as comunidades e movimentos para dar vida a uma \u201cGrande Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es\u201d: uma ora\u00e7\u00e3o vivida com intensa confian\u00e7a e perseveran\u00e7a, capaz de envolver pessoalmente todos os membros do povo de Deus e a realizar com oportunas modalidades comunit\u00e1rias, de modo programado e calendarizado ao longo do ano e n\u00e3o epis\u00f3dico ou pontual. \tNeste aspecto existem algumas propostas concretas: a quinta-feira vocacional com celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia ou uma hora de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a inclus\u00e3o de uma prece pelas voca\u00e7\u00f5es em todas as celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, fomentar grupos de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, podem promover-se tempos fortes de ora\u00e7\u00e3o no dia mundial das voca\u00e7\u00f5es, no dia do semin\u00e1rio, na semana vocacional paroquial. \t Em cada vigararia haver\u00e1 uma vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es que espero seja preparada por uma equipa de padres e leigos e bem participada pelos fi\u00e9is.  4.5. Servi\u00e7os de apoio e dinamiza\u00e7\u00e3o Sendo a pastoral vocacional algo que diz respeito a todo o povo de Deus, todavia s\u00e3o necess\u00e1rios servi\u00e7os de apoio e anima\u00e7\u00e3o como o Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional, que ao longo deste ano nos propomos reactivar. \u00c9 um organismo de comunh\u00e3o e instrumento ao servi\u00e7o da pastoral vocacional na Diocese. Nele devem estar representadas todas as voca\u00e7\u00f5es desde os esposos aos consagrados. Compete-lhe promover itiner\u00e1rios vocacionais espec\u00edficos e coordenar as iniciativas de pastoral vocacional existentes na Diocese; formar os animadores vocacionais e cuidar que no povo de Deus se crie uma cultura vocacional; participar na elabora\u00e7\u00e3o do programa pastoral diocesano e colaborar particularmente com a pastoral familiar e juvenil. \tQuero aqui recordar que todos os sectores da pastoral diocesana s\u00e3o chamados a terem presente a dimens\u00e3o vocacional. Pe\u00e7o pois a colabora\u00e7\u00e3o cordial de todos em esp\u00edrito de comunh\u00e3o.  <b>5. A v\u00f3s jovens: levantai-vos e n\u00e3o tenhais medo!<\/b> \tA v\u00f3s jovens reservo uma palavra amiga de encorajamento. Sei como \u00e9 dif\u00edcil a um jovem orientar-se e orientar a pr\u00f3pria vida em sentido diverso e melhor, segundo o projecto de Deus, neste mundo que se assemelha a uma grande feira em que s\u00e3o oferecidos os mais variados projectos e modelos, cada qual na embalagem mais sedutora. Quero dizer-vos, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, que em Jesus Cristo encontramos tudo o que torna a vida verdadeira, digna, livre, nobre, grande e bela. N\u00e3o vos deixeis cair na indiferen\u00e7a, na superficialidade e na mediocridade de vida.  \tProcurai dar \u00e0 vossa vida um projecto belo. Se, no mais \u00edntimo, sentirdes o chamamento do Senhor ao sacerd\u00f3cio ou \u00e0 vida religiosa, sede generosos, n\u00e3o o recuseis! Cultivai os anseios pr\u00f3prios da vossa idade, mas n\u00e3o fecheis o cora\u00e7\u00e3o aos apelos de Deus. E se vos assaltar o temor, ouvi a palavra de encorajamento de Cristo aos ap\u00f3stolos ap\u00f3s a contempla\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o e que fa\u00e7o minha: \u201clevantai-vos e n\u00e3o tenhais medo\u201d! Com palavras de Jo\u00e3o Paulo II quero expressar a minha confian\u00e7a em v\u00f3s: \u201cO terceiro mil\u00e9nio aguarda a contribui\u00e7\u00e3o de uma multid\u00e3o de jovens consagrados, para que o mundo se torne mais sereno e capaz de acolher Deus e, n\u2019Ele, todos os Seus filhos e filhas\u201d (VC 106). Ouso mesmo oferecer-vos uma breve ora\u00e7\u00e3o:  \u201cSenhor Jesus, Torna-me atento e vigilante No discernimento da vontade do Pai, Para que eu possa em tudo realizar a voca\u00e7\u00e3o Com que Ele, desde sempre, me quis e amou. Na hora da d\u00favida e da prova\u00e7\u00e3o  D\u00e1-me a certeza de n\u00e3o estar s\u00f3 Mas de saber e querer-Te pr\u00f3ximo, Para viver contigo a minha oferta, Seguindo-Te humilde e confiadamente  No servi\u00e7o da Tua Igreja e do mundo\u201d.  Para terminar, quero fazer um pedido premente a todos, irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9 desta Igreja de Leiria \u2013 F\u00e1tima: acolhei esta carta como impulso para uma medita\u00e7\u00e3o sobre a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, para uma mais intensa co-responsabilidade de todos os crist\u00e3os na promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es, sobretudo sacerdotais; fazei tudo o que seja poss\u00edvel, em particular atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, para que este ano pastoral dedicado \u00e0s voca\u00e7\u00f5es d\u00ea muitos frutos. Seria a melhor e mais bela prenda que me poderiam oferecer neste primeiro ano como vosso bispo. \tMesmo nos momentos dif\u00edceis da hist\u00f3ria, o Esp\u00edrito Santo trabalha e encoraja-nos a semear com confian\u00e7a, sobretudo no cora\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma certeza da f\u00e9. \tContemplando Maria, a cheia de gra\u00e7a, a mulher do \u201csim\u201d a Deus, compreenderemos e ajudaremos a compreender a beleza de uma exist\u00eancia entregue ao projecto de Deus. Com Ela seremos capazes de fazer op\u00e7\u00f5es vocacionais para que esta beleza se torne vida e irradie para o mundo. Sa\u00fada-vos afectuosamente, <i>+ Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Leiria \u2013 F\u00e1tima<\/i>  Festa da Natividade de Nossa Senhora, 8 de Setembro de 2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral de D. 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