{"id":20080,"date":"2006-09-11T10:36:34","date_gmt":"2006-09-11T10:36:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/11\/figuras-do-anjo-revisitadas-2\/"},"modified":"2006-09-11T10:36:34","modified_gmt":"2006-09-11T10:36:34","slug":"figuras-do-anjo-revisitadas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/figuras-do-anjo-revisitadas-2\/","title":{"rendered":"Figuras do Anjo revisitadas"},"content":{"rendered":"<p>De 10 a 12 de Outubro, Congresso Internacional no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima <!--more--> O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima celebra este ano o 90.\u00ba anivers\u00e1rio das apari\u00e7\u00f5es do Anjo aos tr\u00eas Pastorinhos de Aljustrel. De entre as diversas iniciativas que tiveram como refer\u00eancia a figura do Anjo de F\u00e1tima, mensageiro da paz e dos des\u00edgnios divinos de miseric\u00f3rdia, destaca-se o Congresso Internacional \u201cFiguras do Anjo revisitadas\u201d, que decorrer\u00e1 no Santu\u00e1rio de 10 a 12 de Outubro. As inscri\u00e7\u00f5es para participa\u00e7\u00e3o continuam abertas e devem ser efectuadas junto de: Secretariado do Congresso \u201cFiguras do Anjo revisitadas\u201d  Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, Apartado 31, 2496-908 F\u00e1tima \/ Portugal 90anos@santuario-fatima.pt \/Tel.: 249 539 600 \/Fax: 249 539 605  \u201cH\u00e1 que fazer regressar os anjos \u00e0 terra\u201d Em breve entrevista \u00e0 Sala de Imprensa do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, o Padre Isidro Lamelas, ministro provincial dos Franciscanos e membro da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica deste Congresso, fala-nos sobre esta iniciativa que pretende repensar, em registo das ci\u00eancias humanas, da arte e da teologia, o poss\u00edvel significado actual da refer\u00eancia a figuras ang\u00e9licas. <b>&#8211; Mesmo dentro da Igreja, h\u00e1 leituras diferentes sobre a realidade dos Anjos. Qual a explica\u00e7\u00e3o que encontra para estas discord\u00e2ncias?  P. Isidro Lamelas: <\/b>Esta discord\u00e2ncia \u00e9 antiga. Por\u00e9m, discord\u00e2ncia n\u00e3o significa, pelo menos neste caso, contradi\u00e7\u00e3o ou indecis\u00e3o quanto ao que foi sempre um conte\u00fado de f\u00e9 para os cat\u00f3licos. Estes, radicando a sua f\u00e9 na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, nunca duvidaram da exist\u00eancia e ac\u00e7\u00e3o dos &#8220;anjos&#8221; na vida terrena dos homens. \u00c9 verdade, por\u00e9m, que se a Igreja nunca duvidou da sua exist\u00eancia, a mesma conson\u00e2ncia j\u00e1 n\u00e3o se verificou, ao longo dos s\u00e9culos, quando se tratou de definir a identidade, natureza e fun\u00e7\u00e3o dos anjos. Houve um tempo em que pouco se sabia dos anjos, e os te\u00f3logos davam pareceres muito diversificados: S. Agostinho gostava de afirmar que a palavra &#8220;anjo&#8221; designa uma fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma subst\u00e2ncia:  officii, non naturae vocabulum e defende mesmo que \u201c\u00e9 prefer\u00edvel chamar os homens \u2018anjos\u2019&#8221;. Com o Pseudo-Dion\u00edsio e S. Tom\u00e1s parece que ficamos a saber todos os detalhes sobre esses seres espirituais que formam a hierarquia celeste.  Os m\u00faltiplos influxos culturais (M\u00e9dio Oriente, Roma, Juda\u00edsmo, Neoplatonismo) foram, por outro lado, acrescentando os pormenores que faltavam \u00e0 mentalidade popular que se encarregou de ir configurando os anjos \u00e0 imagem do imagin\u00e1rio de cada tempo. A partir daqui, o estudo da esp\u00e9cie ang\u00e9lica pode analisar-se sob diferentes perspectivas: em termos hist\u00f3ricos, por exemplo, \u00e9 pac\u00edfico que os anjos s\u00e3o muito mais antigos que o cristianismo e parecem ser patrim\u00f3nio comum das civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas. Em termos teol\u00f3gicos, \u00e9 verdade que n\u00e3o faltam hesita\u00e7\u00f5es e mesmo diverg\u00eancias no que concerne \u00e0 natureza e a organiza\u00e7\u00e3o da complexa hierarquia ang\u00e9lica. Prevaleceu, no entanto, sempre a convic\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel relativamente \u00e0 exist\u00eancia e ac\u00e7\u00e3o dos anjos. Por outro lado, a doutrina cat\u00f3lica sempre se desenvolveu e continuar\u00e1 a faz\u00ea-lo seguindo uma dupla abordagem dos seus conte\u00fados: dum lado a cren\u00e7a e piedade (que \u00e9 tamb\u00e9m sabedoria)  popular que tende a ser mais sincr\u00e9tica, do outro lado a  teologia &#8220;cient\u00edfica&#8221;, sempre mais cr\u00edtica e especulativa. Ambas as abordagens, longe de se exclu\u00edram,  s\u00e3o importantes, assumidas pela Igreja e coabitam, em diferente dosagem,  em cada crente.  Da\u00ed as diversas leituras sobre o tema dos anjos, sobre os quais continuamos a saber muito pouco, a n\u00e3o ser o essencial: eles existem, porque Deus nunca abandona a humanidade.     <b>&#8211; Como define a figura dos anjos? Qual o verdadeiro carisma do anjo, o de mensageiro? P. Isidro Lamelas: <\/b>A nossa humilde e fr\u00e1gil natureza, mesmo depois desse evento radical da vinda de Deus ao mundo na pessoa de Jesus, continua a sentir-se demasiado distante de Deus. Necessitamos, por isso, de mediadores, n\u00e3o porque Deus esteja realmente distante, mas porque n\u00e3o suportamos a sua aus\u00eancia.  Os anjos continuam a ser, sob as mais diversas configura\u00e7\u00f5es, os intermedi\u00e1rios que Deus envia em cada tempo para estar presente e intervir na nossa hist\u00f3ria, pessoal e universal. A salva\u00e7\u00e3o que Deus \u00e9 para os homens, comporta, de facto, n\u00e3o apenas uma dimens\u00e3o egoc\u00eantrica, antropoc\u00eantrica, nacional ou mesmo geoc\u00eantrica.  Deus \u00e9 Senhor de toda a cria\u00e7\u00e3o, e a sua salva\u00e7\u00e3o assume contornos c\u00f3smicos. Ora, tamb\u00e9m a este n\u00edvel, os anjos assumem, segundo a longa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e pr\u00e9-crist\u00e3, um papel fundamental, enquanto emiss\u00e1rios e servidores de Deus.  Por isso,  n\u00e3o h\u00e1 mal nenhum com continuarmos a falar do &#8220;meu anjo&#8221;, ou do &#8220;anjo de Portugal&#8221;, pois \u00e9 exactamente a multiplicidade de circunst\u00e2ncias que leva Deus a encontrar a mensagem e o mensageiro adequado. H\u00e1, por\u00e9m, uma dimens\u00e3o da angelologia que n\u00e3o conv\u00e9m menosprezar: a Igreja primitiva viu nos anjos sobretudo o modelo da verdadeira liturgia. Isto \u00e9, os anjos n\u00e3o s\u00e3o apenas mensageiros, mas s\u00e3o tamb\u00e9m os nossos porta-vozes junto de Deus, no louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e nas preces que dirigimos ao Pai do C\u00e9u.  Neles vemos j\u00e1 o melhor de n\u00f3s mesmos ou aquilo que viremos a ser junto de Deus.       <b>&#8211; O que se lhe oferece dizer sobre a figura do \u201cAnjo da Guarda\u201d, a quem ensinamos as crian\u00e7as a rezar, mesmo antes de lhes ensinarmos o Pai-nosso ou a Ave-Maria?  P. Isidro Lamelas: <\/b> \u00c9 comum ouvir-se dizer que \u201cestamos num mundo perigoso\u201d: j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 perigoso atravessar um rio ou uma ponte, mas pode ser muito arriscado entrar num avi\u00e3o ou num comboio. Os terrorismos, as guerras, os v\u00edrus&#8230; tornaram esta nossa &#8220;casa comum&#8221; muito insegura e at\u00e9 in\u00f3spita. Por outro lado,  o crescente esquecimento de Deus leva muitos dos nossos contempor\u00e2neos a sentir-se s\u00f3s ou mesmo &#8220;fora da sua casa&#8221;.  Neste contexto, compreende-se que muitos sintam a necessidade de se voltar para os anjos, ou de recuperar o seu anjo pessoal, como se fosse o pouco que resta da profunda nostalgia de Deus em que hoje vivemos.  Porque n\u00e3o aproveitar esta sede da presen\u00e7a do mensageiro divino para catequizar as pessoas, no sentido de responder a esta sua necessidade profunda de se sentirem &#8220;bem acompanhadas&#8221;? Sabemos tamb\u00e9m, como os pais se preocupam tanto para que as suas crian\u00e7as estejam \u201cem boas m\u00e3os\u201d. Sabemos tamb\u00e9m muito bem como, para o crescimento equilibrado da crian\u00e7a, \u00e9 importante esta sentir-se segura e bem acompanhada. Porque n\u00e3o devolver o \u201canjo da guarda\u201d \u00e0s nossas crian\u00e7as? Mas aten\u00e7\u00e3o! N\u00e3o infantilizemos os &#8220;anjos&#8221;, mesmo o &#8220;anjo da guarda&#8221;!  N\u00e3o alimentemos a catequese piegas dos &#8220;anjinhos&#8221; que convencem mais os pais que os filhos! Houve o tempo em que os anjos n\u00e3o tinham asas, mas andavam cal\u00e7ados: h\u00e1 que fazer regressar os anjos \u00e0 terra, faz\u00ea-los pisar os nossos caminhos.  H\u00e1 que torn\u00e1-los amigos fi\u00e9is e familiares. Tal aprendizagem faz-se, nomeadamente, atrav\u00e9s de ora\u00e7\u00f5es simples, nem que seja recuperando as f\u00f3rmulas antigas devidamente actualizadas.  <b>Quais as expectativas que tem em rela\u00e7\u00e3o a este congresso?  P. Isidro Lamelas: <\/b>Esperamos que o congresso desperte a aten\u00e7\u00e3o de muita gente, sobretudo dos crist\u00e3os que desejam informar-se e esclarecer a sua f\u00e9 sobre um assunto t\u00e3o rico. Al\u00e9m disso, o tema dos anjos est\u00e1 de volta. Longe de serem uma &#8220;esp\u00e9cie em vias de extin\u00e7\u00e3o&#8221;, e embora a algu\u00e9m menos atento o tema possa parecer mais museol\u00f3gico que actual, os anjos continuam a ser celebrados nas diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas e evocados nas m\u00faltiplas formas de express\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2neas.   No contexto portugu\u00eas, F\u00e1tima e o &#8220;Anjo de Portugal&#8221; exercem um particular fasc\u00ednio, mas levantam tamb\u00e9m alguns problemas e desafios.  Ainda bem que a ocorr\u00eancia 90\u00ba anivers\u00e1rio da apari\u00e7\u00e3o do Anjo em F\u00e1tima nos proporciona uma oportunidade de reflex\u00e3o s\u00e9ria e plural sobre um assunto t\u00e3o actual e relevante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 10 a 12 de Outubro, Congresso Internacional no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[127,154,168,207,213,246,285],"class_list":["post-20080","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-fatima","tag-franciscanos","tag-liturgia","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}