{"id":20067,"date":"2006-09-09T12:06:20","date_gmt":"2006-09-09T12:06:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/09\/vinho-simbolo-do-trabalho-humano-e-presenca-de-cristo\/"},"modified":"2006-09-09T12:06:20","modified_gmt":"2006-09-09T12:06:20","slug":"vinho-simbolo-do-trabalho-humano-e-presenca-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vinho-simbolo-do-trabalho-humano-e-presenca-de-cristo\/","title":{"rendered":"Vinho: s\u00edmbolo do trabalho humano e presen\u00e7a de Cristo"},"content":{"rendered":"<p>Douro celebra 250 anos de Regi\u00e3o demarcada <!--more--> A Regi\u00e3o Demarcada do Douro celebra 250 anos. A hist\u00f3ria diz que o nevoeiro come\u00e7ou por demarcar esta zona, com micro clima muito pr\u00f3prio, de terreno xistoso e grande inclina\u00e7\u00e3o dificultando o seu cultivo. O Marqu\u00eas de Pombal, no tempo de D. Jos\u00e9, delimitou esta regi\u00e3o, para que, dadas as suas caracter\u00edsticas especiais de clima e de terreno, n\u00e3o surgissem planta\u00e7\u00f5es desordenadas e assim, as videiras pudessem crescer preservando caracter\u00edsticas que hoje conferem a este vinho um sabor especial.   Mas este \u00e9 um tempo de vindimas. E com o aproximar dos dias para a colheita das uvas, tanto  grandes como pequenos propriet\u00e1rios sentem a import\u00e2ncia desta actividade, mas a que o tempo tirou alguma alegria e festa. Se em outros tempos as vindimas eram das colheitas mais importantes, onde as pessoas passavam v\u00e1rios dias em festa, hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 bem assim.  O Padre Jos\u00e9 Nascimento Gomes, p\u00e1roco de S\u00e3o Jo\u00e3o da Pesqueira, em Lamego, est\u00e1 naquela regi\u00e3o h\u00e1 54 anos. Testemunhou muitas mudan\u00e7as. \u201cEm anos anteriores organizava-se a missa das vindimas, agora j\u00e1 n\u00e3o\u201d relembra.  Tem mem\u00f3ria de as vindimas serem uma grande festa. \u201cAntigamente at\u00e9 se dizia \u00abVais para a vindima, tens a mesa na frente\u00bb, porque havia sempre que comer e beber e a fam\u00edlia juntava-se para fazer a colheita e cantava\u201d.   Ant\u00f3nio Figueiredo, de 69 anos, cultiva o vinho da regi\u00e3o h\u00e1 mais de 30 anos e n\u00e3o esquece as vindimas em que participava quando era pequeno. \u201cQuando era jovem, n\u00e3o havia os caminhos agora feitos, era tudo transportado por animais e em cestos antigos. Antes era outra alegria. A minha fam\u00edlia tinha uma quinta e dava-se de comer aos trabalhadores\u201d afirmando que agora est\u00e1 tudo mais \u201ctriste\u201d e mecanizado. Com 6 hectares de terreno tem de contratar pessoas para o ajudar. Os cestos \u00e0 cabe\u00e7a d\u00e3o lugar a camionetas, os p\u00e9s substitu\u00eddos por m\u00e1quinas para \u201cesgar os bagos\u201d. O pr\u00f3prio cultivo j\u00e1 n\u00e3o compensa, pois os grandes propriet\u00e1rios lucram mais, \u201cmas esperamos dias melhores, os campos j\u00e1 custaram tanto suor que vai dando para o consumo de casa\u201d.   Jos\u00e9 Cequeira, \u00e9 propriet\u00e1rio de um armaz\u00e9m onde produz vinho na regi\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o da Pesqueira. Actualmente, bastam-lhe tr\u00eas ou quatro homens para manejar as m\u00e1quinas que agora substituem o trabalho manual. \u201cPara a colheita \u00e9 que \u00e9 preciso mais gente\u201d. Agora as uvas s\u00e3o transportadas em caixas de pl\u00e1stico, pousam em cima umas das outras ainda sem serem pisadas. S\u00e3o levadas para o armaz\u00e9m, onde com m\u00e1quinas modernas se faz a tritura\u00e7\u00e3o e se faz a separa\u00e7\u00e3o do esqueleto do bago. Os bagos v\u00e3o para tubas de fermenta\u00e7\u00e3o modernas, e depois para cubas de armazenamento. \u00c9 este o processo que agora o vinho tem. Jos\u00e9 Cequeira lembra, ainda mi\u00fado de ouvir o cantar e ver as dan\u00e7as \u00e0 voltas das vindimas. \u201cAs uvas eram pisadas com os p\u00e9s. Um dava ordens \u201cesquerdo, direito\u201d, e levantavam os p\u00e9s \u00e0s ordens. Cantavam, dan\u00e7avam, e comiam. Agora \u00e9 tudo mais mon\u00f3tono\u201d explica.  Mas as hist\u00f3rias n\u00e3o se esquecem e o vinho ter\u00e1 sempre o seu lugar, pois \u00e9 das culturas mais antigas. O vinho \u00e9 s\u00edmbolo de vida, que pela sua cor vermelha se associa ao sangue. Era a bebida dos deuses pag\u00e3os. O vinho era oferecido a Deus como um maravilhoso produto da terra, como um dom de Deus aos homens. \u00c9 um elemento integrante do banquete messi\u00e2nico, onde Jesus utiliza o vinho novo, para falar da novidade que Ele traz ao mundo. Jesus Cristo far\u00e1 a associa\u00e7\u00e3o do vinho com o seu sangue, na \u00daltima Ceia.   Toda a simbologia religiosa conferida ao vinho estar\u00e1 presente na S\u00e9 de Lamego numa Eucaristia de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, no Domingo, presidida por D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego.  Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA afirma que \u201ca Eucaristia n\u00e3o \u00e9 um elemento decorativo nas celebra\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1 de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelo reconhecimento da riqueza desta regi\u00e3o que \u00e9 patrim\u00f3nio mundial\u201d afirma. Na sua homilia, ter\u00e1 ocasi\u00e3o de apreciar \u201co trabalho de s\u00e9culos realizado por pessoas\u201d. Tamb\u00e9m D. Jacinto Botelho lembra que \u201cantigamente havia o cuidado de n\u00e3o faltar aos trabalhadores a celebra\u00e7\u00e3o dominical, no decorrer das vindimas. Cristo utilizou o vinho na Eucaristia e deixou-nos como s\u00edmbolo do seu sacrif\u00edcio\u201d lembra D. Jacinto. Assim, \u201cesta Eucaristia dar\u00e1 um esp\u00edrito crist\u00e3o a este anivers\u00e1rio\u201d.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Douro celebra 250 anos de Regi\u00e3o demarcada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[176,206,285],"class_list":["post-20067","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-lamego","tag-familia","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20067\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}