{"id":20066,"date":"2006-09-09T10:27:08","date_gmt":"2006-09-09T10:27:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/09\/o-presbiterio-luz-eloquente-de-cristo\/"},"modified":"2006-09-09T10:27:08","modified_gmt":"2006-09-09T10:27:08","slug":"o-presbiterio-luz-eloquente-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-presbiterio-luz-eloquente-de-cristo\/","title":{"rendered":"O presbit\u00e9rio luz eloquente de Cristo"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga, na Missa de Encerramento do V Simp\u00f3sio do Clero de Portugal <!--more--> Com este Simp\u00f3sio quisemos fazer uma experi\u00eancia de comunh\u00e3o. Ouvimos interpela\u00e7\u00f5es, partilhamos experi\u00eancias, convivemos fraternalmente e, quem sabe, intu\u00edmos prop\u00f3sitos de renova\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria.  Terminar pode significar encerrar ou partir para nova aventura.  N\u00e3o ouso apontar itiner\u00e1rios. Quero sublinhar orienta\u00e7\u00f5es propostas pela Liturgia da Palavra.  1- &#8220;De ti sair\u00e1 aquele que h\u00e1-de reinar sobre Israel&#8221; (Miq. 5,1).  Miqueias referia-se a um territ\u00f3rio. Hoje sabemos que Deus est\u00e1 com as pessoas e quer servir-se das pessoas concretas. Como padres, estivemos para reconhecer que \u00e9 do amor concreto \u2013 vivido entre n\u00f3s sacerdotes da mesma diocese que emergir\u00e1 quem tem poder para salvar. O presbit\u00e9rio \u00e9 o terreno, a ser fertilizado pelo amor \u2013 talvez sacrificado e exigente \u2013 dos sacerdotes, onde Cristo aparecer\u00e1 com a eloqu\u00eancia que arrasta. Outrora os Santos arrastaram multid\u00f5es e deram respostas adequadas em tempos de crise.  Hoje \u00e9 o Santo \u2013 Jesus Ressuscitado \u2013 que tocar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o daqueles que parecem insens\u00edveis aos valores, \u00e0 moral e \u00e0 mensagem de Cristo.  Que poderei fazer para que Cristo seja uma presen\u00e7a actuante no quotidiano da minha diocese?  2 &#8211; &#8220;Ele se levantar\u00e1 para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor&#8221; (Mq. 5,3).  O amor vivenciado entre n\u00f3s, far\u00e1 com que Ele se levante \u2013 se torne vis\u00edvel \u2013 para ser Ele a apascentar pelo poder do Senhor. Somos Ministros, Servos. O pastor \u00e9 Ele e o nosso sacerd\u00f3cio compreende-se e tem raz\u00e3o de ser, se age &#8220;in persona Christi&#8221;, ou seja, realizado nas pegadas do sacrif\u00edcio redentor e acolhedor dos dramas humanos para \u2013 qual alquimia divina \u2013 os transformar em serenidade e calma. Qual esponja que recolhe a \u00e1gua, n\u00f3s acolhemos as perplexidades para as levar \u00e0 intimidade dum encontro orante e permitir que, pela fus\u00e3o das nossas vidas, Ele continue a orientar e dirigir. S\u00f3 assim a humanidade se levantar\u00e1. Ele levanta e ela com Ele encontra a coragem para um encontro com o essencial.  Que poderei realizar para que os sacerdotes e a humanidade se &#8220;levantem&#8221; deste clima de pessimismo e des\u00e2nimo?  3 &#8211; &#8220;Ele ser\u00e1 a paz&#8221; (Miq. 5,4).  A paz n\u00e3o \u00e9 um sentimento vago. Acontece na conc\u00f3rdia e na harmonia das diferen\u00e7as.  N\u00e3o ser\u00e1 que as comunidades onde operamos em nome de Cristo deveriam transbordar muita mais calma e serenidade? As nossas celebra\u00e7\u00f5es que oferecem? Agita\u00e7\u00e3o? Pressa? Confus\u00e3o? N\u00e3o deveriam ser momentos duma tranquilidade activa capaz de gerar um amor que cura e sara as feridas.  Cristo \u00e9 a paz. Que damos no acolhimento? Que vale mais a burocracia inerte ou a aten\u00e7\u00e3o silenciosa e amiga? N\u00e3o terei de assumir a necessidade dum projecto quotidiano de maior delicadeza e acolhimento dos outros?  4 &#8211; &#8220;Ela conceber\u00e1 e dar\u00e1 a luz um filho, que ser\u00e1 chamado Emanuel que quer dizer Deus convosco&#8221; (Mt. 1,23).  A centralidade de Cristo, como factor de espiritualidade comunit\u00e1ria, provoca o encontro com Maria. Ela conduz a Cristo e Cristo quis necessitar de Maria.  O nosso sacerd\u00f3cio comunit\u00e1rio tem necessidade de ser Mariano no desejo de ser Maria que gerou Cristo num momento concreto mas que, pelo amor sol\u00edcito de Can\u00e3, repetido imensas vezes, fez com que muitos se encontrassem com Ele. Quase n\u00e3o tinha palavras. N\u00e3o se impunha. S\u00f3 repetia. &#8220;Fazei o que Ele vos disser&#8221;. Assim Cristo se tomou o Emanuel, ou seja, aquele que caminhou com a humanidade pois esteve com ela.  A solicitude materna da Igreja, o rosto feminino de Deus, n\u00e3o ter\u00e1 necessidade de permear o meu minist\u00e9rio? A dimens\u00e3o contemplativa de Maria que &#8220;conservava todas as coisas&#8221;, n\u00e3o pedir\u00e1 um estilo mais contemplativo do nosso minist\u00e9rio?  5 &#8211; Perspectivar o futuro  Respeito a minha afirma\u00e7\u00e3o inicial. N\u00e3o quero apresentar conclus\u00f5es ou prop\u00f3sitos. Penso, por\u00e9m, que a liturgia nos recorda duas atitudes como segredos para viver os desafios da hora actual.  5.1. &#8220;Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam&#8221; (Rom. 8, 28)  A realidade parece e \u00e9 sombria. S\u00e3o muitos os enigmas e as perplexidades.  S\u00f3 que teremos de apostar numa vis\u00e3o positiva e colocar de lado o pessimismo e o desencanto. Pode parecer que as trevas vencem. O amor de Deus supera tudo. Vivamos, por isso, o nosso sacerd\u00f3cio com alegria e encanto. Fixemo-nos no essencial. Demos espa\u00e7o \u00e0 f\u00e9 como aventura de quem se deixa conduzir por Deus e aqui estaremos bem. N\u00e3o na ingenuidade, mas na responsabilidade de quem acredita no valor e na necessidade do nosso minist\u00e9rio.  5.2. &#8220;N\u00e3o temas receber Maria&#8221; (Mt. 1-20)  H\u00e1 momentos em que parece que as d\u00favidas ultrapassam as certezas.  Permitamos que Maria entre nas nossas casas, n\u00e3o s\u00f3 como objecto duma devo\u00e7\u00e3o particular, mas como refer\u00eancia e modelo duma Igreja que, duma maneira silenciosa, est\u00e1 no mundo sem ser do mundo. Com ela estaremos a ser semente duma sociedade mais justa. Pode n\u00e3o parecer ou n\u00e3o se ver. A semente \u00e9 sempre semente. Os seus ritmos n\u00e3o acontecem como queremos. \u00c9 a aurora duma Igreja nova, atrav\u00e9s de Sacerdotes renovados num mundo diferente, que nunca mais voltar\u00e1 a ver como at\u00e9 aos dias de hoje. Estaremos na igualdade como todos os outros. A diferen\u00e7a ser\u00e1 a alma que rejuvenesce e sustenta.  Que Maria fique na nossa casa e na casa da Igreja. Com ela ganhemos coragem para ultrapassar a noite do Calv\u00e1rio. Que a P\u00e1scoa dum Cristo vivo e ressuscitado seja o nosso projecto de vida.   F\u00e1tima, 8 de Setembro de 2006  + Jorge Ferreira da Costa Ortiga  Arcebispo Primaz e Presidente da C.E.P  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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