{"id":20065,"date":"2006-09-08T23:11:35","date_gmt":"2006-09-08T23:11:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/08\/conclusoes-do-v-simposio-do-clero-de-portugal\/"},"modified":"2006-09-08T23:11:35","modified_gmt":"2006-09-08T23:11:35","slug":"conclusoes-do-v-simposio-do-clero-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-v-simposio-do-clero-de-portugal\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do V Simp\u00f3sio do Clero de Portugal"},"content":{"rendered":"<p>V SIMP\u00d3SIO DO CLERO DE PORTUGAL Comunicado Final  Reuniu em F\u00e1tima de 05 a 08 de Setembro de 2006 o V Simp\u00f3sio do Clero de Portugal, com a presen\u00e7a do Senhor N\u00fancio Apost\u00f3lico, D. Alfio Rapisarda, do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal, D. Jorge Ortiga e de 30 Bispos. Prosseguindo um itiner\u00e1rio de encontro, de comunh\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o de longo prazo que se iniciou em 1993, a Confer\u00eancia Episcopal atrav\u00e9s da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios organizou este Simp\u00f3sio no qual participaram 417 sacerdotes, provenientes de todas as Dioceses de Portugal e de muitos Institutos Religiosos. Foram conferencistas D. Rino Fisichella, Bispo Auxiliar de Roma, Enzo Bianchi, Prior da Comunidade Mon\u00e1stica de Bose, Doutor Jo\u00e3o Duque, Professor da UCP-Braga e D. Manuel Madureira Dias, Bispo Em\u00e9rito do Algarve e a participa\u00e7\u00e3o de muitos outros intervenientes nos diversos pain\u00e9is.  O Simp\u00f3sio foi vivido num clima de alegria, de partilha, de participa\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, e teve como tema central o Presbit\u00e9rio em comunh\u00e3o ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o eclesial.  A comunh\u00e3o \u00e9 uma das correntes mais fecundas da actual reflex\u00e3o da Igreja com evidentes repercuss\u00f5es no minist\u00e9rio presbiteral, na sua ac\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o e \u00e9 simultaneamente assumida numa perspectiva de resposta serena e positiva \u00e0s tend\u00eancias p\u00f3s-modernas do individualismo, do isolamento e do ego\u00edsmo e, aos perigos permanentes do des\u00e2nimo, da ansiedade e da solid\u00e3o. Com a frontalidade de quem n\u00e3o foge \u00e0s quest\u00f5es dif\u00edceis e n\u00e3o esconde a possibilidade de fazer mais e melhor, este V Simp\u00f3sio deixa na mem\u00f3ria de todos a rela\u00e7\u00e3o fraterna que aqui se experimentou. E, o est\u00edmulo que brota deste encontro no sentido de partilhar as nossas convic\u00e7\u00f5es e assegurar os nossos compromissos de Bispos e Presb\u00edteros na constru\u00e7\u00e3o desta comunh\u00e3o fraterna, assim como a intensidade da ora\u00e7\u00e3o aqui vivida e a beleza do momento cultural que nos facultou a Banda da Armada, inspiram e incentivam um clima de unidade e de fraternidade no Clero de Portugal. Aqui se sentiu em m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es, celebra\u00e7\u00f5es e actividades a beleza e a alegria da vida dos presb\u00edteros, o privil\u00e9gio da sua fidelidade, a gra\u00e7a e a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos que d\u00e3o a vida pelo Reino mas recebem j\u00e1 cem vezes mais, segundo os crit\u00e9rios e os paradigmas do Evangelho. Em s\u00edntese, pode afirmar-se que os presb\u00edteros s\u00e3o homens dados ao povo de Deus para viver a comunh\u00e3o e construir em Igreja a comunidade.  1. Desafios ao sacerdote e \u00e0 Igreja no contexto das transforma\u00e7\u00f5es culturais A interpreta\u00e7\u00e3o da nova situa\u00e7\u00e3o religiosa e cultural em que o sacerdote \u00e9 chamado a realizar o seu minist\u00e9rio e voca\u00e7\u00e3o, caracterizada pelo individualismo p\u00f3s moderno de um homem dilacerado pela ruptura entre a cultura e a f\u00e9 e confundido pela mudan\u00e7a de alguns paradigmas de pensamento, desafiou os presentes a viver o contraponto da comunh\u00e3o, anunciando aos filhos da modernidade a refer\u00eancia central da verdade do homem, Jesus Cristo. Destacou-se a necessidade de redefinir e reafirmar uma identidade presbiteral eucar\u00edstica, aquela que resulta da intimidade com Jesus Cristo e da solidariedade com os irm\u00e3os.  Foi solicitada uma maior visibilidade p\u00fablica do presb\u00edtero no meio do mundo, onde leve a cabo a miss\u00e3o da profecia e da simpatia por esse mundo.  Urge, ainda, rever a pr\u00f3pria prega\u00e7\u00e3o para que esta seja significativa e verdadeira proposta de sentido. Ressaltou-se, tamb\u00e9m, que muitas das solicita\u00e7\u00f5es pastorais dirigidas aos presb\u00edteros resultam da inoper\u00e2ncia de muitos intervenientes ou agentes eclesiais com os quais o presb\u00edtero deve construir a comunh\u00e3o eclesial e a corresponsabilidade pastoral.  2. Da Trindade \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 corresponsabilidade Reflectiu-se de seguida mais directamente sobre a miss\u00e3o do padre, servidor da comunh\u00e3o numa comunidade tamb\u00e9m ela respons\u00e1vel e participativa. A comunh\u00e3o eclesial de que o sacerdote participa \u00e9 constru\u00edda na rela\u00e7\u00e3o a partir de Deus, Uno e Trino. Neste quadro foram evocados alguns p\u00f3los de rela\u00e7\u00e3o do presb\u00edtero. O conceito de sinodalidade permitiu pensar a Igreja como caminho conjunto onde todos s\u00e3o um s\u00f3 corpo em Cristo. Bispos e Presb\u00edteros reconheceram-se numa comum miss\u00e3o de sinodalidade e de constru\u00e7\u00e3o de um caminho conjunto. A vida em comunh\u00e3o comporta sacrif\u00edcios, exig\u00eancia, generosidade, doa\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o e paci\u00eancia. Para os presb\u00edteros convocados e enviados a viver novas formas de comunh\u00e3o, o empenho passa por viver o amor antes do conhecimento, amar o outro antes de o conhecer. Esta \u00e9 a forma radical de comunh\u00e3o com o outro que para mim \u00e9 um dom de Deus. Neste contexto foi proposta a constitui\u00e7\u00e3o de unidades operativas de v\u00e1rias par\u00f3quias como formas diversificadas e plurais de superar o individualismo moderno e a tend\u00eancia isolacionista de alguns sacerdotes, mas tamb\u00e9m de superar a estreiteza da autarquia paroquial ou presbiteral. A realidade dos Conselhos Pastorais e Presbiterais pensados como organismos de comunh\u00e3o e mediadores de corresponsabilidade ser\u00e3o alguns dos muitos espa\u00e7os de realiza\u00e7\u00e3o e de verifica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria comunh\u00e3o eclesial. Estas inst\u00e2ncias devem ser compreendidas n\u00e3o como meros \u00f3rg\u00e3os consultivos mas como verdadeiros e privilegiados espa\u00e7os de concerta\u00e7\u00e3o, de corresponsabilidade e de comunh\u00e3o.  3. Caminhos de comunh\u00e3o eclesial e futuro do cristianismo Finalmente, foi aberta a linha de reflex\u00e3o sobre o Presb\u00edtero como homem dado enquanto inserido no caminho do Povo de Deus. Num clima de aprofundada reflex\u00e3o e de grande amplitude de horizontes, a comunidade foi pensada como lugar de unidade, de diversidade e de pluralidade a partir do conceito de \u201ctri-unidade\u201d para significar esta realidade de um Deus que n\u00e3o \u00e9 estranho \u00e0 nossa vis\u00e3o do mundo e da hist\u00f3ria. Pensar o mist\u00e9rio da \u201ctri-unidade\u201d possibilita conhecer Deus e o homem. Assumindo assim este conceito de mist\u00e9rio na sua raiz b\u00edblica de desvelamento e de abertura de sentido e de revela\u00e7\u00e3o iniciada, a nossa profiss\u00e3o de f\u00e9 crist\u00e3 assenta num Deus que fala e que ama. Esta certeza constitui uma marca radicalmente diferenciadora face \u00e0s outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Neste contexto, o lugar do Esp\u00edrito Santo assume uma import\u00e2ncia primordial na teologia crist\u00e3 e na espiritualidade eclesial. A problem\u00e1tica da alteridade foi bastante desenvolvida ao longo destes dias e forneceu contexto teol\u00f3gico e espiritual a partir do qual \u00e9 poss\u00edvel implementar a vida de comunh\u00e3o.  Este Simp\u00f3sio alertou ainda para o lugar eclesial do outro enquanto dom e possibilidade de participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio \u201ctri-unit\u00e1rio\u201d do nosso Deus. Pretendeu-se deste modo superar o monolitismo ecl\u00e9siol\u00f3gico, a uniformidade das decis\u00f5es apenas justificadas pelo poder e algum tom autorit\u00e1rio porventura ainda subjacente no nosso tempo, nas nossas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Recorreu-se finalmente aos dados da antropologia para mostrar o h\u00famus humano da recep\u00e7\u00e3o da identidade na alteridade: o rosto e o nome s\u00e3o conhecidos pelo outro e \u00e9 atrav\u00e9s dessa dimens\u00e3o que n\u00f3s acedemos \u00e0 identidade de n\u00f3s mesmos. Estando esta alteridade na base da matriz crist\u00e3, aquela foi considerada como fundamental para ajudar a transmitir a f\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es nesta \u00e9poca de ruptura da mem\u00f3ria. A exequibilidade do Evangelho e do projecto do Reino de Jesus ser\u00e1 a proposta que dar\u00e1 consist\u00eancia cultural, cr\u00e9dito e efic\u00e1cia ao an\u00fancio, \u00e0 transmiss\u00e3o e ao acolhimento da f\u00e9 perante um dos riscos do nosso tempo que \u00e9 a indiferen\u00e7a. O amor obriga hoje a colocar este an\u00fancio da f\u00e9 n\u00e3o no espa\u00e7o nem dos ritos nem dos dogmas mas na pura gratuidade do dom. O cristianismo n\u00e3o pode ser dilu\u00eddo na \u00e9tica, n\u00e3o pode regredir para o restauracionismo nem deixar-se instrumentalizar pelo poder. Olhando Cristo que d\u00e1 a Vida, \u201cque nos amou e Se entregou por n\u00f3s como oferta\u201d, e aprendendo com Ele como Bom Pastor, o presb\u00edtero \u00e9 um homem dado ao povo, porque \u00e9 um homem totalmente entregue a Deus por amor do povo. O presb\u00edtero \u00e9 um homem \u00fanico e imprescind\u00edvel no interior da humanidade, consagrado pela ordena\u00e7\u00e3o para servir e dar a vida por amor a favor do povo de Deus e de todo o mundo. Este servi\u00e7o que \u00e9 minist\u00e9rio sacerdotal que nos santifica e santifica aqueles a quem servimos, que nos faz felizes e constr\u00f3i as bem-aventuran\u00e7as do Reino deve ser realizado como testemunho de amor, de alegria e de paz. Neste dia em que a Igreja celebra a Natividade de Nossa Senhora e neste Santu\u00e1rio a ela dedicado, colocamos no cora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e a gratid\u00e3o pelo dom deste Simp\u00f3sio e confiamos-Lhe a vida e o minist\u00e9rio do Clero de Portugal que mais uma vez aqui se comprometeu a percorrer caminhos de comunh\u00e3o presbiteral ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o eclesial.   F\u00e1tima, 08 de Setembro de 2006, Festa da Natividade de Nossa Senhora  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V SIMP\u00d3SIO DO CLERO DE PORTUGAL Comunicado Final Reuniu em F\u00e1tima de 05 a 08 de Setembro de 2006 o V Simp\u00f3sio do Clero de Portugal, com a presen\u00e7a do Senhor N\u00fancio Apost\u00f3lico, D. Alfio Rapisarda, do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal, D. Jorge Ortiga e de 30 Bispos. Prosseguindo um itiner\u00e1rio de encontro, de comunh\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,185,199,207,314,321],"class_list":["post-20065","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-algarve","tag-espiritualidade","tag-fatima","tag-solidariedade","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20065"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20065\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}