{"id":200608,"date":"2021-03-01T09:52:02","date_gmt":"2021-03-01T09:52:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=200608"},"modified":"2021-03-01T10:19:22","modified_gmt":"2021-03-01T10:19:22","slug":"e-depois-do-adeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-depois-do-adeus\/","title":{"rendered":"E depois do adeus&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. Jo\u00e3o Carlos Roma Leite Rodrigues, <\/em><em>Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pe-joao-carlos-mic-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-200609 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pe-joao-carlos-mic-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pe-joao-carlos-mic-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pe-joao-carlos-mic-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pe-joao-carlos-mic-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pe-joao-carlos-mic-braganca.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O decr\u00e9scimo dos n\u00fameros de novos casos de infe\u00e7\u00e3o por covid-19, o al\u00edvio da press\u00e3o dos internamentos hospitalares e o desenrolamento gradual do processo de vacina\u00e7\u00e3o constituem um vislumbre de \u201cuma luz ao fundo do t\u00fanel\u201d que nos permite projetar desde j\u00e1 um desconfinamento progressivo, por forma a reativar a nossa vida social. Enquanto entrevemos um horizonte de \u201cnovo normal\u201d, vale a pena determinar o que realmente importa \u201crecome\u00e7ar e reconstruir\u201d depois do adeus \u00e0 pandemia. Este desafio imp\u00f5e-se tamb\u00e9m \u00e0 Igreja que durante este tempo de confinamento tem mostrado que sabe adaptar-se e inovar-se com grande criatividade pastoral para marcar a sua presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o na sociedade com a firmeza da f\u00e9, a alegria da esperan\u00e7a e a generosidade da caridade. Nas v\u00e9speras do Ver\u00e3o passado, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa elaborou um pequeno contributo para ajudar a refletir sobre a reconstru\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa depois da pandemia, advertindo para n\u00e3o cairmos no erro de construir uma nova sociedade destruindo algo que a anterior tinha de bom, mas tamb\u00e9m salientando que h\u00e1 aspetos positivos a reter numa perspetiva de futuro como uma verdadeira li\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia excecional que temos vivido<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Tendo em conta esta solicitude pelo que o passado tem de bom e esta ousadia para olhar o futuro na abertura \u00e0 novidade, os Bispos de Portugal publicaram no in\u00edcio deste ano um novo documento no intuito de \u201c<em>discernir desafios pastorais e lan\u00e7ar alguma luz sobre o que vivemos<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. N\u00e3o podemos menosprezar as in\u00fameras quest\u00f5es levantadas por esta pandemia que constituem uma aut\u00eantica provoca\u00e7\u00e3o para uma mudan\u00e7a de mentalidade e uma reviravolta cultural concretizada em modos de ver, sentir, pensar e agir imbu\u00eddos de comunh\u00e3o e corresponsabilidade.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do seu pontificado, o Papa Francisco tem alertado para a urg\u00eancia de avan\u00e7ar no caminho de uma convers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria \u201c<em>capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os hor\u00e1rios, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo atual que \u00e0 autopreserva\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (<em>Evangelii gaudium<\/em>, 27). J\u00e1 n\u00e3o nos serve uma simples pastoral de conserva\u00e7\u00e3o que al\u00e9m de ser extremamente cansativa j\u00e1 n\u00e3o regenera a f\u00e9 e, muitas vezes, at\u00e9 a deteriora e degenera na mesquinhez. Por isso, \u00e9 preciso arriscar uma nova maneira de ser e de estar na Igreja, para que o servi\u00e7o pastoral da Igreja seja uma resposta aut\u00eantica \u00e0s alegrias e \u00e0s esperan\u00e7as, \u00e0s tristezas e \u00e0s ang\u00fastias das pessoas concretas do mundo de hoje, e ainda capaz de interpelar e incomodar as novas gera\u00e7\u00f5es. Talvez tenhamos de \u201c<em>aprender a desaprender<\/em>\u201d, como bem recomenda o Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda, citando um c\u00e9lebre poema de Fernando Pessoa. Temos de \u201c<em>desaprender os labirintos, as teias, os modelos que nos sufocam e apenas servem para nos fazer adiar o encontro t\u00e3o necess\u00e1rio com Deus, com os outros, com a terra e com a hist\u00f3ria e connosco pr\u00f3prios<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que passar de uma pastoral de manuten\u00e7\u00e3o a uma pastoral mission\u00e1ria exige uma dif\u00edcil convers\u00e3o que vai durar o seu tempo: \u201c<em>N\u00e3o pode haver pressa, mas \u00e9 necess\u00e1rio planear, definir objetivos e percursos para l\u00e1 chegar<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. A reorganiza\u00e7\u00e3o da Igreja diocesana em Unidades Pastorais \u00e9, pois, uma resposta criativa aos desafios que os sinais dos tempos nos sugerem. \u00c9 uma tentativa corajosa para transformar as dificuldades em oportunidades. Acreditamos que Deus est\u00e1 a querer dizer-nos alguma coisa atrav\u00e9s das dificuldades pastorais que enfrentamos: Deus quer fazer-nos descobrir novos caminhos de participa\u00e7\u00e3o ativa e de colabora\u00e7\u00e3o pastoral entre bispos, padres, di\u00e1conos, religiosos e religiosas, mission\u00e1rios e leigos, homens e mulheres de boa vontade, de todas as idades e de todos os extratos sociais. O desafio de caminhar em estilo de unidade pastoral \u00e9 uma tentativa de superar a l\u00f3gica insustent\u00e1vel de \u201c<em>um padre que faz tudo para todos<\/em>\u201d para abrir uma l\u00f3gica mais din\u00e2mica e eclesial na comunh\u00e3o do \u201c<em>n\u00f3s padres com alguns colaboradores para todos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 melhor modo de olhar o futuro, em tempos de crise global, do que apontando para o sonho de construir a fraternidade universal? \u00c9 o que o Papa Francisco nos prop\u00f5e neste tempo que nos cabe viver: \u201c<em>precisamos duma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente<\/em>\u201d (<em>Fratelli tutti,<\/em> 8). Se realmente desejamos sonhar como uma \u00fanica humanidade que seja capaz de reconhecer que somos <em>todos irm\u00e3os e irm\u00e3os de todos<\/em>, temos de come\u00e7ar por concretizar isso nas nossas comunidades crist\u00e3s, aprendendo a caminhar como \u201cirm\u00e3os de estrada\u201d que desejam chegar a todos, sem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s. Vale mais o menos perfeito em unidade pastoral que o mais perfeito feito por um s\u00f3 ou por poucos.<\/p>\n<p><em>Pe. Jo\u00e3o Carlos Roma Leite Rodrigues,<br \/>\n<\/em><em>Marianos da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/em><em>Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. <em>Recome\u00e7ar e reconstruir<\/em>, n\u00ba 2 (16 de junho 2020). <a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/recomecar-e-reconstruir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/recomecar-e-reconstruir<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Desafios pastorais da pandemia \u00e0 Igreja em Portugal<\/em>, n\u00ba 3 (divulgada a 1 de janeiro de 2021). <a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/desafios-pastorais-da-pandemia-a-igreja-em-portugal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/desafios-pastorais-da-pandemia-a-igreja-em-portugal<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> D. Jos\u00e9 CORDEIRO, <em>Um povo com ch\u00e3o e com c\u00e9u<\/em>, \u00a79 (24 de julho de 2016). <a href=\"https:\/\/diocesebm.pt\/noticia\/um-povo-com-ch%C3%A3o-e-com-c%C3%A9u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/diocesebm.pt\/noticia\/um-povo-com-ch%C3%A3o-e-com-c%C3%A9u<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Desafios pastorais da pandemia \u00e0 Igreja em Portugal<\/em>, n\u00ba 47 (divulgada a 1 de janeiro de 2021). <a href=\"http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/desafios-pastorais-da-pandemia-a-igreja-em-portugal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/desafios-pastorais-da-pandemia-a-igreja-em-portugal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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