{"id":200467,"date":"2021-02-28T09:31:19","date_gmt":"2021-02-28T09:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=200467"},"modified":"2021-02-27T17:38:20","modified_gmt":"2021-02-27T17:38:20","slug":"igreja-sociedade-ha-uma-pobreza-envergonhada-alerta-d-jose-traquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-sociedade-ha-uma-pobreza-envergonhada-alerta-d-jose-traquina\/","title":{"rendered":"Igreja\/Sociedade: \u00abH\u00e1 uma pobreza envergonhada\u00bb, alerta D. Jos\u00e9 Traquina"},"content":{"rendered":"<p><em>No primeiro dia da Semana Nacional C\u00e1ritas, o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social fala sobre o impacto da crise, na entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/ECCLESIA<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_193230\" aria-describedby=\"caption-attachment-193230\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-193230 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.-Jose-Traquina1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-193230\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/HM<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em dezembro de 2020, relatava um aumento expressivo dos pedidos de apoio por causa da pandemia e revelava situa\u00e7\u00f5es complicadas relacionadas com as rendas de casa. Tivemos, entretanto, novo confinamento. Esses relatos e essa preocupa\u00e7\u00e3o aumentaram<\/em>?<\/p>\n<p>Sim, aumentaram, um pouco por todo o pa\u00eds, sobretudo por causa das pessoas que ficaram sem emprego: dificuldades nas rendas de casa, pagamento de \u00e1gua e luz. S\u00e3o dificuldades relacionadas com o rendimento das pessoas, a que foi preciso atender, manifestando a maior aten\u00e7\u00e3o a cada situa\u00e7\u00e3o. Procura-se corresponder \u00e0s dificuldades que as pessoas vivem.<\/p>\n<p>Foi um crescendo, no m\u00ednimo, de 10% acima do que era habitual nos apoios que estavam a ser dados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos do per\u00edodo deste novo confinamento?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Em janeiro, por exemplo, isto aconteceu. Em 2020, nos meses de mar\u00e7o e abril houve zonas do pa\u00eds com situa\u00e7\u00f5es mais complicadas, nestas respostas a pessoas que ficaram sem trabalho. Esse \u00e9 um problema que nos preocupa, porque as coisas n\u00e3o ficam resolvidas de um momento para o outro, e faremos tudo o que for poss\u00edvel para apoiar as pessoas. A normalidade da economia, dos empregos, vamos ver quando \u00e9 que ela se ganha\u2026 A C\u00e1ritas mant\u00e9m-se dispon\u00edvel para desenvolver a solidariedade de quem pode apoiar e colaborar com as pessoas que precisam desse apoio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sem pedit\u00f3rio p\u00fablico em 2020 e, provavelmente, em 2021, a C\u00e1ritas Portuguesa pediu aos bispos que destinassem parte da ren\u00fancia quaresmal \u00e0s C\u00e1ritas Diocesanas, o que acontece em muitos casos. \u00c9 importante sensibilizar as comunidades cat\u00f3licas para a urg\u00eancia de ajudar quem ajuda?<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 mesmo muito importante. Os bispos t\u00eam o dever de consultar os seus presb\u00edteros, \u00e9 em Conselho Presbiteral que decidimos esta orienta\u00e7\u00e3o da ren\u00fancia quaresmal. Sabemos que mesmo nesta haver\u00e1 pessoas com maior dificuldade em colaborar.<\/p>\n<p>N\u00e3o havendo pedit\u00f3rio p\u00fablico da C\u00e1ritas e n\u00e3o havendo celebra\u00e7\u00f5es da Eucaristia com um pedit\u00f3rio dentro das igrejas, a favor da C\u00e1ritas, \u00e9 claro que existe uma grande dificuldade. Mesmo assim, atrav\u00e9s das celebra\u00e7\u00f5es transmitidas, lan\u00e7amos esta ren\u00fancia em favor da C\u00e1ritas, pedindo aos crist\u00e3os que v\u00e3o juntando l\u00e1 em casa o que puderem juntar, algum apoio, a pensar nos que mais precisam. \u00c9 um gesto de generosidade, de caridade fraterna, colocando essa ren\u00fancia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos a no\u00e7\u00e3o de que onde n\u00e3o chega a C\u00e1ritas, mais ningu\u00e9m chega. Receia que a pandemia possa esconder situa\u00e7\u00f5es que nem a C\u00e1ritas possa encontrar? Ser\u00e3o muitas<\/em>?<\/p>\n<p>Admito que sim. N\u00f3s temos salientado uma metodologia, nas comunidades crist\u00e3s, nas par\u00f3quias, sobretudo em zonas urbanas \u2013 mas n\u00e3o s\u00f3, tamb\u00e9m em zonas mais rurais -, que \u00e9 o cuidado na proximidade. Nesse sentido, nalgumas cidades temos crist\u00e3os que, por ruas ou por bairros, v\u00e3o estando atentos a situa\u00e7\u00f5es de pessoas que ficaram desprovidas de rendimentos e procuram saber se a pessoa, a fam\u00edlia, precisa de apoio. H\u00e1 uma pobreza envergonhada, de facto: as pessoas precisam desse apoio, mas t\u00eam alguma dificuldade em dirigir-se a um servi\u00e7o da C\u00e1ritas.<\/p>\n<p>Em muitas terras, muitas comunidades crist\u00e3s, desenvolveu-se um cuidado de proximidade, de uma forma muito discreta. Mas admito obviamente que, mesmo assim, haja muitas situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sejam conhecidas, porque n\u00e3o foram detetadas ou ningu\u00e9m comunicou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda em 2020, a C\u00e1ritas apresentou um estudo sobre as barreiras no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, cuidados de sa\u00fade, emprego; entre outros. O estudo apontava mesmo um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es ao governo. Sentiu algum efeito pr\u00e1tico relacionado com as conclus\u00f5es deste trabalho<\/em>?<\/p>\n<p>Eu tenho sentido sempre alguma generosidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s iniciativas da C\u00e1ritas e \u00e0s observa\u00e7\u00f5es que a C\u00e1ritas faz. Mas, na verdade, somos surpreendidos sempre com as realidades que nos aparecem\u2026 Estamos a falar de um momento complicado, surgem dificuldades de que n\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera, com a pandemia.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o que a C\u00e1ritas tem, aquela com que pode contar, n\u00e3o \u00e9 propriamente com o Estado, com a Seguran\u00e7a Social. N\u00f3s fazemos coopera\u00e7\u00e3o com a sociedade, procuramos denunciar, observar, ao Governo, \u00e0s inst\u00e2ncias governativas aspetos que cabe ao Estado assegurar, no sentido da justi\u00e7a, de enfrentar situa\u00e7\u00f5es mais graves, mais complicadas. E colaboramos, certamente, nessa observa\u00e7\u00e3o, dispomos dela para que o Estado fa\u00e7a o que lhe compete.<\/p>\n<p>Reservamo-nos, neste olhar para uma sociedade mais justa, o desenvolvimento de uma sociedade que, em si mesma, seja solid\u00e1ria. Queremos desenvolver n\u00e3o s\u00f3 a aten\u00e7\u00e3o a quem precisa, mas tamb\u00e9m desenvolver na sociedade este gosto de colaborar; n\u00e3o queremos ser apenas o problema, queremos fazer parte da solu\u00e7\u00e3o. Estamos, por um lado, a chamar \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, e \u00e0s vezes, no terreno, em grande proximidade com as autarquias, por exemplo, e com bons frutos para as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para explicar as novas situa\u00e7\u00f5es que nos aparecem, quero dar um sinal: aqui, no Ribatejo, onde me encontro, esta Diocese de Santar\u00e9m, surgiu no ano passado um fen\u00f3meno que foi preciso cuidar, ligado ao n\u00famero de indianos a trabalhar nesta zona. A C\u00e1ritas diocesana tomou a iniciativa de apoiar, de sugerir o ensino da l\u00edngua portuguesa \u00e0queles imigrantes, para os integrar. Uma forma de colaborar com aquelas pessoas \u00e9 acolh\u00ea-las e integr\u00e1-las. Esse foi um desafio novo, repentino, e est\u00e1 visto que \u00e9 preciso duplicar, triplicar estas aulas, que tiveram de ser interrompidas em janeiro, por causa da pandemia, mas que ir\u00e3o ser retomadas logo que seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-200456 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/semana-caritas-2021-cartaz-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Na \u00faltima semana a DECO alertava para um aumento expressivo de insolv\u00eancias pessoais. E isto numa altura em que, os portugueses e as empresas ainda n\u00e3o come\u00e7aram a pagar morat\u00f3rias. Podemos recear o pior?<\/em><\/p>\n<p>Bem, eu tenho esperan\u00e7a que as promessas que o\u00a0Governo tem feito de apoio \u00e0s empresas seja justa e que tenha em conta os pequenos, tem sido analisado e dito que a pandemia vai prejudicar os mais pobres, vai prejudicar as empresas mais pequenas. Numa aten\u00e7\u00e3o no sentido de justi\u00e7a esperamos que haja essa aten\u00e7\u00e3o, que essa aten\u00e7\u00e3o se concretize e se atenda porque de facto, neste momento, milhares de pessoas h\u00e1 milhares de pessoas em sofrimento profundo por n\u00e3o poderem desenvolver o seu restaurante, o seu\u00a0caf\u00e9, o seu neg\u00f3cio, o seu estabelecimento. Sintonizar com o sofrimento destas pessoas envolve-nos tamb\u00e9m o mesmo sofrimento porque precisamos de esperan\u00e7a e por isso as pessoas desejam muito que o Governo apresente um\u00a0planeamento\u00a0de desconfinamento para poderem sonhar e resolver as suas vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E est\u00e1 na hora do Governo apresentar esse programa de desconfinamento?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que \u00e9 necess\u00e1rio dar sinais. Pode n\u00e3o ser para amanh\u00e3, mas \u00e9 preciso esse\u00a0planeamento\u00a0porque suscita prepara\u00e7\u00e3o, suscita expectativa e as pessoas precisam dessa palavra; claramente precisam. Eu vejo isso mesmo no pr\u00f3prio funcionamento\u00a0das comunidades crist\u00e3s. Estamos quase no m\u00eas de mar\u00e7o e as pessoas querem saber se vamos ou n\u00e3o ter celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa. Desejamos ter celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, mas ainda n\u00e3o podemos responder. Ainda n\u00e3o sabemos. Desejamos muito que seja poss\u00edvel, mas claro, h\u00e1 aqui um passo que nos obriga a estar em sintonia com a sociedade em que estamos e certamente que as coisas v\u00e3o evoluir num ritmo semelhante. Mas precisamos muito, e tamb\u00e9m os crist\u00e3os precisam da sua anima\u00e7\u00e3o espiritual para cumprirem a sua miss\u00e3o na Igreja e na sociedade e na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das IPSS e a contratualiza\u00e7\u00e3o com o Estado. Persistem as dificuldades relacionadas com pagamento de sal\u00e1rios? Teme que algumas destas institui\u00e7\u00f5es venham a fechar portas?<\/em><\/p>\n<p>Bem, eu espero que as institui\u00e7\u00f5es se mantenham porque \u00e9 estruturante para a estabilidade da sociedade que existam e se mantenham. No ano passado foi muito complicado e se o Governo n\u00e3o tivesse revisto os\u00a0compromissos\u00a0de coopera\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es, as\u00a0institui\u00e7\u00f5es\u00a0n\u00e3o teriam aguentado\u00a0mesmo. Houve uma\u00a0aproxima\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0s despesas reais das institui\u00e7\u00f5es que tiveram com o aumento dos sal\u00e1rios no m\u00eas de janeiro de 2020. E, portanto, a meio do ano as negocia\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram e as coisas compuseram-se. O Estado n\u00e3o se aproximou em absoluto, em 100 por cento \u00e0s despesas das institui\u00e7\u00f5es, mas aproximou-se mais e gerou alguma esperan\u00e7a de que as coisas se conseguissem manter. Agora n\u00e3o se esperava outra vez a pandemia com esta for\u00e7a no m\u00eas de janeiro, no princ\u00edpio do ano. E, portanto, o aumento de despesa que isto tem e tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o das coisas vai levar as institui\u00e7\u00f5es a fazer as contas e a apresentar as suas dificuldades. Tem havido um grande esfor\u00e7o, quer por parte da Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdia quer da CNIS nessa aproxima\u00e7\u00e3o, e na realidade das institui\u00e7\u00f5es. E eu quero agradecer a luta de cada uma das institui\u00e7\u00f5es. Cada uma das institui\u00e7\u00f5es fez um trabalho not\u00e1vel com o apoio dos trabalhadores para assegurar a qualidade e a seguran\u00e7a das pessoas idosas, neste tempo de pandemia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A<em>inda assim, as institui\u00e7\u00f5es dizem que n\u00e3o recebem aquilo que lhes \u00e9 devido. H\u00e1 necessidade dessa revis\u00e3o que vem sendo reclamada quer pela Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias, quer pela pr\u00f3pria CNIS dos contratos celebrados com o Estado?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro. A revis\u00e3o deve ser feita todos os anos, todos os anos. E \u00e0s vezes at\u00e9\u00a0quando\u00a0alguma situa\u00e7\u00e3o especial acontece, alguma emerg\u00eancia. Mas, todo os anos deve ser revista. Porque a certa\u00a0altura\u00a0o que \u00e9 que acontece? Se por cada ano que passa o Estado descer na comparticipa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que tem acontecido. A comparticipa\u00e7\u00e3o vai sempre descendo, descendo, descendo. Conclus\u00e3o: \u00e0 p\u00e1gina tantas est\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es numa afli\u00e7\u00e3o permanente para assegurar um trabalho que \u00e9 fiscalizado e tem de ser de qualidade. E o que vai acontecer nesta situa\u00e7\u00e3o? O que vai acontecer, \u00e9 o que j\u00e1 est\u00e1 a acontecer que \u00e9 prolifera\u00e7\u00e3o de lares clandestinos. Porqu\u00ea? porque n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para ter correspond\u00eancia aquilo que est\u00e1 previsto na qualidade de uma resid\u00eancia para idosos sem o apoio necess\u00e1rio para que tal aconte\u00e7a. E, portanto, h\u00e1 aqui uma reflex\u00e3o a fazer da parte do Estado sobre o que \u00e9 que quer. Mas na verdade, a realidade dos lares clandestinos \u00e9 uma necessidade da popula\u00e7\u00e3o. Ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso dar apoio \u00e0s pessoas e as fam\u00edlias v\u00e3o resolvendo da forma da\u00a0poss\u00edvel\u00a0que t\u00eam. Eu n\u00e3o os condeno, eu n\u00e3o condeno os lares clandestinos. O que reconhe\u00e7o \u00e9 que n\u00e3o houve condi\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias para ter o familiar noutros s\u00edtios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a\u00ed entra o papel do Estado, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Entra o papel do Estado. Cabe ao Estado resolver esta situa\u00e7\u00e3o a que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem responder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a terminar o prazo de discuss\u00e3o publica da denominada bazuca europeia (1 de mar\u00e7o). Quais s\u00e3o as suas expectativas relativamente ao apoio ao sector solid\u00e1rio? Seria importante ter institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas a deixar contributos sobre as prioridades a seguir?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero muito que o setor social n\u00e3o fique de fora daquilo que s\u00e3o os apoios europeus. Mau seria que ficasse. Espero bem que seja uma \u00e1rea contemplada e portanto, as institui\u00e7\u00f5es possam contar com a melhor vontade da parte do Governo para assegurar a qualidade de vida \u00e0s pessoas que as institui\u00e7\u00f5es servem. Com esta\u00a0consci\u00eancia: \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es existem e fazem com\u00a0qualidade\u00a0que o Estado sabe que ningu\u00e9m faria por menos dinheiro. Portanto, \u00e9 uma qualidade assegurada com uma gest\u00e3o cuidadosa e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhum\u00a0preju\u00edzo\u00a0para o estado apoiar bem as institui\u00e7\u00f5es. Quanto \u00e0 Igreja, eu quero dizer que \u00e9 de sublinhar as parcerias e os apoios &#8211; mesmo neste tempo de pandemia &#8211; de outras institui\u00e7\u00f5es e de empresas que sabendo do seu dever\u00a0\u00e9tico\u00a0de colaborar na sociedade, se disp\u00f5em a colaborar com a C\u00e1ritas para que a C\u00e1ritas receba um apoio quer monet\u00e1rio, quer em bens para fazer chegar a quem precisa. Isso tem acontecido e \u00e9 bom que continue a acontecer. E, portanto, \u00e9 um bem\u00a0desenvolvido\u00a0na C\u00e1ritas portuguesa e depois nas C\u00e1ritas diocesanas e paroquias, mas com uma grande credibilidade que se tem desenvolvido entre institui\u00e7\u00f5es, empresas e C\u00e1ritas Portuguesa. E espero que continue.\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/151785036_10159740212909925_3223376126045171676_n.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-200274 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/151785036_10159740212909925_3223376126045171676_n-400x152.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/151785036_10159740212909925_3223376126045171676_n-400x152.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/151785036_10159740212909925_3223376126045171676_n-768x292.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/151785036_10159740212909925_3223376126045171676_n-480x183.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/151785036_10159740212909925_3223376126045171676_n.jpg 820w\" sizes=\"(max-width: 400px) 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