{"id":19999,"date":"2006-09-05T12:43:58","date_gmt":"2006-09-05T12:43:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/05\/zangados-com-a-vida\/"},"modified":"2006-09-05T12:43:58","modified_gmt":"2006-09-05T12:43:58","slug":"zangados-com-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/zangados-com-a-vida\/","title":{"rendered":"Zangados com a vida"},"content":{"rendered":"<p>Nunca ser\u00e1 demais procurarmos o ponto de equil\u00edbrio entre a esperan\u00e7a &#8211; mesmo que se assemelhe a utopia &#8211; e a crueza aparente da realidade. Ou, se olharmos com serenidade, anotarmos o que temos e o que nos falta, o que somos e o que dever\u00edamos ser, o feito e o por fazer. Muitos desabafos sobre o mundo, sobre os outros, sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, v\u00eam de respiradores de outras condutas do nossos ser que s\u00e3o sopradas ora pela ilus\u00e3o moment\u00e2nea, ora pelo azedume com que encaramos a nossa vida e a dos outros. Atropelam-se as raz\u00f5es de queixa \u00e0 nossa volta e parece que quanto mais pr\u00f3ximas mais dilatadas pelo desencanto, para n\u00e3o falar dum complexo de pequenez que, dizendo no plural e incluindo-nos no verbo, sempre pretende deixar de fora os parapentes que sobrevoam, olham, e nada transformam da realidade. H\u00e1 factos que propiciam este clamor colectivo euf\u00f3rico ou depressivo em espa\u00e7os muito curtos e c\u00edclicos. Muitos apontam a causa: as janelas abertas e envidra\u00e7adas da comunica\u00e7\u00e3o que se tornam rapidamente respons\u00e1veis pela propaga\u00e7\u00e3o das desgra\u00e7as e  benesses que caem sobre o povo. E cada dia tem a dimens\u00e3o do dia do fim do mundo ou do arraial \u00e9brio com vapores de dissipa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Onde o ponto de equil\u00edbrio  e rotura neste barco multimilenar em que todos somos remadores e todos fazemos ondas? Vamos ser honestos: o mundo mudou e n\u00e3o para pior. Os amargurados que tudo consideram perdido com o dogma de &#8220;no meu tempo n\u00e3o era assim&#8221;, como lembram a escravatura, o desprezo legal pelos pobres, a explora\u00e7\u00e3o silenciada dos trabalhadores, a f\u00e9 envolta em medo, as crian\u00e7as com trabalho obrigat\u00f3rio, a ci\u00eancia e o desenvolvimento olhados como obra do diabo? Onde est\u00e1 a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e n\u00e3o muito distante do quanto n\u00e3o \u00e9ramos e do muito que ganh\u00e1mos em dimens\u00e3o de vida, de cultura e f\u00e9? Mesmo no nosso pa\u00eds, porqu\u00ea desprezar o caminho que se j\u00e1 percorreu, apenas pela verbosidade sensual da cr\u00edtica corrosiva a todas as coisas? Criticar \u00e9 preciso e sempre fez falta. Mas o farisa\u00edsmo maldizente a nada conduz, ou melhor, diverte e realiza quem o faz, por n\u00e3o saber fazer outra coisa.  <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca ser\u00e1 demais procurarmos o ponto de equil\u00edbrio entre a esperan\u00e7a &#8211; mesmo que se assemelhe a utopia &#8211; e a crueza aparente da realidade. Ou, se olharmos com serenidade, anotarmos o que temos e o que nos falta, o que somos e o que dever\u00edamos ser, o feito e o por fazer. 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