{"id":199953,"date":"2021-02-21T09:30:09","date_gmt":"2021-02-21T09:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199953"},"modified":"2021-02-20T17:51:49","modified_gmt":"2021-02-20T17:51:49","slug":"sociedade-os-velhos-estao-muitas-vezes-num-ambiente-em-que-se-sentem-como-um-peso-antonio-bagao-felix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-os-velhos-estao-muitas-vezes-num-ambiente-em-que-se-sentem-como-um-peso-antonio-bagao-felix\/","title":{"rendered":"Sociedade: \u00abOs velhos est\u00e3o, muitas vezes, num ambiente em que se sentem como um peso\u00bb &#8211; Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix"},"content":{"rendered":"<p><em>Antigo ministro das Finan\u00e7as e da Seguran\u00e7a Social \u00e9 o convidado desta semana da entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia, numa altura em que ainda se reflete o mais recente documento da Academia Pontif\u00edcia para a Vida, \u00abA velhice: o nosso futuro. A situa\u00e7\u00e3o dos idosos ap\u00f3s a pandemia\u00bb<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em> <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-150562 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/bagao_felix-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>O Vaticano defende a necessidade de se devolver os mais velhos a um ambiente dom\u00e9stico e familiar, ap\u00f3s a pandemia. J\u00e1 teve oportunidade de refletir sobre o documento da Academia Pontif\u00edcia. Essa \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es que precisamos de retirar desta pandemia<\/em>?<\/p>\n<p>N\u00e3o direi que seja uma das li\u00e7\u00f5es, \u00e9 sobretudo o intensificar da li\u00e7\u00e3o que os documentos pontif\u00edcios e da Igreja t\u00eam revelado desde h\u00e1 alguns anos: a preocupa\u00e7\u00e3o por reconduzir as pessoas mais velhas a um ambiente tendencialmente familiar, de vizinhan\u00e7a. No sentido de garantir, na parte final das suas vidas, uma humaniza\u00e7\u00e3o completa, ou t\u00e3o completa quanto poss\u00edvel. Ali\u00e1s, neste documento, fala-se de \u201calian\u00e7a de gera\u00e7\u00f5es\u201d. Esta viragem cultural de que fala a Academia Pontif\u00edcia para a Vida \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de lutar contra a cultura dominante, do descarte, como tem referido insistentemente o Papa Francisco. Uma cultura em que os velhos est\u00e3o, muitas vezes, num ambiente em que se sentem como um peso, como um sarilho, para os seus habitats naturais da fam\u00edlia e da vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ver a quest\u00e3o da velhice como formas fragment\u00e1rias e formas brutalmente injustas de eutan\u00e1sia social, de eutan\u00e1sia familiar, de eutan\u00e1sia relacional, para al\u00e9m daquela que, infelizmente, est\u00e1 na ordem do dia, a eutan\u00e1sia propriamente dita. O desafio reside em n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Covid-91 vem mostrar que a sociedade tem mesmo de melhorar a sua rela\u00e7\u00e3o com os idosos, e a forma de cuidar deles<\/em>?<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 absolutamente verdade. N\u00f3s vivemos numa onda utilitarista, de \u00e9tica utilitarista, na qual as pessoas mais velhas s\u00e3o \u2013 al\u00e9m de um peso, muitas vezes \u2013 descart\u00e1veis, e alguns at\u00e9 dizem que \u201cvelho n\u00e3o d\u00e1 retorno, s\u00f3 d\u00e1 preju\u00edzo\u201d. Isso sente-se, intui-se, a ideia da respeitabilidade dos cabelos grisalhos tende a ser desconsiderada.<\/p>\n<p>Quando morre uma pessoa mais nova, por Covid, h\u00e1 como que um alerta maior. Quando morrem as pessoas mais velhas, j\u00e1 \u00e9 mais uma quest\u00e3o estat\u00edstica, de n\u00fameros. Ali\u00e1s, n\u00e3o se diz que morreram X velhos, ou X pessoas, diz-se que faleceram X utentes\u2026 A sociedade, por vezes, mesmo que n\u00e3o o expresse, tende a considerar que, sendo a larga maioria dos mortos da pandemia concentrada nos velhos, do mal o menos, pensar\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 quase como natural.<\/em><\/p>\n<p>Sabemos que essa \u00e9 a lei natural da vida, quem nasce primeiro deve, em regra, morrer primeiro, mas isso n\u00e3o justifica esta vis\u00e3o t\u00e3o utilit\u00e1ria, t\u00e3o descart\u00e1vel que a pandemia veio trazer mais \u00e0 tona da \u00e1gua, como diz o documento da Academia Pontif\u00edcia para a Vida. \u00c9 uma oportunidade para discernir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Do seu ponto de vista que medidas ser\u00e3o necess\u00e1rias para se operar essa revolu\u00e7\u00e3o coperniciana na forma de cuidarmos dos idosos<\/em>?<\/p>\n<p>As medidas come\u00e7am em n\u00f3s, como disse. Do ponto de vista das pol\u00edticas p\u00fablicas, eu j\u00e1 me daria por satisfeito se as medidas n\u00e3o estimulassem situa\u00e7\u00f5es erradas ou enviesadas.<\/p>\n<p>Eu bem sei que os lares, as institui\u00e7\u00f5es de cuidados continuados fazem um papel relevant\u00edssimo na sociedade portuguesa e, sobretudo, para os mais velhos. Mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa do que estar no seu habitat natural, no seu lar, junto da sua fam\u00edlia. O que \u00e9 desej\u00e1vel \u00e9 que, pelo menos, as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o fomentem a \u201cbetoniza\u00e7\u00e3o\u201d, a institucionaliza\u00e7\u00e3o dos mais velhos, em detrimento da op\u00e7\u00e3o de natural de continuar \u2013 na medida das possibilidades \u2013 dentro das fam\u00edlias. Ou seja, o lar, a institui\u00e7\u00e3o de acolhimento \u00e9 o \u00faltimo recurso, mas n\u00e3o deve ser o primeiro recurso facilitado por pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Far\u00e1 sentido, num pa\u00eds que \u00e9 cada vez mais envelhecido, que as dedu\u00e7\u00f5es fiscais para efeitos de IRS relativamente \u00e0s fam\u00edlias que optam, que podem optar por ter os seus velhos juntos de si, apoiando-os diretamente, seja muito mais estimulada, do ponto de vista fiscal, do que propriamente os encargos num lar.<\/p>\n<p>Por outro lado, defendo cada vez mais que, durante o dia, os idosos deviam estar o mais perto poss\u00edvel das suas fam\u00edlias e, durante a noite, podiam estar numa situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e de tratamento junto de institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 quase uma invers\u00e3o da l\u00f3gica atual\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Aquilo que normalmente se designa lares e centros de dia, eu preferia ter centros de noite. Porque uma das quest\u00f5es que hoje se coloca aos mais velhos \u00e9 a seguran\u00e7a, material, pessoal, a solid\u00e3o\u2026 Isso revela-se, como \u00e9 da natureza humana, sobretudo de noite. Sou favor\u00e1vel, nesse aspeto, a cada vez mais apoio domicili\u00e1rio e a uma altera\u00e7\u00e3o, de centros de noite e n\u00e3o apenas de centros de dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A escola de enfermagem da Universidade de \u00c9vora tem desenvolvido um estudo a pedido da CNIS que, para al\u00e9m de um diagn\u00f3stico e carateriza\u00e7\u00e3o da realidade nas estruturas residenciais para idosos e centros de dia, fala tamb\u00e9m dessa necessidade de se manter o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel o idoso em contexto familiar. E tem vindo a ganhar for\u00e7a a ideia da cria\u00e7\u00e3o da figura do cuidador comunit\u00e1rio. Estar\u00e1 a nossa sociedade sensibilizada para esta necessidade<\/em>?<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 muito sensibilizada. Mas eu acho que os tempos\u2026 Um tempo de dificuldade, de agravamento de condi\u00e7\u00f5es, de crise, como \u00e9 esta crise sanit\u00e1ria, se \u00e9 um problema grave, tamb\u00e9m tem de ser uma oportunidade. Nesse sentido, esses estudos, esses documentos, uma discuss\u00e3o aberta, sem preconceitos, relativamente \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de mentalidades \u2013 porque \u00e9 a\u00ed que tudo come\u00e7a\u2026 N\u00f3s vemos casos de excel\u00eancia, mas vemos casos exatamente contr\u00e1rios, de abandono, de afastamento dos mais velhos, sem que isso se justifique.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos como tem custado a implementar a figura do cuidador informal<\/em>\u2026<\/p>\n<p>\u00c9. Na minha opini\u00e3o, certamente discut\u00edvel, o cuidador informal \u00e9 certamente uma figura important\u00edssima. Que, ali\u00e1s, existe antes da lei. A lei deve promov\u00ea-la, deve proteg\u00ea-la e deve enquadr\u00e1-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas n\u00f3s estamos ainda, apenas, com projetos-piloto, 30 projetos\u2026<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 coisas em que, mais do que a lei, \u00e9 importante a \u00e9tica social. Eu n\u00e3o estou a ver, pelo facto de haver uma lei -certamente com muitos artigos, com muitas al\u00edneas, com muito emaranhado de preceitos, como \u00e9 habitual na prolifera\u00e7\u00e3o legislativa em Portugal \u2013 que isso v\u00e1 estimular muito os cuidadores informais. Vai-lhes atrapalhar a vida, certamente\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na execu\u00e7\u00e3o or\u00e7amental de 2020, da verba prevista para os cuidados informais e para os projetos-pilotos, apenas 1% foi gasta\u2026<\/em><\/p>\n<p>Pois, porque estamos a pedir ao Estado que fa\u00e7a uma coisa de que ele n\u00e3o \u00e9 capaz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m a\u00ed necessitamos de uma pol\u00edtica de proximidade?<\/em><\/p>\n<p>Absolutamente. Capilar. Eu gosto at\u00e9 de lhe chamar uma pol\u00edtica de capilaridade, n\u00e3o apenas de proximidade, porque este \u00e9 um conceito mais f\u00edsico, mais geogr\u00e1fico. A capilaridade \u00e9 um conceito mais afetivo, mais entrosado, de troca de viv\u00eancias e de testemunhos, de disponibilidades e partilha.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho grandes esperan\u00e7as nas normas jur\u00eddicas, nas leis, para estas quest\u00f5es. H\u00e1 uma obsess\u00e3o, o Estado quer ser omnisciente, omnipresente, em todas as l\u00f3gicas sociais, nos nossos comportamentos. N\u00e3o gosto de um Estado que interfira no meu comportamento em nome de outro e em favor de outro, eu quero apenas que me d\u00ea um respaldo, mas que n\u00e3o me atrofie com regulamenta\u00e7\u00e3o, com cart\u00f5es, com ficheiros, com normas perfeitamente disparatadas e desnecess\u00e1rias. Depois, \u00e9 a quest\u00e3o do tempo: fala-se h\u00e1 n\u00e3o sei quanto tempo de cuidadores informais, mas s\u00f3 1% dos recursos \u00e9 que foram gastos, porque, entretanto, nos gabinetes esses cuidadores s\u00e3o apenas uma figura jur\u00eddica. N\u00e3o: os cuidadores informais s\u00e3o, primeiro e acima de tudo, pessoas, amigos, pessoas generosas, solid\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Gostaria de voltar a uma quest\u00e3o que levantou no in\u00edcio\u00a0da conversa at\u00e9 porque j\u00e1 falou v\u00e1rias vezes da sua cr\u00edtica \u00e0 \u00e9tica utilitarista e \u00e0 quest\u00e3o do peso que muitas vezes a sociedade faz sentir aos velhos\u2026.Para falarmos da recente legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, sobretudo para lhe perguntar se considera que isto\u00a0representa\u00a0um risco acrescido, em termos de press\u00e3o social, para pessoas que se podem sentir um peso para as suas fam\u00edlias? Estamos a sugerir que as pessoas desistam de viver?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o conhe\u00e7o ainda o projeto de lei aprovado e espero que corra todas as suas fases legislativas e tenho\u00a0esperan\u00e7a\u00a0que n\u00e3o v\u00e1 para a\u00a0frente. Mas esta ideia, de ali\u00e1s fazer coincidir no tempo, embora esse \u00e9 aspeto menos doutrin\u00e1rio, mas mais circunstancial; de n\u00e3o ter havido a dec\u00eancia, eu repito: a dec\u00eancia de n\u00e3o discutir e aprovar no Parlamento portugu\u00eas por deputados que est\u00e3o l\u00e1 em nome do povo, para uma quest\u00e3o que a maior parte dos partidos nem sequer p\u00f4s nos seus programas eleitorais quando se sujeito ao sufr\u00e1gio eleitoral, no momento da pandemia, no momento em que estavam a morrer muitos idosos e n\u00e3o s\u00f3, e outros a ficar com enormes\u00a0sequelas &#8211;\u00a0 esta ideia de ser natural a possibilidade da eutan\u00e1sia em situa\u00e7\u00e3o de grande dor e sofrimento, vem apenas fazer invadir o campo da vida de uma cultura de morte. Os velhos podem ser eutanasiados, os velhos podem ser descartados, as pessoas mais velhas podem ser colocadas numa institui\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o conhecem ningu\u00e9m, o velho pode passar do hospital A em Lisboa para o hospital B no Algarve, para morrer no Algarve ainda por cima mais longe das fam\u00edlias. Nesta quest\u00e3o da pandemia o que eu vejo ao n\u00edvel pol\u00edtico &#8211; aten\u00e7\u00e3o, ao n\u00edvel pol\u00edtico &#8211; vejo muita\u00a0estat\u00edstica, muitos n\u00fameros. Os telejornais s\u00e3o n\u00fameros do princ\u00edpio at\u00e9 ao fim. Vejo pouco as pessoas. Manda-se uma pessoa para a Madeira, vai num avi\u00e3o para depois morrer no Funchal como aconteceu! H\u00e1 um preceito na constitui\u00e7\u00e3o que diz que a vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel; ora isto n\u00e3o tem duas leituras. E, portanto, eu n\u00e3o sou jurista, nem constitucionalista, mas creio que o preceito \u00e9 absolutamente claro. E j\u00e1 agora sobre esse ponto h\u00e1 um argumento que tamb\u00e9m era muito ouvido na quest\u00e3o do aborto: Na eutan\u00e1sia h\u00e1 muita gente a dizer eu \u00e9 que determino que quero ser eutanasiado perante determinado tipo de circunst\u00e2ncias ou n\u00e3o. Eu percebo isso do ponto de vista de acabar com a vida, o suic\u00eddio, embora isso seja dram\u00e1tico. Mas aten\u00e7\u00e3o, a eutan\u00e1sia exige fun\u00e7\u00f5es objetivamente profissionais, de cl\u00ednicos e outros agentes da sa\u00fade, designadamente. Uma pessoa n\u00e3o se eutanasia por si pr\u00f3pria, mas depende de outro. E portanto, dizer eu \u00e9 que decidido, est\u00e1 bem decide, mas est\u00e1 a pedir a outra pessoa que fez o juramento como m\u00e9dico que em vez de curar e n\u00e3o podendo curar em vez de cuidar, provoque a cessa\u00e7\u00e3o ou o fim da pr\u00f3pria vida<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 outra quest\u00e3o que est\u00e1 a marcar muito a sociedade que \u00e9 o processo de vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid -19, visto como um sinal de esperan\u00e7a. Como tem visto a forma como tem decorrido este processo?<\/em><\/p>\n<p>Acho que h\u00e1 muito mediatismo pol\u00edtico. Custa-me a ver membros do Governo a irem a qualquer esquina para uma primeira vacina. Ou \u00e9 a dos bombeiros, ou \u00e9 a dos policias, ou \u00e9 do Algarve, ou \u00e9 a do Alentejo; acho que devia haver um bocadinho de decoro nesta quest\u00e3o. Depois, h\u00e1\u00a0aspetos\u00a0relacionados a meu ver com algumas debilidades dos contratos da comiss\u00e3o europeia com as\u00a0farmac\u00eauticas. \u00c9 pena, mas pronto a\u00ed Portugal est\u00e1 a sofrer como os outros pa\u00edses as consequ\u00eancias de redu\u00e7\u00e3o de entrega das vacinas. E creio que tamb\u00e9m o processo, a hierarquia, a prioridade das vacinas j\u00e1 teve muitos\u00a0zigues-zagues\u00a0e alguns eram manifestamente evit\u00e1veis, como as pessoas mais velhas entre as mais velhas. Pois se 90 % das pessoas que j\u00e1 morreram ou que estiveram numa situa\u00e7\u00e3o muito\u00a0grav\u00edssima\u00a0s\u00e3o pessoas velhas e sobretudo a partir dos 80 anos; essas \u00e9 que deviam ter sido mesmo as primeiras a ser vacinadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 que tem sido o tema da nossa conversa&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, isso entra pelos olhos dentro. N\u00e3o vejo de outra maneira que possa ser. Porque a\u00ed olhe, tanto se fala das\u00a0estat\u00edsticas, de\u00a0n\u00fameros; esta\u00a0estat\u00edstica\u00a0\u00e9 absolutamente poderosa para perceber qual deveria ser a prioridade. E j\u00e1 agora um outro ponto que n\u00e3o est\u00e1 relacionado com as vacinas, mas que me parece\u00a0absolutamente\u00a0relevante, que \u00e9 a logica do confinamento atual que deve sobretudo responder a uma quest\u00e3o que \u00e9: evitar aglomera\u00e7\u00f5es ou ajuntamento de pessoas, porque hoje em dia, ao contr\u00e1rio de mar\u00e7o do ano passado as pessoas todas s\u00e3o obrigadas a usar mascara, e muito bem, est\u00e3o mais habituadas a aspetos de higiene que provavelmente at\u00e9 n\u00e3o estariam antes. E, portanto, o que se tem de evitar \u00e9 isso. Eu n\u00e3o percebo\u00a0porque\u00a0\u00e9 que\u00a0determinado\u00a0tipo de pequenos\u00a0neg\u00f3cios, onde n\u00e3o h\u00e1 ajuntamentos nenhuns, n\u00e3o podem estar abertos, ou por exemplo livrarias, ou por exemplo cabeleireiros.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Isto significa que n\u00e3o aprendemos com o primeiro confinamento?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, aprendemos. Mas uma quest\u00e3o \u00e9 aprender, outra quest\u00e3o \u00e9 cometer erros noutro contexto. Repare bem quando h\u00e1 uma semanas, ainda antes deste confinamento generalizado foi decretado que os supermercados estavam abertos at\u00e9 \u00e0 uma da tarde aos s\u00e1bados e aos domingos; isto \u00e9 uma medida completamente disparatada porque exatamente provocou um ajuntamento muito grande de pessoas, porque as horas de possibilidade de se fazer compras era mais reduzida. O que \u00e9 certo \u00e9 que isso vai provocar uma morte de muitas unidades empresariais pequenas. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade da economia sem tratarmos da pandemia; \u00e9\u00a0absolutamente\u00a0verdade e eu concordo, completamente. Mas acontece que isto tem um limite: \u00e9 que se pode depois recuperar a economia\u00a0exceto\u00a0aquilo que morreu na economia. E o que morre muitas vezes na economia s\u00e3o pequenos neg\u00f3cios familiares, de\u00a0vizinhan\u00e7a\u00a0ou de proximidade como h\u00e1 pouco j\u00e1 falamos. E at\u00e9 tamb\u00e9m nesse sentido, os velhos s\u00e3o mais prejudicados, porque os velhos que vivem s\u00f3s e que n\u00e3o est\u00e3o institucionalizados tem mais\u00a0dificuldade\u00a0em ir a grandes\u00a0superf\u00edcies, est\u00e3o habituados a ir \u00e0 loja ao lado de sua casa. Mas tudo est\u00e1 feito para quem usa smartphones, quem usa iPad, quem tem computadores, quem tem telefones not\u00e1veis e quem tem capacidade de locomo\u00e7\u00e3o normal. Se n\u00f3s formos dissecar muitas das medidas tamb\u00e9m a\u00ed os velhos est\u00e3o deslocados; n\u00e3o s\u00e3o considerados como deveriam ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Wjasbf4mB2\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-sociedade-vaticano-propoe-revolucao-para-devolver-os-idosos-a-um-ambiente-domestico\/\">Igreja\/Sociedade: Vaticano prop\u00f5e \u00abrevolu\u00e7\u00e3o\u00bb para devolver os idosos a um ambiente dom\u00e9stico<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Igreja\/Sociedade: Vaticano prop\u00f5e \u00abrevolu\u00e7\u00e3o\u00bb para devolver os idosos a um ambiente dom\u00e9stico&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-sociedade-vaticano-propoe-revolucao-para-devolver-os-idosos-a-um-ambiente-domestico\/embed\/#?secret=VYqmzRKUV3#?secret=Wjasbf4mB2\" data-secret=\"Wjasbf4mB2\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antigo ministro das Finan\u00e7as e da Seguran\u00e7a Social \u00e9 o convidado desta semana da entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia, numa altura em que ainda se reflete o mais recente documento da Academia Pontif\u00edcia para a Vida, \u00abA velhice: o nosso futuro. A situa\u00e7\u00e3o dos idosos ap\u00f3s a pandemia\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150562,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-199953","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199953\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}