{"id":19993,"date":"2006-09-05T12:32:29","date_gmt":"2006-09-05T12:32:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/05\/presbiterio-em-comunhao\/"},"modified":"2006-09-05T12:32:29","modified_gmt":"2006-09-05T12:32:29","slug":"presbiterio-em-comunhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presbiterio-em-comunhao\/","title":{"rendered":"Presbit\u00e9rio em Comunh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Sess\u00e3o de abertura do V Simp\u00f3sio do Clero  <!--more--> Na complexidade do mundo hodierno n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar alguns par\u00e2metros que o caracterizam. Se a Igreja \u00e9, ou deve ser Sacramento, como sinal de Cristo, de salva\u00e7\u00e3o para o mundo, talvez seja oportuno iniciar este Simp\u00f3sio, elencando algumas coordenadas da vida do povo para quem vivem os Sacerdotes. 1. O mundo hodierno 1.1. Multiculturalismo Conflituoso \u00c9 j\u00e1 um lugar comum afirmar o multiculturalismo conflituoso. Muitas culturas com riquezas pr\u00f3prias mas incapazes de conviverem na harmonia enriquecedora. 1.2. Colapso das Ideologias Ao lado desta variedade heterog\u00e9nea sentimos que o valor ideol\u00f3gico perde influ\u00eancia e podemos afirmar a debilidade dum pensamento que justifica o colapso das referidas ideologias. A raz\u00e3o, com os seus fundamentos, perde espa\u00e7o e vai convencendo cada vez menos. O que parece verdade racional relativiza-se e o imp\u00e9rio do imediato e experiencial dita as suas leis nos comportamentos quotidianos. Existe uma pregui\u00e7a para reflectir e acolhem-se as mensagens bem apresentadas e acompanhadas por motiva\u00e7\u00f5es que n\u00e3o comprometam.  2. Resposta Eclesial Neste cen\u00e1rio acredito que s\u00f3 a harmoniza\u00e7\u00e3o com o diferente, sem destruir o que lhe \u00e9 espec\u00edfico, conseguir\u00e1 motivar e atrair. S\u00f3 um arco-\u00edris de conc\u00f3rdia conseguir\u00e1 impor-se e mostrar novidade perene. Perante a debilidade do pensamento importa proporcionar testemunhos e experi\u00eancias que sejam vis\u00edveis, n\u00e3o meramente numa perspectiva de testemunho individual \u2013 imprescind\u00edvel mas insuficiente \u2013 mas atrav\u00e9s duma comunh\u00e3o integradora das diferen\u00e7as. 2.1. A Vanguarda do Testemunho Sacerdotal Neste desafio proposto \u00e0 Igreja, os sacerdotes devem situar-se na vanguarda, nunca pretendendo ou esperando uma Igreja clerical mas como refer\u00eancia imprescind\u00edvel. A Igreja n\u00e3o s\u00e3o os sacerdotes, mas \u00e9 atrav\u00e9s destes que, predominantemente, o mundo colhe a mensagem de Deus e a identidade da Igreja. N\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos. S\u00e3o os primeiros. 2.2. Comunh\u00e3o Sacerdotal Da\u00ed que aos sacerdotes compete o encargo de acolher o dom da comunh\u00e3o que Deus \u00e9 e a responsabilidade de a tornar vis\u00edvel atrav\u00e9s dum amor consistente e persistente. A comunh\u00e3o entre os sacerdotes, do mesmo presbit\u00e9rio ou num sentido mais abrangente, n\u00e3o \u00e9 algo de opcional mas estruturante do sacerd\u00f3cio. Um Sacerdote sozinho ou isolado nos seus projectos e convic\u00e7\u00f5es \u00e9 um contra-testemunho e n\u00e3o edifica a Igreja de Cristo por muito que trabalhe. 2.3. Comunh\u00e3o como Trabalho Permanente Reconhecer a comunh\u00e3o como itiner\u00e1rio de Vida Sacerdotal significa, tamb\u00e9m, um reconhecimento de que ela n\u00e3o existe mas tem de ser constru\u00edda permanentemente e n\u00e3o por alguns mas por cada um. \u00c9 um trabalho \u00e1rduo e repleto de escolhas. S\u00f3 que, por outro lado, torna-se apaixonante e verdadeiramente realizadora. A Comunh\u00e3o Sacerdotal \u00e9 o ar que o padre respira. O seu bem estar humano e espiritual depende da sua qualidade. 2.4. \u00c2mbitos da Comunh\u00e3o Com uma vida estruturada a partir da comunh\u00e3o, o sacerdote assume-se gerador de comunh\u00e3o como o primeiro servi\u00e7o a prestar dentro da Igreja e para o mundo que o rodeia. Diversos \u00e2mbitos devem ser percorridos. &#8211; O Sacerdote construtor da comunh\u00e3o dentro da Igreja. \u201cSe fores at\u00e9 ao altar para levares a tua oferta, e a\u00ed te lembrares de que o teu irm\u00e3o tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta a\u00ed diante do altar e primeiro fazes as pazes com o teu irm\u00e3o\u201d (Mt. 5, 23). A comunh\u00e3o \u00e9 o primeiro encargo pastoral que condiciona tudo o resto. A catequese ou a liturgia perdem o significado sem esta \u201coriginalidade\u201d da Igreja Cat\u00f3lica. &#8211; O Sacerdote sabe que a sua rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode fechar-se no seio da Igreja Cat\u00f3lica. Hoje, mais do que nunca, o Sacerdote ter\u00e1 de ser homem ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o ecum\u00e9nica ou inter-religiosa. Atrav\u00e9s dum conhecimento das diversas confiss\u00f5es ou religi\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel discernir pontos de converg\u00eancia para um di\u00e1logo que eduque e forme para a toler\u00e2ncia tornando a religi\u00e3o factor de harmonia e nunca foco de separa\u00e7\u00f5es e conflitos. &#8211; O Sacerdote \u201ctirado de entre os homens\u201d \u00e9 constitu\u00eddo \u201cem favor\u201d dos mesmos homens. Nenhuma problem\u00e1tica ou esquema de cultura pode permitir uma marginaliza\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o pensa ou vive de harmonia com os seus crit\u00e9rios e princ\u00edpios. O mundo \u00e9 o campo de ac\u00e7\u00e3o e a\u00ed deve incarnar um sacerd\u00f3cio de verdadeiro servi\u00e7o. Mais do que fugir ou refugiar-se em esquemas de vida pessoal, o Sacerdote sabe que nada do que \u00e9 humano lhe \u00e9 estranho. Tudo \u00e9 pretexto para uma comunh\u00e3o de sentimentos e de compromissos libertadores. 2.5. A Originalidade da Comunh\u00e3o Estar em comunh\u00e3o com o mundo moderno n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de confundir-se com ele. Importa a coragem de estar sem ser, por vezes como sinal de contradi\u00e7\u00e3o que denuncia o erro e faz tudo para salvar as pessoas. Tudo isto s\u00f3 se consegue com uma aposta na diferen\u00e7a, evitando tudo quanto possa gerar perplexidade ou d\u00favida. \u00c9 chegada a hora do Sacerdote n\u00e3o ser reconhecido na \u201csua\u201d terra, como Cristo em Nazar\u00e9, pois esta apenas quer conhecer o \u201cFilho do Carpinteiro\u201d. Somos humanos mas portadores duma identidade que nunca permite que a percamos. Da\u00ed que a comunh\u00e3o \u00e9, essencialmente, Ken\u00f3tica, ou seja, Cristo que se imola para elevar. N\u00e3o se trata de presun\u00e7\u00e3o ou complexo de superioridade a exigir direitos. Basta de confus\u00f5es e o Sacerdote s\u00f3 ter\u00e1 raz\u00e3o de existir quando conseguir impor-se por aquilo que \u00e9, numa cruz abra\u00e7ada com confian\u00e7a e serenidade  3. Simp\u00f3sio como Programa O Simp\u00f3sio do clero de Portugal, realizando-se de tr\u00eas em tr\u00eas anos, deveria ser capaz de interpelar os Sacerdotes para que, colocando-se em quest\u00e3o, consigam dizer ao mundo onde est\u00e1 centralizada a sua vida. O seu sacerd\u00f3cio nasce do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Cristo para assegurar o Seu amor apaixonado pela humanidade. A mesma fonte faz convergir as vidas e une o presbit\u00e9rio para a responsabilidade de tornar o mundo uma fam\u00edlia. Sem resposta pessoal a Quem amou primeiro, n\u00e3o h\u00e1 comunh\u00e3o nem Igreja por muitas iniciativas que se tomem. O Padre \u00e9 homem de comunh\u00e3o com Deus, acolhida comtemplativamente como dom e vivida corresponsavelmente numa alegria e encanto tornadas vis\u00edveis perante um mundo multicultural e de pensamento d\u00e9bil. Maria, junto \u00e0 cruz, partilhou do mesmo amor pela humanidade. Que ela nos ensine o caminho da comunh\u00e3o gerada a partir duma intimidade com a Palavra para um servi\u00e7o eloquente \u00e0 humanidade inteira, numa predilec\u00e7\u00e3o pelos mais abandonados e marginalizados. Acolhamos o dom do sacerd\u00f3cio e ofere\u00e7amos, na humildade de servos, um amor incarnado e redentor.  F\u00e1tima, 5 de Setembro de 2006. D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz e Presidente da CEP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sess\u00e3o de abertura do V Simp\u00f3sio do Clero<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,168,206,207,246],"class_list":["post-19993","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-familia","tag-fatima","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19993\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}