{"id":199587,"date":"2021-02-17T11:17:56","date_gmt":"2021-02-17T11:17:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199587"},"modified":"2021-02-17T11:17:56","modified_gmt":"2021-02-17T11:17:56","slug":"o-papel-da-mulher-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-papel-da-mulher-na-igreja\/","title":{"rendered":"O papel da mulher na Igreja"},"content":{"rendered":"<p><em>Frei M\u00e1rcio Carreira,\u00a0ofm<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FreiMarcioCarreira.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-199594 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FreiMarcioCarreira-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FreiMarcioCarreira-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FreiMarcioCarreira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FreiMarcioCarreira-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/FreiMarcioCarreira.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na vida da Igreja ainda est\u00e1 longe de ser totalmente conclu\u00edda. \u00c9 uma problem\u00e1tica ainda em aberto. Pode parecer que o progresso da sociedade civil, onde as mulheres assumem cada vez mais pap\u00e9is de responsabilidade, possa ditar a necessidade de uma mudan\u00e7a na Igreja. Na verdade, esse \u00e9 apenas um motivo adicional, que estimula a reflex\u00e3o. Pois a raz\u00e3o fundamental para exigir uma mudan\u00e7a na Igreja \u00e9 muito mais profunda e tem outra natureza. N\u00e3o se trata de mais ou menos democracia, porque a Igreja n\u00e3o \u00e9 uma democracia. A Igreja, como comunidade vis\u00edvel e espiritual, \u00e9 ao mesmo tempo \u201cuma \u00fanica realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e divino\u201d (LG 8). Consequentemente, no caso de uma sociedade divino-humana, os motivos que justificam uma verdadeira participa\u00e7\u00e3o das mulheres na Igreja, e que podem ser exigidos, s\u00e3o de natureza teol\u00f3gica, visto que as tamb\u00e9m s\u00e3o membros do Povo de Deus, chamadas\u00a0 a ser disc\u00edpulas.<\/p>\n<p>A mulher procura hoje em dia uma maior visibilidade na Igreja, quer nas decis\u00f5es, quer no seu envolvimento pastoral e lit\u00fargico e n\u00e3o ser utilizada apenas como uma mera servi\u00e7al. N\u00e3o devemos reduzir a sua visibilidade apenas ao acesso \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, pois n\u00e3o deve ser o \u00fanico problema, pois esta n\u00e3o vai dignificar mais a mulher. Para a ordena\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria voca\u00e7\u00e3o e \u00e9 apenas um servi\u00e7o \u00e0 igreja. A dignidade, a que todos temos direito, envolve toda a pessoa e isso deve ser reconhecido por toda a comunidade eclesial e social. Explorar positivamente todas as capacidades da mulher e usufruir do que ela pode oferecer s\u00e3o instrumentos essenciais para a descoberta de novas formas de ver o mundo, bem como ter em conta o contributo fundamental para a solu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios problemas eclesiais e sociais. A mulher e o homem devem complementar-se, entregando-se reciprocamente ao servi\u00e7o da Igreja, com tudo aquilo que s\u00e3o e possuem.<\/p>\n<p>Para as mulheres &#8211; como para todo o fiel &#8211; o direito inalien\u00e1vel de participar plenamente da vida da Igreja deriva do baptismo: \u00e9 por isso que falamos de igualdade e dignidade na Igreja. A este respeito diz-nos o Papa Francisco: \u201co papel da mulher na Igreja n\u00e3o \u00e9 feminismo, \u00e9 direito! \u00c9 um direito de baptizada com os carismas e os dons que o Esp\u00edrito concedeu. N\u00e3o se deve cair no feminismo, porque isto reduziria a import\u00e2ncia da mulher\u201d. A tentativa de demonstrar a necessidade de uma maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres, com base no seu car\u00e1cter espont\u00e2neo e materno, tamb\u00e9m \u00e9 inadequada. Essa vis\u00e3o \u00e9 o resultado de uma interpreta\u00e7\u00e3o parcial e redutora que o documento <em>Mulieris dignitatem<\/em> de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II faz. De facto, esta mentalidade fez com que n\u00e3o houvesse mudan\u00e7as substanciais na Igreja e que certas formas de marginaliza\u00e7\u00e3o fossem favorecidas, como se a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na Igreja pudesse ser resolvida com a imagem arcaica e angelical da mulher modesta e silenciosa.<\/p>\n<p>Na actualidade, o Papa Francisco traz \u00e0 consci\u00eancia eclesial um modelo de mulher que \u00e9 tudo menos submissa e secund\u00e1ria, mas antes determinada e participativa, com uma miss\u00e3o, dirigida aos pr\u00f3prios ap\u00f3stolos pela vontade de Cristo. A solu\u00e7\u00e3o para a problem\u00e1tica da participa\u00e7\u00e3o da mulher, portanto, n\u00e3o deve ser encontrada externamente, em teorias e ideologias contra a f\u00e9, mas deve ser encontrada internamente e em di\u00e1logo com as ci\u00eancias sociais. Trata-se de redescobrir o que j\u00e1 faz parte da heran\u00e7a da f\u00e9 e discernir como ler essa heran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja dos dias de hoje. Partirmos da dignidade baptismal comum n\u00e3o \u00e9 ideologicamente negar os diferentes modos pelos quais cada um participa da miss\u00e3o eclesial e realiza a voca\u00e7\u00e3o para a santidade. \u00c9, sim, uma diversidade que pertence \u00e0 vitalidade da Igreja.<\/p>\n<p>A necessidade de progresso \u00e9 essencial e urgente! No entanto, recorrer a solu\u00e7\u00f5es precipitadas n\u00e3o favorece as mulheres. A tarefa deste pontificado \u00e9 ainda mais dif\u00edcil, pois \u00e9 marcada pela consci\u00eancia de que, como Francisco afirma, \u201co tempo \u00e9 sempre superior ao espa\u00e7o\u201d (EG 222). A efic\u00e1cia de Francisco, perante o seu trabalho a favor das mulheres, passa por um delicado exerc\u00edcio de discernimento. Num recente estudo que realizei, muitas mulheres objectam que j\u00e1 esperaram o suficiente e que mais atrasos n\u00e3o s\u00e3o toler\u00e1veis, que a paci\u00eancia das mulheres em muitas situa\u00e7\u00f5es eclesiais atingiu o limite, as mulheres esperam um avan\u00e7o da parte da Igreja. Efetivamente, ainda que n\u00e3o seja assim t\u00e3o vis\u00edvel, j\u00e1 existem lugares e espa\u00e7os onde h\u00e1 uma presen\u00e7a das mulheres e a sua plena participa\u00e7\u00e3o, como sinal da igualdade baptismal. Todavia, esta presen\u00e7a vis\u00edvel poderia se tornar parte integrante da normalidade da vida na Igreja. A quest\u00e3o do papel da mulher n\u00e3o pode continuar a ser um assunto posterior, mas algo que deve permanecer em reflex\u00e3o, com a ajuda de uma teologia saud\u00e1vel, em que se considere as diferen\u00e7as antropol\u00f3gicas, masculinas e femininas, para explicar, em toda a sua riqueza, o que, nesse sentido, a f\u00e9 e o discernimento t\u00eam a dizer.<\/p>\n<p>Antes de ser criar espa\u00e7os para uma maior presen\u00e7a feminina, deve olhar-se para a mulher, reconhecendo, com firmeza, a sua dignidade. Reflectindo, com clareza, sobre a fecundidade nos seus trabalhos apost\u00f3licos, n\u00e3o podendo olhar para a mulher como uma mera servi\u00e7al ou instrumental, mas sim algu\u00e9m que est\u00e1 disposta a trabalhar com o homem e n\u00e3o para o homem. A sua participa\u00e7\u00e3o pode ser desempenhada na miss\u00e3o, no acolhimento, na protec\u00e7\u00e3o e no conselho. A mulher, auxiliando o povo de Deus pode cooperar na direc\u00e7\u00e3o espiritual, na evangeliza\u00e7\u00e3o, no minist\u00e9rio da Palavra, na gest\u00e3o das par\u00f3quias, cooperando sempre com o homem na condu\u00e7\u00e3o de todo o povo de Deus.<\/p>\n<p>Para terminar, a mulher e o homem s\u00e3o chamados a complementarem-se, trabalhando juntos no servi\u00e7o da Igreja e do mundo, numa entrega rec\u00edproca de si, com todas as suas potencialidades e caracter\u00edsticas. N\u00e3o poder\u00e1 haver espa\u00e7o nem para subalternidade, nem para discrimina\u00e7\u00e3o. O contributo do feminino e do masculino devem unir-se de forma a ler os sinais dos tempos e a dar respostas na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas mundiais. Todavia, \u00e9 altura de come\u00e7ar a mudar e a colocar os carismas e talentos do g\u00e9nero feminino ao servi\u00e7o de toda a comunidade eclesial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei M\u00e1rcio Carreira,\u00a0ofm<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":199594,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-199587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199587\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}