{"id":199553,"date":"2021-02-16T14:35:47","date_gmt":"2021-02-16T14:35:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199553"},"modified":"2021-02-16T14:35:47","modified_gmt":"2021-02-16T14:35:47","slug":"quaresma-em-novo-confinamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quaresma-em-novo-confinamento\/","title":{"rendered":"Quaresma em novo confinamento"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio S\u00edlvio Couto, Diocese de Set\u00fabal<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O ano passado fomos apanhados a meio da Quaresma naquilo que \u00e9 designado como o primeiro confinamento, que durou de 15 de mar\u00e7o (3.\u00ba domingo da quaresma) at\u00e9 31 de maio (domingo do Pentecostes)\u2026<br \/>\nH\u00e1 quase um ano atr\u00e1s a surpresa causou medo\u2026o medo gerou suspeita\u2026 a suspeita provocou d\u00favida\u2026a d\u00favida fez mudar os comportamentos\u2026essa mudan\u00e7a trouxe novas formas de estar em sociedade\u2026 essas formas, maioritariamente, foram fechando as pessoas, que se vem tornando mais ego\u00edstas, desconfiadas e mesmo interesseiras\u2026 umas para com as outras e at\u00e9 para com Deus.<br \/>\nPara encontrarmos pistas de reflex\u00e3o sobre tudo isto, que nos tem estado a acontecer desde os finais de mar\u00e7o do ano passado, vamos cingir-nos a aspetos, desta vez, mais de ordem da dimens\u00e3o espiritual, n\u00e3o esquecendo as suas manifesta\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito crist\u00e3o\/cat\u00f3lico\u2026 onde se podem incluir algumas iniciativas programadas para este longo tempo de suspens\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es religiosas reformuladas, bem como as necess\u00e1rias implica\u00e7\u00f5es deste longo \u2018deserto\u2019 a que fomos confinados por obriga\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e sentido c\u00edvico.<\/p>\n<p>a) Linguagem, postura e comunica\u00e7\u00e3o<br \/>\nN\u00e3o podemos usar uma linguagem demasiado do liturgu\u00eas, porque os n\u00e3o-iniciados n\u00e3o compreendem nem t\u00e3o b\u00e1sica sem isso possa parecer que os mist\u00e9rios se reduzem a express\u00f5es banais; a postura se \u00e9 de ver o rosto e as suas express\u00f5es, o uso da m\u00e1scara, para al\u00e9m de ser desnecess\u00e1rio, tal a dist\u00e2ncia das pessoas umas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras, inviabiliza qualquer expressividade por muito simples que esta se possa verificar; comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente de falar para ouvintes e para telespectadores ou internet-ouvintes, estes est\u00e3o perto embora longe, mas querem ter uma mensagem que possa ser pessoal, pr\u00f3xima e adequada \u00e0s suas circunst\u00e2ncias\u2026 ou, ent\u00e3o, desligam ou procuram quem lhe fale de forma mais do que vazia!<br \/>\nP\u00f4r no ar missas como se estivesse presente uma assembleia presencial n\u00e3o \u00e9 o mesmo que estar a celebrar para uns poucos \u2013 mesmo que representativos \u2013 de servi\u00e7o. Aquelas missas n\u00e3o s\u00e3o \u2018teatro\u2019, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser feitas sem cuidado nem menos boa imagem. Mostrar o que se faz \u00e9, claramente, diferente de fazer o que se quer mostrar. H\u00e1 c\u00f3digos de comunica\u00e7\u00e3o e de dura\u00e7\u00e3o para cada um dos momentos, n\u00e3o se pode, por isso, fazer-de-conta que tudo \u00e9 igual e com a id\u00eantica valoriza\u00e7\u00e3o. Vamos aprendendo com os erros?<\/p>\n<p>b) Depois do \u2018on-line\u2019 que pr\u00e1tica presencial?<br \/>\nH\u00e1 quem considere que o \u2018abuso\u2019 de missas na internet, na televis\u00e3o e nas redes sociais veio enfraquecer a participa\u00e7\u00e3o presencial \u2013 tendo em conta os meses que decorreram desde junho at\u00e9 janeiro \u2013 e pode ter criado acomoda\u00e7\u00e3o a bastantes dos praticantes, agora \u2018fidelizados\u2019 \u00e0 esta\u00e7\u00e3o televisiva, de r\u00e1dio ou de linha internet e menos atentos ao inc\u00f3modo de sair de casa para participar com outros na celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u2026 Poderemos considerar que certos h\u00e1bitos de acomoda\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 para n\u00e3o falar de neglig\u00eancia ou de omiss\u00e3o \u2013 podem trazer consequ\u00eancias graves a curto e a m\u00e9dio prazo: as crian\u00e7as, os adolescentes e mais velhos deixaram de estar nas nossas assembleias, quando as h\u00e1; o tempo de \u2018catequese\u2019 (nem sequer via internet) n\u00e3o conseguiu criar condi\u00e7\u00f5es est\u00e1veis de f\u00e9; alguns \u2018ritos\u2019 deixaram a manifesto que eram mais sociais do que crist\u00e3os\u2026<br \/>\nMesmo assim dever\u00edamos mergulhar mais nas causas do que nas poss\u00edveis consequ\u00eancias, pois aquelas podem trazer \u00e0 luz do dia uma n\u00edtida falta de evangeliza\u00e7\u00e3o, mesmo que se possa verificar alguma sacramentaliza\u00e7\u00e3o\u2026algo superficial sen\u00e3o mesmo an\u00f3dina, descomprometida e vazia.<\/p>\n<p>c) Que esperar da quaresma deste ano?<br \/>\n\u00abNeste tempo de Quaresma, acolher e viver a Verdade manifestada em Cristo significa, antes de mais, deixar-nos alcan\u00e7ar pela Palavra de Deus, que nos \u00e9 transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o pela Igreja. Esta Verdade n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do intelecto, reservada a poucas mentes seletas, superiores ou ilustres, mas \u00e9 uma mensagem que recebemos e podemos compreender gra\u00e7as \u00e0 intelig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o, aberto \u00e0 grandeza de Deus, que nos ama ainda antes de n\u00f3s pr\u00f3prios tomarmos consci\u00eancia disso. Esta Verdade \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo, que, assumindo completamente a nossa humanidade, Se fez Caminho \u2013 exigente, mas aberto a todos \u2013 que conduz \u00e0 plenitude da Vida\u00bb \u2013 mensagem do Papa para Quaresma deste ano.<br \/>\nCuidemos, por isso, de ter tempo de ora\u00e7\u00e3o pessoal, familiar e, quanto poss\u00edvel, comunit\u00e1rio. Escutemos a Palavra de Deus diariamente. Usemos os meios que a Igreja nos prop\u00f5e \u2013 jejum, caridade (ren\u00fancia quaresmal) e reconcilia\u00e7\u00e3o. Estamos confinados fisicamente, mas n\u00e3o nos deixemos condicionar espiritualmente, estando atentos \u00e0s sugest\u00f5es da nossa diocese e \u00e0s poss\u00edveis propostas da nossa par\u00f3quia. Como nos refere o Papa Francisco: \u00abcada etapa da vida \u00e9 um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de convers\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa mem\u00f3ria comunit\u00e1ria e pessoal, a f\u00e9 que vem de Cristo vivo, a esperan\u00e7a animada pelo sopro do Esp\u00edrito e o amor cuja fonte inexaur\u00edvel \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o misericordioso do Pai\u00bb.<br \/>\nDeus cuida sempre de n\u00f3s. Cuidemos, agora, uns dos outros, em Igreja e como Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio S\u00edlvio Couto, Diocese de Set\u00fabal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":199554,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-199553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199553\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}