{"id":19952,"date":"2006-09-03T11:06:07","date_gmt":"2006-09-03T11:06:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/03\/romaria-secular-anima-ilha-da-madeira\/"},"modified":"2006-09-03T11:06:07","modified_gmt":"2006-09-03T11:06:07","slug":"romaria-secular-anima-ilha-da-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/romaria-secular-anima-ilha-da-madeira\/","title":{"rendered":"Romaria secular anima Ilha da Madeira"},"content":{"rendered":"<p>Bom Jesus da Ponta Delgada  <!--more--> A par\u00f3quia da Ponta Delgada, celebra hoje a Festa do Sant\u00edssimo Sacramento, sendo a Eucaristia presidida por D. Teodoro de Faria. No final da celebra\u00e7\u00e3o sair\u00e1 a prociss\u00e3o.   Esta festa \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como \u00abFesta do Bom Jesus da Ponta Delgada\u00bb, pois tamb\u00e9m \u00e9 evocado o Senhor Bom Jesus, o padroeiro daquela par\u00f3quia, cuja festa lit\u00fargica \u00e9 celebrada no dia 31 de Janeiro.  Como essa data \u00e9 tempo de Inverno, portanto nada prop\u00edcio a arraiais, a festa \u00e9 repetida no primeiro s\u00e1bado de Setembro, dia em que a Ponta Delgada regista uma enorme enchente. Pessoas das mais diversas localidades deslocam-se ao centro daquela freguesia e participam nas cerim\u00f3nias religiosas e no arraial que se prolongou durante toda a noite com anima\u00e7\u00e3o proporcionada por grupos de romeiros.  Ser\u00e1 o fasc\u00ednio, a f\u00e9 profunda, aut\u00eantica e verdadeira juntamente com a devo\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o ao Senhor Bom Jesus, o motivo que leva o romeiro a visitar e honrar o Senhor Bom Jesus na sua tradicional festa na Ponta Delgada.   Acrescenta o Elucid\u00e1rio Madeirense que \u00aba romagem do Senhor Jesus da Ponta Delgada, de Nossa Senhora do Monte e do Senhor dos Milagres em Machico, \u00abs\u00e3o as mais antigas, as mais concorridas e as mais caracter\u00edsticas desta diocese\u00bb.  A prop\u00f3sito da romaria do Senhor Bom Jesus, vale a pena saborear a prosa de Hor\u00e1cio Bento de Gouveia, ilustre filho da terra e escritor de alto gabarito:  \u00abO sentimento religioso esteve sempre associado ao viver das gentes que foram habitar Ponta Delgada.  E logo a partir da segunda metade do s\u00e9culo XV, a devo\u00e7\u00e3o ao Senhor Bom Jesus passou a ser inquestion\u00e1vel realidade que aportou at\u00e9 aos nossos dias, n\u00e3o s\u00f3 por for\u00e7a do templo ali existente, como sobretudo pelo arraial do Senhor Bom Jesus de Ponta Delgada.  Fazendo jus \u00e0 frase b\u00edblica \u00abOmnes sitientes venite ad acquas\u00bb (todos os que tenham sede vinde aqui beber), inscrita no Po\u00e7o dos Romeiros, pr\u00f3ximo \u00e0 igreja, todos os anos, em Setembro, afluem fi\u00e9is de toda a ilha a festejar o Senhor Jesus.  Confiados na protec\u00e7\u00e3o de Deus, os peregrinos atreviam-se a uma viagem outrora longa e dif\u00edcil, tanto por mar como por terra\u00bb.  A este prop\u00f3sito, Hor\u00e1cio Bento cita Henrique Henriques de Noronha: \u00absendo a passagem para a dita Freguezia, por todas partes perigoza, jamais se acha mem\u00f3ria, de que perigase pessoa algua, das muitas que ali concorrem em todas as esta\u00e7\u00f5es do ano; antes experimentam singulares benef\u00edcios do Senhor e evidentes prod\u00edgios da sua omnipot\u00eancia\u00bb.  E logo completa com Alberto Artur Sarmento: \u00abDepois restauravam as for\u00e7as do esp\u00edrito e do corpo nas cerim\u00f3nias religiosas e no centen\u00e1rio e curioso arraial de comes-e-bebes, m\u00fasica, descantes e cumprimento de promessas\u00bb, acres- centando o escritor que o arraial ainda continua no tempo: \u00abainda mant\u00e9m a sua atrac\u00e7\u00e3o como espa\u00e7o l\u00fadico e de conv\u00edvio\u00bb.   <b>Antigamente<\/b> Vale a pena saborear ainda como o ilustre escritor narra a romaria:  \u00abMilhares de forasteiros oriundos da generalidade das freguesias da Ilha da Madeira vieram at\u00e9 \u00e0 Corte do Norte para participar na festa do Senhor Bom Jesus. Chegando com o entardecer do s\u00e1bado, aqui se mantiveram, noite fora, nos comes-e-bebes, cantando e bailando, calcorreando as ruas da freguesia engalanadas de flores e luzes multicolores, por entre os magotes de gente que difusamente invadiam todas as art\u00e9rias do povoado.  Aqui e acol\u00e1, um ou outro grupo de romeiros, com harm\u00f3nicas, violas e pandeiros, deixam no ar o som e a imagem dos \u00faltimos acordes de genu\u00edna tradi\u00e7\u00e3o do arraial madeirense.  Os feirantes proliferam, vendendo chap\u00e9us de palha, \u00f3culos de sol, tambores, pandeiros, colares de rebu\u00e7ados, m\u00fasica em cassetes e um sem n\u00famero de pequenos objectos suscept\u00edveis de motivar a cobi\u00e7a dos visitantes.  As denominadas &#8220;barracas&#8221; abundam, cheias de bebidas e carne para espetada.  E a festa dura noite fora, proporcionando largos momentos de alegria a todos quantos vieram ao arraial do Senhor Bom Jesus de Ponta Delgada\u00bb.  \u00abE o esp\u00edrito do arraial? &#8211; pergunta o escritor? Qual a motiva\u00e7\u00e3o das pessoas para irem, por vezes de t\u00e3o longe, at\u00e9 \u00e0 Ponta Delgada? Ser\u00e1 ainda igual ao que criou a tradi\u00e7\u00e3o?\u00bb  \u00abN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil conhecer-se a origem dos romeiros, diz Hor\u00e1cio de Gouveia, porque a tradi\u00e7\u00e3o pouco ou nada conservou. Sabe-se que, em s\u00e9culos passados, aflu\u00edram os romeiros em grupos, ap\u00f3s muitas horas de caminho, e que vinham para o cumprimento de promessas, cantando, bailando e trazendo, para al\u00e9m de merendas \u2013 porque nesses tempos n\u00e3o existia ainda a venda de comidas e bebidas \u2013 ofertas para o Senhor Jesus\u00bb.  Certamente que algo mudou. J\u00e1 n\u00e3o se vai a p\u00e9 calcorreando caminhos e veredas, nem por mar, arrostando os perigos da serra nem das ondas, nem se demoram muitas horas nem dias seguidos. As actuais vias de acesso e os meios de transporte particular e colectivo propiciam uma viagem c\u00f3moda e r\u00e1pida, todavia dependente do tr\u00e1fico mais ou menos intenso e sujeito \u00e0s normas ocasionais.  O esp\u00edrito religioso dever\u00e1 permanecer id\u00eantico ao dos nossos antepassados: agradecer favores, honrar o Senhor Bom Jesus, e colocar-se sob a sua protec\u00e7\u00e3o. Prova-o a multid\u00e3o que visita a Igreja durante a tarde e noite do s\u00e1bado, as promessas que ainda se cumprem e a visita obrigat\u00f3ria \u00e0 imagem do Senhor Bom Jesus, no seu nicho, no alto do camarim. Ap\u00f3s a missa do romeiro, pela madrugada, o romeiro demanda a sua aldeia.  Embora com certas altern\u00e2ncias, o arraial ainda se mant\u00e9m, agora com certas express\u00f5es s\u00f3cio-culturais e folcl\u00f3ricas de iniciativa da comunidade paroquial.  Certamente em menor quantidade, ainda se v\u00eam os grupos de brinquinhos, cantando, rindo e bailando, durante toda a noite, expressando viva alegria por estar no Bom Jesus da Ponta Delgada que ainda exerce o seu fasc\u00ednio sobre os seus devotos que a Ele acorrem com aquela profunda, aut\u00eantica e verdadeira f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o, apan\u00e1gio da piedade popular.  <i>Manuel da Gama<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom Jesus da Ponta Delgada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[187],"class_list":["post-19952","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19952\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}