{"id":199444,"date":"2021-02-15T12:05:58","date_gmt":"2021-02-15T12:05:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199444"},"modified":"2021-02-15T20:50:47","modified_gmt":"2021-02-15T20:50:47","slug":"como-eu-vos-amei-jo-13-34","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/como-eu-vos-amei-jo-13-34\/","title":{"rendered":"\u201cComo Eu vos amei\u201d (Jo 13, 34)"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Carlos Aquino, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-172155 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Carlos-Aquino-Algarve.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Ainda em deserto. Confinados e famintos. Hospedando esperas. Deixemos que a Sua palavra rasgue o nosso cora\u00e7\u00e3o sedento e inquieto: \u201cComo Eu vos amei\u201d.<\/p>\n<p>Mas como nos amou Ele? Esquecemos? Ainda \u00e9 poss\u00edvel vivermos no espanto e seduzidos por esse amor at\u00e9 ao fim, sem reservas, inteiro, profundo, misericordioso? Amamos ainda o Amor que liberta, cura, perdoa, d\u00e1 vida?<\/p>\n<p>Amo os outros como Ele me amou? Como o fa\u00e7o? N\u00e3o basta t\u00ea-lo presente no meu pensamento? Nas palavras balbuciadas cada dia em ora\u00e7\u00e3o no sil\u00eancio do quarto ou da casa? N\u00e3o ser\u00e1 express\u00e3o de amor a minha comunh\u00e3o com os que nos interiores dos templos sem gente, mas n\u00e3o vazios, oferecem todos os dias por todos, a obla\u00e7\u00e3o de louvor e de adora\u00e7\u00e3o a Deus? Ser\u00e1 suficiente a express\u00e3o do meu amor pela comunh\u00e3o espiritual?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 amado quando apresentado, de novo, Vivo e Ressuscitado pelas vias de transmiss\u00e3o telem\u00e1tica? N\u00e3o serve como express\u00e3o de amor a participa\u00e7\u00e3o em tantas horas de forma\u00e7\u00e3o e de espiritualidade partilhadas?<\/p>\n<p>\u201cComo Eu vos amei\u201d. Perante o desespero que se agiganta nas comunidades crist\u00e3s que v\u00e3o definhando nas suas dispers\u00f5es e desencantos de h\u00e1 muito estarem privadas de encontro; acolhendo as suas m\u00e1goas e desabafos pelas Igrejas fechadas e a aus\u00eancia das celebra\u00e7\u00f5es da f\u00e9; sentindo-as feridas nas suas economias paradas e cilindradas como em tantas fam\u00edlias a quem j\u00e1 falta o p\u00e3o para cada dia e o necess\u00e1rio para o sustento a que t\u00eam direito por justi\u00e7a e dignidade, como amar? Amar em Seu nome e como Ele? N\u00e3o cumprimos o amor pela recolha e a entrega generosa de bens, express\u00e3o de uma solidariedade ativa e partilhada em nome da comunidade? Precisamos tocar as feridas e olhar os rostos? A Missa, o grande Sacramento da comunh\u00e3o e da unidade, a que estamos privados de participar educou-nos suficientemente e leva-nos agora, com outra consci\u00eancia, a um compromisso maior e mais fecundo de amor?<\/p>\n<p>Abrimos o cora\u00e7\u00e3o ao amor? Como o fazemos? Bastar\u00e1 escancar\u00e1-lo na dor de uma despedida inesperada, chorando \u00e0 pressa os que partem? Fazendo um telefonema adiado tantas vezes porque n\u00e3o h\u00e1 tempo a quem est\u00e1 mais distante? Cada um de n\u00f3s e as nossas comunidades mais afortunadas e enriquecidas, com maiores possibilidades e viabilidades econ\u00f3micas, inspiradas nas comunidades da igreja nascente, s\u00e3o neste tempo profundo de deserto e desola\u00e7\u00e3o mais generosas e presentes \u00e0s comunidades mais fragilizadas e pobres? Ainda somos capazes de valorizar a partilha fraterna entre os irm\u00e3os e as comunidades? Fazemo-lo entre n\u00f3s? Nas nossas Dioceses, Vigararias, Ouvidorias ou Arciprestados?<\/p>\n<p>Como n\u00e3o trazer \u00e0 mem\u00f3ria a afli\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos do Senhor reunidos um dia em lugar desconhecido e assombrados pela mesma afli\u00e7\u00e3o de um grupo significativo de pessoas famintas: \u201c Como poder\u00e1 algu\u00e9m saci\u00e1-los com p\u00e3es aqui neste deserto?\u201d (Mc 8, 4); \u201cN\u00e3o temos mais que cinco p\u00e3es e dois peixes. A n\u00e3o ser que vamos comprar alimentos para todo este povo\u201d (Lc 9, 13).<\/p>\n<p>Chegar\u00e1 o que possuo? Tenho t\u00e3o pouco!? Precisarei de ir comprar? E se falta para mim!?<\/p>\n<p>Nestes in\u00edcios de caminhada rumo \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor, este ano celebrada, certamente, de modo t\u00e3o extraordin\u00e1rio e invulgar, neste ainda longo tempo de deserto onde parece que a vida se tornou marginal e impura, onde continuamos a rezar estat\u00edsticas de n\u00fameros de infetados e de mortos sempre a melhorar (j\u00e1 n\u00e3o rasga o cora\u00e7\u00e3o a dor pela perda de 130 pessoas?!), sinto que esta Palavra pode convidar a uma profunda e aut\u00eantica convers\u00e3o de vida: \u201cComo Eu vos amei\u201d.<\/p>\n<p>Amar crist\u00e3mente \u00e9 amar com Ele. Por Ele e n\u2019Ele. Amar \u00e9 um cont\u00ednuo e exigente \u201cdar de mim\u201d a partir de Deus revelado em Jesus Cristo, servo de toda a humanidade. Este amor exige sempre uma transforma\u00e7\u00e3o profunda do cora\u00e7\u00e3o e da vida toda. Um cora\u00e7\u00e3o \u201cvidente\u201d. Uma gratuidade generosa. Humildade, verdade, capacidade de perd\u00e3o. Liberdade perante as coisas e as pessoas, autenticidade.<\/p>\n<p>O amor n\u00e3o \u00e9 um jogo de estrat\u00e9gia ou de oportunidade, assunto de metodologia pedag\u00f3gica ou tema inspirador de um plano de pastoral. \u00c9 a identidade e a verdade mais profunda do que somos e devemos realizar enquanto crist\u00e3os, filhos de Deus, seu povo santo, a Igreja.<\/p>\n<p>S\u00f3 um amor iluminado pela luz da f\u00e9 e pela raz\u00e3o, um amor despojado como Ele ensinou e viveu, marcado pela esperan\u00e7a e em atitude permanente de convers\u00e3o tornar\u00e1 poss\u00edvel um aut\u00eantico desenvolvimento humano, uma sociedade mais humanizadora e justa, defensora inviol\u00e1vel dos direitos humanos e da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Carlos Aquino, Diocese do 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