{"id":199338,"date":"2021-02-14T09:30:53","date_gmt":"2021-02-14T09:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199338"},"modified":"2021-02-13T15:11:12","modified_gmt":"2021-02-13T15:11:12","slug":"covid-19-crise-exige-ajuda-bastante-musculada-do-governo-diz-responsavel-da-caritas-nos-acores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/covid-19-crise-exige-ajuda-bastante-musculada-do-governo-diz-responsavel-da-caritas-nos-acores\/","title":{"rendered":"Covid-19: Crise exige \u00abajuda bastante musculada\u00bb do Governo, diz respons\u00e1vel da C\u00e1ritas nos A\u00e7ores"},"content":{"rendered":"<p><em>A nova dire\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Diocesana dos A\u00e7ores tomou posse a 11 de fevereiro. Anabela Borba foi reconduzida na presid\u00eancia e \u00e9 a convidada desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_199327\" aria-describedby=\"caption-attachment-199327\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caritas_assina_protocolo_c_governo_2019_0_dr_new_900-600.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-199327 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caritas_assina_protocolo_c_governo_2019_0_dr_new_900-600.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caritas_assina_protocolo_c_governo_2019_0_dr_new_900-600.jpg 900w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caritas_assina_protocolo_c_governo_2019_0_dr_new_900-600-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caritas_assina_protocolo_c_governo_2019_0_dr_new_900-600-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caritas_assina_protocolo_c_governo_2019_0_dr_new_900-600-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-199327\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Igreja A\u00e7ores<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>De acordo com o INE em 2019, a Regi\u00e3o dos A\u00e7ores era no contexto nacional a que apresentava maior risco de pobreza e exclus\u00e3o social. Em 2018, o risco de pobreza a n\u00edvel nacional estava nos 17,2 %. Nos A\u00e7ores era de 31,8%. A pandemia fez disparar estes indicadores?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o sentimos isso, at\u00e9 ao momento. Estes indicadores t\u00eam-se mantido relativamente est\u00e1veis, pese embora todos os esfor\u00e7os que se t\u00eam feito na tentativa de combater a pobreza e a exclus\u00e3o social, o Governo tem oferecido v\u00e1rios apoios, no \u00e2mbito da pandemia, e aqui a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave, a nosso ver, como aquela que se tem vivido no continente. O desemprego ainda n\u00e3o aumento de uma forma dr\u00e1stica, aqui nos A\u00e7ores, mas sabemos que este vai ser o ano de todas as dificuldades.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>De entre o conjunto do Arquip\u00e9lago qual ou quais ilhas apresentam maior risco, maiores problemas, face \u00e0 pandemia?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o, sem d\u00favida nenhuma, S\u00e3o Miguel e Terceira. Porque, de facto, tamb\u00e9m \u00e9 aqui que a pandemia tem tido um impacto mais forte; por outro lado, j\u00e1 eram as ilhas que tinham um setor tur\u00edstico mais desenvolvido, nomeadamente S\u00e3o Miguel.<\/p>\n<p>Depois, felizmente, h\u00e1 outras ilhas, como o Pico, que t\u00eam um turismo muito sazonal, tamb\u00e9m as Flores. O ano que passou n\u00e3o registou grande diminui\u00e7\u00e3o do turismo nestas ilhas, porque houve tamb\u00e9m muita procura interna, dos a\u00e7orianos, e existiu um programa de apoio \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o e \u00e0s f\u00e9rias no arquip\u00e9lago. Essas medidas t\u00eam sempre efeito, nomeadamente em economias pequenas, como s\u00e3o \u00e9 a nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na \u00faltima campanha eleitoral o discurso esteve centrado em prioridades como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o combate \u00e0 pobreza, o despovoamento\u2026<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o realidades muito fortes. Na C\u00e1ritas temos trabalho muito em volta deste desafio da educa\u00e7\u00e3o, para todos e o mais inclusiva poss\u00edvel, \u00e9 uma prioridade. Tem de ser uma prioridade para qualquer Governo da nossa regi\u00e3o. Sem uma popula\u00e7\u00e3o com n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o diferentes daqueles que temos atualmente, n\u00e3o poder\u00e1 haver um desenvolvimento social como \u00e9 ambicionado por todos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o demogr\u00e1fica \u00e9, ela pr\u00f3pria, um outro problema que tamb\u00e9m se interliga muito com a da educa\u00e7\u00e3o. Sobretudo nas ilhas mais pequenas assiste-se, de facto, a um envelhecimento gradual da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 significativo e vai ter efeitos marcantes no futuro.<\/p>\n<p>A sa\u00fade \u00e9 um problema em todo o pa\u00eds e n\u00e3o podia deixar de ser diferente na regi\u00e3o. Ali\u00e1s, s\u00f3 poderia n\u00e3o ser melhor, devido \u00e0s quest\u00f5es da insularidade e a todos os problemas que da\u00ed decorrem.<\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o muito grandes nos A\u00e7ores, mas eu penso que n\u00e3o pode haver combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o sem economia forte. Esse, de facto, tem sido um dos problemas da regi\u00e3o: \u00e9 o problema de n\u00e3o termos uma economia forte. A quest\u00e3o agr\u00edcola, infelizmente, como todos sabemos, tem vindo a diminuir de peso significativamente, h\u00e1 cada vez menos procura de alimentos como o leite e a carne, devido a novas formas de consumo e \u00e0s metas ambientais. N\u00e3o tendo a agricultura o peso que tinha no passado, nem se perspetivando que ela volte a ter um peso muito significativo na economia, se n\u00e3o houver outras formas, isso ser\u00e1 um problema para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E no contexto atual, quais as principais necessidades da popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o particular com as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, provavelmente?<\/em><\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o particular dos sem-abrigo p\u00f5e-se sobretudo na ilha maior, que \u00e9 a Ilha de S\u00e3o Miguel, onde este problema \u00e9 bastante mais agudo do que nas restantes ilhas. Felizmente, nas outras ilhas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o premente como \u00e9 em S\u00e3o Miguel. A\u00ed a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9, de facto, maior e a C\u00e1ritas tem val\u00eancias e a\u00e7\u00f5es a este n\u00edvel. Trabalhamos com pessoas que n\u00e3o t\u00eam abrigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e3o identificadas no arquip\u00e9lago as principais necessidades da popula\u00e7\u00e3o nesta altura?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 um diagn\u00f3stico que foi feito h\u00e1 tr\u00eas anos, se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, no \u00e2mbito da pobreza e da exclus\u00e3o social, e depois foi feito um programa de combate \u00e0 pobreza e \u00e0 exclus\u00e3o social. O diagn\u00f3stico \u00e9 bastante extenso, bem feito e, neste momento, j\u00e1 se estava a trabalhar neste plano. Com certeza, o novo Governo Regional ir\u00e1 dar continuidade \u00e0s quest\u00f5es e revisitar esse programa, continuando a responder \u00e0s quest\u00f5es sociais da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Volto a dizer, sem uma educa\u00e7\u00e3o forte e sem um desenvolvimento do tecido econ\u00f3mico e social, as respostas ser\u00e3o sempre limitadas e ter\u00e3o sempre um efeito bastante assistencial e n\u00e3o tanto do desenvolvimento que todos ambicionamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Desse ponto de vista, como \u00e9 que a C\u00e1ritas vai procurando responder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>A C\u00e1ritas tem tido a sorte de ir procurando ler a realidade do contexto em que se situa e procurando responder \u00e0quelas que s\u00e3o as quest\u00f5es sociais mais emergentes. J\u00e1 dei dois exemplos, no caso de S\u00e3o Miguel e da Terceira, em que focalizamos a nossa a\u00e7\u00e3o muito em resposta \u00e0queles que t\u00eam sido os maiores desafios que a sociedade nos tem colocado.<\/p>\n<p>Na Terceira tem sido a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, e sobretudo a educa\u00e7\u00e3o dos jovens, mas tamb\u00e9m j\u00e1 trabalhamos a educa\u00e7\u00e3o de adultos e em forma\u00e7\u00e3o de adultos; e em S\u00e3o Miguel tem sido sobretudo na quest\u00e3o dos sem-abrigo.<\/p>\n<p>S\u00e3o as ilhas onde a C\u00e1ritas tem uma dimens\u00e3o maior. Naturalmente, tamb\u00e9m existem problemas de educa\u00e7\u00e3o S\u00e3o Miguel, tamb\u00e9m existem problemas de sem-abrigo aqui na Terceira, mas, de facto, a C\u00e1ritas foi tentando responder aos desafios que a sociedade lhe tem colocado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nesta altura, quantas pessoas e fam\u00edlias est\u00e3o a ajudar?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho ainda dados de todas as ilhas, mas os n\u00fameros n\u00e3o t\u00eam subido nos \u00faltimos anos, t\u00eam at\u00e9 descido. Quando nos referimos a ajudas, normalmente, estamos a referir-nos a cabazes alimentares ou ajudas em vestu\u00e1rio, medicamentos. S\u00f3 nisto, podemos falar numas mil e poucas fam\u00edlias, a n\u00edvel dos a\u00e7ores.<\/p>\n<p>Se falarmos de todo o trabalho que desenvolvemos e, n\u00e3o tem a ver com a ajuda imediata, a\u00ed o n\u00famero \u00e9 bastante superior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltando aos efeitos da pandemia, no continente tem tido particular impacto a quest\u00e3o das cercas sanit\u00e1rias, sobretudo em Rabo de Peixe. Estamos a falar de uma localidade que normalmente \u00e9 not\u00edcia pelos elevados \u00edndices de pobreza, um dos maiores de todo o pa\u00eds. Qu\u00e3o preocupante \u00e9 esta situa\u00e7\u00e3o para si, como \u00e9 que olha para ela?<\/em><\/p>\n<p>T\u00eam sido feitos muitos esfor\u00e7os, quer a n\u00edvel da C\u00e2mara Municipal de Ribeira Grande, quer a n\u00edvel da Junta da Freguesia, e em articula\u00e7\u00e3o com a C\u00e1ritas e com outras institui\u00e7\u00f5es sociais, no sentido de procurar dar apoio \u00e0s fam\u00edlias que se encontram em maiores dificuldades na Vila de Rabo de Peixe e tamb\u00e9m nos outros locais onde houve cerca sanit\u00e1ria. Em Rabo de Peixe, \u00e9 naturalmente a situa\u00e7\u00e3o um pouco mais preocupante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O acordo de Governo prev\u00ea cortes nos apoios sociais, falou-se numa redu\u00e7\u00e3o substancial do n\u00famero de pessoas dependentes do RSI. \u00c9 poss\u00edvel, no contexto atual, avan\u00e7ar com uma medida deste tipo?<\/em><\/p>\n<p>A mim n\u00e3o me estranha muito esse discurso porque de facto, n\u00f3s v\u00ednhamos assistindo h\u00e1 alguns anos a uma redu\u00e7\u00e3o bastante significativa dos benefici\u00e1rios desta presta\u00e7\u00e3o social do rendimento social de inser\u00e7\u00e3o por via da aplica\u00e7\u00e3o de outras medidas, nomeadamente de medidas de promo\u00e7\u00e3o do emprego, ou de promo\u00e7\u00e3o de empregabilidade. E de facto, muitas pessoas come\u00e7aram a fazer est\u00e1gios profissionais, ou a estarem em programas de emprego que lhes possibilitou a sa\u00edda da presta\u00e7\u00e3o social do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o. N\u00e3o me estranha. Acho que isto j\u00e1 vinha acontecendo. Pese embora que agora este discurso seja mais assumido em termos de linguagem, ele j\u00e1 estava subjacente \u00e0 a\u00e7\u00e3o que se vinha a desenvolver na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Depois de 24 de governa\u00e7\u00e3o socialista, os A\u00e7ores t\u00eam um novo governo. Que expectativas tem relativamente a este executivo de direita?<\/em><br \/>\nA minha espectativa \u00e9 que leve a regi\u00e3o a um bom desempenho, nomeadamente promovendo a coes\u00e3o entre o territ\u00f3rio, entre as ilhas. E que promova de facto a igualdade de oportunidades para todos os cidad\u00e3os, apostando em sectores como de facto a educa\u00e7\u00e3o e eu volto a referir a quest\u00e3o de uma economia mais forte atraindo investimentos para a regi\u00e3o. Porque sem economia e sem trabalho a regi\u00e3o ter\u00e1 de ser sempre uma regi\u00e3o pobre. Julgo que o nosso modelo de turismo, pese embora nalgumas ilhas, seja mais ou menos sustent\u00e1vel e possa trazer maior valor acrescentado, sobretudo em S\u00e3o Miguel, era um turismo de mais ou menos de massas e que n\u00e3o daria muito valor acrescentado para as popula\u00e7\u00f5es locais. Ou por outra: dava valor, mas s\u00e3o valores baixos. Como sabe o turismo normalmente tem sal\u00e1rios baixos e de facto n\u00e3o criava uma grande riqueza. Mas de qualquer forma era melhor haver turismo do que n\u00e3o haver. a minha espectativa \u00e9 que o Governo trabalhe em prol do desenvolvimento social e econ\u00f3mico dos A\u00e7ores. E o que desejo \u00e9 que tenha sucesso porque o sucesso deste governo ou de qualquer governo \u00e9 o sucesso dos a\u00e7orianos&#8230;.<\/p>\n<p><em><br \/>\nSa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego, ent\u00e3o s\u00e3o as principais prioridades do ponto de vista da C\u00e1ritas para o mandato do novo Governo?<\/em><br \/>\nSem d\u00favida, sem d\u00favida&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Governo dos A\u00e7ores criou esta semana um programa de apoio aos custos operacionais das empresas regionais que registaram &#8220;significativas quebras de fatura\u00e7\u00e3o&#8221; durante o ano de 2020. Teme que 2021 ainda seja um ano de grande dificuldade?<\/em><\/p>\n<p>Temo. Temo, sem d\u00favidas. Primeiro existe a quest\u00e3o das cercas sanit\u00e1rias. Depois as pessoas t\u00eam hoje mais consci\u00eancia e mais medo e isso tamb\u00e9m retrai o consumo.\u00a0Portanto, as empresas est\u00e3o sem d\u00favida em dificuldades. E, portanto, sem uma ajuda bastante musculada do Governo regional, ou dos governos isto n\u00e3o seria poss\u00edvel muitas empresas sobreviverem e h\u00e1 classes que me preocupam sobremaneira. Estou a falar do sector da restaura\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o dos t\u00e1xis, a quest\u00e3o das empresas ligadas ao sector do turismo, \u00e0 anima\u00e7\u00e3o turista, e a quem vivia dependente destas a\u00e7\u00f5es. Mas tamb\u00e9m outras, como por exemplo as nossas festividades locais que atraiam muita gente e que tamb\u00e9m eram a fonte de rendimento de muitas fam\u00edlias, nomeadamente as festas do Esp\u00edrito Santo, as festas nas nossas diferentes comunidades que tinham marchas e desfiles e que atraiam muita gente, atraindo o consumo, quer de bens alimentares quer de vestu\u00e1rio, etc. Todas essas festividades n\u00e3o se realizando, pois tamb\u00e9m deixa de existir esse movimento e essa gera\u00e7\u00e3o de riqueza&#8230;<\/p>\n<p><em>Deixe-me colocar-lhe uma quest\u00e3o relacionada com o novo Governo dos A\u00e7ores e a necessidade de interajuda e liga\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas e ao sector social. Este discurso alegadamente contra a subsidiodepend\u00eancia n\u00e3o pode colocar em causa algum do equil\u00edbrio necess\u00e1rio que ainda agora nos reportou?<\/em><\/p>\n<p>Uma coisa s\u00e3o os discursos depois vamos ver como vai ser a a\u00e7\u00e3o. Eu estou expectante e aguardando para ver. O tempo \u00e9 ainda muito curto e estamos em tempos muito at\u00edpicos tamb\u00e9m para podermos neste momento fazer uma avalia\u00e7\u00e3o daquilo que t\u00eam sido as medidas entre o discurso e a pr\u00e1tica. O discurso a mim n\u00e3o me choca, se de facto, tivermos medidas para que as pessoas n\u00e3o sejam subs\u00eddio-dependentes. N\u00e3o me choca nada. N\u00e3o me choca, se de facto, houver outras medidas. Ali\u00e1s como j\u00e1 referi, j\u00e1 vinham acontecendo outras medidas de promo\u00e7\u00e3o do emprego, de promo\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias pessoas e sociais\u00a0nas pessoas que tinham baixos n\u00edveis educacionais, e, portanto, que n\u00e3o tinham altos n\u00edveis de empregabilidade, e isso j\u00e1 vinha a ser feito. Agora vamos esperar que isso se mantenha e at\u00e9 se reforce naturalmente, porque s\u00f3 pode. Havendo este discurso; a a\u00e7\u00e3o tem de ser suced\u00e2nea, naturalmente.<\/p>\n<p><em>Existem cerca de 3900 imigrantes nos A\u00e7ores, oriundos de 95 pa\u00edses diferentes. Como se acompanha esta realidade?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s na C\u00e1ritas temos relativamente pouca liga\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade migrante porque existem felizmente associa\u00e7\u00f5es muito boas de apoio aos migrantes. E tamb\u00e9m temos a sorte de a maior parte dos migrantes que est\u00e3o connosco j\u00e1 estarem a maioria deles h\u00e1 muitos anos e bastante bem inseridos no meio. Salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es estes migrantes fazem hoje parte da nossa comunidade como qualquer a\u00e7oriano ou a\u00e7oriana. Portanto, n\u00e3o notamos que haja um problema ao n\u00edvel das comunidades migrantes.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A mensagem do Papa para a quaresma insiste na necessidade de cuidar de quem se encontra em condi\u00e7\u00f5es de sofrimento, abandono ou ang\u00fastia, promovendo a integra\u00e7\u00e3o dos mais pobres na sociedade. \u00c9 uma inspira\u00e7\u00e3o particular para estes momentos que vivemos?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma inspira\u00e7\u00e3o particular sempre. E ainda agora, dirigindo-me aos t\u00e9cnicos da C\u00e1ritas da terceira os desafiei a estarem sempre muito atentos \u00e0 realidade e ao sofrimento. Hoje, esta pandemia veio por a nu aquela que \u00e9 a realidade dos idosos que est\u00e3o s\u00f3s, que est\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es sociais, e essas institui\u00e7\u00f5es com muitas dificuldades para cuidar. E esta \u00e9 de facto uma faixa da popula\u00e7\u00e3o que sofre. O envelhecimento j\u00e1 \u00e9 por si uma fase terr\u00edvel da nossa vida &#8211; terr\u00edvel no sentido da solid\u00e3o, muitas vezes. E esta pandemia vem mostrar, de facto, como \u00e9 que estas pessoas sofrem, e agora sofrem mais ainda porque t\u00eam de estar isoladas das suas fam\u00edlias. E ainda h\u00e1 pouco pensava nisto: at\u00e9 que ponto n\u00e3o perdemos algumas oportunidades de trabalhar em termos sociais na quest\u00e3o da intergeracionalidade. Estou a lembrar-me, por exemplo, que a C\u00e1ritas da Terceira trabalha com crian\u00e7as e trabalha com jovens, mas nunca trabalhou com idosos. At\u00e9 que ponto n\u00e3o perdemos esta oportunidade de fazer aqui uma inclus\u00e3o maior promovendo de facto uma intera\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel entre todas estas faixas et\u00e1rias da nossa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi significativo o facto do nosso bispo ter dado posse \u00e0 C\u00e1ritas no dia da Nossa Senhora da Luz e no dia do Doente. Isto tamb\u00e9m tem uma carga e um sentido do cuidar. E foi tamb\u00e9m esse o objetivo do nosso bispo\u00a0 ao fazermos esta tomada de posse das dire\u00e7\u00f5es da C\u00e1ritas da Terceira e da C\u00e1ritas Diocesana dos A\u00e7ores neste dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova dire\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Diocesana dos A\u00e7ores tomou posse a 11 de fevereiro. Anabela Borba foi reconduzida na presid\u00eancia e \u00e9 a convidada desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":199339,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[125,169],"class_list":["post-199338","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-caritas","tag-diocese-de-angra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199338\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199339"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}