{"id":19926,"date":"2006-09-01T11:31:27","date_gmt":"2006-09-01T11:31:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/09\/01\/pemba-e-braga-tao-longe-e-tao-perto\/"},"modified":"2006-09-01T11:31:27","modified_gmt":"2006-09-01T11:31:27","slug":"pemba-e-braga-tao-longe-e-tao-perto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pemba-e-braga-tao-longe-e-tao-perto\/","title":{"rendered":"Pemba e Braga: t\u00e3o longe e t\u00e3o perto"},"content":{"rendered":"<p>Trabalho mission\u00e1rio na Diocese mo\u00e7ambicana durou cerca de dois anos <!--more--> A poucos dias da realiza\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio do Clero (de 5 a 8 de Setembro), em F\u00e1tima, os padres Jorge Barbosa e Jo\u00e3o Miguel Campos abrem pistas para um eventual debate sobre a ac\u00e7\u00e3o pastoral que muitas dioceses portuguesas t\u00eam adoptado.  Enviados em 2004 pela Arquidiocese de Braga para miss\u00f5es na Diocese de Pemba, em Mo\u00e7ambique, os sacerdotes assumiram em Novembro do ano passado as par\u00f3quias de S\u00e3o Paio de Arcos, Espor\u00f5es, Guizande, Tadim e Priscos e, de forma descomplexada, reportam-se aos desafios que as comunidades bracarenses t\u00eam que enfrentar para suprirem a escassez de presb\u00edteros, que, \u00abpara j\u00e1, ainda n\u00e3o se faz sentir\u00bb. Para estes cl\u00e9rigos, \u00abse a Igreja quiser ter um futuro mais risonho ter\u00e1 que perceber que s\u00f3 se pode realizar um bom trabalho pastoral se um presb\u00edtero estiver inserido numa comunidade com outros presb\u00edteros\u00bb.  O padre Jorge Barbosa refere mesmo que \u00aba quest\u00e3o n\u00e3o passa pela partilha da mesma casa. O problema reside na partilha de trabalho\u00bb. \u00abDe forma geral, os padres t\u00eam alguma dificuldade em trabalhar em equipa. Duplicamos ou triplicamos tarefas e esfor\u00e7os. No fundo, andamos todos a fazer o mesmo. Essa \u00e9 a maior \u201cferida\u201d\u00bb, sustenta o sacerdote.  De acordo com o padre Jo\u00e3o Manuel Campos, \u00abem \u00c1frica este aspecto \u00e9 mais f\u00e1cil de resolver porque existem menos presb\u00edteros. A quantidade [de padres] nem sempre facilita uma boa evangeliza\u00e7\u00e3o. Se uma empresa tiver gestores a mais, pode come\u00e7ar a ter preju\u00edzos. Se tiver os gestores certos, que trabalhem em equipa, \u00e9 mais f\u00e1cil. Quando um respons\u00e1vel est\u00e1 a prestar um mau servi\u00e7o, tamb\u00e9m est\u00e1 a prejudicar a organiza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, muitos sacerdotes n\u00e3o t\u00eam esta perspectiva, devido \u00e0 estrutura que continuam a alimentar\u00bb.  Sem pretender \u00abcomparar o incompar\u00e1vel\u00bb, o sacerdote bracarense explica que \u00abno continente africano, se uma pessoa n\u00e3o se baptiza na sua par\u00f3quia de origem, \u00e9 impens\u00e1vel que seja baptizada noutra. As comunidades est\u00e3o de tal forma estruturadas, que isso \u00e9 impens\u00e1vel. Em Portugal, se um padre n\u00e3o pode prestar um determinado servi\u00e7o, as pessoas arranjam outro. A express\u00e3o \u201carranje um padre\u201d \u00e9 pobre!\u00bb  Por outro lado, estes dois jovens sacerdotes defendem que, \u00abmais do que o \u201cprofissionalismo\u201d dos padres, seria necess\u00e1rio trabalhar o sentimento de perten\u00e7a entre os cl\u00e9rigos\u00bb, \u00abcapaz de combater a tenta\u00e7\u00e3o individualista na qual as comunidades se acabam por rever\u00bb.  \u00abO bairrismo \u00e9 t\u00edpico de muitas sociedades, mas os padres devem compreender que se est\u00e1 a atingir o limite: temos vindo a manter o mesmo esquema pastoral h\u00e1 v\u00e1rios anos e assistimos a uma diminui\u00e7\u00e3o substancial de sacerdotes. Falta ousadia e continuamos a manter uma Igreja que \u201cvende servi\u00e7os avulso\u201d: se algu\u00e9m pretende uma celebra\u00e7\u00e3o do baptismo consegue-o fora da vida da comunidade. Isso vai contra toda a teologia do Baptismo.  A comunidade tem que celebrar a alegria dos seus membros e, infelizmente, isso s\u00f3 se resolve com a falta de padres. As pessoas t\u00eam que sentir a escassez de padres para mudar esta mentalidade. Isto s\u00f3 se resolver\u00e1 se as pessoas cultivarem o sentido de perten\u00e7a\u00bb, afirmam convictamente os sacerdotes bracarenses, que, de forme despretensiosa, garantem que, \u00abem \u00c1frica, o Evangelho \u00e9 muito \u201ccaro\u201d. Por\u00e9m, d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que noutros lugares est\u00e1 a \u201csaldo\u201d.  No continente africano \u00e9 muito dif\u00edcil ser-se crist\u00e3o. Os pais t\u00eam que ter sentido de perten\u00e7a a uma comunidade\u00bb. \u00abN\u00e3o podemos estar permanentemente \u00e0 espera que a Igreja nos possa dar alguma coisa. Em Mo\u00e7ambique, os crist\u00e3os est\u00e3o sempre \u00e0 espera de dar algo \u00e0 igreja, porque se sentem Igreja. Quando um mu\u00e7ulmano est\u00e1 a dialogar com um crist\u00e3o, pergunta-lhe o seguinte \u201cComo \u00e9 que est\u00e1 a tua Igreja?\u201d O crist\u00e3o sente isso de forma profunda\u00bb, explicam.  Para os sacerdotes, \u00aba regi\u00e3o Norte do pa\u00eds est\u00e1 demasiadamente bem habituada \u00e0 presen\u00e7a do p\u00e1roco \u00bb. \u00abA fartura estraga muitas pessoas\u00bb, referem os cl\u00e9rigos, que, abordando uma problem\u00e1tica que s\u00f3 est\u00e1 ao alcance de quem j\u00e1 sentiu na pele a escassez de celebra\u00e7\u00f5es, acabam por fazer um reparo \u00e0 quantidade de celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas que se realizam s\u00f3 na cidade de Braga.  \u00abCelebrei Eucaristia em determinadas comunidades onde j\u00e1 n\u00e3o havia missa h\u00e1 30 anos\u00bb, conta padre Jo\u00e3o Miguel Campos, que, no entanto, prefere enveredar por um discurso optimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro das comunidades minhotas e destaca \u00aba coragem do Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga\u00bb, \u00abque aceitou o repto\u00bb e enviou os sacerdotes em miss\u00e3o para Pemba quando estes se ordenaram.   \u00abAveiro deve ser a Diocese do pa\u00eds que melhor est\u00e1 a trabalhar nesta vertente. A Diocese n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 espera que os Institutos Religiosos tomem a iniciativa de enviar agentes de pastoral. Mas a pr\u00f3pria Diocese aveirense envia anualmente leigos ou padres mission\u00e1rios e responsabiliza- se por eles a n\u00edvel financeiro, para que todos se sintam co-respons\u00e1veis e representados na miss\u00e3o. Espanha e a It\u00e1lia fazem isto h\u00e1 dezenas de anos com a maior naturalidade\u00bb, explicam os sacerdotes minhotos, que v\u00eaem na partida de leigos mission\u00e1rios para outros continentes \u00abuma das manifesta\u00e7\u00f5es mais eloquentes e grandiosas do Esp\u00edrito Santo na Igreja em Portugal\u00bb. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho mission\u00e1rio na Diocese mo\u00e7ambicana durou cerca de dois anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,170,172,207,261,262],"class_list":["post-19926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-braga","tag-fatima","tag-missoes","tag-mocambique"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19926\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}