{"id":199228,"date":"2021-02-12T11:26:38","date_gmt":"2021-02-12T11:26:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199228"},"modified":"2021-03-08T12:10:10","modified_gmt":"2021-03-08T12:10:10","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma-2021\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2021"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00abVamos subir a Jerusal\u00e9m&#8230;\u00bb (Mt 20, 18).\u00a0Quaresma: tempo para renovar a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-95183 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/papa_francisco_quaresma2018.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Jesus, ao anunciar aos disc\u00edpulos a sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o como cumprimento da vontade do Pai, desvenda-lhes o sentido profundo da sua miss\u00e3o e convida-os a associarem-se \u00e0 mesma pela salva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Ao percorrer o caminho quaresmal que nos conduz \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es pascais, recordamos Aquele que \u00abSe rebaixou a Si mesmo, tornando-Se obediente at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u00bb (<em>Flp <\/em>2, 8). Neste tempo de convers\u00e3o, renovamos a <em>nossa f\u00e9<\/em>, obtemos a \u00ab<em>\u00e1gua viva<\/em>\u00bb<em> da esperan\u00e7a <\/em>e recebemos com o cora\u00e7\u00e3o aberto <em>o amor de Deus <\/em>que nos transforma em irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo. Na noite de P\u00e1scoa, renovaremos as promessas do nosso Batismo, para renascer como mulheres e homens novos por obra e gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Entretanto o itiner\u00e1rio da Quaresma, como ali\u00e1s todo o caminho crist\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 inteiramente sob a luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o que anima os sentimentos, atitudes e op\u00e7\u00f5es de quem deseja seguir a Cristo.<\/p>\n<p>O <em>jejum, a ora\u00e7\u00e3o e a esmola<\/em> \u2013 tal como s\u00e3o apresentados por Jesus na sua prega\u00e7\u00e3o (cf. <em>Mt <\/em>6, 1-18) \u2013 s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para a nossa convers\u00e3o e sua express\u00e3o. O caminho da pobreza e da priva\u00e7\u00e3o (<em>o jejum<\/em>), a aten\u00e7\u00e3o e os gestos de amor pelo homem ferido (<em>a esmola<\/em>) e o di\u00e1logo filial com o Pai (<em>a ora\u00e7\u00e3o<\/em>) permitem-nos encarnar uma f\u00e9 sincera, uma esperan\u00e7a viva e uma caridade operosa<em>. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>1. A f\u00e9 chama-nos a acolher a Verdade e a tornar-nos suas testemunhas diante de Deus e de todos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s<\/h4>\n<p>Neste tempo de Quaresma, <em>acolher e viver a Verdade manifestada em Cristo <\/em>significa, antes de mais, deixar-nos alcan\u00e7ar pela Palavra de Deus, que nos \u00e9 transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o pela Igreja. Esta Verdade n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do intelecto, reservada a poucas mentes seletas, superiores ou ilustres, mas \u00e9 uma mensagem que recebemos e podemos compreender gra\u00e7as \u00e0 intelig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o, aberto \u00e0 grandeza de Deus, que nos ama ainda antes de n\u00f3s pr\u00f3prios tomarmos consci\u00eancia disso. Esta Verdade \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo, que, assumindo completamente a nossa humanidade, Se fez Caminho \u2013 exigente, mas aberto a todos \u2013 que conduz \u00e0 plenitude da Vida.<\/p>\n<p><em>O jejum, vivido como experi\u00eancia de priva\u00e7\u00e3o, <\/em>leva as pessoas que o praticam com simplicidade de cora\u00e7\u00e3o a redescobrir o dom de Deus e a compreender a nossa realidade de criaturas que, feitas \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, n&#8217;Ele encontram plena realiza\u00e7\u00e3o. Ao fazer experi\u00eancia duma pobreza assumida, quem jejua faz-se pobre com os pobres e \u00abacumula\u00bb a riqueza do amor recebido e partilhado. O jejum, assim entendido e praticado, ajuda a amar a Deus e ao pr\u00f3ximo, pois, como ensina S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, o amor \u00e9 um movimento que centra a minha aten\u00e7\u00e3o no outro, considerando-o como um s\u00f3 comigo mesmo [cf. Enc. <em>Fratelli tutti<\/em> (= <em>FT<\/em>), 93].<\/p>\n<p><em>A Quaresma \u00e9 um tempo para acreditar, <\/em>ou seja, para receber a Deus na nossa vida permitindo-Lhe \u00abfazer morada\u00bb em n\u00f3s (cf. <em>Jo <\/em>14, 23)<em>. <\/em>Jejuar significa libertar a nossa exist\u00eancia de tudo o que a atravanca, inclusive da satura\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es \u2013 verdadeiras ou falsas \u2013 e produtos de consumo, a fim de abrirmos as portas do nosso cora\u00e7\u00e3o \u00c0quele que vem a n\u00f3s pobre de tudo, mas \u00abcheio de gra\u00e7a e de verdade\u00bb (<em>Jo <\/em>1, 14): o Filho de Deus Salvador.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>2. A esperan\u00e7a como \u00ab\u00e1gua viva\u00bb, que nos permite continuar o nosso caminho<\/h4>\n<p><em>A samaritana, a quem Jesus pedira de beber <\/em>junto do po\u00e7o, n\u00e3o entende quando Ele lhe diz que poderia oferecer-lhe uma \u00ab\u00e1gua viva\u00bb (cf. <em>Jo <\/em>4, 10); e, naturalmente, a primeira coisa que lhe vem ao pensamento \u00e9 a \u00e1gua material, ao passo que Jesus pensava no Esp\u00edrito Santo, que Ele dar\u00e1 em abund\u00e2ncia no Mist\u00e9rio Pascal e que infunde em n\u00f3s a esperan\u00e7a que n\u00e3o desilude. J\u00e1 quando preanuncia a sua paix\u00e3o e morte, Jesus abre \u00e0 esperan\u00e7a dizendo que \u00ab<em>ressuscitar\u00e1 ao terceiro dia\u00bb<\/em> (<em>Mt <\/em>20, 19). Jesus fala-nos do futuro aberto de par em par pela miseric\u00f3rdia do Pai. Esperar com Ele e gra\u00e7as a Ele significa acreditar que a \u00faltima palavra na hist\u00f3ria, n\u00e3o a t\u00eam os nossos erros, as nossas viol\u00eancias e injusti\u00e7as, nem o pecado que crucifica o Amor; significa obter do seu Cora\u00e7\u00e3o aberto o perd\u00e3o do Pai<\/p>\n<p><em>No contexto de preocupa\u00e7\u00e3o<\/em> em que vivemos atualmente, onde tudo parece fr\u00e1gil e incerto, falar de esperan\u00e7a poderia parecer uma provoca\u00e7\u00e3o. O tempo da Quaresma \u00e9 feito para ter esperan\u00e7a, para voltar a dirigir o nosso olhar para a paci\u00eancia de Deus, que continua a cuidar da sua Cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante n\u00f3s a maltratarmos com frequ\u00eancia (cf. Enc. <em>Laudato si\u2019<\/em>, 32-33.43-44). \u00c9 ter esperan\u00e7a naquela reconcilia\u00e7\u00e3o a que nos exorta apaixonadamente S\u00e3o Paulo: \u00abReconciliai-vos com Deus\u00bb (<em>2 Cor <\/em>5, 20). Recebendo o perd\u00e3o no Sacramento que est\u00e1 no centro do nosso processo de convers\u00e3o, tornamo-nos, por nossa vez, propagadores do perd\u00e3o: tendo-o recebido n\u00f3s pr\u00f3prios, podemos oferec\u00ea-lo atrav\u00e9s da capacidade de viver um di\u00e1logo sol\u00edcito e adotando um comportamento que conforta quem est\u00e1 ferido. O perd\u00e3o de Deus, atrav\u00e9s tamb\u00e9m das nossas palavras e gestos, possibilita viver uma P\u00e1scoa de fraternidade.<\/p>\n<p>Na Quaresma, estejamos mais atentos a \u00abdizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam, em vez de palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam\u00bb (<em>FT<\/em>, 223). \u00c0s vezes, para dar esperan\u00e7a, basta ser \u00abuma pessoa am\u00e1vel, que deixa de lado as suas preocupa\u00e7\u00f5es e urg\u00eancias para prestar aten\u00e7\u00e3o, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de est\u00edmulo, possibilitar um espa\u00e7o de escuta no meio de tanta indiferen\u00e7a\u00bb (<em>FT<\/em>, 224).<\/p>\n<p><em>No recolhimento e ora\u00e7\u00e3o silenciosa<\/em>, a esperan\u00e7a \u00e9-nos dada como inspira\u00e7\u00e3o e luz interior, que ilumina desafios e op\u00e7\u00f5es da nossa miss\u00e3o; por isso mesmo, \u00e9 fundamental recolhermo-nos para rezar (cf. <em>Mt <\/em>6, 6) e encontrar, no segredo, o Pai da ternura.<\/p>\n<p><em>Viver uma Quaresma com esperan\u00e7a <\/em>significa sentir que, em Jesus Cristo, somos testemunhas do tempo novo em que Deus renova todas as coisas (cf. <em>Ap <\/em>21, 1-6), \u00absempre dispostos a dar a raz\u00e3o da [nossa] esperan\u00e7a a todo aquele que [no-la] pe\u00e7a\u00bb (<em>1 Ped <\/em>3, 15): a raz\u00e3o \u00e9 Cristo, que d\u00e1 a sua vida na cruz e Deus ressuscita ao terceiro dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>3. A caridade, vivida seguindo as pegadas de Cristo na aten\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o por cada pessoa, \u00e9 a mais alta express\u00e3o da nossa f\u00e9 e da nossa esperan\u00e7a<\/h4>\n<p><em>A caridade alegra-se ao ver o outro crescer<\/em>; e de igual modo sofre quando o encontra na ang\u00fastia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado&#8230; A caridade \u00e9 o impulso do cora\u00e7\u00e3o que nos faz sair de n\u00f3s mesmos gerando o v\u00ednculo da partilha e da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00abA partir do \u201camor social\u201d, \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar para uma civiliza\u00e7\u00e3o do amor a que todos nos podemos sentir chamados. Com o seu dinamismo universal, a caridade pode construir um mundo novo, porque n\u00e3o \u00e9 um sentimento est\u00e9ril, mas o modo melhor de alcan\u00e7ar vias eficazes de desenvolvimento para todos\u00bb (<em>FT<\/em>, 183).<\/p>\n<p><em>A caridade \u00e9 dom<\/em> que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida e gra\u00e7as ao qual consideramos quem se encontra na priva\u00e7\u00e3o como membro da nossa pr\u00f3pria fam\u00edlia, um amigo, um irm\u00e3o. O pouco, se partilhado com amor, nunca acaba, mas transforma-se em reserva de vida e felicidade. Aconteceu assim com a farinha e o azeite da vi\u00fava de Sarepta, que oferece ao profeta Elias o bocado de p\u00e3o que tinha (cf. <em>1 Rs <\/em>17, 7-16), e com os p\u00e3es que Jesus aben\u00e7oa, parte e d\u00e1 aos disc\u00edpulos para que os distribuam \u00e0 multid\u00e3o (cf. <em>Mc <\/em>6, 30-44). O mesmo sucede com a nossa esmola, seja ela pequena ou grande, oferecida com alegria e simplicidade.<\/p>\n<p><em>Viver uma Quaresma de caridade <\/em>significa cuidar de quem se encontra em condi\u00e7\u00f5es de sofrimento, abandono ou ang\u00fastia por causa da pandemia de Covid19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, lembrando-nos da palavra que Deus dera ao seu Servo \u2013 \u00abn\u00e3o temas, porque Eu te resgatei\u00bb (<em>Is <\/em>43, 1) \u2013, ofere\u00e7amos, juntamente com a nossa obra de caridade, uma palavra de confian\u00e7a e fa\u00e7amos sentir ao outro que Deus o ama como um filho.<\/p>\n<p>\u00abS\u00f3 com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, \u00e9 que os pobres s\u00e3o reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo pr\u00f3prio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade\u00bb (<em>FT<\/em>, 187).<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, cada etapa da vida \u00e9 um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de convers\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa mem\u00f3ria comunit\u00e1ria e pessoal, a f\u00e9 que vem de Cristo vivo, a esperan\u00e7a animada pelo sopro do Esp\u00edrito e o amor cuja fonte inexaur\u00edvel \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o misericordioso do Pai.<\/p>\n<p>Que Maria, M\u00e3e do Salvador, fiel aos p\u00e9s da cruz e no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, nos ampare com a sua sol\u00edcita presen\u00e7a, e a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Ressuscitado nos acompanhe no caminho rumo \u00e0 luz pascal. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Roma, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, na Mem\u00f3ria de S\u00e3o Martinho de Tours<strong>,<\/strong><\/p>\n<p>11 de novembro de 2020.<\/p>\n<p><em>Papa Francisco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abVamos subir a Jerusal\u00e9m&#8230;\u00bb (Mt 20, 18).\u00a0Quaresma: tempo para renovar a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95183,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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