{"id":199081,"date":"2021-02-11T09:05:32","date_gmt":"2021-02-11T09:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=199081"},"modified":"2021-02-11T17:44:25","modified_gmt":"2021-02-11T17:44:25","slug":"memorias-da-incerteza-de-uma-doenca-e-do-cuidado-durante-sete-semanas-entrevista-a-d-antonio-marto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/memorias-da-incerteza-de-uma-doenca-e-do-cuidado-durante-sete-semanas-entrevista-a-d-antonio-marto\/","title":{"rendered":"\u00abUma coisa \u00e9 falarmos aos outros e at\u00e9 estar com quem sofre, outra coisa \u00e9 quando nos toca a n\u00f3s\u00bb &#8211; Entrevista a D. Ant\u00f3nio Marto"},"content":{"rendered":"<p><em>Bispo de Leiria-F\u00e1tima recorda a incerteza do diagn\u00f3stico, que gera ansiedade, e o tratamento durante sete semanas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_174884\" aria-describedby=\"caption-attachment-174884\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-174884 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Antonio_Marto_AH-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-174884\" class=\"wp-caption-text\">Foto Arlindo Homem\/AE<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Agencia Ecclesia &#8211; A celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial do Doente \u00e9 o motivo para uma conversa com o Cardeal D. Ant\u00f3nio Marto e a partilha do que foi uma experi\u00eancia de fragilidade, pela qual todos n\u00f3s passamos, de diferentes modos, mas que por vezes se acentua, nomeadamente no tratamento que \u00e9 preciso para a recupera\u00e7\u00e3o. E \u00e9 essa partilha que vamos pedir ao cardeal D. Ant\u00f3nio Marto, que fa\u00e7a convosco.<\/em><\/p>\n<p><em>E come\u00e7ava por lhe perguntar como \u00e9 que recorda esse momento do contacto, do confronto, com a fragilidade, com uma doen\u00e7a que, quando lhe falaram nela talvez n\u00e3o imaginava as consequ\u00eancias, os dias que ia ser necess\u00e1rio para recuperar mas, acredito, que \u00e9 sempre um contacto que causa apreens\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Cardeal D. Ant\u00f3nio Marto \u00a0&#8211; \u00a0Antes de mais quero saudar quem nos segue e de modo particular as pessoas doentes, seja com a Covid ou n\u00e3o, e manifestar a minha proximidade, o meu afeto e tamb\u00e9m a minha ora\u00e7\u00e3o por todos.<\/p>\n<p>De facto neste tempo pandemia, todos os dias tenho presente, sempre modo particular, os enfermos, aqueles que sofrem a Covid as suas consequ\u00eancias e os seus familiares tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Aqui estou para partilhar, um pouco a experi\u00eancia que vivi.<\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"height: 23px; width: 36.0937%; border-collapse: collapse;\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 23px;\">\n<td style=\"width: 100%; height: 23px;\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7HOV_xjBQPw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Antes de mais ela foi inesperada: foi uma febre que surgiu num domingo \u00e0 noite. Pensei que fosse uma gripe, tomei um \u00abBrufen\u00bb, mas sem grandes efeitos. De seguida pensei que fosse a Covid-19, embora a febre andasse pelos 37, 37,5 e foi aos 38. Foi nessa altura que pensei que fosse a Covid e imediatamente agendei um teste, que deu negativo.<\/p>\n<p>A temperatura continuava a subir, telefonei \u00e0 m\u00e9dica e ela disse que a melhor coisa seria ir para as urg\u00eancias do hospital. E assim fui, como qualquer outro. Esperei um pouco, n\u00e3o muito, para ser atendido: fui observado, auscultado, enfim tudo aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para um diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>O primeiro diagn\u00f3stico foi surpreendente! Nem tomei bem consci\u00eancia do que aquilo poderia significar, pensava que era um v\u00edrus qualquer que andasse por a\u00ed. Mas o diagn\u00f3stico indicava uma infe\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica, de todo o organismo, o que poderia levar a uma septicemia e faria ver a morte muito pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Mandaram-me para os cuidados intensivos. \u00c9 uma experi\u00eancia um pouco dura para quem l\u00e1 passa: estamos ligados a m\u00e1quinas, sem no\u00e7\u00e3o do tempo, sem poder contactar com algu\u00e9m conhecido. Depois invade-nos uma incerteza, uma ansiedade, porque n\u00e3o se sabe o que \u00e9, uma ansiedade e um temor \u00e0 espera que algu\u00e9m nos venha dizer alguma coisa.<\/p>\n<p>O facto de estar ligado \u00e0s m\u00e1quinas, cada passo est\u00e3o a apitar, uma de um lado, outra do outro\u2026 Uma pessoa n\u00e3o consegue dormir nem descansar. Depois passei para uma enfermaria, sempre com aquela incerteza e ansiedade sem saber qual o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>A primeira semana foi s\u00f3 para fazer exames an\u00e1lises, radiografias, ecografias para detetar qual o foco de onde vinha a febre. S\u00f3 ao fim de uma semana \u00e9 que se conseguiu chegar l\u00e1 porque senti uma dor aguda que nunca tinha sentido &#8211; eu n\u00e3o sentia dor, era apenas a febre.<\/p>\n<p>Senti uma dor aguda no abd\u00f3men, disse \u00e0 m\u00e9dica e logo mandou fazer a ecografia e a partir da\u00ed chegou-se a identificar o foco que era uma infe\u00e7\u00e3o do f\u00edgado. Foi uma surpresa completa e sem saber os tratamentos a que seria submetido, sem saber quanto tempo \u00e9 que ficaria no hospital. Eu pensava que ficaria uma semana, mas no final da primeira semana disseram-me teria de estar outra semana e eu sempre com a perspetiva, o desejo e o anseio de sair do hospital e voltar a casa.<\/p>\n<p>Entretanto, durante esse tempo no hospital, desde que sa\u00ed dos cuidados intensivos, chegavam as chamadas ao telem\u00f3vel, as mensagens, era de todo lado e eu n\u00e3o conseguia responder, nem tinha disposi\u00e7\u00e3o para isso! A agente fica sem disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois, procurei chegar a um momento de serenidade porque inicialmente n\u00e3o havia serenidade!<\/p>\n<p>Recordo-me de uma noite em que senti quase o desespero, o mal estar, a ansiedade, a dor &#8211; foi nessa noite que sente a dor aguda. A gente sente impot\u00eancia, a incapacidade, a fragilidade que uma pessoa conhece teoricamente e depois experimenta de uma maneira \u00fanica&#8230; Eeu n\u00e3o tenho palavras at\u00e9 para traduzir tudo que o que senti, mas foi a incapacidade e impot\u00eancia.<\/p>\n<p>Eu queria oferecer ao Senhor esse sofrimento pelo qual passei, \u00e0 semelhan\u00e7a dos pastorinhos de F\u00e1tima. Lembrei-me deles e era incapaz de o fazer, n\u00e3o tinha palavras, elas n\u00e3o sa\u00edram.<\/p>\n<p>Tive de chamar uma enfermeira, durante a noite, que foi muito atenciosa e carinhosa para comigo, deu-me um calmante para atenuar as dores e comecei a ficar mais sereno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ajudou a identifica\u00e7\u00e3o do foco da infe\u00e7\u00e3o&#8230; <\/em><\/p>\n<p>AM &#8211; Depois de ser identificado o foco da infe\u00e7\u00e3o, comecei a ser tratado atrav\u00e9s de um antibi\u00f3tico direcionado precisamente para essa doen\u00e7a e comecei a sentir as melhoras, e, progressivamente, comecei a ficar sereno e a ser capaz de rezar.<\/p>\n<p>Parece um paradoxo! Mas havia momentos em que n\u00e3o era capaz de rezar, embora o sentisse que devia fazer&#8230; Esta contradi\u00e7\u00e3o entre aquilo que o que se pensa e o que sente, porque n\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembrava-me do Job, porventura era dizer a m\u00e1goa, gritar a m\u00e1goa diante de Deus. Mas sem palavra! Era mais um sentimento.<\/p>\n<p>Depois, quando serenei, quando estava a ser tratado j\u00e1 com a terapia pr\u00f3pria, retomei o ritmo da ora\u00e7\u00e3o, tinha comigo o iPad que me proporcionava rezar a Liturgia das Horas e at\u00e9 fui privilegiado, de certo sentido, porque deram-me um quarto particular, onde eu podia, juntamente com o capel\u00e3o, a quem sou muito grato, celebrar a Eucaristia. E era um momento intenso. (Antes de ir para o quarto, o capel\u00e3o, ia-me levar a comunh\u00e3o).<\/p>\n<p>Depois de duas semanas &#8211; eu estava sempre \u00e0 espera que me dessem alta &#8211; l\u00e1 chegou uma equipa m\u00e9dica, a quem agrade\u00e7o e que j\u00e1 tive oportunidade de agradecer pessoalmente a cada um, que me rodeou de cuidados e me explicou tudo o que se passava a respeito de doen\u00e7a e me disse que ia sair, mas que ficaria no internamento domicili\u00e1rio, a chamada hospitaliza\u00e7\u00e3o domicili\u00e1ria, que \u00e9 uma grande coisa e nos permite estar em casa continuando com os mesmos direitos e deveres dos doentes que est\u00e3o no hospital, tendo uma cuidadora, uma das irm\u00e3s religiosas que est\u00e3o aqui em casa, para medir a tens\u00e3o tr\u00eas vezes ao dia e cuidar da medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui em casa, da parte da manh\u00e3 vinha uma m\u00e9dica e uma enfermeira para me auscultar e dar as doses de antibi\u00f3tico, num regime de internamento que, quer dizer, confinamento.<\/p>\n<p>Foram cinco semanas &#8211; duas no hospital e cinco em casa. Mas quando cheguei a casa parece que revivi, tive uma dose de energia e de alegria. Olhei para o meu escrit\u00f3rio, ver os livros e os quadros. Enfim, senti-me em casa.<\/p>\n<p>A unidade de hospitaliza\u00e7\u00e3o domicili\u00e1ria s\u00f3 tinha aberto em junho passado e, at\u00e9 nisso, foi providencial para mim.<\/p>\n<p>A pouco e pouco retomei a vida normal dentro das condi\u00e7\u00f5es restritas tendo em conta a pandemia a que estamos sujeitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mais do que o processo cl\u00ednico, interessa-nos sobretudo a partilha e a li\u00e7\u00e3o de vida que podemos encontrar. Acredito que o D. Ant\u00f3nio ao longo de muitos anos ter\u00e1 aconselhado muitas pessoas, ter\u00e1 entusiasmado muitos doentes, ter\u00e1 sido uma palavra de conforto em muitas situa\u00e7\u00f5es. Apesar disso, uma pessoa tem sempre surpresas, nunca est\u00e1 preparada.<\/em><\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"height: 23px; width: 36.0937%; border-collapse: collapse;\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 23px;\">\n<td style=\"width: 100%; height: 23px;\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qwS0xWibYxA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>AM &#8211; \u00c9 verdade. Uma coisa \u00e9 falarmos aos outros, e at\u00e9 estar com quem sofre; outra coisa \u00e9 quando nos toca a n\u00f3s, na carne, na pr\u00f3pria carne, e sentimos esta fragilidade, o confronto com a finitude \u2013 isso recordo-me perfeitamente, o sentir a finitude. O colocar a hip\u00f3tese que fosse algo de muito grave que pusesse em risco a pr\u00f3pria vida e que estivesse pr\u00f3ximo da morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E qual foi a atitude nessa altura?<\/em><\/p>\n<p>AM \u2013 Eu costumo dizer que eu gosto de ir para o c\u00e9u. Quando penso no c\u00e9u, fa\u00e7o-o com gosto de ir para junto de Deus. Acho que vai ser uma surpresa muito bela e grande. Mas parecia-me que gostava de estar ainda um pouco mais por aqui, com os outros. Mas de facto, encomendava-me \u00e0 Senhor, como se fosse poss\u00edvel. Olhando para o passado, numa atitude de arrependimento e ao mesmo tempo de confian\u00e7a e de entrega ao Senhor.<\/p>\n<p>Havia algo que me confortava muito: sentia-me rodeado, com as mensagens que recebi e telefonemas que atendi, sentia-me rodeado de uma comunidade de ora\u00e7\u00e3o e de afeto, quer da diocese, quer do pa\u00eds inteiro, e at\u00e9 do estrangeiro \u2013 vinham emails de Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e do Brasil. Uma pessoa sente conforto, aquele conforto e proximidade e o afeto das pessoas.<\/p>\n<p>Um dos momentos que integrava a visita pastoral era sempre o encontro com os doentes e a celebra\u00e7\u00e3o da Santa Un\u00e7\u00e3o, que procurava fazer de um modo afetuoso, com proximidade, afeto, ternura, para que as pessoas sentissem a ternura pelo Sacramento. Agora me recordo, que tamb\u00e9m recebi o sacramento da Santa Un\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Nessa experi\u00eancia de fragilidade, de finitude, h\u00e1 um dep\u00f3sito de confian\u00e7a na medicina, nos m\u00e9dicos, enfermeiros e em todo o pessoal que cuida?<\/em><\/p>\n<p>AM \u2013 Da minha parte houve. Lembro-me de dizer \u00absou muito obediente aos m\u00e9dicos\u00bb.<\/p>\n<p>Da minha parte havia um cr\u00e9dito de confian\u00e7a, sabendo que os m\u00e9dicos aqui hospital de Leiria s\u00e3o pessoas cheias de compet\u00eancia. Portanto, \u00e0 partida tenho um cr\u00e9dito de confian\u00e7a e estava confiante tamb\u00e9m, quer nos enfermeiros, nos m\u00e9dicos, todos eles muito delicados.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se pelo facto de ser bispo, mas vi tamb\u00e9m com as outras pessoas, eram muito atenciosos, sempre dispon\u00edveis e competentes. Tamb\u00e9m os auxiliares, que trabalham na parte mais t\u00e9cnica de radiografias, ecografia e TAC\u2019s, quando era conduzido numa cadeira de rodas ou na pr\u00f3pria cama em que estava, eram de uma delicadeza, de uma aten\u00e7\u00e3o, de um carinho at\u00e9 digno de notar.<\/p>\n<p>A compet\u00eancia dos profissionais sobretudo da equipa m\u00e9dica que me tratou \u2013 porque era uma equipa que, na primeira semana eles n\u00e3o sabiam de onde \u00e9 que vinha o foco da infe\u00e7\u00e3o &#8211; \u00a0eram de uma compet\u00eancia a toda prova. Tenho de o confirmar porque o vi e experimentei.<\/p>\n<p>E o pr\u00f3prio cuidado. Quando estamos doentes n\u00e3o basta a compet\u00eancia cient\u00edfica dos profissionais de sa\u00fade, mas \u00e9 tamb\u00e9m preciso a sabedoria do sofrimento ou a ci\u00eancia do amor que se traduz na arte do cuidado.<\/p>\n<p>Digo o que dizia aos meus irm\u00e3os doentes nas visitas pastorais: n\u00e3o se trata de uma pessoa doente como de um conjunto de \u00f3rg\u00e3os ou como uma m\u00e1quina org\u00e2nica, que avariou uma pe\u00e7a e conserta-se ou substitui-se por outra.<\/p>\n<p>Cada doente \u00e9 uma pessoa na sua integridade, na sua unicidade. Cada pessoa tem o seu rosto, os seus sentimentos, tem um cora\u00e7\u00e3o, tem uma vida que \u00e9 uma hist\u00f3ria e tem de ser tratado com essa arte do cuidado que, antes de mais, \u00e9 o saber estar com aquele que est\u00e1 doente, o ser capaz de partilhar a sua doen\u00e7a, estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de confian\u00e7a, que \u00e9 rec\u00edproca naturalmente, o respeito e delicadeza, sem ser invasivo pelas pessoas do doente. Todas essas virtudes que constituem o cuidado. Porque para al\u00e9m de curar antes de curar \u00e9 preciso cuidar. O cuidar precede, acompanha e vai al\u00e9m do curar. \u00c0s vezes acontece uma doen\u00e7a incur\u00e1vel mas ningu\u00e9m \u00e9 incuid\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ter\u00e1 sido a primeira vez que o Cardeal D. Ant\u00f3nio Marto esteve no internamento durante tanto tempo?<\/em><\/p>\n<p>AM \u2013 Foi a primeira vez. Uma vez fui submetido a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, a uma h\u00e9rnia umbilical ,mas foi feita em ambulat\u00f3rio e estive poucas horas no hospital.<\/p>\n<p>Agora foram duas semanas e s\u00e3o duas semanas em que, em virtude da pandemia, n\u00e3o havia visitas. Uma pessoa sente um pouco solid\u00e3o e isolamento porque n\u00e3o se pode sair para o corredor, temos de andar sempre com a m\u00e1scara e ter cautelas. S\u00e3o restri\u00e7\u00f5es que uma pessoa sente e um certo isolamento e solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas como tinha o IPAD e gosto de navegar na Internet, ocupava bastante tempo nisso, tamb\u00e9m com o telem\u00f3vel e as chamadas. Posso dizer que nunca me senti s\u00f3. Como costumo dizer, quem tem f\u00e9 nunca se sente s\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"height: 23px; width: 36.0937%; border-collapse: collapse;\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 23px;\">\n<td style=\"width: 100%; height: 23px;\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pkrqYaGbY8I\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>AE &#8211; \u00a0Em todo este processo do cuidado e da cura, a dimens\u00e3o espiritual para quem tem f\u00e9, como disse e quem cultiva essa dimens\u00e3o crente, \u00e9 uma dimens\u00e3o tamb\u00e9m muito relevante em todo o processo.<\/em><\/p>\n<p>AM &#8211; \u00a0Uma pessoa de f\u00e9 vive o sofrimento nessa perspetiva tamb\u00e9m, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o sinta a ansiedade, o temor, as d\u00favidas at\u00e9.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma motiva\u00e7\u00e3o sempre interior, um recurso interior que vem da pr\u00f3pria f\u00e9, em que a pessoa confia no Senhor e sabe que o Senhor est\u00e1 no nosso lado.<\/p>\n<p>A f\u00e9 n\u00e3o nos tira porventura a dor ou o sofrimento mas d\u00e1-nos a for\u00e7a interior para o viver em uni\u00e3o com o Senhor e procurar fazer isso. Disse inicialmente quando foi em alguns momentos mais duros do ponto de vista f\u00edsico e psicol\u00f3gico, porventura n\u00e3o era capaz. Uma pessoa sente a impot\u00eancia e incapacidade, embora sem perder a f\u00e9.<\/p>\n<p>Lembrava-se do exemplo dos pastorinhos, em que ofereciam o pr\u00f3prio sofrimento e sofreram muito mais do que eu, com a pneum\u00f3nica. Lembrava-me de pessoas que encontrei nas visitas pastorais, homens e mulheres simples, com a f\u00e9 simples do nosso povo, que dizem coisas que v\u00e3o dentro do cora\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes pessoas que est\u00e3o s\u00f3s durante o dia, a fam\u00edlia trabalhava, e eu procurava acompanhar: \u00abEnt\u00e3o, est\u00e1 sozinha?\u00bb, e eles diziam, \u00abSenhor bispo, eu nunca estou s\u00f3. Deus est\u00e1 sempre comigo\u00bb. Isso \u00e9 uma maneira simples mas profunda e bela de como podemos viver o sofrimento \u00e0 luz da f\u00e9 com espiritualidade.<\/p>\n<p>Temos de ter uma inspira\u00e7\u00e3o, uma motiva\u00e7\u00e3o interior, neste caso da f\u00e9, para viver aquilo que chamamos Evangelho de sofrimento, que \u00e9 anunciado numa frase simples, lapidar, pelo Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica que escreveu sobre o sofrimento. Ele diz O Evangelho do sofrimento consiste em ajudar aqueles que sofrem, em ajudar com o pr\u00f3prio sofrimento. Ajudar com a cultura do cuidado, que abrange todas aquelas dimens\u00f5es falamos, como tamb\u00e9m ajudar com o nosso sofrimento, de duas maneiras: ajuda os outros a confrontar-se com o sofrimento do outro e interrogar-se, e a partilh\u00e1-lo. Por isso faz bem. \u00c9 um ato de amor e caridade.<\/p>\n<p>E unir o pr\u00f3prio sofrimento a Cristo. Ele n\u00e3o veio fazer uma teoria sobre o sofrimento, nem o veio tirar, mas veio assumi-lo e dar-lhe um sentido, dizendo que n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra, que o sofrimento faz parte da vida como a pr\u00f3pria morte faz parte da vida. Temos de o assumir, com a f\u00e9, que n\u00e3o deixa de ser vivida humanamente. Temos limites humanos, mas s\u00e3o sempre animados pela f\u00e9.<\/p>\n<p>Associar-se a esse sofrimento pela reden\u00e7\u00e3o do mundo e por aqueles que mais precisam da nossa ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ouvindo o testemunho de D. Ant\u00f3nio Marto, desde que iniciamos esta conversa confesso, que v\u00e1rias vezes me lembrei das palavras de Cristo, levantado na cruz, quando experimentou a finitude no seu extremo.<\/em><\/p>\n<p>AM \u2013 Sim, \u00e9 a experi\u00eancia da finitude. O pr\u00f3prio Cristo, antes ainda de chegar \u00e0 cruz, mas j\u00e1 quase l\u00e1 perto, na Paix\u00e3o diz: \u00abPai, se \u00e9 poss\u00edvel, afastai de mim este c\u00e1lice, mas fa\u00e7a-se a Tua vontade\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 o mist\u00e9rio da vida. O mist\u00e9rio que vamos decifrando, lendo e vivendo \u00e0 luz da f\u00e9. E depois, \u00abMeu Deus, meu Deus porque me abandonaste?\u00bb, que \u00e9 o in\u00edcio de um salmo, que come\u00e7a por essa experi\u00eancia, a sensa\u00e7\u00e3o de um abandono mas que termina num ato de confian\u00e7a, de quem se entrega a Deus mesmo quando passa o t\u00fanel da escurid\u00e3o da noite. S\u00e3o as noites escuras da vida e da f\u00e9 quem passa por elas.<\/p>\n<p>Eu acho que valeu a pena, agora j\u00e1 estou completamente reestabelecido, e submetido a uma vigil\u00e2ncia peri\u00f3dica para que n\u00e3o se repita outra vez, como me disse um m\u00e9dico. J\u00e1 tive ocasi\u00e3o de fazer outros exames para confirmar que est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"height: 23px; width: 36.0937%; border-collapse: collapse;\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 23px;\">\n<td style=\"width: 100%; height: 23px;\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xivPnHwDhYU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>AE \u2013 Na interpreta\u00e7\u00e3o que faz do que aconteceu nas \u00faltimas semanas e meses, como encara o que o mundo est\u00e1 a viver? A pandemia global que afeta uns mais uns do que outros. Mesmo afetando todos h\u00e1 quem sofra mais, quem passe pelo cont\u00e1gio do v\u00edrus e sofra ligado a uma m\u00e1quina. E a atitude que sugere, a partir da sua experi\u00eancia \u00e9 essa mesma?<\/em><\/p>\n<p>AM \u2013 Isto reflete, de um modo individual e pessoal o que se passa a n\u00edvel global. A pandemia veio revelar a todos a nossa fragilidade, a nossa vulnerabilidade que tantas vezes esquecemos, sobretudo porque nos habitu\u00e1mos a olhar os progressos da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica e pens\u00e1vamos que tudo se resolveria sempre e em pouco tempo e, afinal, damo-nos conta que todos estamos sujeitos a este v\u00edrus. O v\u00edrus n\u00e3o tem barreiras, nem muros, atravessa tudo e de forma inesperada, pode atingir cada um e cada uma de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Faz-nos tomar consci\u00eancia desta fragilidade, vulnerabilidade que, por sua vez, levanta a quest\u00e3o do sentido da vida. Precisamos ter um sentido para a vida, a motiva\u00e7\u00e3o para viver, mesmo no sofrimento e na alegria, seja crente ou n\u00e3o, encontra outras motiva\u00e7\u00f5es interiores.<\/p>\n<p>E faz-nos tomar consist\u00eancia que pertencemos todos \u00e0 mesma humanidade, vulner\u00e1vel e fr\u00e1gil \u2013 o que o Papa Francisco diz, que todos estamos na mesma barca e ningu\u00e9m se salva sozinho. Isso vem despertar a consci\u00eancia da nossa responsabilidade rec\u00edproca, e por isso, observamos as normas das exig\u00eancias sanit\u00e1ria. \u00c9 o respeito de cada um para si mesmo e pelos outros. Isso \u00e9 responsabilidade e solidariedade. A solidariedade ativa mostra-se aqui.<\/p>\n<p>Nem todos teremos isso presente na pensamento, nem todos cumprem e sentem esta responsabilidade pelo que temos observado que, para um crist\u00e3o, \u00e9 um ato de amor, ao pr\u00f3ximo e a si mesmo. Devemos viver isto n\u00e3o apenas como uma imposi\u00e7\u00e3o das autoridades do Estado mas com um ato de amor e solidariedade ativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 N\u00e3o ter\u00e1 nada de amor nem de solidariedade o processo legislativo em torno de eutan\u00e1sia, sobretudo nesta ocasi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>AM \u2013 Fiquei muito triste porque acho que a eutan\u00e1sia n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o a oferecer a quem sofre e a quem sofre em estado terminal. Existem os cuidados paliativos para oferecer a melhor qualidade de vida \u00e0s pessoas que sofrem de doen\u00e7as incur\u00e1veis e ainda n\u00e3o se fez. Este seria o primeiro trabalho a fazer, antes de tudo o resto, e isso n\u00e3o se fez nem se manifesta grande interesse em fazer chegar a cada um.<\/p>\n<p>Li h\u00e1 dias um testemunho de um colega, com cancro, que anda a lutar h\u00e1 quatro ou cinco anos com essa doen\u00e7a, e disse: \u00abespero que quando eu tiver necessidade dos cuidados paliativos, me ofere\u00e7am tamb\u00e9m essa oportunidade como est\u00e3o a oferecer agora com a eutan\u00e1sia\u00bb.<\/p>\n<p>E acho foram muito infelizes os legisladores na escolha do tempo para aprovar a lei da despenaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, no momento em que quer os profissionais da sa\u00fade, quer a pr\u00f3pria sociedade, est\u00e3o num combate para se salvar todas as vidas, o mais poss\u00edvel, uma atitude grande de abnega\u00e7\u00e3o, generosidade, sacrif\u00edcio mesmo.<\/p>\n<p>Eu estive com os m\u00e9dicos no hospital e agora ultimamente, quando fui fazer um exame, davam conta de serem as semanas mais terr\u00edveis e n\u00e3o regateiam o tempo at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o das pr\u00f3prias for\u00e7as.<\/p>\n<p>Esta legisla\u00e7\u00e3o aprovada agora envergonha uma parte da classe pol\u00edtica que avan\u00e7ou com esta medida, neste tempo de pandemia, que exigia uma sensibilidade pr\u00f3pria, uma empatia com o povo que sofre. E isso n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Um \u00faltimo apontamento para a forma como vamos sair e como estamos a sair disto. D. Ant\u00f3nio Marto valorizava, h\u00e1 umas semanas numa homilia, a necessidade de cuidar da sa\u00fade espiritual. \u00c9 um meio para que possamos sair disto de uma forma construtiva e mais solid\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p>AM &#8211; Creio que sim. Gostava muito de saber responder como \u00e9 que vamos sair disto. Eu acho que ningu\u00e9m sabe! Como vai ser a nova normalidade, se \u00e9 que vai ser, porque creio que vai haver alguns ou muitos que quer voltar ao antes, quer no aspeto do lucro, do que se ganhava, como do consumismo que se procurava, um consumismo que todos consideravam exagerado, sem olhar a qualquer sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Outros permanecer\u00e3o na atitude da indiferen\u00e7a, v\u00e3o procurar um salvamento individual. Outro que certamente se confrontar\u00e3o e sair\u00e3o com algumas li\u00e7\u00f5es que esta pandemia nos deu. Uma delas \u00e9 a cultura do cuidado rec\u00edproco, em que nos sentimos respons\u00e1veis uns pelos outros e nos chamamos a cuidar uns dos outros, com esta certeza que ningu\u00e9m se salva sozinho. Isto foi o t\u00edtulo da mensagem do Papa para o Dia Mundial da paz, \u00abA cultura do cuidado como caminho para a paz\u00bb, como sentido da harmonia entre todos e da busca da felicidade, de uma sociedade mais fraterna e feliz.<\/p>\n<p>E a solidariedade ativa&#8230; Vamos viver as consequ\u00eancias da pandemia, n\u00e3o apenas nos aspetos da sa\u00fade f\u00edsica, mas a sa\u00fade ps\u00edquica, da sa\u00fade mental, mas tamb\u00e9m as terr\u00edveis consequ\u00eancias no campo econ\u00f3mico e social, o desemprego que vai atingir fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Isso vai exigir uma grande aten\u00e7\u00e3o, uma sa\u00fade espiritual que \u00e9 preciso neste momento porque sem sa\u00fade espiritual. &#8211; aquelas motiva\u00e7\u00f5es e inspira\u00e7\u00e3o interior e da pr\u00f3pria f\u00e9, este aspeto de cuidar uns dos outros, integra uma espiritualidade que \u00e9 capaz de se sacrificar pelo irm\u00e3o &#8211;\u00a0 sem essa espiritualidade, ca\u00edmos no fatalismo ou na indiferen\u00e7a, na chamada cultura da indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu creio ser preciso colocar esta espiritualidade, que chamo amor que nos d\u00e1 olhos novos para olhar os outros e a realidade.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia dizia-se que onde h\u00e1 amor, h\u00e1 um olhar. \u00c9 o amor que nos d\u00e1 olhos para ver a realidade e as suas interpela\u00e7\u00f5es, um cora\u00e7\u00e3o para ser sens\u00edvel ao outro; intelig\u00eancia para os sermos criativos de cuidados, de terapia, de solu\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o necess\u00e1rias, mesmo no campo da vida econ\u00f3mica e social. E m\u00e3os para dar as m\u00e3os uns aos outros, em solidariedade e ajuda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Leiria-F\u00e1tima recorda a incerteza do diagn\u00f3stico, que gera ansiedade, e o tratamento durante sete semanas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":174884,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[166,177],"class_list":["post-199081","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-dia-mundial-do-doente","tag-diocese-de-leiria-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199081"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199081\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/174884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}