{"id":198961,"date":"2021-02-10T10:07:26","date_gmt":"2021-02-10T10:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=198961"},"modified":"2021-02-10T10:55:51","modified_gmt":"2021-02-10T10:55:51","slug":"vacinacao-dos-lares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vacinacao-dos-lares\/","title":{"rendered":"Vacina\u00e7\u00e3o dos lares"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Lino Maia, presidente da CNIS<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1. Apresentado em 3 de Dezembro de 2020, o Plano de Vacina\u00e7\u00e3o COVID-19 previa tr\u00eas fases. O grupo priorit\u00e1rio seria o das pessoas com 50 ou mais anos e com patologias associadas, profissionais e residentes em lares e unidades de cuidados continuados, profissionais de sa\u00fade que prestem cuidados diretos no \u00e2mbito da pandemia e for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Legitimamente e bem, ali estavam as UCCI\u2019s e os lares. Todos os lares, residenciais e de idosos e, independentemente de serem da rede social solid\u00e1ria, lucrativos ou n\u00e3o legalizados, porque em todos eles, qualquer que seja a sua natureza ou legalidade, est\u00e3o pessoas. Normalmente as mais fr\u00e1geis e muitas vezes com um hist\u00f3rico de sa\u00fade complicado.<\/p>\n<p>No que aos lares da rede social solid\u00e1ria concerne, a quem apresentou o plano foi referido que nesses lares e nos cuidados continuados, para al\u00e9m dos residentes, fr\u00e1geis, e dos trabalhadores, dedicados, estavam \u201cdirigentes ativos\u201d, e que tamb\u00e9m deviam ser vacinados.<\/p>\n<p>A CNIS e as suas Uni\u00f5es Distritais, a Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias, a Confecoop e a Uni\u00e3o das Mutualidades t\u00eam feito um esfor\u00e7o enorme para a capacita\u00e7\u00e3o dos dirigentes no sentido de lhes dar mais compet\u00eancias para serem dirigentes ativos para estarem presentes nas e dentro das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses dirigentes &#8211; alguns dos quais tamb\u00e9m s\u00e3o provedores &#8211; est\u00e3o horas e horas nos lares e fazem-nos \u201cfuncionar\u201d. Algumas vezes substituem ou complementam o trabalho dos colaboradores e est\u00e3o sempre em contacto ass\u00edduo tanto com os trabalhadores como com os utentes. Nunca negam o di\u00e1logo ou a ajuda. S\u00e3o os tais \u201cdirigentes ativos\u201d. Todos os dirigentes s\u00e3o ativos, mas esses s\u00e3o-no sempre e particularmente nesta pandemia. Credores de respeito e gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o tanto dos trabalhadores como desses dirigentes \u00e9 que, em percentagem comparada, Portugal \u00e9 o pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com a menor percentagem de \u00f3bitos em lares (28%, quando a m\u00e9dia europeia est\u00e1 nos 40%). Nesta fase, a vacina\u00e7\u00e3o destes dirigentes n\u00e3o era um privil\u00e9gio mas a necess\u00e1ria capacita\u00e7\u00e3o para minorar riscos em resid\u00eancias coletivas de pessoas fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Refira-se, entretanto, que tanto naquele f\u00f3rum em que foi apresentado o programa de vacina\u00e7\u00e3o como noutros f\u00f3runs, n\u00e3o tendo havido manifestada confirma\u00e7\u00e3o de vacina\u00e7\u00e3o dos dirigentes, tamb\u00e9m n\u00e3o houve nega\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, num at\u00e9 se compreendeu positivamente a vacina\u00e7\u00e3o desses dirigentes por serem eles a fazer funcionar os lares\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Realce-se que, globalmente, a vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1 a correr bem. Que, com toda a transpar\u00eancia, alguns \u201cdirigentes ativos\u201d foram sendo vacinados. Que tudo deve ser feito para evitar abusos. E que, acontecendo algum abuso, ele tem de ser condenado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, cita-se o jornalista Paulo Querido: \u201c\u00c9 completamente inconsequente esta sanha justiceirista, que tem dois efeitos: aumenta o desperd\u00edcio de recursos, ficando os processos muito mais caros que as vacinas em causa, e uma vez mais desvia o olhar da corrup\u00e7\u00e3o grave para esta cultura de combate aos casinhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou a branquear os casinhos nem a praticar whataboutismo: procuro enfatizar a duplica\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio. \u00c9 como estar a ver as fam\u00edlias dos soldados a discutir a \u00e9tica do campo de batalha com a guerra em curso\u200a\u2014\u200ae entretanto os generais descobriram que n\u00e3o compraram muni\u00e7\u00f5es suficientes.<\/p>\n<p>C\u00e1lculo meu sobre dados parciais: at\u00e9 hoje ter\u00e3o sido ministradas em circunst\u00e2ncias duvidosas +\/- 500 vacinas, isto para um total de 340.000. A percentagem de desperd\u00edcio \u00e9 inferior a 1%. Deste sabe-se que uma grande maioria seguiu as recomenda\u00e7\u00f5es e acabou injetada em bra\u00e7os dentro dos grupos priorit\u00e1rios. Calcula 10% a 20% de aplica\u00e7\u00f5es duvidosas desse 1%. 500 vacinas. Much ado about nothing. Nem vale o tempo que a ministra e o Secret\u00e1rio de Estado tiveram de gastar a dizer o \u00f3bvio sobre o assunto\u201d.(https:\/\/paulo.querido.net\/diario\/2021\/02\/01)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Segundo consta, a Task Force para a vacina\u00e7\u00e3o estar\u00e1 a rever crit\u00e9rios ou prioridades.<\/p>\n<p>Espera-se que n\u00e3o o fa\u00e7a a reboque da Ordem dos Enfermeiros, que parece querer considerar que s\u00f3 os enfermeiros s\u00e3o profissionais nos lares e que s\u00e3o eles quem faz com que os mesmos funcionem. Claro que, com compet\u00eancias diferentes mas com a mesma dedica\u00e7\u00e3o de outros colaboradores, os enfermeiros s\u00e3o muito importantes nos lares e n\u00e3o deixam de o ser mesmo quando optam pelo SNS\u2026<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se espera que a Task Force n\u00e3o ande a reboque de alguma comunica\u00e7\u00e3o social. Nomeadamente da televis\u00e3o p\u00fablica, que parece querer divertir-nos com a ca\u00e7a aos \u201ccasinhos\u201d. Justi\u00e7a seja feita, por\u00e9m, \u00e0s televis\u00f5es privadas que, nestas circunst\u00e2ncias, parece estarem a prestar melhor servi\u00e7o p\u00fablico e a melhor valorizar os que promovem a constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade melhor\u2026.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 muito grave desvalorizar o que tem valor e as Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade s\u00e3o um pilar estruturante do Estado Social. Desvalorizando o que tem valor, estar-se-\u00e1 a provocar uma perigosa debandada dos dirigentes solid\u00e1rios, com evidente preju\u00edzo para os mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>A CNIS n\u00e3o tem mandato para impor nada, mas tem autoridade moral para dizer que estes \u201cdirigentes ativos\u201d, provedores e outros, devem ser vacinados como medida de prote\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 a sua miss\u00e3o, abra\u00e7ada com generosidade.<\/p>\n<p>A bem da comunidade\u2026<\/p>\n<p><em>Artigo publicado no Jornal Solidariedade\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Lino Maia, presidente da CNIS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92988,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-198961","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198961\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}