{"id":198863,"date":"2021-02-09T12:22:01","date_gmt":"2021-02-09T12:22:01","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=198863"},"modified":"2021-02-09T12:22:01","modified_gmt":"2021-02-09T12:22:01","slug":"a-grande-ameaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-grande-ameaca\/","title":{"rendered":"A grande amea\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-198866\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/serra-pessoa-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>1 \u2013 A palavra \u2018pandemia\u2019 entrou definitivamente no nosso dicion\u00e1rio. N\u00e3o apenas por estarmos inevitavelmente mergulhados numa, mas principalmente pelas marcas e cicatrizes que vai legar \u00e0 vida de cada um de n\u00f3s e \u00e0 sociedade. E n\u00e3o se pense que estamos simplesmente a experimentar uma pandemia de Covid-19. Este momento t\u00e3o singular que vivemos confrontou-nos com as outras pandemias que j\u00e1 abalavam a sociedade, mas que se tornaram mais evidentes perante um contexto que jamais hav\u00edamos experimentado.<\/p>\n<p>2 \u2013Na Arquidiocese de Braga foi not\u00edcia esta semana a iniciativa da Miseric\u00f3rdia de Barcelos em acolher cinco pessoas abandonadas em hospitais<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Este ato, que poderia ser encarado como evid\u00eancia da miss\u00e3o espec\u00edfica das Miseric\u00f3rdias \u2013 dado observar a 4.\u00aa Obra de Miseric\u00f3rdia corporal e a 4.\u00aa Obra de Miseric\u00f3rdia Espiritual \u2013 n\u00e3o pode deixar-nos indiferentes enquanto cidad\u00e3os de uma sociedade desenvolvida e, mais especificamente, enquanto crist\u00e3os. Como \u00e9 poss\u00edvel existirem pessoas absolutamente sozinhas? Poder\u00e1 parecer-nos cen\u00e1rio improv\u00e1vel ou inconceb\u00edvel, mas existem, talvez bem perto de n\u00f3s, pessoas completamente isoladas da fam\u00edlia, dos amigos e da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>3 &#8211; A solid\u00e3o poder\u00e1 parecer uma improbabilidade, todavia poder\u00e1 tornar-se real um dia. Acontecimentos inesperados, decis\u00f5es e cis\u00f5es mal discernidas ou atitudes desajustadas podem acabar por nos marginalizar dos demais. De repente, um cen\u00e1rio que nos aparecia como distante, torna-se cada vez mais concreto. O soci\u00f3logo polaco Zygmunt Bauman recorda-nos que \u201cestamos todos numa multid\u00e3o e numa solid\u00e3o ao mesmo tempo\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Uma frase aparentemente contradit\u00f3ria, mas que nos elucida sobre as formas hodiernas de nos relacionarmos uns com os outros.<\/p>\n<p>4 &#8211; A solid\u00e3o aparece como a grande amea\u00e7a do nosso tempo, aparecendo com especial clarivid\u00eancia neste tempo excecional que vivemos, mas que efetivamente j\u00e1 se manifestava. Num mundo cada vez mais conectado, em que as redes digitais parecem fomentar contactos e proximidades, se torna cada vez mais evidente esta amea\u00e7a que j\u00e1 abala a sociedade. Esta solid\u00e3o que nos forma deriva de uma sociedade em que o individualismo se sobrep\u00f5e ao coletivo. As linhas de apoio psicol\u00f3gico que se multiplicaram durante a pandemia exp\u00f5em as outras pandemias que padecemos. Existe o medo de n\u00e3o voltar a ver a fam\u00edlia, o medo da morte e at\u00e9 o receio de sair \u00e0 rua<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>5 &#8211; H\u00e1 escassos meses, o Papa Francisco, no seu livro \u201cVoltemos a sonhar\u201d (t\u00edtulo original \u201cRitorniamo a sognare\u201d), elaborado j\u00e1 sob o espectro da pandemia de covid-19, reflete sobre a solid\u00e3o, confessando que os momentos de solid\u00e3o que enfrentou durante a sua vida lhe ofereceram \u201cmais toler\u00e2ncia, compreens\u00e3o, capacidade de perdoar\u201d. E, al\u00e9m dos ganhos pessoais, lhe concedeu \u201cuma nova empatia para com os fracos e indefesos\u201d <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. A solid\u00e3o, portanto, n\u00e3o deve impelir-nos numa predisposi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica para a ang\u00fastia e o desespero, mas pode oferecer-nos um renovado horizonte sobre a nossa exist\u00eancia. O perd\u00e3o \u00e9 sempre o primeiro passo para a mudan\u00e7a. Perdoar quem nos deixou sozinhos. Perdoar as decis\u00f5es mal tomadas. Sublimar o passado que j\u00e1 foi, aceitando as consequ\u00eancias que da\u00ed advieram, procurando um futuro diferente.<\/p>\n<p>6 &#8211; Esta evid\u00eancia poder\u00e1, atrav\u00e9s das palavras, parecer de simples concretiza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9. De facto, n\u00e3o fomos criados para sermos sozinhos, contudo vivemos muitas vezes como se assim fosse. \u00c9 isso que a humanidade t\u00e3o bem tem sabido fazer, apesar dos exageros. Eis que o Cristianismo aparece como a solu\u00e7\u00e3o para esta pandemia que nos amea\u00e7a. Santa Teresa de \u00c1vila diz-nos que &#8220;quem ama faz sempre comunidade\u201d, n\u00e3o podendo sentir-se \u201cnunca sozinho&#8221;. E assim \u00e9. A aten\u00e7\u00e3o para com os outros, a aboli\u00e7\u00e3o do orgulho ferido, uma reta inten\u00e7\u00e3o perante os outros e os acontecimentos podem realizar pequenos milagres nas nossas vidas.<\/p>\n<p>7 \u2013 Numa sociedade mais solid\u00e1ria, mais humana, mais crist\u00e3, a solid\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser mais do que uma improbabilidade. O cen\u00e1rio que tanto nos amedronta e que se transformou em realidade objetiva para tantos nos nossos dias, pode ser uma fat\u00eddica certeza para cada um de n\u00f3s. Fa\u00e7amos, pois, a nossa parte para que esta amea\u00e7a n\u00e3o se transforme numa evid\u00eancia irrevers\u00edvel e funesta.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.diocese-braga.pt\/noticia\/1\/27613\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.diocese-braga.pt\/noticia\/1\/27613<\/a>, visto em 06\/02\/2021.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.fronteiras.com\/artigos\/zygmunt-bauman-la-solidao-e-a-grande-ameaca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.fronteiras.com\/artigos\/zygmunt-bauman-la-solidao-e-a-grande-ameaca<\/a>, visto em 08\/02\/2021.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/04\/04\/local\/noticia\/lado-linha-medo-doenca-solidao-perder-ama-1910593\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.publico.pt\/2020\/04\/04\/local\/noticia\/lado-linha-medo-doenca-solidao-perder-ama-1910593<\/a>, visto em 08\/02\/2021.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2020-11\/papa-francisco-libro-tres-solidoes-minha-vida.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2020-11\/papa-francisco-libro-tres-solidoes-minha-vida.html<\/a>, visto em 06\/02\/2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Ferreira, Arquidiocese de 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