{"id":19804,"date":"2006-08-24T10:47:48","date_gmt":"2006-08-24T10:47:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/24\/navegacoes-em-tempo-de-verao\/"},"modified":"2006-08-24T10:47:48","modified_gmt":"2006-08-24T10:47:48","slug":"navegacoes-em-tempo-de-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/navegacoes-em-tempo-de-verao\/","title":{"rendered":"Navega\u00e7\u00f5es em tempo de Ver\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Antes, havia os inventores de quase tudo. Os cientistas e descobridores corriam como atletas loucos para chegarem primeiro e darem o seu nome a um aster\u00f3ide, um princ\u00edpio, uma teoria, uma hip\u00f3tese. Quando sabemos o meridiano exacto em que nos encontramos, ou a que dist\u00e2ncia ou altitude est\u00e1 uma terra ou eleva\u00e7\u00e3o, nem nos apercebemos da quantidade de pessoas e experi\u00eancias que contribu\u00edram para termos dados precisos do nosso planeta, das for\u00e7as que nos circundam, da informa\u00e7\u00e3o que hoje quase instantaneamente surge no painel  de cristais que faz parte dos nossos quadros rotineiros de consulta.  Desapareceram grande parte dos nomes. Hoje as descobertas s\u00e3o plurais e complementares. Grupos de trabalho, equipas multidisciplinares, oceanos e continentes colocam-se de permeio com o grupo de an\u00f3nimos que, numa qualquer empresa ou no seu laborat\u00f3rio privado, v\u00e3o dando passos em todas as direc\u00e7\u00f5es do progresso de que vemos apenas alguns sinais. Eles concretizam-se nos instrumentos de precis\u00e3o, no carro, nos electrodom\u00e9sticos, nos m\u00faltiplos afazeres da inform\u00e1tica. O nosso quotidiano est\u00e1 cada vez mais inundado de novidade que h\u00e1 anos atr\u00e1s seria tida como pura magia ou poderes preter \u2013 naturais. O  Padre Gaspar bem se cansa de explicar ao seu amigo Roberto \u2013 \u201co \u00fanico ser da nossa esp\u00e9cie  a haver naufragado num navio deserto\u201d \u2013 fen\u00f3menos complexos da natureza \u2013 desde algumas teorias galileicas  jamais aplicadas, \u00e0 completa harmonia  l\u00f3gica entre a descri\u00e7\u00e3o b\u00edblia do Dil\u00favio e as convuls\u00f5es dentro e fora da Arca de No\u00e9, e uma perfeita sequ\u00eancia de hip\u00f3teses descritas com exalta\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o sente dificuldade em conjugar a b\u00edblia com a ci\u00eancia, mesmo na mais rigorosa interpreta\u00e7\u00e3o literal em pleno s\u00e9culo XVII.  Umberto Eco transporta-nos a este universo fascinante e divertido &#8211; quase tanto como o Nome da Rosa &#8211; num livro que \u00e9 uma Ilha do Dia Antes, mas com uma ironia doce numa procura sequiosa de encontrar \u201co Ponto Fixo\u201d.Pode inscrever-se na moda dos muitos enigmas pseudo-cient\u00edficos da nossa era. Mas pode conduzir-nos a um universo humanizado pelas pesquisas pacientes e perseverantes dos muitos mist\u00e9rios que se escondem no universo. Os brinquedos tecnol\u00f3gicos que nos rodeiam poder\u00e3o sugerir-nos que tudo est\u00e1 encontrado. Na verdade continuamos no encal\u00e7o desse Ponto Luminoso, como atrac\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel de todo o ser inteligente. N\u00e3o vale a pena exacerbar o conflito entre ci\u00eancia e f\u00e9. Ambos t\u00eam o seu lugar. E \u00e9 no cora\u00e7\u00e3o do homem que ambos encontram o seu ref\u00fagio \u2013 divino e humano. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes, havia os inventores de quase tudo. Os cientistas e descobridores corriam como atletas loucos para chegarem primeiro e darem o seu nome a um aster\u00f3ide, um princ\u00edpio, uma teoria, uma hip\u00f3tese. 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