{"id":197608,"date":"2021-01-31T09:30:14","date_gmt":"2021-01-31T09:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=197608"},"modified":"2021-01-31T08:05:48","modified_gmt":"2021-01-31T08:05:48","slug":"mocambique-nao-e-justo-que-os-paises-corram-para-vacinar-toda-a-sua-populacao-e-que-africa-fique-a-espera-bispo-de-pemba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mocambique-nao-e-justo-que-os-paises-corram-para-vacinar-toda-a-sua-populacao-e-que-africa-fique-a-espera-bispo-de-pemba\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique: \u00abN\u00e3o \u00e9 justo que os pa\u00edses corram para vacinar toda a sua popula\u00e7\u00e3o e que Africa fique \u00e0 espera\u00bb &#8211; Bispo de Pemba"},"content":{"rendered":"<p>D. Luiz Fernando Lisboa \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, num momento em que mais de 30 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil portuguesa manifestaram o desejo de que o Governo portugu\u00eas a e Uni\u00e3o Europeia se envolvam na solu\u00e7\u00e3o da crise humanit\u00e1ria que a atinge a regi\u00e3o de Cabo Delgado<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-191988 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Mocambique_Bispo_Pemba-6-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Tem sentido esta disponibilidade em ajudar por parte das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil portuguesa<\/em>?<\/p>\n<p>Tenho sentido, sim, desde\u2026 N\u00e3o vou dizer desde o in\u00edcio da guerra, mas desde a metade da guerra para c\u00e1 \u2013 e j\u00e1 dura h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. A sociedade civil portuguesa e, sobretudo, as organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, v\u00e1rias delas entraram em contacto connosco e come\u00e7aram a fazer algum tipo de trabalho no sentido de nos tentar ajudar, para que atend\u00eassemos \u00e0 crise humanit\u00e1ria, \u00e0s pessoas que estavam deslocadas. A Arquidiocese de Braga, com quem a Diocese de Pemba tem uma parceria, e outras organiza\u00e7\u00f5es, aos poucos, foram entrando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E da parte do Governo portugu\u00eas, e da Uni\u00e3o Europeia, sente essa vontade na procura das melhores solu\u00e7\u00f5es para aquilo que chamou de guerra?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que demorou um pouco, mas o importante \u00e9 que agora as autoridades j\u00e1 se est\u00e3o a envolver. H\u00e1 poucos dias tivemos a visita do ministro portugu\u00eas (Jo\u00e3o Gomes Cravinho, ministro da Defesa), que representava a Uni\u00e3o Europeia. Tamb\u00e9m tivemos contactos de outras autoridades de Portugal, tanto o primeiro-ministro como o presidente da Rep\u00fablica, atrav\u00e9s de telefonemas, de gestos concretos, manifestando a sua preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como descreve a realidade atual em Cabo Delgado? O n\u00famero de deslocados tem vindo a aumentar<\/em>?<\/p>\n<p>Continua a aumentar, porque a guerra, infelizmente, continua. Nestes \u00faltimos dias, tivemos alguns ataques em v\u00e1rias cidades \u2013 Palma, Macomia, Nangade. As poucas pessoas que ficaram, com estes ataques a tend\u00eancia \u00e9 sair. Quer dizer, todas procuram uma maneira de sair, quem n\u00e3o sai \u00e9 porque n\u00e3o pode, por causa das finan\u00e7as, porque n\u00e3o tem dinheiro para pagar os \u2018chapas\u2019, que triplicaram os pre\u00e7os. Outros n\u00e3o saem porque n\u00e3o t\u00eam como sair.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 em Palma, por exemplo: por terra, n\u00e3o se pode passar; noutra regi\u00e3o, que j\u00e1 atacaram v\u00e1rias vezes, ningu\u00e9m pode passar por terra. As embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito caras e \u00e9 preciso lembrar que, no m\u00eas de dezembro, uma embarca\u00e7\u00e3o afundou e morreram muitas pessoas. De avi\u00e3o, \u00e9 muito caro, porque s\u00e3o voos pequenos e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima possibilidade de pagar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, nesta altura j\u00e1 s\u00e3o mais do que 500 mil deslocados?<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu acredito que j\u00e1 ultrapassa os 600 mil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quais as principais necessidades da popula\u00e7\u00e3o? A maior preocupa\u00e7\u00e3o continua a ser a situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as? Tem sido f\u00e1cil fazer chegar a ajuda<\/em>?<\/p>\n<p>N\u00e3o tem sido f\u00e1cil, primeiro porque n\u00e3o h\u00e1 ajuda suficiente para todos. Em segundo lugar, estamos no per\u00edodo de chuvas, neste momento. As pessoas que est\u00e3o nos acampamentos, sobretudo na regi\u00e3o de Metuje, a 40 e poucos quil\u00f3metros de Pemba, est\u00e3o debaixo de lonas, de barracas muito prec\u00e1rias e agora enfrentam \u2013 al\u00e9m da falta de alimenta\u00e7\u00e3o, de um lugar digno, etc. \u2013 tamb\u00e9m o problema da chuva. Essa \u00e9 a minha principal preocupa\u00e7\u00e3o e \u00e9 claro que, entre os mais vulner\u00e1veis, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o maior s\u00e3o as crian\u00e7as, porque s\u00e3o aquelas que mais sofrem.<\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil ter ajuda suficiente para todos; depois, h\u00e1 o problema da chuva. O Governo tem feito um esfor\u00e7o de reassentar, a ideia \u00e9 levar imediatamente essas pessoas, mas isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se n\u00e3o se tiver criado as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas no lugar para onde v\u00e3o: se n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua, se n\u00e3o h\u00e1 um m\u00ednimo de organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, seria deslocar as pessoas para um lugar pior. As organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais t\u00eam questionado, t\u00eam pedido ao Governo que se criem as condi\u00e7\u00f5es para depois transferir as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Da parte das autoridades mo\u00e7ambicanas, que no in\u00edcio se mostraram reticentes a aceitar ajuda, h\u00e1 agora outra vontade<\/em>?<\/p>\n<p>Sim, contra factos n\u00e3o h\u00e1 argumentos. No in\u00edcio, houve uma tentativa de negar, esconder um pouco essa guerra, essa situa\u00e7\u00e3o, essa crise humanit\u00e1ria. Depois, com a palavra da Igreja, que foi sempre presente, falando sobre a guerra, sobretudo depois que o Papa Francisco come\u00e7ou a entrar, a falar sobre a guerra, a telefonar para o bispo, enviou ajuda\u2026 Isso tamb\u00e9m foi muito importante, no final de 2020 ele enviou uma ajuda significativa, o que movimentou outras organiza\u00e7\u00f5es de Igreja, dioceses, a fazerem algum gesto.<\/p>\n<p>E a 18 de dezembro, o Papa recebeu-me no Vaticano. Esse \u00e9 outro gesto, para mostrar que est\u00e1 preocupado com a guerra, com esta crise humanit\u00e1ria, e quer ver solu\u00e7\u00f5es, por parte das autoridades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que significou para si essa audi\u00eancia, o que pode partilhar connosco desse encontro<\/em>?<\/p>\n<p>Quando eu fui chamado, pensava que o nosso encontro seria de 3 a 5 minutos. Na verdade, foram 45 minutos, o Papa interessou-se, ouviu tudo aquilo que eu tinha para contar, fez muitas perguntas, e mostrou claramente a sua proximidade com o povo de Cabo Delgado. E claro, n\u00e3o s\u00f3, h\u00e1 guerras noutras regi\u00f5es que t\u00eam preocupado o Santo Padre. Mas naquele momento, concretamente, ele quis saber do povo de Cabo Delgado, mostrou a sua proximidade e disse que continuaria a rezar e a ajudar aquele povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Numa das entrevistas que concedeu garantiu que \u201cningu\u00e9m vai silenciar a Igreja\u201d. Referia-se a alguma situa\u00e7\u00e3o em particular?<\/em><\/p>\n<p>Em todos os lugares e em todos os tempos, muitas vezes tentaram silenciar a Igreja. H\u00e1 pessoas\u00a0que equivocadamente, pensam que a Igreja, ou os l\u00edderes religiosos devem ficar s\u00f3 dentro da Igreja a rezar. E a evangeliza\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m disso. \u00c9 muito mais do que isso. N\u00f3s n\u00e3o trabalhamos com o esp\u00edrito das pessoas. N\u00f3s trabalhamos com as pessoas concretas, que t\u00eam dificuldades que passam por viol\u00eancias, por limita\u00e7\u00f5es que t\u00eam necessidades. Ent\u00e3o, a Igreja em qualquer lugar, ela vai levantar a sua voz e algum momento ela vai ser a voz daqueles que n\u00e3o t\u00eam voz. E isso normalmente pode incomodar. Ent\u00e3o em todos os tempos sempre aconteceu isso. Isso \u00e9 normal que aconte\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A Igreja que na regi\u00e3o de Cabo Delgado tem sido decisiva na procura de solu\u00e7\u00f5es para os deslocados\u2026 Quais s\u00e3o os desafios que se colocam \u00e0s comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos de nos reinventar. Essa \u00e9 uma palavra que se usa muito neste tempo da pandemia, mas n\u00f3s usamo-la tamb\u00e9m para a quest\u00e3o da guerra. Toda a nossa pastoral teve de ser adaptada a esta situa\u00e7\u00e3o que estamos a viver. Tanto da guerra e agora com o covid-19 que aumentou tamb\u00e9m em Mo\u00e7ambique, infelizmente.\u00a0Ent\u00e3o, todos os mission\u00e1rios que estavam nessa regi\u00e3o atingida pela guerra tiveram que sair e est\u00e3o recolocados em outras regi\u00f5es da prov\u00edncia. E estamos praticamente todos a trabalhar em fun\u00e7\u00e3o dos deslocados; atendendo, visitando, olhando as necessidades, reunindo essas pessoas para dar um amparo, um apoio psicol\u00f3gico, enfim, aquilo que elas mais necessitam. E at\u00e9 fora da prov\u00edncia. As dioceses vizinhas: Nacala, Nampula, t\u00eam ajudado tamb\u00e9m porque t\u00eam recebido pessoas de Cabo Delgado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na sua opini\u00e3o, o conflito \u2013 os atos terroristas \u2013 \u00e9 poss\u00edvel de minimizar, ou mesmo de terminar a breve prazo? Ou vamos continuar a ter muitas mais pessoas deslocadas pelo medo que a viol\u00eancia acarreta?<\/em><\/p>\n<p>Talvez seja poss\u00edvel com a ajuda externa que agora come\u00e7amos a ter, sobretudo da Uni\u00e3o Europeia e da regi\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que este conflito termine em alguns meses, embora eu n\u00e3o consiga quantificar o tempo&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas h\u00e1 uma nova esperan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma nova esperan\u00e7a. Por\u00e9m essa situa\u00e7\u00e3o dos deslocados n\u00e3o se resolve num passo de m\u00e1gica. S\u00e3o pessoas, s\u00e3o vidas, s\u00e3o hist\u00f3rias; e eu tenho dito que n\u00f3s levaremos muitos anos para reconstruir. Porque n\u00e3o s\u00e3o apenas reconstru\u00e7\u00f5es de casas, de pr\u00e9dios, mas reconstru\u00e7\u00f5es de pessoas, de vidas e de hist\u00f3rias. E isso vai levar ainda muito tempo de trabalho para o Governo, para a sociedade civil, paras organiza\u00e7\u00f5es internacionais, para a Igreja. N\u00f3s temos muito trabalho pela frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_193563\" aria-describedby=\"caption-attachment-193563\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-193563\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/cabo-delgado-refugiados3.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-193563\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>H\u00e1 relatos de aumento de situa\u00e7\u00f5es de c\u00f3lera e de incremento da crise pand\u00e9mica no territ\u00f3rio. Estaremos pr\u00f3ximos de uma tempestade perfeita?<\/em><\/p>\n<p>Infelizmente, essas situa\u00e7\u00f5es de\u00a0c\u00f3lera, n\u00f3s normalmente j\u00e1 temos\u00a0anualmente, s\u00f3 que est\u00e3o criadas condi\u00e7\u00f5es para que isso aumente muito mais por causa da aglomera\u00e7\u00e3o, por falta de saneamento, por falta de \u00e1gua tratada&#8230; ent\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es que acabam por ajudar para que essas situa\u00e7\u00f5es apare\u00e7am.<\/p>\n<p>N\u00f3s\u00a0costum\u00e1vamos\u00a0dizer que a Covid para n\u00f3s estava em segundo plano, s\u00f3 que agora Mo\u00e7ambique est\u00e1 a aumentar os casos de uma maneira assustadora. N\u00f3s temos em Pemba j\u00e1 v\u00e1rios casos. N\u00f3s temos j\u00e1 na nossa equipa mission\u00e1ria pessoas que\u00a0contra\u00edram. Ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o vai-se agravando, infelizmente. Porque al\u00e9m de lidar com toda a situa\u00e7\u00e3o da guerra n\u00f3s temos o covid e temos essas situa\u00e7\u00f5es de c\u00f3lera e outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma das\u00a0preocupa\u00e7\u00f5es\u00a0do Papa tem sido uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa das vacinas. Em Portugal o processo j\u00e1 come\u00e7ou, tamb\u00e9m no Brasil. Seria importante que o chamado mundo desenvolvido olhasse para os pa\u00edses mais pobres e se preocupasse tamb\u00e9m com a vacina\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses?<\/em><\/p>\n<p>Com toda a certeza. Eu penso que os pa\u00edses t\u00eam direito a olhar para os seus cidad\u00e3os, mas nenhum pa\u00eds pode ficar a olhar s\u00f3 para si, s\u00f3 para dentro. N\u00e3o \u00e9 justo que os pa\u00edses corram para vacinar toda a sua popula\u00e7\u00e3o e que a Africa fique esperando para s\u00f3 quando terminarem.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas h\u00e1 esse risco?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 esse risco sim, que a Africa fique para\u00a0\u00faltimo. Isso n\u00e3o \u00e9 justo. N\u00f3s temos\u00a0problemas\u00a0como todo o mundo tem, n\u00f3s temos\u00a0problemas\u00a0aumentados ainda por causa da explora\u00e7\u00e3o na Africa. N\u00e3o \u00e9 justo que isso aconte\u00e7a. \u00c9 importante que a OMS &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade &#8211; cobre das autoridades, cobre dos pa\u00edses mais desenvolvidos que\u00a0redistribuam, que haja uma distribui\u00e7\u00e3o mais equitativa das vacinas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por \u00faltimo, sabemos que, por raz\u00f5es pessoais se teve de deslocar ao brasil. O pa\u00eds vive tamb\u00e9m uma crise sanit\u00e1ria sem precedentes e h\u00e1 tamb\u00e9m movimentos de forte contesta\u00e7\u00e3o ao Governo de Bolsonaro. Soubemos que alguns L\u00edderes religiosos do Brasil entraram com um pedido de destitui\u00e7\u00e3o contra o Presidente, Jair Bolsonaro, por alegada neglig\u00eancia no combate \u00e0 covid-19, num documento assinado por 380 pessoas, entre as quais bispos e pastores.<\/em><\/p>\n<p><em>Como classificaria a situa\u00e7\u00e3o no seu pa\u00eds natal?<\/em><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, no Brasil \u00e9 calamitosa. Eu penso que muitas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse por parte do Governo central uma comunica\u00e7\u00e3o maior com a popula\u00e7\u00e3o, um incentivo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o para os devidos cuidados. O que houve foi um negacionismo, quase que uma brincadeira com a pandemia, e o resultado est\u00e1 a\u00ed. H\u00e1 cerca de 60 pedidos de\u00a0Impeachment\u00a0ao Presidente na C\u00e2mara dos deputados. E agora um grupo de l\u00edderes religiosos assinou mais um pedido de impeachment que se justifica porque o resultado do deboche, da maneira como foi tratada a pandemia, est\u00e1 aparecendo agora nos resultados. Tanto \u00e9 que o Governo tem agora uma posi\u00e7\u00e3o totalmente contraria h\u00e1 que tinha inicialmente. Ent\u00e3o, isto mostra n\u00e3o s\u00f3 que os governantes daqui, mas em outras partes do mundo tamb\u00e9m, tiveram obrigatoriamente de mudar a sua opini\u00e3o porque essa pandemia n\u00e3o \u00e9 uma brincadeira. N\u00e3o \u00e9 como eles levaram no in\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Luiz Fernando Lisboa \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, num momento em que mais de 30 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil portuguesa manifestaram o desejo de que o Governo portugu\u00eas a e Uni\u00e3o Europeia se envolvam na solu\u00e7\u00e3o da crise humanit\u00e1ria que a atinge a regi\u00e3o de Cabo Delgado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":191988,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[262],"class_list":["post-197608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-mocambique"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197608\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/191988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}