{"id":197550,"date":"2021-01-30T09:33:34","date_gmt":"2021-01-30T09:33:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=197550"},"modified":"2021-01-29T16:34:58","modified_gmt":"2021-01-29T16:34:58","slug":"mocambique-ha-pessoas-que-passam-fome-hoje-amanha-e-depois-paulo-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mocambique-ha-pessoas-que-passam-fome-hoje-amanha-e-depois-paulo-costa\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique: \u00abH\u00e1 pessoas que passam fome hoje, amanh\u00e3 e depois\u00bb &#8211; Paulo Costa"},"content":{"rendered":"<p><em>Mais de 30 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil manifestaram o desejo de que o Governo portugu\u00eas e a Uni\u00e3o Europeia se envolvam na solu\u00e7\u00e3o da crise humanit\u00e1ria que a atinge a regi\u00e3o de Cabo Delgado, no Norte de Mo\u00e7ambique<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Uma dessas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 a &#8220;Rosto Solid\u00e1rio&#8221; promovida pela Congrega\u00e7\u00e3o Passionista de Santa Maria da Feira e por um grupo de leigos da comunidade local. Paulo Costa \u00e9 um dos respons\u00e1veis pela \u201cRosto Solid\u00e1rio\u201d e conversa sobre a iniciativa em defesa da popula\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicana com a Renascen\u00e7a e a Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em> <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/direo-paulo-costa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-197538\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/direo-paulo-costa-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/direo-paulo-costa-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/direo-paulo-costa.jpg 481w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que levou estas 30 organiza\u00e7\u00f5es a lan\u00e7arem este apelo?<\/em><\/p>\n<p>Estas 30 organiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 um grupo de base, inicial, de tr\u00eas ou quatro organiza\u00e7\u00f5es, que vinham acompanhando o problema de Cabo Delgado h\u00e1 alguns anos, porque esta crise n\u00e3o come\u00e7ou agora, tendo em conta a sua miss\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento, de ajuda humanit\u00e1ria e tamb\u00e9m ao n\u00edvel de direitos humanos, sentiram-se mobilizadas a refor\u00e7ar este apelo que tem sido feito no contexto nacional por algumas pessoas e tamb\u00e9m em Mo\u00e7ambique, muito pelo bispo de Pemba, D. Luiz Lisboa, com quem trabalhamos e temos contactos e foi emergindo esta necessidade e esta vontade de dar voz aos sem voz.<\/p>\n<p><em>Este pedido especificamente das organiza\u00e7\u00f5es pode significar que n\u00e3o tem existido a vontade necess\u00e1ria para enfrentar o problema?<\/em><\/p>\n<p>Como sabemos muitas das vezes os procedimentos a n\u00edvel internacional e diplom\u00e1tico t\u00eam as suas etapas e os seus tr\u00e2mites e, em primeiro lugar, estamos a falar de uma crise num pa\u00eds, que \u00e9 um Estado soberano e que tem de ser respeitado, e que, recentemente, reconheceu o problema ao fim de alguns anos em que foi tentando resolver internamente.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ano passado houve expressamente um pedido \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE) de apoio por parte de Mo\u00e7ambique e o reconhecimento da dificuldade de resolver este problema que \u00e9 \u00e0 partida interno. A partir dai h\u00e1 este espa\u00e7o para que Portugal, numa coopera\u00e7\u00e3o bilateral, mas especialmente enquanto membro da UE, possa pressionar e influenciar no sentido que este grande bloco, que tem historicamente uma capacidade de apoio no contexto africano, se mobilize em espec\u00edfico para esta crise e particularmente num contexto de pandemia Covid-19 mais dif\u00edcil \u00e9 alertarmos para outros problemas que continuam a emergir e a permanecer no contexto global e em Mo\u00e7ambique em concreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Governo portugu\u00eas j\u00e1 se mostrou dispon\u00edvel para ajudar, as autoridades mo\u00e7ambicanas j\u00e1 demonstraram alguma abertura. Atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Defesa e tamb\u00e9m dos Neg\u00f3cios Estrangeiros houve em diferentes ocasi\u00f5es essa manifesta\u00e7\u00e3o de disponibilidade para colaborar. O Minist\u00e9rio da Defesa disponibilizou mesmo a possibilidade do envio de tropas para Mo\u00e7ambique. Daquilo que v\u00e3o conhecendo na realidade no terreno, h\u00e1 nesta altura uma maior disponibilidade, uma maior abertura, para receber essa ajuda que a regi\u00e3o tanto necessita?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 em primeiro lugar uma grande crise humanit\u00e1ria e as ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas que t\u00eam nestes contextos uma grande capacidade de a\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o eles que mais socorrem os deslocados internos &#8211; cerca de meio milh\u00e3o de pessoas, e de mais de dois mil mortos nos \u00faltimos anos de conflito \u2013, neste momento, n\u00e3o t\u00eam capacidade financeira. E isto \u00e9 imediato.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que passam fome hoje, amanh\u00e3 e depois. E muitas das vezes estes tr\u00e2mites diplom\u00e1ticos levam o seu tempo e entendemos que \u00e9 relevante fazermos esta press\u00e3o para que se tente encurtar os timings de decis\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portugal j\u00e1 manifestou a vontade e h\u00e1 uma negocia\u00e7\u00e3o em curso de que vai rapidamente apoiar ao n\u00edvel do Minist\u00e9rio da Defesa Mo\u00e7ambique, n\u00e3o com o envio de tropas mas com a\u00e7\u00f5es indiretas de capacita\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas Mo\u00e7ambicanas. H\u00e1 aqui uma postura de refor\u00e7ar o papel de Mo\u00e7ambique na solu\u00e7\u00e3o do problema.<\/p>\n<p>Ao que sabemos, por declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, o ministro da Defesa, os seus representantes ir\u00e3o deslocar-se a brevemente a Mo\u00e7ambique no sentido que se comece a implementar no terreno.<\/p>\n<p>Recentemente, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros esteve em Mo\u00e7ambique, enquanto representante da Uni\u00e3o Europeia porque Portugal assume a presid\u00eancia do Conselho Europeu durante este primeiro semestre do ano. Tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade que esta agenda chegue \u00e0s mesas dos processos de tomada de decis\u00e3o ao n\u00edvel europeu e Portugal \u00e9 importante que tenha esse papel e que o nosso Governo tamb\u00e9m se sinta refor\u00e7ado e legitimado para que essa agenda esteja no processo de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pensa que \u00e9 importante esta ajuda internacional, esta press\u00e3o internacional, coincidente com a presid\u00eancia portuguesa do Conselho Europeu chegue at\u00e9 \u00e0s autoridades mo\u00e7ambicanas e, daquilo que vai ouvindo e foi dizendo, se haver\u00e1 vontade dessas autoridades em aceitar a ajuda internacional?<\/em><\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique \u00e9 tradicionalmente um pa\u00eds recetor de ajuda internacional, historicamente, nos \u00faltimos anos, e \u00e9 visto como um pa\u00eds \u201cbom aluno\u201d. Tem uma boa rela\u00e7\u00e3o com a comunidade internacional e tem sido bastante apoiado por isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Reconheceu o problema, h\u00e1 aqui muitas nuances, tamb\u00e9m temos que ter em considera\u00e7\u00e3o que estamos a falar em rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do tempo colonial, etc. \u00c9 importante que a uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m tenha uma posi\u00e7\u00e3o de empoderar um Estado independente e n\u00e3o cairmos em processos de deslegitimar um Estado que j\u00e1 tem algumas fraquezas e, por isso, precisa de ajuda.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia temos muitas sensibilidades, temos pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o nenhuma com \u00c1frica, ou que isso n\u00e3o passa pela sua rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, nem estrat\u00e9gica, dai a import\u00e2ncia de coincidir com a presid\u00eancia portuguesa.<\/p>\n<p>Portugal tem a rela\u00e7\u00e3o com os Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Portuguesa como priorit\u00e1ria, na sua pol\u00edtica de coopera\u00e7\u00e3o portuguesa, na sua pol\u00edtica de rela\u00e7\u00e3o externa, e \u00e9 extremamente importante que potencie isso. A seguir pode vir um outro pa\u00eds a assumir a presid\u00eancia (do Conselho Europeu) que n\u00e3o tenha isso como prioridade.<\/p>\n<p>\u00c9 potenciar esta onda que nos surge.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que not\u00edcias t\u00eam chegado desde o terreno em Cabo Delgado: O n\u00famero de deslocados continua a aumentar?<\/em><\/p>\n<p>Sim, no \u00faltimo ano o n\u00famero disparou bastante e temos claramente os incidentes de viol\u00eancia continuam a ocorrer semanalmente. H\u00e1 casos regulares, mais do que um por semana. E estamos aqui perante um problema que os deslocados j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3 na Prov\u00edncia de Cabo Delgado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E j\u00e1 s\u00e3o mais de 500 mil como se tem vindo a falar?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Cabo Delgado \u00e9 essencialmente uma prov\u00edncia agr\u00edcola, as pessoas deixaram as suas planta\u00e7\u00f5es, portanto, n\u00e3o t\u00eam o que comer e deixaram as suas casas. Tamb\u00e9m temos um problema de abrigo e as pr\u00f3prias ag\u00eancias internacionais est\u00e3o com dificuldades em mobilizar recursos para esse apoio e temos o contexto da pandemia da Covid-19 e, nesta situa\u00e7\u00e3o a c\u00f3lera tamb\u00e9m j\u00e1 apareceu.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da fome e da falta de abrigo temos o contexto do covid e da c\u00f3lera, ou seja, a pobreza no seu expoente m\u00e1ximo em que tudo se junta. Parece que atrai tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quais as principais necessidades da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e3o identificadas pelas institui\u00e7\u00f5es? Tem sido f\u00e1cil fazer chegar a ajuda<\/em>?<\/p>\n<p>A Rosto Solid\u00e1rio, a C\u00e1ritas Portuguesa e algumas das organiza\u00e7\u00f5es que subscrevem t\u00eam um contacto mais regular com a Diocese de Pemba, com a C\u00e1ritas local e com o bispo diocesano, D. Luiz Lisboa. Vamos tentando mobilizar alguns recursos, tamb\u00e9m a pr\u00f3pria Arquidiocese de Braga, que tem uma gemina\u00e7\u00e3o com a Diocese de Pemba, no sentido de fazer chegar alguns pequenos contributos que permitam resolver os problemas do dia a dia, que v\u00e3o crescentes. Mas, de facto, n\u00e3o se consegue resolver um problema tamanho, temos quase dificuldade em o imagina, mais de meio milh\u00e3o de pessoas\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Agora n\u00e3o \u00e9 um problema: s\u00e3o os deslocados, a c\u00f3lera, a pandemia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, e \u00e9 o problema da viol\u00eancia, porque esse problema \u00e9 a quest\u00e3o central.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/640_PICT7206_23912-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-197512 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/640_PICT7206_23912-1-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/640_PICT7206_23912-1-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/640_PICT7206_23912-1-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/640_PICT7206_23912-1-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/640_PICT7206_23912-1.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>Tem alguma ideia da dimens\u00e3o do impacto da pandemia?<\/em><\/p>\n<p>Em termos da pandemia, num contexto de aus\u00eancia de muitos servi\u00e7os b\u00e1sicos e de servi\u00e7os de sa\u00fade muito prec\u00e1rios, n\u00e3o temos dados concretos. Basicamente, o nosso apoio \u00e9 mobilizar recursos financeiros para os fazer chegar rapidamente ao local, para que os nossos parceiros possam adquirir g\u00e9neros alimentares, tendas e outras formas de garantir que as pessoas se abriguem. Ao n\u00edvel da sa\u00fade, n\u00e3o somos especializados nessa \u00e1rea e n\u00e3o temos muitos dados concretos, mas estamos atentos tamb\u00e9m \u00e0s consequ\u00eancias da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, da fome, \u00e0 quest\u00e3o da \u00e1gua pot\u00e1vel. Essa \u00e9 uma das prioridades, distribuir formas de desinfetar a \u00e1gua e de a conservar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa pode ajudar quem enfrenta esta situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia em Cabo Delgado<\/em>?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 trazermos isto \u00e0 nossa conversa, fazer chegar a outras pessoas. J\u00e1 falamos do papel que o Governo portugu\u00eas pode ter e sabemos que, muitas vezes, as decis\u00f5es pol\u00edticas tamb\u00e9m s\u00e3o influenciadas pela agenda medi\u00e1tica, hoje em dia o poder das redes sociais \u00e9 relevante. Esta \u00e9 a primeira quest\u00e3o: levantar o problema. Depois, n\u00f3s no Rosto Solid\u00e1rio e outras organiza\u00e7\u00f5es \u2013 a Arquidiocese de Braga, a C\u00e1ritas Portuguesa -, recolhemos regularmente fundos e donativos monet\u00e1rios, para os fazer a outros parceiros.<\/p>\n<p>Este conflito \u00e9 extremamente complexo, tem muitas causas, \u00e9 importante que pensemos bastante, que cruzemos fontes, que fa\u00e7amos leituras de diferentes meios. O problema \u00e9 complexo e \u00e9 preciso ter uma leitura cr\u00edtica sobre ele. Esse papel, no caso dos jornalistas, \u00e9 extremamente importante. H\u00e1 dificuldade em termos informa\u00e7\u00e3o que venha do terreno, n\u00e3o h\u00e1 muitos jornalistas a conseguir chegar, n\u00e3o h\u00e1 muitas informa\u00e7\u00f5es, estamos a falar de pessoas que s\u00e3o consideradas terroristas e n\u00e3o t\u00eam propriamente porta-vozes, ningu\u00e9m fala com eles regularmente.<\/p>\n<p>O que tamb\u00e9m fazemos, nas organiza\u00e7\u00f5es e neste movimento que emergiu, \u00e9 ir refletindo e partilhando informa\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por \u00faltimo, e aproveitando esta oportunidade gostar\u00edamos que nos falasse um pouco da Rosto Solid\u00e1rio e das vossas principais atividades e tamb\u00e9m dificuldades<\/em>&#8230;.<\/p>\n<p>A Rosto Solid\u00e1rio nasceu na congrega\u00e7\u00e3o mais conhecida por Passionistas, s\u00e3o os Mission\u00e1rios Passionistas. A nossa miss\u00e3o vem dessa espiritualidade, que est\u00e1 muito ligada com a Paix\u00e3o de Cristo, de um ponto de vista social e humano, com a ideia de que essa presen\u00e7a de Deus se faz em todos aqueles que sofrem. A miss\u00e3o da Rosto Solid\u00e1rio, de alguma maneira, \u00e9 descrucificar aqueles que sofrem, pela injusti\u00e7a. Fazemos isso localmente, junto de pessoas que tiveram o azar de ficar sem trabalho, em Portugal, procurando mitigar algumas car\u00eancias; no contexto da rela\u00e7\u00e3o com os PALOP, tentamos estar junto daqueles que menos t\u00eam, me processos de desenvolvimento, mas tamb\u00e9m para levar a voz daqueles que n\u00e3o se conseguem fazer ouvir para junto dos decisores.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma terceira dimens\u00e3o, que \u00e9 a de fazer as pessoas pensar sobre estes assuntos, no sentido de que sejam mais participativas, cidad\u00e3os com uma reflex\u00e3o global e cr\u00edtica sobre estas desigualdades, conflitos, perpetua\u00e7\u00e3o da pobreza, os problemas da educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Trabalhamos muito em educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, em sensibiliza\u00e7\u00e3o das comunidades. E existe o voluntariado como recurso e oportunidade para que as pessoas toquem nestes problemas e se transformem, levando depois para a sua vida e atividade profissional estas preocupa\u00e7\u00f5es, porque muitas vezes n\u00e3o reconhecemos muitos destes problemas, passam-nos ao lado. Nestes meses, ent\u00e3o, passamos a vida a falar da Covid e quase que os mortos j\u00e1 deixaram de ser pessoas, a ser n\u00fameros, e estamos indiferentes. \u00c9 preciso lutar contra esta indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"3a8MsxakNi\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ue-presidencia-organizacoes-catolicas-e-da-sociedade-civil-pedem-intervencao-de-portugal-na-crise-em-cabo-delgado\/\">UE\/Presid\u00eancia: Organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e da sociedade civil pedem interven\u00e7\u00e3o de Portugal na crise em Cabo Delgado<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;UE\/Presid\u00eancia: Organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e da sociedade civil pedem interven\u00e7\u00e3o de Portugal na crise em Cabo Delgado&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" 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