{"id":1975,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-de-d-daniel-labille-na-peregrinacao-internacional-aniversaria-de-agosto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-de-d-daniel-labille-na-peregrinacao-internacional-aniversaria-de-agosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-daniel-labille-na-peregrinacao-internacional-aniversaria-de-agosto\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Daniel Labille na Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional Anivers\u00e1ria de Agosto"},"content":{"rendered":"<p>Somos muitos os que hoje viemos, de perto e de longe, a este santu\u00e1rio, rezar a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima. Trouxemos certamente o cora\u00e7\u00e3o carregado de inten\u00e7\u00f5es. Mas permiti-me que vos convide a rezar especialmente por duas: A primeira seria por todos os homens e mulheres que, por causa duma vida melhor, como \u00e9 o caso de muitos de entre v\u00f3s, tiveram de deixar as suas fam\u00edlias e as suas terras e se aventuraram a recome\u00e7ar a vida noutros pa\u00edses. Por tudo quanto conhe\u00e7o da vossa hist\u00f3ria, v\u00f3s, Portugueses, sois um povo aventureiro. A segunda seria por todos os homens e mulheres que tiveram igualmente de deixar as suas fam\u00edlias e terras, n\u00e3o propriamente por causa de procurar trabalho, mas para fugir \u00e0 guerra, \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o religiosa, \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de certos regimes totalit\u00e1rios.  Ouvimos, h\u00e1 instantes, uma passagem do evangelho de S. Jo\u00e3o. L\u00e1 no calv\u00e1rio, do alto da cruz, Jesus disse \u00e0 sua M\u00e3e: \u00abSenhora, eis o teu filho\u00bb. A seguir, disse ao disc\u00edpulo: \u00abEis a tua M\u00e3e\u00bb. Estas palavras de Jesus aqui em F\u00e1tima soam aos nossos ouvidos duma maneira muito especial. Nesta manh\u00e3 de treze de Agosto de dois mil e tr\u00eas, Jesus diz a cada um de n\u00f3s a mesma palavra dita a S. Jo\u00e3o: \u00abEis a tua M\u00e3e\u00bb. Perante esta palavra de Jesus certamente que todos n\u00f3s vamos acolher nas nossas vidas Maria, a M\u00e3e de Jesus, a M\u00e3e da Igreja, a M\u00e3e de todos n\u00f3s. Por sua vez, Maria responde ao pedido de Jesus acolhendo-nos como filhos no seu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado.  Aqui, na Cova da Iria, Maria repetiu por outras palavras, esta mesma mensagem quando, h\u00e1 oitenta e seis anos, apareceu \u00e0 L\u00facia, e \u00e0 Jacinta e ao Francisco, hoje Bem-aventurados. V\u00e1rias vezes, Maria repetiu:  Convertei-vos; n\u00e3o vos afasteis de Deus, vosso Pai; cortar rela\u00e7\u00f5es com Deus \u00e9 perder a verdadeira vida; o pecado afasta-nos de Deus. Se n\u00f3s abandonamos Deus, se nos recusamos a am\u00e1-Lo, se nos recusamos a amar os outros, ent\u00e3o a nossa vida torna-se um aut\u00eantico inferno.  Maria pediu tamb\u00e9m que n\u00e3o se ofendesse mais a Deus. O pecado, meus irm\u00e3os, parece que hoje n\u00e3o preocupa mais as pessoas. E contudo o pecado destr\u00f3i-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios e destr\u00f3i as nossas rela\u00e7\u00f5es de uns com os outros. A passagem do Livro do G\u00e9nesis que ouvimos como primeira leitura, descreve esta experi\u00eancia dos efeitos mal\u00e9ficos do pecado. Pelo pecado da desobedi\u00eancia, Ad\u00e3o e Eva separam-se de Deus e as suas rela\u00e7\u00f5es foram profundamente perturbadas. A mentira falseou a boa rela\u00e7\u00e3o que existia no casal. Antes, confiavam absolutamente um no outro mas, depois do pecado, a desconfian\u00e7a e a d\u00favida instalaram-se nos seus cora\u00e7\u00f5es. Os germes da divis\u00e3o e do ci\u00fame perturbaram a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus e com a cria\u00e7\u00e3o. Ao amor limpo que os unia, misturou-se o desejo de prazer e da domina\u00e7\u00e3o.  Maria, como m\u00e3o atenta que se preocupa com o bem dos seus filhos, veio, de novo, prevenir-nos do mal que acarretam o pecado e o afastamento de Deus. Mal pomos o p\u00e9 neste santu\u00e1rio, parece que todas as pedras nos murmuram as palavras de Maria aqui ditas nas apari\u00e7\u00f5es: fazei penit\u00eancia; rezai o ter\u00e7o; vivei unidos a mim; procurai viver com os mesmos sentimentos com que eu acompanhei a vida e a paix\u00e3o de Jesus; abrigai-vos no meu Cora\u00e7\u00e3o Imaculado para evitar a guerra, a desgra\u00e7a e a apostasia ganhem o mundo inteiro; oferecei com amor os vossos sofrimentos; pelos vossos sofrimentos unidos aos de Jesus na cruz v\u00f3s participareis na reden\u00e7\u00e3o dos homens.  Porque \u00e9 que Jesus nos confiou \u00e0 sua M\u00e3e? Porque todos n\u00f3s somos fr\u00e1geis. Porque todos n\u00f3s temos necessidade de viver unidos, muito pr\u00f3ximos de Jesus, muito pr\u00f3ximos de Maria. Precisamos de viver unidos como membros de uma fam\u00edlia unida.  A passagem dos Actos dos Ap\u00f3stolos que ouvimos na segunda leitura, descreve assim a vida dos primeiros crist\u00e3os: \u00abEles eram fi\u00e9is aos ensinamentos dos Ap\u00f3stolos, \u00e0 Eucaristia e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, e viviam em comunh\u00e3o fraterna. Foi assim que os primeiros crist\u00e3os puderam ultrapassar as dificuldades e tenta\u00e7\u00f5es do mundo pag\u00e3o.  Deve ser tamb\u00e9m essa a nossa preocupa\u00e7\u00e3o de hoje: vivermos unidos em fam\u00edlia, vivermos unidos em Igreja sob a protec\u00e7\u00e3o de Maria. Quando os pais viram emigrar os filhos para Fran\u00e7a, para a Alemanha, para a Am\u00e9rica, a sua primeira preocupa\u00e7\u00e3o foi de conservar os la\u00e7os familiares. Apesar de afastados das fam\u00edlias, os filhos deviam continuar fi\u00e9is \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 para que n\u00e3o se deixassem seduzir pelo mal. Como v\u00f3s sois felizes, car\u00edssimos emigrantes, de vos encontrardes em fam\u00edlia durante as f\u00e9rias. E como s\u00e3o felizes de vos acolherem as vossas fam\u00edlias. A vinda \u00e0 terra natal, nas f\u00e9rias de Ver\u00e3o, \u00e9 para muitos de v\u00f3s, a ocasi\u00e3o de recuperar e armazenar for\u00e7as para mais um ano de trabalho. V\u00f3s sabeis, bem melhor do que eu, que a vida dum emigrante n\u00e3o \u00e9 nenhum mar de rosas.  Viver unidos em Igreja \u00e9 a mensagem que o Papa Jo\u00e3o Paulo II nos enviou para a octog\u00e9sima nona Jornada Mundial das Migra\u00e7\u00f5es. N\u00f3s somos uma \u00fanica fam\u00edlia humana porque temos o mesmo Pai e porque Jesus nos confiou a Maria, sua M\u00e3e. Qualquer que seja o pa\u00eds para onde emigramos, pertencemos de pleno direito \u00e0 comunidade cat\u00f3lica desse pa\u00eds. Diz assim o Papa: \u00abA perten\u00e7a \u00e0 comunidade cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 determinada pela nacionalidade ou origem social, mas essencialmente pela F\u00e9 em Jesus Cristo\u00bb. Esta palavra do Papa convida a uma abertura rec\u00edproca entre a popula\u00e7\u00e3o emigrada e a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds que acolhe. \u00abEsta abertura &#8211; diz ainda o Papa &#8211; contribui para a constru\u00e7\u00e3o de comunidades din\u00e2micas atrav\u00e9s dos dons trazidos pelos migrantes vindos de outras culturas\u00bb.  Como Bispo da diocese de Cr\u00e9teil, o c\u00e9lebre noventa e quatro, sou testemunha do dinamismo eclesial incrementado pelas numerosas comunidades migrantes. Na diocese de Cr\u00e9teil, h\u00e1 gente de oitenta e seis nacionalidades. Dessa grande diversidade de povos fazem parte cento e cinquenta mil portugueses. De h\u00e1 uns anos a esta data, come\u00e7aram a integrar-se nas par\u00f3quias e a ocupar o seu lugar de pleno direito participando nos v\u00e1rios movimentos de apostolado e nos diversos servi\u00e7os da Igreja diocesana. Esta mistura de ra\u00e7as, culturas e tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s \u00e9 uma fonte de vitalidade incompar\u00e1vel e de muitas alegrias comuns. Mas este esp\u00edrito de partilha n\u00e3o \u00e9 inato: \u00abEle exige &#8211; recorda o Papa &#8211; um treino constante e a fuga \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se fechar sobre si mesmo. O amor fraterno \u00e9, na verdade, o sinal pelo qual s\u00e3o reconhecidos os disc\u00edpulos de Jesus: \u00abO sinal por que todos vos h\u00e3o-de reconhecer como meus disc\u00edpulos \u00e9 terdes amor uns aos outros\u00bb. Jo 13, 35  Para evitar a Jesus o massacre dos inocentes de Bel\u00e9m, Maria e Jos\u00e9 tiveram de deixar precipitadamente o seu pa\u00eds e exilar-se no Egipto. Tamb\u00e9m a Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 viveu a condi\u00e7\u00e3o de migrante. Nas dificuldades, obst\u00e1culos e tenta\u00e7\u00f5es de todos os dias, que Maria nos proteja e nos guarde fi\u00e9is ao Pai, em comunh\u00e3o com Seu Filho Jesus, abertos aos apelos do Esp\u00edrito Santo.  Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima, rogai por n\u00f3s.  + DANIEL LABILLE BISPO DE CRETEIL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos muitos os que hoje viemos, de perto e de longe, a este santu\u00e1rio, rezar a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima. Trouxemos certamente o cora\u00e7\u00e3o carregado de inten\u00e7\u00f5es. 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